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quinta-feira, 15 de julho de 2010

O Prisioneiro – mini série de 2009

O Prisioneiro
Título Original: The Prisoner
Roteiro: Bill Gallagher
Diretor: Nick Hurran
Produção: Estados Unidos (AMC) / Inglaterra (BBC)
Elenco: Jim Caviezel (6), Ian McKellen (2), Hayley Atwell (Lucy / 415), Ruth Wilson (313), Jamie Campbell Bower (1112) e outros.
Número de episódios: 6
Ano da 1a exibição: 2009

Sinopse: Um homem acorda num deserto sem saber o motivo e onde exatamente está. Assiste uma perseguição de um homem, que vê agonizar, e, neste estado, pede ao homem perdido para dizer a 554 que ele conseguiu sair. O homem perdido segue em frente e encontra um local habitado, que é conhecido por todos como A Vila. Muitos o chamam de 6. A Vila é governada por um homem que se intitula de Número 2.

Sempre foi um desafio interessante fazer um remake da série Cult dos anos 60 (roteirizada, dirigida, produzida e estrelada por Patrick McGoohan). Em primeiro lugar, por ser cult, sempre teria uma legião de fãs apontando defeitos. Em segundo lugar porque a série original era ambientada nos tempos da Guerra Fria, o que gerava boa parte do clima de paranóia reinante e, em terceiro, criar uma boa história, respeitando a proposta original.

O primeiro desafio nunca será vencido. As comparações serão inevitáveis e mesmo que o resultado tivesse sido maravilhoso, sempre haveria quem dissesse “a antiga era melhor”. O segundo desafio foi resolvido muito bem, sem que se apelasse para o terrorismo. Qual é a paranóia dos dias de hoje? A perda da privacidade.

Já sobre o terceiro desafio não se pode dizer que foi vencido totalmente. É certo que foi criada uma boa história, com vários elementos da série original: a vigilância constante, o desespero de 6 em sair de lá, a impossibilidade em confiar em alguém. Porém, algo importante da série foi deixado de lado: as perguntas sem resposta. Na realidade, dentro das muitas interpretações para estas perguntas, e Bill Gallagher (roteirista) e Nick Hurran (diretor) optaram por dar as suas respostas aos enigmas propostos.

Isso não foi feito sem habilidade. O mistério é criado para ser respondido no final, com pistas de diversos tipos que apontam para o desfecho, congruentes com o desenrolar da história. O uso de flashbacks permite revelar aos poucos alguns detalhes da trama.

Os diretores optaram também por dar um único número 2, ao invés de vários, como na série original. Isso criou um antagonista de peso para o Número 6, permitindo um desenvolvimento do personagem. A interpretação do Número 2 por Ian McKellen foi excepcional, roubando a cena.

Por outro lado, o personagem Número 6 perdeu muito da substância que o caracterizava na série antiga, mostrando-se muitas vezes fraco diante de seu opositor ou das pessoas que são usadas para controlá-lo (por exemplo, seu pseudo-irmão e as mulheres: 313 e 415). (Na série original, Patrick McGohan insistiu que seu personagem não se aprofundasse em nenhum dos relacionamentos, principalmente com mulheres, pois o clima de falta de confiança impediria isso). Isso não foi por culpa da interpretação de Jim Caviezel, mas por força do roteiro.


Alguns outros acertos da nova série:

• Presença de crianças, de várias faixas etárias. Isso deu uma verossimilhança maior a A Vila. Na série anterior, só apareceram crianças em um episódio, próximo ao fim da série.

• Introdução de um drama pessoal para o Número 2. Isso dá maior dimensão ao personagem, acentuando sua frieza e cinismo.

• Citações para os fãs da série original. Por exemplo, a bicicleta antiga, pendurada no teto da boate, o clima retrô, algumas cenas, como a da compra do mapa (feita com um certo humor).

• Final surpresa. Mesmo para quem estava esperando isso (embora isso não signifique que o final tenha sido bom).

Alguns erros da nova série:

• “Fechar” a série. O roteiro procura não deixar pontas soltas ao dar congruência ao desfecho, porém parte do espírito da série era deixar as pessoas cheias de dúvidas, mesmo após o final.

• Corte abruptos, com descontinuidades desnecessárias. Isso faz com que se tenha às vezes a impressão de que você deixou de assistir um monte de episódios.

• Seleção de episódios. Na seleção de episódios a serem apresentados (embora quase só se tenha aproveitado o título), ficou de fora o melhor deles: Change of Mind, onde o Número 6 consegue reverter o jogo do Número 2.

•  O final desagradou. Se bem que isto também aconteceu com a série original.

sábado, 1 de maio de 2010

Star Trek: Next Generation (3ª temporada)

Star Trek: Next Generation (3ª temporada)
Elenco: Patrick Stewart, Jonathan Frakes, Le Var Burton, Marina Sirtis, Micahel Dorn


Os 26 episódios da terceira temporada da série Star Trek: Next Generation -- série que surgiu nas telas entre 1989 e 1990 -- estão disponíveis em  box  da CBS DVD ao público brasileiro. .
Aqui, os fãs de Star Trek terão a oportunidade de rever estes episódios. Apenas isto: uma edição da CBS DVD que apenas os junta debaixo de um menu simples, sem seleção de cenas e sem nenhum extra! O que é uma pena! 

