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sábado, 5 de abril de 2014

Neblina e a Ninja


Neblina e a Ninja
Autor: Miguel Carqueija 
Editora: auto publicação no Recanto das Letras
Ano: 2013
70 páginas.


Sinopse: Num futuro longínquo, a humanidade, após ter destruído a biosfera, vive em subterrâneos. Neste mundo a produção de energia é vital. Ela é obtida a partir de cristais que, instalados em torres altas, retiram energia solar a partir da superfície contaminada. 

Neste ambiente, o poder está ligado ao controle destes cristais e roubá-los é o objetivo do crime organizado.

Para combatê-los o governo tem um programa que treina jovens superdotados para desenvolverem suas habilidades especiais e tem também um treinamento intenso em artes marciais. Para se protegerem, estes jovens usam disfarces. Entre eles está Neblina, uma moça esperta, inteligente e hábil. Ela é convocada para ajudar nas investigações de um assassinato de um diplomata romeno, para desespero da polícia local – eficiciente pra lidar com o dia dia a dia, mas incapaz de lidar com algo muito maior. Este crime é a ponta do iceberg, pois quem está por trás das operações é uma vilã extremamente inteligente e cruel, a Ninja.

Carqueija, como sempre compõe duas grandes personagens femininas, Neblina e sua sombra, a Ninja, que vão se enfrentado num ritmo cada vez mais intenso até o desfecho final, onde o autor mostra seu maior talento: uma precisa descrição de cenas de ação, com direito a uma luta corpo a corpo digna de filmes de artes marciais.

Os personagens secundários também merecem uma atenção especial do autor, sobretudo os policiais  que inicialmente fazem oposição a Neblina, vendo-a como intrometida, depois pouco a pouco vão aceitando-a como parceira. Aliás, Carqueija faz com que a entrada em cena dela seja realmente uma intromissão, fazendo com que o leitor num primeiro momento até dê razão aos policiais. Junto a isso está a forma de agir da heroína, que em vários momentos resolve agir sozinha, correndo vários riscos, para desespero de Madeira, o chefe das operações.

Além de enfrentar a oposição de Madeira e seus homens, Neblina tem como outro obstáculo a incompetência do Primeiro-Ministro Darci, apelidado de Jujuba, que administrou mal a construção das torres de energia e a sua segurança, usando medidas paliativas estúpidas que acabaram favorecendo os vilões e meteu os pés pelas mãos na solução do problema.

Dizer mais é dar spoiler. A noveleta é muito boa. Só senti falta de algo que levasse o leitor sentir um pouco da claustrofobia de um ambiente subterrâneo. Certamente se houvesse mais disso, o nível de urgência em combater os vilões ficaria um pouco maior. Mas isso não tira o brilho da narrativa.

Uma leitura bem divertida, cheia de emoções e reviravoltas. 

Nerd Shop

Gratuito para baixar, no Recanto das Letras

terça-feira, 25 de março de 2014

Lobisomem sem barba

Lobisomem sem Barba - Balão Editorial
Lobisomem sem barba
Texto e Arte: Wagner Willian
Editora: Balão Editorial
Ano: 2014
352 páginas

Sinopse: formado por pequenos textos como se tirados aleatoriamente de postagens e comentários em blogs e redes sociais, este mosaico, formado por caquinhos aparentemente díspares, compõe uma história maior.

A primeira sensação que tive ao começar a ler Lobisomem sem barba é que alguém num acesso de fúria tivesse rasgado uma centena livros de HQs e pegado um punhado de papéis rasgados e me dado pra ler. Neste conjunto aparentemente caótico foi formando uma história na minha cabeça.

A leitura também pode ser comparada à leitura fragmenta que fazemos nas redes sociais, correemos os posts dos nossos amigos, às vezes sem relação entre si, observando o feed de notícias com o rabo dos olhos e de vez em quando respondendo alguma coisa no chat.

Sentimos que há algo estranho ocorrendo, pode ser um lobisomem, mas não vemos seu rosto para saber se tem ou não barba. E terminar a leitura não nos dá certeza alguma.

