O Colega Davi Paiva, que milita já algum tempo no mercado editorial, Autor do livro O Cavaleiro Negro e organizador de várias antologias, está coordenando mais uma. Desta vez a temática será sobre guerreiros, mas segundo ele, tem que ser guerreiros pra valer, como piratas, samurais, gladiadores e narrativa deverá estar centrada na questão da luta em si. Um desafio para escritores experientes e uma oportunidade para escritores novatos. Maiores informações, clique aqui.
Elenco:
Eddy Stefani, Fernando Martins, Naiara Bastos
Cenário:
Fernando Martins
Iluminação:
Fernando Azevedo
Música
Original: Marcelo Pellegrini
Coreografia:
Robson Cabral
Criação
e confecção de Máscaras: Fernando Martins, Naiara Bastos
Sinopse:
Numa peça sem palavras e
com o uso de máscaras, a
vida de um casal é revisitada através de suas lembranças.
Um
dia andando perto de minha casa no bairro do Ipiranga, vi uma placa
em uma casa onde estava escrito “Centro
de Pesquisa da Máscara”. Ao
olhar aquilo me ascendeu a curiosidade. Isso durou alguns meses, até
que um dia passei em frente e havia um cartaz convidando para uma
peça de teatro. Me senti como Hermann, diante do cartaz do Teatro
Mágico, em O Lobo
da Estepe.
Me
decidi ir vê-la na primeira oportunidade. Havia uma curiosidade a
respeito das máscaras, pela sua função dentro da Psicologia
Analítica de Jung e na construção do mito, descrita por Joseph
Campbell. Havia também o
gosto pelo teatro.
A
peça
Dois
atores em cena por meio de gestos e posturas vão passando uma
história. O uso da máscara, que os atores usam o tempo todo, tem um
papel significativo, já que a expressão esculpida na máscara é
aparentemente sempre
a mesma. Para expressar nuances
de sentimentos os atores
enfatizam a linguagem corporal e posicionamentos do rosto. A
iluminação tem aqui um papel importante, pois a máscara assume
diversas expressões,
conforme o lado que recebe a luz.
O
cenário é bem simples e os objetos de cena são estruturas de
madeira, retângulos e triângulos e caixas, que ora são portas,
hora são janelas ou ainda armários e
até máquinas de tecelagem industrial. Eles são trazidos
por um terceiro ator, que os opera, alterando o seu significado
conforme a cena.
Aos
poucos e de uma forma não
linear a história do casal
é passada, desde o namoro até a velhice, com seus altos e baixos,
felicidades e sofrimentos, união e separação.
Uma
excelente peça.
Serviço
O
que: Alvorada,
peça em um ato, com uso de máscaras.
Maria acompanhada pelos elementais encontra o Homem Ferido
Sinopse:
Maria é uma moça ingênua que
vive com o pai viúvo em um sítio decadente. A vida com o pai não é
tranquila, pois ele, em alguns momentos, é violento (há uma
insinuação de alcoolismo provocado pelo desespero), mas como ela
ama o pai o convence casar-se com uma viúva. A Viúva e sua filha,
em vez de representarem a salvação passam a ser um tormento muito
maior. Maria, num momento de profunda tristeza decide abandonar tudo
e embrenhar-se na floresta em busca das franjas do mar. Tem início
sua jornada, acompanhada pelos elementais da natureza e pelo Pássaro
Incomum, que a protege. Nesta jornada, ela recebe presentes
simbólicos, entre eles um par de sapatinhos encarnados (numa alusão
a Cinderela), que serão importantes para estabelecer seu retorno
triunfante.
Hoje é dia de Maria - A fabula Musicalé um musical baseada no texto de Carlos Aberto Soffredini, com Lígia
Paula de Andrade (que também co-dirige e produz o musical) no papel
de Maria, estreou dia 30 de Setembro no Teatro Cetip, em São Paulo,
onde fica em cartaz até o fim de novembro.
O
texto de junta diversas lendas e contos da tradição oral brasileira através da
jornada de Maria, uma heroína, que, fugindo do ambiente opressivo
onde vive, segue seu sonho de ir ver as franjas do mar e evolui de
uma ingenuidade primária até a sua libertação de todas amarras:
opressão e abuso pai (interpretado por Luiz Araújo), opressão da
madrasta (interpretada por Kleber Montanheiro) e de um casamento
escravizante, ainda que com um príncipe.