Mas de qualquer forma, o valor intrínseco da série justifica o lançamento.
A maioria dos roteiros, como é de praxe em toda a série, é bastante inteligente e bem dirigida, se bem que muitas vezes acaba se fixando nos estereótipos que ela mesma criou. Até os fãs mais ardorosos se cansaram de ver Data andando como uma marionete e tentando descobrir novas emoções. E, passadas três temporadas, nos perguntamos: por que não há outros andróides ainda que inferiores ao supra-sumo da tecnologia "positrônica" (referência-homenagem a Isaac Asimov), rondando pela nave ou em qualquer ponto do Universo? Ou mesmo robôs de diversows tipos, ainda que não humanídes?

A maneira de narrar a maioria dos episódios segue a fórmula das séries de Jornada Nas Estrelas: dois núcleos centrados em dois personagens em situações opostas ou similares que convergem no final.

No terceiro ano da série já nos acostumamos ao cerebral Piccard, que quase nunca desce em outros planetas e não tem o "charme" do capitão Kirk. O capitão da série Next Generation é mais verossímil e demonstra, pelo menos em seus aposentos ou para a Conselheira Troi (que emagreceu uns quilinhos), algumas inseguranças. E, feio que dói, quase não faz nenhum jogo de sedução com garotas alienígenas.

A ação e sedução ficam para o comandante Riker, agora nesta terceira temporada mais experiente como ator e com um espaço bastante aumentado na maioria dos episódios.

Um destaque especial para o último episódio desta temporada: O Melhor de Dois Mundos, onde a Enterprise enfrenta os Borgs, seres meio humano, meio máquinas, que formam uma coletividade, agregando e despersonalizando seus inimigos (uma referencia maldosa ao comunismo, um resquício da Guerra Fria). Este episódio é importante, pois contextualiza no tempo e no espaço o meio de onde surgirá a outra série que ocorre em paralelo com Next Genration: Deep Space Nine. Infelizmente este episódio está pela metade, pois tem duas partes e a segunda é o primeiro episódio da quarta temporada.

Uma referência nerd: Em quem vocês acham que foi inspirada a raça Sheliak, que aparece no primeiro episódio da temporada (Os Imperativos do Comando)? Uma dica: são extremamente burocráticos e estão com intenções sérias de remover um obstáculo a seus planos: a população de um planeta inteiro...

Qualquer semelhança com os Vogons (da série O Guia do Mochileiro das Galáxias de Douglas Adams) NÃO É mera coincidência...

Nerdshop:

  • Star Trek: Next Generation (3ª temporada): R$ 99,00
  • quinta-feira, 29 de abril de 2010

    Lost, o projeto Dharma e o I Ching

    Este artigo foi publicado originalmente no Homem Nerd, em agosto de 2006. Como os números fazem parte de um dos mistérios ainda não resolvidos, vale ainda a teoria.

    Lost, o projeto Dharma e o I Ching

    Boa parte da trama de Lost está baseada numa seqüência de números que interliga todos os personagens e os eventos da ilha. E entre estes eventos está a descoberta do projeto Dharma. Quem está acompanhando a série sente a onipresença do símbolo associado ao projeto:


    O significado de cada um dos trigramas está na tabela a seguir:



    Os trigramas combinados dois a dois formam os hexagramas, que é um conjunto de 64 símbolos, numerados de 1 a 64. Notem bem: numerados! Cada um deles tendo uma interpretação total e uma parcial para cada uma das linhas em mutação (o I Ching também é conhecido como o Livro das Mutações). Numa seqüência, o hexagrama seguinte é gerado pela mudança de uma ou mais linhas.

    Os números da série Lost são: 4, 8, 15, 16, 23 e 42. Notem que nenhum deles é maior que 64, portanto associá-los ao I Ching não é nenhuma heresia...

    Tem outra coisa em Lost que aponta para o I Ching. Os chineses foram os primeiros a dar conta da existência do magnetismo terrestre e o associaram a muitos fenômenos da natureza. Inventaram a bússola (e notem a "coincidência" da disposição dos trigramas com os pontos cardeais) e o Feng Shui, que seria, resumidamente, a ciência do controle do fluxo energético da Terra, em especial do magnetismo (que no Ocidente virou apenas uma maneira de decorar a casa, completamente esvaziado de seu significado original).

    Em volta do cisne aparecem usa seqüência de traços abertos _ _ e fechados ___ , compondo ao todo oito símbolos (que por "coincidência" estão na bandeira da Coréia...). Estes símbolos estão associados ao milenar oráculo I Ching. Cada um deles corresponde a um trigrama, formadas por três linhas numeradas de cima para baixo.

    A tabela que mostramos a seguir traz a composição dos hexagramas. Números de Lost em vermelho:





    A série começa com o número 4. O hexagrama 4 é composto pelos trigramas "Montanha" e "Abismo" (ou Água, dependendo da tradução). Montanha e água representam o quê? (Dou um doce pra quem responder...). Uma ilha! Montanha sobre abismo pode ser interpretado também com um desastre. A interpretação clássica é "Inexperiência Jovem", ou uma grande imprudência.