Recheado de citações à cultura popular, que vão do mangá Akira à Waldick Soriano (cantor brega dos anos 80, cujo maior sucesso era Eu não sou cachorro não), passando pelo Coelho Pernalonga e sua turma, ou a cultura mainstream, como Jung e van GoghLobisomem sem barba é uma leitura intrigante e que nos faz combinar lógica, intuição e imaginação para tentar alcançar um sentido maior do conjunto de fragmentos que temos à mão, não muito diferente de quanto tentamos entender a realidade em que vivemos.

Uma boa parte dos fragmentos é acompanhada por citação a uma música pop, MPB ou clássica, por exemplo Bang Bang, na voz de Nancy Sinatra, Essa moça tá diferente, de Chico Buarque e  Clair de Lune, de Debussy. Algumas podem ser ouvidas na lista de reprodução feita pelo autor no Youtube.



E há as ilustrações, do próprio autor, tão desconcertantes quanto o texto. Eu classificaria o Lobisomem sem barba como um desafio semelhante ao da Esfinge, decifra-me ou devoro-te.



Leia amostra do texto aqui.

Nerd Shop

Lobisomem sem barba. Wagner Willian. Balão Editorial. Livraria Cultura

segunda-feira, 17 de março de 2014

Agora é minha vez de amar

Agora é minha vez de amar
Autores: André Veloso, Cybelle Rosa, Cynthia Rosa, Enrico Libedratori, Giovanna Oliveira, Karina Ogoshi, Larissa Felix, Lívia Trentin, Lucas Eduardo Mieri, Marcos Lopes, Matheus Caetano, Mônica Broti, Nicoli Costanzi, Onofre Crossi, Tainá Previatalli, Thifany, Ygor Oliveira
Organização: Marcosw Lopes, Mônica Broti e Onofre Crossi
Ilustrações: Karina Ogoshi
Ano: 2014
Edição: Produção editorial independente.
152 páginas

Sinopse: Resultado de um projeto educacional de uma escola de São Paulo, o livro reúne contos, crônicas, poesias e ilustrações produzidos por alunos e pelos organizadores da coletânea, tendo por tema o amor.

O primeiro fato a se ressaltar é a porigem do livro: um projeto educacional. Diante da mesmice que o ensino é, este grupo de professores e alunos demonstraram que é possível inovar e que aprende-se melhor fazendo. E fazendo um grande projeto. A iniciativa poderia ter ficado entre as quatro paredes da escola mas ele se transformou em um livro de criação e financiamento coletivo e divulgado de uma forma a fazer inveja até em algumas editoras já estabelecidas no mercado. No lançamento foi feito um pocket show com uma performance excelente.

O segundo, é a diversidade de textos, tanto quanto a forma, quanto do conteúdo. Temos contos, que compõe a maior parte das páginas do livro, mas temos também poemas, cronicas na forma de depoimentos pessoais e até pequenos ensaios. Quanto ao conteúdo temos textos com a visão do amor juvenil (afinal, os alunos são adolescentes), contos com uma visão pessimista e até alguns contos de terror. O amor também não se fixa no amor de casal. Pode ser o amor pai e filho, o amor puro sentimento ou o amor pela arte e até a ausência de amor.

O terceiro é que todos os textos estão no mínimo bem escritos. Percebe-se aqui e ali coisas próprias de um primeiro texto a ser publicado que serão lapidadas ao longo do tempo para os que pretendem seguir escrevendo. 

Por fim as ilustrações de Karina Ogoshi lembram bastante o traço de Mangá e encontramos nele muita delicadeza. 

Tentado pela chuva – Lucas Eduardo de Mieri

O conto que abre o livro foge bastante ao esperado numa antologia com este tema. Com uma visão sarcástica de um personagem que está no enterro do seu pai, a quem odeia, o conto pouco a pouco desconstrói o caráter do protagonista.

Sorriso Angelical – Nicoli Constazi

Uma crônica deliciosa sobre uma manhã iluminada por um sorriso.