Trio de Direção: Dan Rosseto, Lígia Paula Machado e Kleber Montanhiero
O
fio narrativo segue a história da Cinderela, ambientada no Sertão Paulista. Não há Fada Madrinha e as bençãos que Maria recebe
vem do fato de ajudar as pessoas, de forma desinteressada. O texto vai alinhavando a História da Menina e a Figueira, a Busca das Franjas
do Mar, a Terra Onde não Existe Noite, entre outras. Em cada cena
importante, há uma música muito bem escolhida, arrematando o tecido
narrativo e dando-lhe força. Um dos pontos altos é quando um
menino, Felipe Machado, canta Rosa de Hiroshima, numa cena bonita e
emocionante, sublinhada por um excelente jogo de luzes. A escolha das
músicas está tão bem feita que às vezes tem-se a impressão que a
peça foi escrita para acolher as músicas.
Felipe Machado
Maria
tem como companheiro de jornada o Pássaro Incomum (interpretado por
Cleto Baccic), que a protege e aponta os caminhos e também é
ajudada elementais da natureza.
Maria e o Pássaro Incomum
Apesar
de a peça ser estruturada no conto de fadas Cinderela, Maria não é
simplesmente uma princesa frágil que vê no casamento com o príncipe
encantado como o final de seus problemas, mas tem uma atitude crítica
diante desta solução, preferindo a sua liberdade ao lado do Pássaro
Incomum e seguir seu caminho. E como Maria diz, ela não é só
Maria, mas todas as Marias e, por extensão, todas as mulheres.
As
interpretações estão ótimas. Merece destaque a interpretação
que Kleber Monteiro faz da Madrasta, valendo-se de sua voz plástica,
consegue enfatizar o cinismo da personagem, variando seu tom voz no
momento certo.
O
espetáculo como um todo é completo, com uma trilha sonora formada
por canções populares e grandes compositores (Caetano Veloso,
Catulo da Paixão Cearense, Gonzaguinha, Renato Teixeira, Marisa
Monte, Vinicius de Moraes, Herivelto Martins e Victor e Léo),
magistralmente interpretada – tanto no canto como no instrumental,
números de dança (incluindo um sapateado muito bem executado). O
cenário é bem simples, dando espaço para que os atores se
movimentem em cena com ampla liberdade.
Recomendo
fortemente!
Ficha
Técnica:
Texto:
Carlos Alberto Soffredini
Adaptação
do roteiro original: Francisca Braga
Direção
Geral: Dan Rosseto, Ligia Paula Machado
Direção
de Arte: Kleber Montanheiro
Direção
Musical: Dyonisio Moreno
Elenco:
Ligia Paula Machado, Cleto Baccic, Kleber Montanheiro, Luiz Araújo,
Camila Brandão e Felipe Machado.
Encantados:
Alberto Goya, Guilherme Pivetti, João Canedo, Roger Ciel, Vittor
Fernando e Hicaro Nicolai.
Músicos:
João Paulo Pardal (guitarra), Murilo Emerenciano (piano), Renan
Cacossi (flauta), Guto Brambilla (baixo), Felipe Machado (violão),
Jonatan Motta(violino), Mathilde Fillat (violino), Rafael Lourenço
(Percussão).
Cenografia
e Figurinos: Kleber Montanheiro
Coreografias:
Ligia Paula Machado
Designer
de Som: André Breda
Designer
de Luz: Wagner Pinto
Supervisão
Circense: Circo Garcia
Serviço:
O
que: Hoje é Dia de Maria – Uma fábula Musical
Onde:
Teatro CETIP, Rua Coropés, 88 – Pinheiros.
Quando:
30/09 até 27/11 (Sexta, Sábado às 21h e Domingo 18h)
Autor: Phill Porter Tradução e Adaptação: Francisca Braga Direção: Kleber Montanheiro Elenco: Ligia Paula Machado e Eduardo Pelizzari Músico: Jonatan Motta Sinopse: Sofia é uma jovem solitária que, após a morte do pai, herdou os dois apartamentos onde moravam. Cada apartamento tinha uma entrada independente e apenas compartilhavam o jardim. Precisando de dinheiro, Sofia, aluga a parte inferior do apartamento. Quem vem habitar ao andar de baixo é o jovem Jonas, tímido e ingênuo. Eles nunca se viram, pois o contrato foi feio por uma imobiliária. Em um momento de ousadia, Sofia resolve mandar pelo correio monitor de wi-fi de uma babá eletrônica que usara para acompanhar o pai doente. Jonas liga o monitor e a vê na tela, encantando-se.
