quarta-feira, 17 de março de 2010

Pastelão ou Solitário Nunca Mais

Ficha Técnica

Pastelão ou Solitário nunca mais (Slapstik or Lonesome No More!)
Autor:
Kurt Vonnegut Jr
Editora: Círculo do livro
Páginas: 180
Ano:
1987

Sinopse: "Autobiografia" do último presidente dos Estados Unidos, Dr. Wilbur Narciso-11 Swain, contada desde sua infância, quando ele e sua irmã gêmea Eliza foram isolados por seus amados pais em um asteróide por serem extremamente altos e feios e supostamente retardados mentais (eram classificados como neandertalóides). Sua vida muda quando decidem contar para os outros que na realidade são inteligentes, desde que estejam juntos, pois ambos formam por ligações telepáticas um único ser. Tudo será feito para mantê-los separados um do outro. Wilbur consegue, ao longo dos anos, superar suas supostas deficiências e aprender medicina e, por fim, se tornar presidente de um EUA decadente e distópico, após um súbita instabilidade da constante gravitacional da Terra.

Kurt Vonnegut Jr. é conhecido pelo seu humor corrosivo e cínico, que não poupa ninguém nem a si mesmo. Ele escreveu este livro em 1976, quando tinha 54 anos e começara a se sentir "dobrando o cabo da boa esperança" (um exagero, pois ele morreu em 2007, com 84 anos) e traça um paralelo entre o envelhecer e a decadência dos Estados Unidos, fazendo um retrato crítico agudo de valores da sociedade americana.

O título do livro parece estranho para um romance de ficção científica. O autor explica logo nas primeiras páginas a razão da palavra Pastelão: é uma homenagem aos filmes do Gordo e o Magro, que lutavam as batalhas do dia-a-dia com dignidade, mesmo quando se davam mal. Este tipo de comédia tem o dom de nos fazer rir de nosso sofrimento, coisa que ele busca fazer no romance.

E Solitário, Nunca mais! trata-se do slogan de sua campanha para presidente. Ele e sua irmã, quando tinham acesso à genialidade de seus cérebros trabalhando em comunhão, analisaram a sociologia dos EUA e concluíram que, para resolver o problema dos Americanos, sempre solitários, seria necessário criar familias expandidas para eles de forma artificial. Assim todos sempre teriam parentes com quem contar.

Fazendo humor com situações, com a linguagem e com conceitos, Kurt Vonnegut Jr. compõe um livro magistral, um retrato sem retoques da velhice, do relacionamento familiar e da hipócrita sociedade americana.

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