O Acaso – Larissa Felix

Uma moça trabalhando sob forte pressão esbarra num homem. Este esbarrão via mudar várias coisas em sua vida. 

Amor Incondicional sem limites – Matheus Cardoso

Um ensaio em que o autor discorre sobre suas impressões sobre o amor, tendo por base canções dos Beatles.

O Casamento de Marina e Dezinho – Enrico Liberatori

Numa festa junina, um “casamento na roça” é levado a sério pelos participantes.

Anita Malfatti: Ousadia, Tradição e Experimentação – Monica Broti

Um pequeno ensaio sobre a pintora Anita Malfatti e seu amor pela Arte.

Palavras de Amor – Tainá Previtalli

Uma crônica que se transforma numa declaração de amor.

Cartas de Amor – Marcos Lopes

Quem seria o admirador secreto de Mirela, que nos tempos de redes sociais ainda escrevia cartas de amor? 

Luz – Thifany

Quanto tempo a luz de alguém brilha na vida de outra?

Duas paixões, dois amores – Onofre Crossi

O autor refere-se a seus dois grandes amores: a sua esposa e a filosofia.

O Inevitável do Amor – Giovanna Oliveira

Ilusões e desilusões de um amor juvenil.

O Beijo de Jezebeth – Ygor Oliveira

Uma bem construída história de horror envolvendo um homem e uma súcubo.

Explosão Nuclear – Karina Ogoshi

Um grito de desespero ante um mundo que se autodestrói.

Amor de Verdade – Cynthia Rosa

Um crônica onde a autora se posiciona a respeito do amor.

Valquírias  – Lívia Trentin

Às Valquírias é proibido amar a quem devem levar para Valhala. Valeria a pena quebrar esta interdição, mesmo estando próximo o Ragnarok?

Não há nada de novo a não ser o que foi esquecido – André Veloso

Uma nobre francesa é guilhotinada, mas seu fantasma sobrevive. Ela não entende por que isso acontece, por não ter nada que a prenda à Terra, nem um amor, já que ela era fria e calculista e este sentimento lhe era estranho. A partir deste momento passa a se transportar para várias épocas revivendo momentos de várias de suas vidas. Título muito bem escolhido.

Após os contos,  temos uma pequena série de poemas de Cybelle, Nicoli Constanzi e Karina Ogoshi. Todos demonstra a sensibilidade das autoras. Gostei particularmente do poema de Nicoli Constanzi.

Conclusões

Dos contos merecem destaque pela originalidade: Tentado pela chuva, de Lucas Eduardo de Mieri; O Beijo de Jezebeth, de  Ygor Oliveira, Explosão Nuclear , de Karina Ogoshi; Valquírias, de Lívia Trentin e Não há nada de novo a não se o que foi esquecido, de André Veloso.

Espero que este projeto tenha continuidade e que mais educadores se espelhem neste sucesso para tornar o ensino algo que seja uma real contribuição para o crescimento das pessoas por ele envolvidas.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Kaori e Samurai sem Braço

Kaori e o Samurai sem braço
Autor: Giulia Moon
Ilustrações: Giulia Moon
Editora: Giz Editorial
Ano: 2012
200 páginas

Sinopse: O grande terremoto seguido por um tsunami no Japão em 2011 traz a Kaori lembranças de outro grande terremoto, ocorrido lá em 1782. Nesta época, ela encontra-se com um samurai e uma kitsume, espécie de mulher raposa. Ambos estão em busca de um terrível monstro sobrenatural que se alimenta de almas e apossa-se dos seus corpos. Kaori se reúne a eles.

O livro conta esta história em tom de conto de fadas, onde uma miríade de criaturas da mitologia nipônica e personagens do Japão medieval desfilam para deleite do leitor. Há um destaque especial para a kitsume, de nome Omitsu, uma raposa que adota a forma de uma mulher. Seu comportamento é bem travesso, trazendo humor e alegria ao desenrolar da história. Mas que não se engane o leitor: se necessário for, sobretudo para defender seu mestre, a alegre kitsume é capaz de coisas terríveis. O esmero na criação deste personagem fez com que sentisse vontade de encontrá-la mais vezes em outras histórias deste universo.