De curiosidade passa a obsessão, até que ele descobre que ela é a mulher que mora no apartamento de cima e passa a segui-la, começando um jogo mudo entre os dois. Análise Blink, do autor inglês Phill Porter, magistralmente faz uma metáfora com nossas relações onde o mundo só parece real se for visto através de uma tela, seja uma TV, um monitor ou um celular. O outro está próximo, mas, ao mesmo tempo, distante. Em vários momentos o público ri ou dos pensamentos e atitudes ingênuas de Jonas ou das tentativas bem ou mal sucedidas de Sofia tentar alcançar a “visibilidade”, mas na realidade percebe-se que rimos de nós mesmos, quando mendigamos um “curtir” no facebook ou tentamos bisbilhotar a linha do tempo de uma celebridade ou mesmo de um amigo. Blink também mostra uma Londres (que poderia muito bem ser São Paulo) fria, bastante agressiva principalmente para os jovens Sofia e Jonas, o que os leva a valorizar aquele contato indireto que passa a dar significado a suas vidas, talvez temendo que um contado real ainda que breve como um piscar de olhos (daí o nome Blink), quebre o encanto.
Lígia Paula Machado compõe uma Sofia de tal maneira que, paradoxalmente, torna visível sua invisibilidade, como as centenas de pessoas que passam por nós no nosso dia a dia que não deixam nenhum traço em nossas memórias. Pouco a pouco tomamos conhecimento de seu drama, que é bastante simples, mas que ganha dimensões cada vez maiores, não por ser uma grande tragédia, mas que é seu drama pessoal, como o que muitos de nós carregam dentro de si. Algo que se narrado num jornal ocuparia no máximo um parágrafo numa seção obscura, mas que para nós é toda uma vida. Eduardo Pelizzari faz um Jonas na medida certa. Seria muito fácil transformá-lo numa caricatura, porém Eduardo consegue que ele seja visto com sua timidez e ingenuidade, com humor quando convém e também dando uma atenção especial ao drama de Jonas, que como o de Sofia, é simples e complexo ao mesmo tempo. A interação entre os dois em cena é muito boa, conseguindo uma boa empatia com a platéia. A encenação é feita num cenário bem simples e a estrutura narrativa mostra fatos que ocorrem com cada personagem simultaneamente, que guardam ou não relação entre si. Há apenas um músico no palco, Jonatan Motta, parcialmente oculto por um pano, que toca muito bem o violino, sublinhando algumas cenas. A peça está em cartaz hoje (08/05/16) no teatro Aliança Francesa, com promoção para o Dia das Mães (mães acompanhadas de um pagante não pagam). E, de 15 de Maio a 12 de Junho, aos domingos às 19:00 h, no Espaço Promom. Serviço O que:Blink, de Phill Porter com Ligia Paula Machado e Eduardo Pelizzari Onde:Teatro Aliança Francesa Rua General Jardim, 182 - Vila Buarque São Paulo - SP Quando: 08 de Maio de 2016, Domingo , às 19:00 Espaço Promon Sala São Luiz Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 1830 - Itaim Bibi São Paulo – SP Quando: de 15 a 12 de Junho de 2016, Domingo , às 19:00
A Conquista do Polo Sul Autor: Manfred Karge Direção (Encenação): Beatriz Batarda Elenco: Ana Brandão, Bruno Nogueira, Flávia Gusmão, Miguel Damião, Nuno Lopes, Nuno Nunes e Romeu Costa Quarta a Sábado às 21h; Domingo às 17h30, de 7 a 24 de Abril Teatro São Luiz, Lisboa 7 de Maio – Centro de Arte de Ovar 14 de Maio – Centro Cultural Vila Flor, Guimarães 9 de Junho – Teatro Constantino Nery, Matosinhos 18 de Junho – Teatro Micaelense, São Miguel