    Interpretação do I Ching:
    A Insensatez Juvenil prevalece.
    Não sou eu quem procura o jovem insensato, é o jovem insensato quem me procura. À primeira consulta eu respondo.
    Se ele pergunta duas ou três vezes, torna-se importuno.
    Ao que se torna importuno não dou nenhuma informação.
    A perseverança é favorável.

    Vamos ao número seguinte:
    O Hexagrama 8 é formado por Abismo sobre a Terra, ou Água sobre Terra (um rio). O chineses vêem aqui a simbologia de vários rios afluindo em um ponto só. E interpretam este Hexagrama como solidariedade ou cooperação, necessárias num momento de infortúnio.

    A interpretação Chinesa:
    Manter-se unido traz boa fortuna.


    Indague ao oráculo mais uma vez se você possui elevação, constância e perseverança; então não há culpa.
    Os inseguros gradualmente se aproximam.
    Aquele que chega tarde demais encontra o infortúnio.

    O Hexagrama 15 é formado por Terra sobre Montanha. A terra esconde uma montanha. Os chineses vêem nisso a expressão da Modéstia. Pode significar também um segredo (a terra plana na realidade oculta uma montanha)

    Interpretação Chinesa:
    A MODÉSTIA cria o sucesso.
    O homem superior conduz as coisas à conclusão.
    A montanha no interior da terra: a imagem da MODÉSTIA.
    Assim o homem superior diminui o que é demasiado e aumenta o que é insuficiente.
    Ele pesa as coisas, igualando-as.

    O Hexagrama 16 é formado por Trovão sobre a Terra. O trovão é visto pelos chineses como algo que pode despertar o entusiasmo. A queda de um raio pode despertar aquele que estava desanimado.

    Agora vejam pra que o entusiasmo seria necessário:
    ENTUSIASMO. É favorável designar ajudantes e pôr os exércitos em marcha.

    Em tempo: o I Ching foi a maneira que o Rei When, enquanto estava prisioneiro, encontrou para escrever seu plano de fuga, de tomada do poder e de governo, de forma a não despertar suspeitas... Não é à toa que era uma das leituras obrigatórias para os soldados japoneses durante a segunda Guerra e para os revolucionários de Mao...

    Agora o porque:
    Hexagrama 23. Montanha sobre a Terra. Os chineses vêem um desmoronamento. Descrevem forças inferiores lutando contra forças superiores, usando de subterfúgios e estratagemas escusos solapando a montanha, provocando a sua desintegração. Isso é bom ou ruim? Depende de que lado você está. Será que Jack está na base da montanha solapando-a? Ou são Outros que se utilizam de recursos escusos pra destruí-los?
    A interpretação chinesa:
    A montanha repousa sobre a terra: a imagem da DESINTEGRAÇÃO. Assim, os superiores só podem garantir suas posições mediante dádivas aos inferiores.

    Hexagrama 42.
    É formado por Vento sobre Trovão. O significado deste hexagrama foge um pouco da superposição de trigramas, mas considera a própria mutação como importante. A linha mais abaixo do hexagrama é forte, junto com outras duas fracas forma o trigrama inferior. O superior é o contrário, os dois pontos mais altos são fortes e o mais abaixo é fraco. O chineses vêem a imagem de uma barra forte que desceu, tirando a força de cima para pô-la embaixo. O nome do trigrama é Aumento, significando o sacrifício do superior em favor do inferior, pois no fundo, governar é servir.

    Vejam a interpretação chinesa:
    AUMENTO. É favorável empreender algo.

    É favorável atravessar a grande água.

    Em outra palavras: é melhor cair fora da ilha...

    segunda-feira, 12 de abril de 2010

    9mm

    Sinopse: Primeira série 100% brasileira produzida pela FOX, mostra a ação da policia civil de São Paulo. No primeiro episódio, a equipe formada por cinco investigadores, quatro homens e uma mulher, tem que desvendar dois crimes aparentemente sem ligação: o assassinato de uma modelo e o estupro de uma menina e o assassinato de sua mãe. 

    Histórias policiais, de um modo geral, buscam mostrar de diversas maneiras o velho refrão "o crime não compensa". Quer seja um detetive frio e cerebral como Sherlock Holmes, ou de sangue quente e mulherengo, como Sam Spade.

    9mm não é uma exceção. A produção da FOX, procurou criar uma série com histórias brasileiras, nos mesmo moldes dos enlatados norte-americanos do mesmo calibre. Histórias com começo, meio e fim, dois ou mais plots correndo em paralelo que algumas vezes se enlaçam e um final que revela o triste fim dos criminosos, punidos por alguma "justiça".

    A primeira coisa que se nota é uma preocupação em retratar com a maior verossimilhança possível a ação da polícia civil de São Paulo. Não há muita tecnologia, os cinco personagens principais se envolvem emocionalmente com os caso que devem resolver, tem vidas pessoais atribuladas, os métodos investigativos não são muito ortodoxos, lembrando um pouco os detetives do gênero noir norte americano, tem vocabulário chulo e ação se transcorre principalmente em favelas.

