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terça-feira, 25 de março de 2014

Lobisomem sem barba

Lobisomem sem Barba - Balão Editorial
Lobisomem sem barba
Texto e Arte: Wagner Willian
Editora: Balão Editorial
Ano: 2014
352 páginas

Sinopse: formado por pequenos textos como se tirados aleatoriamente de postagens e comentários em blogs e redes sociais, este mosaico, formado por caquinhos aparentemente díspares, compõe uma história maior.

A primeira sensação que tive ao começar a ler Lobisomem sem barba é que alguém num acesso de fúria tivesse rasgado uma centena livros de HQs e pegado um punhado de papéis rasgados e me dado pra ler. Neste conjunto aparentemente caótico foi formando uma história na minha cabeça.

A leitura também pode ser comparada à leitura fragmenta que fazemos nas redes sociais, correemos os posts dos nossos amigos, às vezes sem relação entre si, observando o feed de notícias com o rabo dos olhos e de vez em quando respondendo alguma coisa no chat.

Sentimos que há algo estranho ocorrendo, pode ser um lobisomem, mas não vemos seu rosto para saber se tem ou não barba. E terminar a leitura não nos dá certeza alguma.

Recheado de citações à cultura popular, que vão do mangá Akira à Waldick Soriano (cantor brega dos anos 80, cujo maior sucesso era Eu não sou cachorro não), passando pelo Coelho Pernalonga e sua turma, ou a cultura mainstream, como Jung e van Gogh, Lobisomem sem barba é uma leitura intrigante e que nos faz combinar lógica, intuição e imaginação para tentar alcançar um sentido maior do conjunto de fragmentos que temos à mão, não muito diferente de quanto tentamos entender a realidade em que vivemos.

Uma boa parte dos fragmentos é acompanhada por citação a uma música pop, MPB ou clássica, por exemplo Bang Bang, na voz de Nancy Sinatra, Essa moça tá diferente, de Chico Buarque e  Clair de Lune, de Debussy. Algumas podem ser ouvidas na lista de reprodução feita pelo autor no Youtube.



E há as ilustrações, do próprio autor, tão desconcertantes quanto o texto. Eu classificaria o Lobisomem sem barba como um desafio semelhante ao da Esfinge, decifra-me ou devoro-te.



Leia amostra do texto aqui.

Nerd Shop

Lobisomem sem barba. Wagner Willian. Balão Editorial. Livraria Cultura

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Como na quinta série


Como na Quinta Série
Autor: Dw Ribatski
Editora: Balão Editorial / Coleção Zug
Ano: 2012
40 páginas

Sinopse: um grupo de jovens em atitude “suspeita” são abordados por uma patrulha policial, formada por membros da temível F.O.D.A. Um dos rapazes ousa desafiá-los.

Narrado em primeira pessoa, um dos membros da patrulha, a HQ Como na quinta série nos coloca dentro da mente de um policial durão e violento, com seus medos, frustrações e inseguranças, que deve manter ocultos a qualquer custo.

Por que o título Como na quinta série ? Neste período da vida, há formação das turmas, das rivalidades e dos rejeitados, as eternas vítimas do bullying. Neste meio, também é importante esconder as fraquezas, tornando a comparação mais do que válida.

As ilustrações, predominantemente em azul profundo e preto, reforçam o clima sombrio da história.

A narrativa é tensa até o desfecho, deixando um incomodo que nos acompanha por um tempo.

Recomendo.

Nerd Shop: Como na quinta série. Dw Ribatski. Balão Editorial / Coleção Zug. Clique aqui.

sábado, 25 de agosto de 2012

Do jeito que você gosta


Título Original: As you like it
Autor: Willian Shakespeare
Editora: Balão Editorial
152 páginas

Sinopse: Desde o título, Shakespeare já anuncia o que vai fazer; uma peça com a única finalidade de agradar o público, ou seja fornecer uma boa diversão. Esta comédia é considerada por alguns críticos como a melhor do autor e nela vamos encontrar a frase que define a filosofia que norteia toda a sua obra: “O mundo inteiro é um palco, e todos, homens e mulheres, atores e nada mais”.

O enredo está centrado no banimento de Rosalinda pelo Duque Frederico, usurpador das terras do pai da moça. Junto com ela foge Célia, filha de Frederico e prima de Rosalinda.

As duas decidem procurar o duque banido, que está sobrevivendo com alguns nobres fiéis na floresta. Rosalinda, para que as duas viajem em segurança, decide disfarçar-se de homem, usando o nome de Ganimedes.

Por coincidência, Orlando, apaixonado por Rosalinda, fugindo de seu irmão que deseja matá-lo, se refugia na mesma floresta e acaba por encontrar as duas fugitivas, sem contudo reconhecer a amada. Rosalinda mantém-se no disfarce e aproveita para ensinar ao jovem como deve cortejar sua amada, fingindo ser... Rosalinda. Para aumentar a confusão, uma pastora se apaixona por Ganimedes. Neste jogo de duplicidade e múltiplos mal entendidos se desenrola a comédia.

Atenção! Spoiler!

Shakespeare contrapõe o mundo palaciano de intrigas e corrupção com o mundo do campo, mais rústico, mas também mais puro e vai conduzindo a peça harmonizando pouco a pouco os opostos e, fazendo jus ao título, dá um final como todos gostariam que acontecesse: muitos casamentos entre diversos pares românticos (alguns de última hora), justiça para os injustiçados e redenção para os maus, que se arrependem dos erros passados. E não tem escrúpulos de usar várias vezes o Deus ex-machina, a inverossimilhança de nem o pai nem o amado reconhecerem Rosalinda e um final feliz que mais parece uma festa de confraternização.


Um ponto a observar: muitos críticos que torcem o nariz para uma literatura de entretenimento, sobretudo o tripé fantasia / horror / ficção científica, aplaudem e tecem loas a este texto de Shakespere que se propõe justamente a entreter a plateia, do jeito que você gosta.

Sobre a Tradução

A Companhia Elevador de Teatro Panorâmico, que encenou recentemente a peça, optou por uma nova tradução visando principalmente trazê-la mais pra perto do público atual. As mudanças no texto original, quando comparadas com outras traduções mais formais, são sutis, mas suficientes para tornar algumas passagens mais próximas do público brasileiro e até salvar algumas piadas que só teriam sentido para um inglês do século XVII. Estas alterações estão destacadas em notas de rodapé, explicadas e contextualizadas pelos tradutores. Um dos exemplos é a substituição de “mostarda e panquecas” por “ameixa e manjar”, mais presentes na mesa dos brasileiros, sem que se perca o sentido do texto.

O texto é precedido por um pequeno ensaio de Marcelo Lazzaratto, ator e diretor da peça, que contextualiza o texto dentro da obra de Shakespeare.

Finalizando há uma entrevista com o diretor e mais três outros atores, onde alguns detalhes da tradução e montagem da peça são discutidos.

Um bom livro para quem aprecia Shakespeare ou uma boa comédia.