Pouco antes da queda do Muro de Berlim, quatro desempregados alemães, Slupianek, Buscher, Braukmann e Seiffert estão à beira do desespero total. Quando Seiffert tenta o suicídio, Slupianek tem uma ideia: encenar a conquista do Polo Sul, tal como Roald Amundsen o fizera em 1911. O propósito é que todos eles entrarem no espírito que conduziu a equipe de noruegueses, vencendo dificuldades muito mais desafiantes que um simples desemprego. O cenário é criado no sótão, tendo como pano de fundo as roupas brancas lavadas por Luise, esposa de Braukmann. Aos pouco a fantasia ganha dimensões muito maiores que um simples jogo, passando a ser a coisa mais importante da vida deles, talvez até mais importante que o emprego que Braukmann conseguira. Atenção contém antecipação de enredo (spolier) A encenação segue bem, apesar da oposição de Luise, porém Braukmann lê o prefácio e fica sabendo que uma equipe anterior de ingleses tentara uma expedição dois anos antes e desistira a 179,45 km do pólo. Braukman vê nesta equipe o retrato de todos eles. Estariam representando Roald Amundesen, ou o fracasso dos ingleses, que apesar de tudo, pagaram o preço do pioneirismo e possibilitaram o sucesso da equipe norueguesa? Isso provoca a ruptura dos amigos, pois Slupianek não quer abandonar o projeto. Os amigos só voltam a se encontrar no aniversário de Braukmann e, após serem humilhados por Rudi, um convidado arrogante do casal Braukmann, retomam o projeto percorrendo simbolicamente os 179,45 km, com a participação de Luise, representando o quinto homem da equipe de Amundsen.
O Texto O texto de Manfred Karge é bastante denso, algumas vezes cansativo, mas carregado de significado, coloca o imaginário e o próprio teatro como centro. Em vários momentos, desde o início, os atores se dirigem à plateia, quebrando a quarta parede. Sabemos que estamos diante de uma encenação, que fala sobre uma encenação, mas nem por isso deixamos de nos envolver pela história dos quatro desempregados, ou da bem sucedida equipe dos noruegueses, ou da fracassada equipe inglesa e seu simbolismo. A atuação
Todos os atores estão muito bem, com destaque para Bruno Noqueira, fazendo um excelente Slupianek, Flávia Gusmão, no papel de Luise e Ana Brandão que representa o cão Frankieboy e Rosi a esposa maltratada de Rudi.
Coreografias: Ligia Paula Machado e Roger Pendezza
Direção Musical: Dyonisio Moreno
Elenco: Luiz Araújo (Leléu), Ligia Paula Machado
(Lisbela), Beto Marden (Douglas), Marilice Consenza (Inaura), Nill de Pádua (Tenente
Guedes), Fernando Prata (Vela de libra/Frederico Evandro), Jonatan Motta (Cabo
Citonho) e Milene Vianna (Francisquinha).
Músicos: João Paulo Pardal (guitarra e violão), Renan
Cacossi (pífano e flauta transversal), Maristela Silvério (piano), Jonatan
Motta (violino), Azael Rodrigues (bateria e percussão), Daniel Warchauer
(acordeon), Augusto Brambilla (baixo acústico e elétrico)
Cenografia, figurinos e designer de luz: Kleber
Montanheiro
A história da inocente Lisbela com casamento marcado
com Douglas, mas que se apaixona, por Leléu, dono de um circo mambembe, transforma-se
em um musical de excelente qualidade.
Com adaptação de Francisca Braga e sob direção de Dan
Rosseto e Lígia Paula Machado – que também encarna a personagem Lisbela, a
montagem está sendo exibida no Teatro Nair Bello, em São Paulo, onde fica em
cartaz até 7 de junho.
A peça foi escrita originalmente por Osman Lins, autor entre
outras obras de Avalovara. O escritor concebia o teatro como uma forma de entretenimento e
é justamente este lado lúdico que se busca ser mostrar nesta montagem,
aproximando-a do circo. O cenário é despojado, mas altamente mutável graças à
rapidez com que um grupo de acróbatas – uma atração à parte – monta remonta a cena e a personagem vivida por
Lígia Paula Machado (Lisbela) aparece várias vezes executando números acrobáticos de lira, com
tecidos e com corda indiana, mostrando a versatilidade da atriz, que também
atua e canta.