    A direção é segura, com movimentos rápidos de câmara e cortes bruscos, tornando a narrativa nervosa, aumentando o estresse da própria trama.

    O elenco foi bem escolhido, com algumas boas interpretações, em que pese alguns momentos de uma atuação meramente burocrática, onde os atores apenas dizem o seu papel sem muito envolvimento.

    O filme de estréia cumpre algumas promessas, que esperamos ver serem cumpridas ao longo de toda ela. A trama do primeiro episódio é bem construída, o caráter dos personagens é mostrado ao longo da ação sem explicações e rodeios desnecessários. Temos a impressão de que são realmente gente de carne e osso, tanto os "heróis", como as vítimas e os "vilões". Não há espaço para o humor, nem pra um leve alívio cômico, o que torna a narrativa ainda mais pesada e tensa.

    Resta-nos esperar para ver como o público reage à série. Há razões para supor que tanto responderá positivamente como negativamente. Positivamente, se a série for encarada como um meio de catarse, tal qual foram os detetives noir nos anos 30. Se ninguém resolve o problema da segurança da cidade, o detetive durão o fará, ainda que use métodos escusos.

    Negativamente, se o publico preferir fugir desta realidade em vez de vê-la retratada na tela. Filmes policias americanos tem a vantagem de retratarem histórias que acontecem bem longe da casa do telespectador brasileiro.

    Resenha publica originalmente no Homem Nerd em 20/01/2009, por ocasião da estréia da Série.

    quinta-feira, 18 de março de 2010

    Fringe

    Ficha Técnica
    Fringe
    Elenco: Anna Torv, John Noble, Kirk Acevedo, Joshua Jackson, Lance Reddick, Mark Valley
    Duração: 80 min (episódio de estréia)
    Canal: Fox

    Sinopse: Durante o vôo 627, todos os passageiros e tripulantes morrem misteriosamente, atacados por um agente biológico desconhecido. A investigação fica a cargo de várias agências sob comando de Phillip Broyles (Lance Reddick). Entre os agentes chamados estão Olivia Dunham (Anna Torv) e John Scott (Mark Valley), agentes do FBI. Durante as investigações, John Scott se contamina com o mesmo agente biológico. Com a ajuda do Dr. Walter Bishop (John Noble), cientista brilhante com um passado tenebroso, e do filho dele, Peter Bishop (Joshua Jackson), rapaz brilhante, porém com fatos bastante obscuros em sua vida, Olivia fará de tudo para salvar o parceiro e, de quebra, tentar resolver o mistério.

    Criada por J.J. Abrams (o mesmo de Lost), Alex Kurtzman e Roberto Orci, a série Fringe, graças ao uso de algumas pesquisas reais de ciência limítrofes, caiu no agrado dos fãs de ficção científica clássica, mais voltados para a ciência do que para a ficção.

    Por exemplo, neste piloto, o ataque de uma doença virulenta e extremamente rápida é altamente plausível. Em outra cena, Olivia fica imersa num tanque de privação sensorial para tentar se conectar telepaticamente com o inconsciente do parceiro. O tanque de privação sensorial foi muito usado nos anos 1970 e 1980 em pesquisas sobre o comportamento do cérebro. Também nos anos 1970, a parapsicologia ganha o status de ciência e o Instituto Rhine fez pesquisas sobre telepatia, usando aparelhos de eletroencefalograma para monitorar a atividade cerebral dos envolvidos, verificando o grau de sincronismo entre eles (como na cena do episódio). Um dos personagens tem uma prótese inteligente que substitui um membro amputado, como o braço de Luke Skywalker (a série só coloca mais inteligência e flexibilidade em algo que já existe).

    Isso não é coincidência: Fringe é um termo usado em ciência por designar a chamada ciência limítrofe, aquela que trata de pesquisas e tecnologias baseadas em especulações ou tecnologia de ponta ainda em desenvolvimento, como paranormalidade, genética avançada, inteligência artifical, pesquisas aplicadas com ética duvidosa e outros temas.

    Ao longo do episódio, o espectador percebe que a trama ultrapassará um mero ataque terrorista a um avião, envolvendo corporações misteriosas, agentes de organizações supranacionais de origem desconhecida, agentes duplos, etc. A sensação é de estar vendo uma mistura de Lost com Arquivo X. Afinal há um avião envolvido em um acontecimento misterioso, uma corporação, a Massive Dynamic, que faz pesquisas de tudo, deste próteses inteligentes a remédios para doenças raras, tem uma dupla de agentes do FBI, um homem e uma mulher, e você não pode confiar nem na sua sombra.

    Pontos fracos

    – Há um conflito de personalidades entre o chefe da operação, Phillip Broyles, e a agente Olivia Duhan, muito estereotipado. A agente prendera um amigo dele algum tempo antes e ele guarda rancor, mas tem que engoli-la nas investigações. Quando o conflito surge em cena, parece que os atores estão lendo uma série de carimbos, de tão padronizado que é.
    – Astrid Farnsworth, assistente de Olivia, mais parece um poste, apenas presente na maioria das cenas como um dos móveis e utensílios. Eventualmente faz alguma pergunta ou comentário estúpido, para ser esclarecida por um dos personagens. Seu papel parece ser o de um Dr. Watson, o assistente de Sherlock Holmes, que permite ao autor explicar algumas coisas, sem recorrer a palestras científicas. Dr. Watson, porém, tinha substância, enquanto a pobre Astrid parece ter sido esquecida pelos roteiristas e diretores, sem ter muito que dizer ou fazer.