Ilustração interna do livro
Kaori e o Samurai sem braço

O samurai, Kitarô, também é um personagem que me deixou saudade ao término da aventura. Amargurado com a morte de sua família (esposa, o irmão e os pais), sai em perseguição ao monstro responsável por isso, o Shinkû, tornando-se matador de bakemonos (demônios). É nesta senda que Kaori se introduz, ao ser salva por Kitarô, que vê nela alguém que pode ajudá-lo nesta busca, apesar dela ser também uma bakemono.

O convívio forçado pela necessidade e o compromisso de “um ano e nem mais um minuto” entre Kaori e Kitarô aos poucos vai se transformando em um relacionamento de tolerância primeiro, depois, de amizade.

Spoiler:
Assim, de monstro em monstro vão seguindo a pista do terrível Shinkû, uma senda formada por aventuras cada vez mais perigosas, até o confronto final entre dois grandes adversários: o monstro com séculos de experiência e o samurai com vontade férrea motivada pelo desejo de vingança. 

O clímax do livro é muito bem conduzido, sendo o maior inimigo de Kitarô a verdade que ele não quer ver.

Um detalhe de estilo 

Giulia Moon abre a história com um prólogo onde Kitarô, à beira do inferno, ouve o chamado de Kaori. Pouco depois muda para o século XXI onde Kaori conversa com Takezo (outro samurai, personagem que aparece nos livros anteriores) discutindo sobre o terremoto e isso leva a lembrar-se de Kitarô. Parenteses abertos que serão fechados no devido tempo. Isso cria na cabeça do leitor um gancho forte para ele continuar a leitura. 

Ao terminar o livro, Kaori opta por um fechamento típico de conto de fadas, um outro gancho, este gerando expectativas:

"Bem, mas isso é uma outra história que será contada em uma outra ocasião."

Excelente leitura!

Nerd Shop

Kaori e o Samurai sem braço. Giulia Moon. Giz Editorial. Na Livraria Cultura.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O Brasil Fantástico – Lendas de um país sobrenatural

O Brasil Fantástico – Lendas de um país sobrenatural
Autores: Clinton Davidson (org), Grazielle de Marco (org), Maria Georgina de Souza (org), André Vianco (apresentação), Christopher Kastenmidt, Andreia Kennen, João Rogaciano, A. Z. Cordononsi, Allan Cutrim, Mickael Menegheti, Maria Helena Bandeira, Marcelo Jacinto Ribeiro, Vivian Cristina Ferreira, Renan Duarte, Antonio Luiz M. C. Costa.
Editora: Draco
Ano: 2013
248 páginas

Sinopse: Por inciativa da gestão 2012/2013 do Clube de Leitores de FicçãoCientífica, a antologia O Brasil Fantástico reúne contos que tem por base a mitologia brasileira, recontada das mais variadas formas e dentro dos mais variados enredos passando pela aventura, pela ficção científica, pelo terror e até pelo humor.