Com direção musical de Dyonisio Moreno, a trilha sonora
traz músicas de Zé Ramalho, Pixinguinha,
Dominguinhos, Caetano Veloso, João Pernambuco e Filipe Catto e é executada ao vivo,
de maneira brilhante por oito músicos.
Impressões Pessoais
Assisti a esta peça no último domingo (19/10) e fiquei
agradavelmente impressionado, tanto com a montagem em si, como com a primorosa execução
das músicas e com atuação de todo o elenco, com destaque para Lígia Paula Machado
(Lisbela) e Luiz Araújo (Leléu), com uma atuação esplêndida, quer como atores, quer como cantores.
Percebe-se em Lígia que ela vive a arte com muita
intensidade e a tem como propósito de vida, o que transparece em todos os
momentos que está no palco.
Lisbela sofre uma grande transformação, de uma moça ingênua
para uma mulher que luta pelo homem que ama, assim como Leléu, que descobre que sua liberdade pessoal de artista itinerante e de mulherengo precisa
de um ponto de apoio e de constância, representado pelo amor de Lisbela.
Beto Marden faz um Douglas bem caricato, alguém que
quer parecer o que não é, carioca, sendo pernambucano. Aliás, o texto de Osman
Lins traz isso – a valorização do que é de fora – como uma crítica, aparecendo
também nas primeiras falas de Lisbela, que se admira de atores estrangeiros sem enxergar possíveis talentos nacionais.
Nill de Pádua compõe um Tenente Guedes também caricato
do tipo de homem machista e que tenta controlar a filha sob rédea curta, mas faz
isso apenas por amor.
Marilice Consenza representa Inaura, a perfeita antagonista
para Lisbela: experiente e determinada.
A grandeza da personagem se revela num diálogo com Lisbela, onde as duas
estão igualmente dispostas a lutar por Leléu.
Fernando Prata representa o vilão típico, um matador
profissional, caracterizado por sua postura e falas carregadas de sotaque e arrogância.
Jonatan Motta (Cabo Citonho) e Milene Vianna
(Francisquinha) compõe o segundo par romântico, funcionando como um canal entre
as partes conflitantes. Esta dupla causou-me uma bela surpresa quando cantam
seu número musical, sobretudo a voz de Jonatan Motta fazendo o personagem
crescer a nossos olhos.
Todos os atores e músicos, principais e secundários
demonstraram ter uma gama de talentos que os torna extremamente polivalentes.
Por exemplo, os músicos são também a guarda de segurança do tenente Guedes. Os
acróbatas além de mudarem o cenário, fazem números de circo e pequenos papéis
em cena. Lígia faz números de acrobacia aérea e junto com Beto Marden faz um
número de Roller Dance. Todos cantam e dançam.
Ao termino do espetáculo, após os aplausos, Lígia
volta-se para a plateia e, em agradecimento, se posiciona que o objetivo do
teatro é exatamente entreter, de tal maneira que as pessoas têm que sair um
pouco diferentes do que entraram.
E com certeza, saíram.
E eu saí com a sensação de que a peça merecia um teatro
bem maior.
Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? Título original:Do androids dream of eletric sheep? Autor: Philip K. Dick Tradução: Ronaldo Bressane Sinopse: Rick Deckard vive numa Terra decadente, onde após uma guerra nuclear, boa parte dos humanos emigraram para colônias espaciais e a maioria dos animais morreu, transformando-se em produtos de luxo. Seu sonho é possuir um animal verdadeiro. Sua profissão é “caçador de recompensas” e ele persegue e “aposenta” androides. Recebe como missão perseguir e aposentar seis androides fugitivos de Marte e vê nesta caçada a possibilidade de realizar seu sonho de ter um animal verdadeiro. Mas, as coisas não saem exatamente do modo que deseja. Durante muito tempo tive receio de ler o livro pois tinha medo de ver destruída a minha excelente impressão do filme Blade Runner, baseado neste livro ou que a minha visão do filme fizesse desgostar do livro. Não aconteceu nem uma coisa nem outra. Como o próprio Philip K. Dick disse, após ver um trecho do filme ainda em produção, os dois trabalhos se complementam. O filme dá uma dimensão maior aos personagens Deckard (o caçador de androides), Rachel (a androide quase – ou mais que – humana) e Roy Bat, o líder dos androides fugitivos.