    – Alguns diálogos entre Peter Bishop, Walter e Olivia, quando ela está prestes a tentar alguma solução arriscada, são bastante fracos. Peter, o filho do professor, parece um grilo falante psicodramático, alertando-a da instabilidade psicológica do pai, com uma raiva mal representada. E Olivia cede à argumentação do professor Walter, sem ao menos perguntar quais os riscos reais.

    Pontos fortes

    – A verossimilhança científica é o principal ponto forte, ainda que toque em temas controversos, como telepatia.

    – Os efeitos especiais das cenas do ataque viral no avião são excelentes.

    – A executiva principal da corporação Massive Dynamic, Nina Sharp, que provavelmente será a principal vilã da série, foi muito bem caracterizada pela atriz Blair Brown. 


    Publicada orignalmento no Homem Nerd 
    em 10/11/2008, antes da estréia da série

    terça-feira, 16 de março de 2010

    Sempre Trapalhões




    Comecei a ver Os Trapalhões quando criança, em sua formação original, que, segundo me lembro, era: Didi, Dedé, Wanderley Cardoso, Ivon Curi e Ted Boy Marino e passava primeiro na extinta Excelsior, depois na Record, muito antes dela ser de Edir Macedo. 

    O humor era típico da época, ou seja, "espetáculo filmado": uma peça relativamente longa (cerca de uma hora) exibida num teatro e transmitida ao vivo ou em vídeo tape, sem edição. 

    A peça pouco importava, pois era penas uma forma de costurar gags ou permitir o improviso. O cenário era precário o que permitia principalmente a Renato Aragão improvisar em cima das falhas, como na vez em que esconde a arma sob um tapete que fazia o papel de "gramado". E o texto "mal" escrito permitia que Didi fizesse a plateia rir ao propositadamente embaralhar as falas, como no dia em que, numa "dramática" cena de assalto, disse:

    -- Quem se chumbar levará mexe!

    Não me lembro quando exatamente vieram Mussum e Zacarias, mas lembro deles na extinta TV Tupi (hoje SBT). Eles eram humoristas, não apenas escadas e, lentamente, o programa passou a ser formado por quadros, tanto com todos os quatro como com um solista, normalmente Didi ou Mussum.

    A crise da Tupi levou o quarteto à Globo. A Globo tentou enquadrá-los no seu "padrão de qualidade", com redatores profissionais, efeitos especiais e tomadas externas, mas não deu resultado. A emissora teve que se render ao humor mais simples e que funcionava. E ainda funciona.


    Eu cresci e me tornei pai e como parte do meu papel estava em levar meus filhos ao cinema. Os Trapalhões então entravam no cardápio. No cinema se tornaram mestres primeiro em avacalhar clássicos da literatura infanto-juvenil, como a Ilha do Tesouro e, depois, de block busters como Planeta dos Macacos e Guerra nas Estrelas.


    Alguns filmes eram verdadeiros trash, como Os Trapalhões na Terra dos Monstros, que teve a participação de Gugu Liberato, outros tinha uma qualidade mediana e alguns ultrapassavam as expectativas, um enredo mais elaborado e mais qualidade na direção e na fotografia. 



    Eu tenho na memória como o melhor filme deles O Casamento dos Trapalhões, onde o quarteto faz uma adaptação cheia de humor do filme Sete Noivas para Sete Irmãos



    Esta nunca foi "uma obrigação de pai", já que eu gostava do grupo e ria junto com meus filhos das piadas ingênuas e às vezes recicladas inúmeras vezes.

    De qualquer forma, era muito divertido, e havia sensação de cumplicidade, onde meus filhos viam o que queriam e eu fingia estar apenas acompanhando e me dava ao luxo de ter de novo apenas dez anos.

    sexta-feira, 5 de março de 2010

    Deep Space Nine Primeira Temporada


    Ficha Técnica

     Elenco: Avery Brooks, Rene Auberjonois, Cirroc Lofton, Alexander Siddig, Colm Meaney, Armin Shimerman, Nana Visitor

    Um ponto fixo no Espaço

     
    Um ponto fixo no Espaço. Esta é a primeira das muitas características que tornam Deep Space Nine única entre as séries de Jornada nas Estrelas.

    Paradoxalmente é uma jornada onde a ação ocorre não em viagens intergalácticas, como desde a série clássica o nome Jornada sugere, mas numa estação nas proximidades de uma fenda espacial.

    Não param aí os contrastes. A estação espacial era posto avançado cardassiano, parte dos despojos de uma guerra perdida por eles contra os bajorianos (que tiveram uma considerável mãozinha da Federação). Os cardassianos ao abandonarem a estação, carregam o que podem, e o que não podem, destroem. Então, temos aí outro contraste: as Enterprises e a Voyager raramente tem problemas sérios e, se os têm, não duram mais que um episódio. Na Deep Space Nine, quase nada funciona a contento. O Chefe O'Brien que o diga.