A Copa dos Mitos – Christopher Kastenmidt
Um menino apaixonado pela mitologia brasileira e discriminado por causa disso é convidado por um estranho, conhecido apenas por Ruivo, a ver uma copa do mundo de um esporte diferente. Lá chegando vê uma batalha entre mitos de várias regiões do mundo, e cada região tem uma torcida organizada. Ele é o único torcedor do Brasil.
O conto faz referências aos card games, no estilo de Yuggi-Oh, onde a estratégia consiste em combinar atributos de uma equipe para derrotar outra. A crítica está voltada à absorção de uma cultura estrangeira em detrimento da nossa (detalhe, este conto foi escrito por um americano).
Um enredo para público juvenil, que fala a linguagem desta faixa etária, leva a crítica de forma positiva, pois não condena o uso de cultura exterior e procura introduzir a nossa mitologia no contexto dos card games, com suas referências às culturas orientais e europeias.
O Filho da Mata – Andreia Kennen
Um adolescente, Vinícius, com uma visão de mundo romântica não consegue se adaptar aos desejos do pai de torná-lo parte do processo de administrar a fazenda da família. Menosprezado pelo irmão, que debocha dele chamando-o de “florzinha” busca refugio ouvindo as histórias do velho Tenório, envolvendo mitos locais. Mas ele descobrirá que as histórias são mais que histórias.
Aqui o fantástico se introduz no real trazendo o leitor aos poucos para o mundo Tenório que depois passará a ser o mundo de Vinícius.
Muito bem escrito, tanto no envolvimento com o mito, como no drama pessoal de Vinícius.
Entre conspirações e monstros mitológicos – João Rogaciano
Uma história que mistura muito bem três ingredientes: um mistério policial, Um mito lusitano, o Cavalum (um cavalo com asas de morcego que solta fogo pelas ventas) e um mito brasileiro, o boitatá. Leopoldo Cid, um detive incrédulo, mas que enxerga uma possibilidade de lucro, aceita investigar as aparições do Cavalum num castelo, proposta por uma linda mulher. O enredo segue de forma bem humorada o estilo de policial noir.
A Mula do Cavaleiro Neerlandês - A. Z. Cordononsi
Aqui o mito brasileiro se mescla a um mito holandês de forma bastante criativa. As duas lendas vão pouco a pouco sendo mostradas e quem tem algum conhecimento vão perceber como elas caminham juntas. O medo não tem nacionalidade. Não dá para estender os comentários sem causar spoiller.
Amaldiçoado – Allan Cutrim
O filho de um alcóotra sofre muito nas mãos do pai e percebe que em conversa s veladas de seu pai e sua mãe é tratado com se fosse um amaldiçoado. Sua vida muda quando sua irmã é atacada por uma entidade chamada A Pisadeira.
O conto combina muito bem algumas entidades do folclore brasileiro de forma a construir uma boa história.
Terra Amaldiçoada – Mickael Menegheti
No início do ano 1500 um grupo de espanhóis sobe o Rio Amazonas, em busca da lendária cidade de Eldorado. São seguidos de perto por criaturas da floresta, que atemorizam até os índios da região. Um conto com bastante suspense e boa ambientação na mata.
Um pequeno reparo, que não compromete a qualidade da narrativa: o conto é narrado em primeira pessoa por um frade e de quando em quando a palavra foco no sentido figurado. Só que a palavra foco só aparece após a invenção do telescópio, que ocorreu cem anos depois e o sentido figurado é de uso muito recente, vindo da literatura de administração. Isso causa um tropeço na leitura tirando o leitor do clima criado.
No seu todo, o conto lida bem com as lendas, os personagens e o clima de suspense.
A Sacola da Escolha – Maria Helena Bandeira
O conto é narrado como se fosse uma lenda indígena, e trata da evolução de um personagem que, para resgatar seu passado, tem que aprender a lidar com suas escolhas.
O conto tem uma cosmogonia indígena da qual parte a narrativa que se mistura uma "contação de causo" de um caçador que se encontra com Boiúna, a cobra grande. Uma excelente narrativa recria com muita habilidade, tanto numa forma de narrar quanto na outra, o clima de fantasia.
A voz de Nhanderuvuçu – Marcelo Jacinto Ribeiro
Numa realidade alternativa, retrofuturista, dois agentes ingleses têm a missão de iniciar a exploração de uma jazida imensa de platina no centro do Amazonas.
Chegam a seu destino com um dirigível e uma tripulação treinada e são confundidos com uma ajuda enviada para salvar a população de terríveis acontecimentos: estão sendo assombrados por entidades da floresta.
Um mestiço resolve ajudá-los a encontrar o destino e a lidar com as entidades, que conhece muito bem.
Uma história bem construída e com um final surpreendente.
A Bruxa e o Boitatá – Vivian Cristina Ferreira
Bruna é uma bióloga marinha e deve ir à Florianópolis ajudar a descobrir o que está dizimando as tartarugas no projeto Tamar. Suspeita-se tratar-se de uma serpente, especialidade de Bruna.
Porém, sua mãe, sem nunca lhe dizer o motivo, a alertara para nunca voltar à ilha. Cedo descobrirá o porquê do temor da mãe.
Aqui há forte referência aos mitos de Florianópolis, considerada a Ilha da Magia, com mitos herdados da Ilha da Madeira, que acabaram se misturando a lendas indígenas.
Um bom conto.
O Rapaz Misterioso – Renan Duarte
Como Brás Cubas, esta história é contada por um morto, um latifundiário do Amazonas.
Sua rotina de homem poderoso é modificada com a chegada de um rapaz belo e cativante que enfeitiça todos com seu jeito de falar, seduzindo as mulheres e cativando os homens com histórias fantásticas.
Aqui a lenda do Boto toma forma neste bom conto.
O Padre, o Doutor e os diabos que os carregaram – Antonio Luiz M. C. Costa
O título traduz com muito bom humor o que acontece no conto.
Narrado por um padre Ortodoxo como se fosse um relado quinhentista, conta a história de como ele e um cientista judeu foram capturados pelo que ele julgou serem demônios, mas na realidade eram uma tribo de caaporas.
O primeiro parágrafo nos coloca numa realidade alternativa, onde Dom Sebastião é um Imperador, luta contra o Papa, que invadiu militarmente Portugal. Entretanto, isso pouco importa para o enredo. Provavelmente o autor colocou este conto dentro de um universo maior.
A narrativa está centrada na mudança de filosofia do padre ortodoxo (podia ser um católico, sem perda de coerência), que confronta seus valores com os do judeu e do povo que o capturou.
Um texto muito bem conduzido.
Conclusão