Rachel, mais humana que androide
O Deckard do livro é uma pessoa comum, com uma vida medíocre e a única coisa extraordinária (que ele trata como algo muito burocrático) é sua profissão. Roy Bat apesar de sua inteligência e de certa forma sensibilidade, seria incapaz de proferir aquele discurso do final filme e Rachel do livro não consegue passar sua humanidade como no filme.
Deckard, frieza burocrática ao aposentar androides.
Por outro lado, no filme a preocupação metafísica – que é bastante intensa no livro – está quase ausente e mostrada de um jeito diferente (concentra-se na busca do “criador” por parte dos androides). No livro, há uma espécie de religião chama mercerismo, onde todos se conectam através de um caixa de empatia a Mercer, um messias que sofre para que todos sofram juntos e compartilhem emoções. Mercer é um velho que sobe uma colina e é apedrejado por inimigos invisíveis e as pessoas quando a ele conectadas sentem seu sofrimento e as emoções de cada pessoa envolvida. Aliás, a empatia é o sentimento que distingue um ser humano de um androide e a busca por empatia é o que move os androides liderados por Roy.
Tanto no filme como no livro os androides buscam a transcendência
Está ausente no filme o programador de emoções de Penfield. É um aparelho em que você escolhe num menu o tipo de emoção que quer sentir no momento. Em geral, as pessoas “vestem” emoções convenientes, como alegria se estão em casa ou senso de responsabilidade profissional se estão indo trabalhar. Entretanto Iran, esposa de Deckard (personagem ausente no filme) um dia, ao tomar consciência de sua condição de morar num mundo decadente, em vez de “felicidade” escolhe “depressão”, que segundo ela, era o que deveria estar sentindo realmente. Há também a questão do “bagulho”. Na visão de Isidore (no livro um simples motorista que recolhe animais artificias com defeito) o bagulho seriam objetos inanimados que se multiplicam e destroem o mundo a sua volta, uma explicação ingênua para a deterioração entrópica do mundo em que está vivendo. O mundo de Dick é um mundo onde o artificial expele o natural e hipocritamente destrói os androides, que paradoxalmente anseiam por humanidade. Isso também está no filme, mostrado de outra forma.
Um mundo onde o natural é expulso pelo artificial
Atenção Spoiler! O ponto alto do filme é a perseguição dos androides no prédio onde mora Isidore. No livro há perseguição, mas sem a emotividade das cenas do filme e a morte de Roy é patética, como se fosse mais uma “aposentadoria” feita por Deckard. O termo em inglês é “retire”, que significa também “retirar”. Em português não há esta ambiguidade. O segundo significado da palavra aposentar (colocar em um aposento) há muito não é utilizado. Nas versões do filme traduzidas (tanto dubladas como legendadas) a que assisti, o termo empregado é “remover”. O uso deste termo em vez de ser um eufemismo para “matar” coisifica o androide e acaba sendo mais forte que o inglês “retire”. Na tradução do livro preferiu-se o termo “aposentar”, para manter a ironia original do texto em inglês, embora a ambiguidade seja intraduzível. O livro se prolonga um pouco mais como um encontro em um deserto de Deckard com Mercer onde o caçador se descobre humano. Uma cena bem feita onde praticamente o imaginário e o real se reconciliam. O final também é “sem sal”. Decarkd volta para a casa e para sua esposa e apenas quer “uma longa e merecida paz”, que, em muitos idiomas, soaria como uma metáfora para morte. Extras O livro possui três adendos: uma carta de Philip K. Dick elogiando a adaptação e prevendo o caráter revolucionário do filme, sua ultima entrevista e uma analise do livro muito bem elaborada feita por Ronaldo Bressane. Conclusão Realmente o livro e o filme se complementam e Blade Runner é uma das melhores adaptações para o cinema de um bom livro. Com certeza vale o conselho que normalmente aparece em publicidade de filmes: veja o filme, leia o livro e ouça a trilha sonora. Nerd Shop Livro: Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? Philip K. Dick,. Editora Aleph. Filme:Blade Runner - O caçadore de Androides. Versão definitiva. Trilha sonora:Blade Runner. Vangelis.