    A proximidade da fenda transforma a Deep Space Nine num porto. Os conflitos acontecem lá em vez de ocorrerem em algum lugar longínquo do universo, "Onde nenhum homem jamais esteve". Quase tudo acontece dentro de uma estação apertada, cheia de gente e hipofuncionante.

    O mais importante contraste contudo está nos habitantes da Deep Space Nine. Ao contrário das outras séries em que o índice de conflito era baixo, dada a harmonia existente entre os membros da tripulação provocada pela identidade de propósitos, a estação vive em permanente conflito (mostrado até no seu design – confira nos Extras do DVD), mesmo entre os membros da Federação.

    Isso porque há uma multiplicidade de raças, com interesses opostos. Por exemplo, a Major Kira (a única premiada com um briefing nos Extras), bajoriana, parece ainda estar em guerra com os cardassianos, e para seu desgosto, há um exilado cardassiano, o alfaiate Garak. E o fereng Quark, dono do bar, e seu conflito quase permanente com Odo, o transmorfo chefe da segurança (um caso típico de "inimigos íntimos").

    A serie começa no piloto "O Emissário", como se fosse um episódio de Next Generation, seqüência de o "Melhor de Dois Mundos" (onde Piccard é "assimilado" pela Coletividade Borg). As duas séries seguirão em paralelo por pelo menos duas temporadas.
    Segundo seus próprios roteiristas, nos primeiros segundos do episódio "O Emissário", ocorre a maior batalha já vista em qualquer das séries e filmes de Star Trek (vemos até uma nave estelar do tamanho da Enterprise ser pulverizada por uma nave Borg). Nesta batalha o comande Sisco (que virá a ser o protagonista da série), perde a esposa, um trauma que o marcará pelo resto de sua vida.

    Neste primeiro episódio vemos claramente a filosofia (no sentido mais amplo da palavra) que norteará a série. Boa parte dos episódios será centrada em conflitos humanos e discussão de conceitos filosóficos (em "O Emissário" se discute a noção de tempo linear versus percepção psicológica do tempo, de uma maneira inteligente e profunda, sem aborrecer o espectador).

    Extras

    Neste pacote temos alguns extras, para compensar a decepção dos fãs que não viram nada de novo no pacote da
    terceira temporada de Next Generation. Temos desde a concepção da série, da própria estação, que busca no seu design refletir a filosofia norteadora da série. Ela é um anel central horizontal cercado por três verticais... partidos, dando a entender a existência de conflitos. Há um dossiê completo da major Kira (e apenas dela, talvez para ter o que colocar como extra nos outros pacotes)...

    Objetos de cena e criação de alienígenas (a série é um prato cheio para isto, visto que há dezenas de personagens principais e secundários que são oriundos dos mais diversos mundos) completam o molho, com destaque para os objetos do bar do Quark (alguns deles você já deve ter visto por aí nalgum brechó...).

    Nerdshop:
    Deep Space Nine (1ª temporada)

    segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

    O Prisioneiro - Série Cult dos anos 60

    Há cerca de quarenta anos, os produtores de cinema e de TV, dentro do clima favorável da Guerra Fria, deliciavam os espectadores com filmes de espionagem. Desde da série 007 e suas inúmeras imitações, passando pelo Agente da U.N.C.L.E., Missão Impossível (a série antiga), Danger Man e até a sátira do Agente 86, entre outros. 


    O que tinham em comum estes filmes e séries?


    Dois lados bem definidos (o da “liberdade” versus “vermelhos”), heróis invencíveis e claramente comprometidos com o lado do “bem”, belas mulheres como parceiras, vítimas ou inimigas e ações mirabolantes.


    O que se diria de uma série que começa com o herói renunciando, sendo posteriormente aprisionado por alguém que não revela de que lado está, quase não há interação do herói com mulheres bonitas (a única prisioneira que se apaixona por ele é feia que dói)? Um fracasso?


    Não! Contrariando as próprias expectativa do criador da série, principal roteirista e ator – Patrick McGoohan – a série foi um sucesso e tornou-se cult, sendo referenciada em vários outros filmes claramente ou veladamente, como Babilon Five, Lost, O Sistema e até Os Simpsons, onde Patrick McGoohan dubla o personagem que é um caricatura sua, além de uma música do Iron Maiden ("The Prisoner").


    Elementos da série


    Após ter se demitido do cargo de agente secreto do governo britânico, um ex-espião (cujo nome jamais é mencionado na série) é seqüestrado em sua casa e levado para um local desconhecido, The Village.


    A cada episódio da série começa com o seguinte dialogo:


    – Where am I?
    – In the Village
    – What do you want?
    – Information
    – Whose side are you on?
    – That would be telling . . . We want Information
    – You won't get it
    – By hook or by crook . . .We will
    – Who are you?
    – The new Number Two
    – Who is Number One?
    – You are… Number Six
    – I am not a number . . . I'm a free man! (risada de escárnio)



    Note algumas coisas:


    • O personagem que representa o inimigo se apresenta como “novo número 2”. Por que o novo número 2? Porque, durante a série o número é trocado sistematicamente a cada episódio.
     