A proposta de O Brasil Fantástico foi plenamente atingida. Os contos estão num bom nível, não fugiram da temática proposta e alguns deram um tratamento original aos mitos.
Nerd Shop:
O Brasil Fantástico. Editora Draco. Livraria Cultura.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Cordel dos sonhos - Últimos dias

Este é um projeto para distribuição do livro Cordel dos Sonhos, um romance de literatura infanto-juvenil de Richard Diegues,  com arrecadação de fundos por apoios no Catarse.me. Através dele serão doados livros para crianças de baixa renda com difícil acesso à literatura, entre 9 e 12 anos (idade crucial para formação do hábito de leitura). A meta é que os livros alcancem quem mais precisa e tem dificuldades para obtê-los. Os livros serão entregues diretamente pelo próprio autor a cada criança, durante eventos especiais com os futuros leitores e seus pais, no qual o autor vai autografar cada um dos livros e entregará olho no olho para cada uma das crianças. Parte dos livros irá para a rede de bibliotecas públicas, para acesso de outras crianças que não sejam diretamente alcançadas pelo projeto.

Faltam apenas dois dias para o término da arrecadação. Estamos apoiando e torcendo pra que dê certo. 

Para apoiar e saber mais sobre o projeto, CLIQUE AQUI





Cordel dos Sonhos from Richard Diegues on Vimeo.

Faltam apenas dois dias  CLIQUE AQUI

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Lançamento: Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica




O lançamento do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2012, de Marcello Simão Branco & Cesar Silva, ocorrerá  dia 13 de setembro, sexta-feira, a partir das 18h30, na livraria Martins Fontes (Avenida Paulista, 509, São Paulo).

Este ano, o Anuário traz um artigo especial sobre a ficção científica nos quadrinhos brasileiros, além de escolher a escritora Simone Saueressig como Personalidade do Ano de 2012, apresentando uma longa entrevista com ela. O blogueiro e escritor Álvaro Domingues (O Pai Nerd) foi o resenhador convidado desta edição, trabalhando ao lado de Cesar & Marcello. A capa é do ótimo artista digital Silvio Ribeiro.