Guardiões da Galáxia Título original: Guardians of the Galaxy Direção: James Gunn Roteiro: James Gunn, baseado em Guardiões da Galáxia de Dan Abnett e Andy Lanning Elenco: Chris Pratt. Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel (voz de Groot), Bradley Cooper (voz de Rocket), Lee Pace. Michael Rooker, Karen Gillan, Djimon Hounsou, John C. Reilly, Glenn Close, Benicio Del Toro País de Produção: Estados Unidos Ano: 2014 Sinopse: Um aventureiro ladrão, Peter Quill, também conhecido como Star Lord, rouba uma esfera chama Orbe de um templo em ruínas. Mal sabe ele que este orbe não um objeto simples que pode ser negociado como uma peça de coleção. Ele é ambicionado pelo maligno Ronan, um um rebelde do planeta Kree que deseja destruir Xantar, um pacífico e próspero planeta. Em busca de um comprador, Quill acaba sendo preso junto com Gamora, um aliada de Ronan, interessada em roubar o Orbe para si própria, o caçador de recompensas Rocket (um guaxinim inteligente) e seu companheiro Groot (uma árvore falante) e um maníaco assassino chamado Drax. Esse improvável grupo é formado durante uma fuga desastrada da prisão e vai enfrentar Ronan. Grupos assim, formados por desqualificados, que se unem apenas para um tentar espoliar o outro, pululam no cinema desde Os Doze Condenados. A diferença aqui é que a história é jogada literalmente pro espaço e a fantasia fica à solta (temos uma árvore falante ao lado de um guaxinim inteligente, quer mais?), temperada por uma boa dose de humor, para o deleite da plateia.
Você vai encontrar todos os clichês do gênero, inimigos egocêntricos que são transformados ao longo da aventura em companheiros de batalha, discursos motivadores, romance de um sujeito mulherengo com uma aventureira avessa a homens conquistadores, ambição e desejo de vingança transformados pelo desejo de suplantar um mal maior. Entretanto, o humor e a aventura estão bem casados e tornam o filme muito divertido, mas como sempre, não espere fidelidade aos quadrinhos. Nota dez para a animação de Rocket (o guaxinim falante). Os movimentos são naturais e chegamos a esquecer o que ele é ao longo do filme tanto quanto esquecemos que o Mickey é um rato. Aguarde o final dos títulos. Como todo filme da Marvel, sempre há um easter egg. Lembre-se porém que este é um filme de humor.
Sinopse:
Duas mulheres, mãe e filha, são brutalmente assassinadas num
apartamento na Rua Morgue. As circunstâncias do crime deixam a
polícia desnorteada até que o detetive Dupin resolve o mistério.
Esta
foi a história que inaugura o gênero policial. Poe cria não só
uma excelente história, como dá as suas diretrizes, que depois
serão aperfeiçoadas por Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes: um
detetive genial e excêntrico, um narrador que é seu amigo, uma
policial diligente, mas incompetente e uma trama bem engendrada. Poe,
no início do conto, compara este tipo de trama como jogo de whist,
onde contrariamente ao xadrez, a atenção se dirige não só ao
jogo, mas também aos jogadores. O jogo de whist hoje em dia não é
muito praticado, mas se quisermos manter a comparação, podemos
imaginar como equivalente o poker.
Atenção,
spoiler!
A
história em si foi citada em Um Estudo em Vermelho, primeiro livro
onde aparece Sherlock Holmes, que a critica abertamente,
qualificando-a como primária. Porém, Conan Doyle “cola” uma de
suas cenas, quando Dupin “lê os pensamentos” de seu amigo.
Sherlock também “lerá” os de Watson, seguindo mais ou menos o
mesmo processo.
Se
analisarmos do ponto de vista de hoje, em alguns aspectos, podemos
dar razão a Sherlock, por exemplo o interrogatório onde há
testemunhas de várias nacionalidades, uma situação pouco provável,
mesmo numa cidade grande e cosmopolita como Paris.
Entretanto,
a solução que Dupin deu para o mistério do quarto trancado merece
respeito (copiado também por outros autores policiais, com muitas
variações).
Além
disso, Os Assassinatos da Rua Morgue tem elementos do gênero em que
Poe era mestre, as histórias de horror: a brutalidade do crime
descrita em detalhes mórbidos e o bizarro assassino.