    • Há a pergunta “Quem é o número 1?”. Esta pergunta percorrerá toda a série sendo o seu principal mistério. Os outros? Onde é a Vila? Por que e para quê estão fazendo prisioneiros? Que tipo de informações desejam?

    • Qualquer tentativa dele de sair do Village redunda em fracasso. 

    • Ao longo da série, a busca de informações pelos supostos dirigentes do Village muda para uma única pergunta: “Por que você renunciou?” Outra pergunta que ficará sem resposta.

    • Há uma série anterior de espionagem com o mesmo ator, chamada Danger Man. Uma das perguntas que ficam sem resposta é se o Número 6 era o mesmo espião protagonista da série Danger Man. Patrick McGoohan é silente a este respeito, já que em nenhum momento é dito o nome do personagem. Com certeza foi para dar uma interrogação à mais para que o espectador tivesse com que especular entre um episódio e outro.

    • Rede de referências complexas. Há citações bastante claras a outras obras de ficção: Alice no País das Maravilhas e no Reino do Espelho (num dos episódios há um imenso jogo de Xadrez, e um dos personagens foi representado pelo mesmo ator que representou o Chapeleiro louco na versão televisiva do livro), O Processo de Kafka (Patrick McGoohan fez uma ponta na versão de Orson Wells para o cinema), o Gabinete do Dr Caligari. Só para citar alguns.

    • Fala de tecnologias que só se tornaram realidade muito tempo depois. Realidade virtual (parece até que foi escrito nos anos 90!), técnicas de manipulação psicológica (Edir Macedo ficaria com inveja...), inteligência artificial (engatinhando na época). 

    • Desumanização face à burocracia estatal que reduz a pessoa a apenas um número em um banco de dados. "I am not a number, I am a free man!"

    • A música da abertura é um rock, porém na realidade é Vocalise, uma peça de Sergei Rachmaninov (compositor russo) tocada com arranjo e velocidade de rock, sublinhando para os nerds da época a ambigüidade do enredo.


    Ao longo da série o número 6 será inúmeras vezes torturado, terá seu cérebro lavado, será enganado por outros prisioneiros e será perseguido pelo dispositivo de segurança da ilha, uma bola de plástico flutuante que persegue o fugitivo o captura e devolve ou o mata por sufocação. A onipresença desta arma, sua capacidade de matar de forma cruel e a quase impossibilidade de escapar de seu ataque lembra o monstro da ilha de Lost.


    Não há nenhuma privacidade aos prisioneiros da vila, todos são vigiados o tempo todo por câmaras que a vasculham. Todas as dependências de suas residências também têm câmaras que vigiam seus ocupantes. Novamente, Lost bebeu dessa fonte.


    Anti-spoiler. Não leia os próximo s dois parágrafos se não quiser saber detalhes da série


    A série dá a entender que o Village sempre existiu. Há prisioneiros velhos e muitos deles estão na ilha a tanto tempo que não se lembram de sua existência livre. Há até um cemitério e em um dos episódios aparecem crianças. Muitos analistas da série vêem esta abordagem como um simbolismo da sociedade como um todo. 


    A série termina de um modo abrupto e caótico, num episódio cheio de referencias surreais e alegóricas, aumentando em vez de responder às perguntas. Milhares de artigos tem sido escritos deste então por nerds do mundo inteiro, rendendo até teses de doutorado, sociedades que se dedicam a discutir a série e constantes reprises (nos EUA, Inglaterra e Canadá) e promessas de refilmagens.


    Episódios


    A série é composta por apenas 17 episódios. Concebida inicialmente para ser uma mini série com 7 episódios, foi estendida para 17 quando um dos produtores convenceu Patrick McGoohan, ocriador de O Prisioneiro, do seu potencial de audiência, dada o clima envolvente conseguido com um enredo complexo e intrigante. 


    Os DVDs disponíveis mostram a seqüência dos episódios de acordo com o que foi apresentado na primeira vez , mas não refletem a ordem autoral dos episódios, tal como foram concebidas.


    A seguir, uma lista de episódios com uma sugestão de ordem de assistir.


    1) The Prisoner - 1x01 - Arrival
    2) The Prisoner - 1x03 - Dance Of The Dead
    3) The Prisoner - 1x04 - Checkmate
    4) The Prisoner - 1x05 - The Chimes Of Big Ben
    5) The Prisoner - 1x02 - Free For All
    6) The Prisoner - 1x09 - Many Happy Returns
    7) The Prisoner - 1x08 - The Schizoid Man
    8) The Prisoner - 1x07 - The General
    9) The Prisoner - 1x06 - A, B And C
    10) The Prisoner - 1x14 - Living In Harmony
    11) The Prisoner - 1x10 - It's Your Funeral
    12) The Prisoner - 1x13 - Do Not Forsake Me Oh My Darling
    13) The Prisoner - 1x11 - A Change Of Mind
    14) The Prisoner - 1x12 - Hammer Into Anvil
    15) The Prisoner - 1x15 - The Girl Who Was Death
    16) The Prisoner - 1x16 - Once Upon A Time
    17) The Prisoner - 1x17 - Fall Out



    Se você possui a caixa de DVDs NÃO assista primeiro o vídeo promocional (Vídeo Companion) pois ele é um gigantesco spoiler.