Os Assassinatos da Rua Morgue merece ser lido pelos leitores modernos
por seu pioneirismo e pela qualidade do texto.
Título
original: The Story of the Late Mr. Elvesham
Tradução:
Flávia Yacubian
Editora:
Balão Editorial (e-book)
Ano:
2014
Sinopse:
Edward Eden encontra-se com Elvesham, um velho professor de
filosofia, que lhe oferece a possibilidade dele herdar todos os seus
bens quando o filósofo se for, aparentemente em troca de nada. Eden
descobrirá que o preço é alto demais.
H.
G. Wells é um dos pioneiros da ficção científica. Seu foco sempre
foi o indivíduo em sociedade mais que a ciência em si, tanto que é
considerado o pai do gênero soft. E este conto não foge a
este parâmetro. Tanto que a parte científica em si é apenas usada
pra explicar o estranho fenômeno a que Eden é submetido. Poderia
ser substituído por magia sem que o enredo sofresse qualquer
alteração.
Estão
em foco duas ambições: por bens materiais e por vida eterna. Ambas
obtidas a custa de outrem por meio do engano.
Como
esta história é protótipo de várias outras que vieram depois, um
leitor mais experiente pegará o que vai acontecer lá pelo terceiro
parágrafo, porém, mesmo assim a história se sustenta pela
caracterização dos dois personagens, pela forma de escrever de
Wells e sobretudo pelo final irônico e, de certa forma,
surpreendente.
Noturno – Trilogia da Escuridão Volume 1 Autor: Guilhermo del Toro, Chuck Hogan Título Original: The Strain Tradução: Sérgio Moraes Rego e Paulo Reis Editora: Rocco Ano: 2009 Sinopse:Noturno é o primeiro livro da série Trilogia da Escuridão. Chega ao Aeroporto Internacional JFK, em Nova Iorque, um avião que pousa em completo silêncio. A tripulação não responde a nenhum chamado, o que faz o avião ficar sob suspeita. Inicialmente de um sequestro, depois, de alguma doença ou ataque biológico. Ephraim Goodweather, especialistas em ameças biológicas, é chamado para coordenar as operações de abertura e investigação do avião possivelmente infectado. Embora os autores pretendam fazer suspense, o leitor já sabe o que vão encontrar: cadáveres. O avião silencioso lembra a chegada do navio de Drácula. Então também devemos suspeitar que ele também levou um caixão com um vampiro secular.
Sem me preocupar com possíveis spoilers, já digo: é isso mesmo. E é o que o leitor espera, desde que leu a contra capa do livro. E terá em doses nada homeopáticas. Rapidamente a cidade de Nova Iorque estará infestada por vampiros. A mente lógica de Ephraim no início não consegue atinar com o que está acontecendo, embora de quando em quando se lembre de enredos similares de velhos filmes de terror. Contudo Ephraim terá um aliado, Abrahan Setrakian, um judeu sobrevivente de um campo de extermínio. Ele conhece a lenda de Sardu, que a avó lhe conta deste tenra idade, um menino gigante e desengonçado, que se torna forte e mau. A história é contada carregada de suspense e cenas de terror cru. Isso é temperado com alguns dramas pessoais de alguns personagens: o roqueiro drogado, a mulher insegura, a mulher vítima de violência doméstica, mexicano marginal apegado à mãe, a obsessão de Setrakian em perseguir e matar Sardu e o próprio protagonista, em disputa com ex-mulher pela guarda do filho. Aliás, este último drama é um ponto fraco da história, já que muitas vezes repetido em filmes americanos, como se o único conflito possível fosse problemas de divórcio de um casal com filhos pré-adolescentes. E este conflito está aí para dar a motivação e justificar algumas atitudes temerárias e até estúpidas de Ephraim. Noturno não é nem pretende ser uma renovação do gênero. Apenas atualiza e contextualiza nos dias de hoje a lenda milenar. Dá uma boa explicação biológica e não sobrenatural para a transformação, mas mantém a prata como elemento essencial no combate ao vampiro. Há um bom gancho para o próximo volume, embora o clichê de “quase matamos o monstro, mas ele é mais forte do que supúnhamos” esteja presente. Nerd Shop Noturno – Trilogia da Escuridão Volume 1. Editora Rocco. Livraria Cultura.