    Merece atenção especial o episódio Living In Harmony que não passou nos Estados Unidos por alguns motivos bizarros, segundo alguns comentaristas: o canal que exibia a série menosprezou a inteligência do publico achando que os espectadores ficariam confusos com o início já que a abertura era diferente (se a cor da grama muda o burro morre de fome). Outro motivo seria que ele brinca com muita ironia como Western uma instituição americana por excelência. O terceiro e mais provável é que há uma mensagem pacifista explícita no episódio e os EUA estavam plenamente comprometidos com a Guerra do Vietnã. 


    Infelizmente no Brasil só encontramos a série importada.


    Hipóteses


    Advertência anti-spoiler. Se você quiser ver a série sem pré-julgamentos, não leia este tópico.
    Dada a ambigüidade do enredo, e as perguntas que ficaram sem resposta ao longo de 40 anos, seus fãs teceram hipóteses (alguns levaram ao extremo de construirem teses de doutorado) para explicar algumas coisas:


    1) Por que foi contruído The Village?
     

    Hipótese: The Village foi construído para obter informações durante algum conflito (Segunda Guerra Mundial?) e ficou isolado, continuando a agir em nome do propósito de obter informações, cujo motivo foi esquecido (Isso não lhe lembra Lost? Apertar uma seqüência de números de tempos em tempos sem ninguém saber porquê?)


    2) Danger Man era o número 6?
     

    Hipótese 1: Não. Pessoas ligadas à Patrick McGoohan afirmam que ele não queria que houvesse esta referência. A influência mais forte dele era O Processo de Kafka, que deu um sobrenome que era apenas uma letra a seu personagem (Joseph K.). Mesmo que fosse, o espião sofreu um completo processo de desumanização, de tal forma que seu nome pouco importa.


    Hipótese 2: Sim. O personagem apresenta os mesmo traços de comportamento e personalidade do espião John Drake em Danger Man. Patrick McGoohan, segundo estes fãs, não era um maneirista, que só sabia interpretar o mesmo personagem. Citam trabalhos em outros filmes onde vive outros personagens tão bem quanto o número 6 ou Drake. Alguns chegam a analisar falas do numero dois e do próprio número 6 que fazem referências indiretas ao personagem (inclusive erros gramaticais e de dicção).


    3) Por que o espião renunciou?
     

    Hipótese 1: Pouco importa. As únicas resposta que ele dá a seus captores é que “as razões são pessoais”, ou “eu queria umas férias” (quando ele está em seu apartamento pouco antes de ser seqüestrado há prospectos hotéis que ele põe na mala, dando a entender que sairia em uma longa viagem.).


    Hipótese 2: Motivos pacifistas. O espião estaria cansado de participar de uma guerra sem fim e sem quartéis, que violava princípios íntimos. Defensores deste ponto de vista ilustram seu argumento com passagens e até episódios inteiros em que há alguma mensagem pacifista, bem como as crenças pessoais de Patrick McGoohan.


    4) Quem é o número 1?

    Hipótese 1: Não há número 1. Quando há um número 2 tendemos a pensar que há um número 1. Se eu quiser confundir, crio um número 2 sem um número 1.


    Hipótese 2: Um super computador. Isso seria bem típico dos anos 60, onde o complexo de Frankstein dominava a ficção científica. Um dos episódios explora esta possbilidade (The General).


    Hipótese 3: A própria sociedade do The Village ou a Sociedade como entidade metafísica. Esta é a hipótese mais forte devido a influência de Kafka e d’ O Processo.


    Hipótese 4: Um personagem secundário que aparece quase sempre e tem uma atuação bem discreta. Quem é? Veja a série, em especial o episódio A Change Of Mind (talvez o melhor da série). Dê uma boa olhada na última cena.


    Hipótese 5: O próprio serviço secreto inglês. Defensores deste ponto de vista apontam o episódio Many Happy Returns como um forte indício desta possibilidade.


    Hipótese 6: O próprio número 6. Esta hipótese divide os fãs e especialistas. Há alguns indícios que apontam para esta possibilidade. O principal é na abertura, quando o número 6 pergunta quem é o número 1. O número 2 responde: You are (dá uma pausa) number 6. Os que argumentam contra apontam a completa ignorância do personagem em relação às ações do número dois sobre ele. No que são rebatidos pelos defensores que apontam a conotação simbólica da série, como se o número 1 fosse o inconsciente do número 6.


    Hipótese 7: Escreva aqui a sua!


    Referência principal:


    Este é o site oficialhttp://www.the-prisoner-6.freeserve.co.uk/


    Outra página de fãs, francesahttp://www.leprisonnier.net/


    Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/The_Prisoner

    Estas, de fãs brasileiros: http://www.cinemaemcena.com.br/forum/printer_friendly_posts.asp?TID=12313
    http://www.sobrecarga.com.br/node/view/2250
    http://www.sobrecarga.com.br/node/view/2318



    Nerd Shop:
    O Prisioneiro. DVD Importado. Livraria Cultura.
    Álvaro A. L. Domingues
    Publicado originalmente no Homem Nerd em 7/01/2008