Mostrando postagens com marcador Bráulio Tavares. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bráulio Tavares. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O País dos Cegos e outras histórias

Trata-se de uma coletânea de contos de H. G. Wels em pré venda a Livraria Cultura..

Mais conhecido por seus romances como a Máquina do Tempo e A Guerra dos Mundos, Wells é um excelente contista.

Esta coletânea traz dezoito histórias, mas, infelizmente, as resenhas que li não traziam a lista de contos. Temos que confiar na habilidade de Wells em escrever e na de Bráulio Tavares (excelente tradutor e escritor) em selecionar e traduzir os textos.

Eu conheço vários contos de Wells e todos que li eram muito bons. O que dá o título à coletânea é O país dos Cegos, uma fábula em torno o dito popular Em terra de cegos quem tem um olho é rei. 

Um explorador descobre uma civilização formada por seres humanos que há várias gerações perderam a visão. Este explorador julga ter uma vantagem e age no sentido de querer se tornar rei deste povo. Spoiler: descobre então que ver num lugar onde ninguém vê não é vantagem nenhuma e ele passa a ser o diferente, o anormal.

A maioria das histórias que conheço especulam com a ciência da época, a sociedade e o comportamento humano. Normalmente seu texto é leve, ás vezes pontuado por humor, outras com críticas severas tanto à sociedade de sua época como com os seres humanos de um modo geral.

Nerd Shop

Trad. Barulio Tavares.
Editora Alfaguara Barsil

Em pré venda da Livraria Cultura.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

CLFC apresenta os oito finalistas do prêmio Argos



O Prêmio Argos, já em sua segunda edição em sua nova fase, pretende resgatar o antigo prestígio do Prêmio que, no início dos anos 2000 foi considerado o mais importante do gênero.

Como na primeira edição, a premiação ocorrerá no Fantasticon 2013, no dia 22 de Setembro, às 13 horas, conforme a programação do evento.

A seguir, os oito finalistas do prêmio Argos 2013. São os quatro mais
votados em cada categoria. 

Na categoria História Longa, os finalistas em ordem alfabética são:

O Alienado, Cirilo S. Lemos
Kaori e o Samurai sem braço, Giulia Moon
Sozinho no deserto Extremo, Luiz Bras
Territórios Invisíveis, Nikelen Witter

Na categoria História Curta, os finalistas em ordem alfabética são:

As Filhas de Cassiopeia: a Ofensiva Draconiana, Hugo Vera

Hiriburu, Alexandre Mandarino
No vácuo você pode ouvir o espaço gritar, Carlos Orsi
Obliterati, Fábio Fernandes

Também será entregue o Prêmio Argos 2013 pelo conjunto da
obra ao escritor Braulio Tavarez.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Páginas do Futuro – Contos Brasileiros de Ficção Científica



Autores: Bráulio Tavares (org), Joaquim Manuel de Macedo, Raquel de Queiroz, Ataíde Tartari, Joaquim Manoel de Macedo, Oswald Beresford, Rubem Fonseca, Finisia Fidelis, Fábio Fernandes, Fausto Fawcett, André Carneiro, Luis Bras, Jerônymo Monteiro, Ademir Assunção.

Ilustrações: Romero Cavalcanti

Editora: Casa da Palavra

Ano: 2012

160 páginas

Sinopse: Bráulio Tavares busca reunir neste volume diverso autores, de várias épocas da literatura de ficção científica. Alguns textos forma feitos por autores ligados ao mainstream, como é o caso de Joaquim Manuel de Macedo e Raquel de Queiroz outros militam exclusivamente na ficção científica, como é o caso de Finisia Fidelis ou ainda outros que transitam entre os dois mundos como o caso de André Carneiro e Luis Bras, gerando visões sobre o gênero e sobre a maneira de mostrar o futuro bastante diversificada. O texto é precedido por um bom ensaio do organizador sobre o gênero em si e sobre as razões de suas escolhas. Cada conto é precedido por uma pequena biografia de cada autor, contextualizando-o no tempo e espaço para que o leitor possa ter uma melhor apreciação daquilo que vai ler.

Ma-Hôre – Raquel de Queiroz

Uma excelente história sobre um alienígena que é tirado de seu mundo por uma expedição de humanos. O grande questionamento é: temos o direito de interferir no destino de criaturas apenas por mero capricho? O texto é belíssimo, flertando com a prosa poética e está focado no alienígena.

Veja seu futuro – Ataíde Tartari

Um rapaz descobre em uma loja no centro velho de São Paulo um fotógrafo que, por meio de uma máquina, era capaz de mostrar o futuro para quem desejasse ver. Mesmo com a advertência de que a maioria das pessoas não gostava do resultado, o rapaz pede pra ver o seu. Ao contrario da maioria, rapaz gosta do que vê e procura o velho fotógrafo toda vez que tem de tomar alguma decisão importante na vida. O desfecho é bem conduzido, chegando a surpreender o leitor.

O Fim do Mundo – Joaquim Manoel de Macedo

Um jovem ator acha quer o mundo vai acabar e decide escapar da hecatombe a qualquer preço. O conto é hilariante, com uma crítica social aguda e mordaz à sociedade da época. Percebemos que muita coisa não mudou do século XIX para cá. É particularmente engraçada a cena do empilhamento dos bancos (instituições financeiras) para que personagem consiga alcançar a lua (uma metáfora para os juros estratosféricos – qualquer semelhança com hoje em dia é mera coincidência).

O Inimigo Gaseificado, ou a Vingança do Senhor Concreto – Oswald Beresford

Qualquer um que topasse com um título destes, para um conto de ficção científica publicado nos anos 20, certamente ficaria tentado a pelo menos saber do que se trata.

Oswald Beresford é um autor brasileiro que morreu jovem e teve sua principal obra queimada pelo próprio pai, mostra neste conto uma grande imaginação.

Num futuro distante dois empreendedores se digladiam disputando o mesmo mercado: pessoas próximas da morte. Um, por meio de produtos farmacológicos e tecnológicos, se propunha a aumentar a vida e restaurar a juventude de quem o procurasse. O outro vendia suicídio assistido, para aqueles que desejassem morrer.

O texto é conduzido com muito humor, mais corrosivo que o de Macedo, já que tocava não só comportamentos e política, mas algumas questões filosóficas mais profundas.

O Quarto Selo (Fragmento) – Rubens Fonseca

Rubens Fonseca é um autor conhecido por ter dada uma cara brasileira ao romance policial. Embora fã do gênero, quase nunca escreveu ficção científica e este conto é uma exceção. Ambientado num Rio de Janeiro futurista, high tech e distópico, é um bem conduzido thriller sobre ação de assassinos profissionais.

Exercícios de Silêncio – Finísia Fidelis

Neste conto, presente também na antologia Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica, um astronauta tem que resolver um problema em sua espaçonave, porém está num planeta sem recursos técnicos. A única coisa que os nativos têm a lhe oferecer é um exercício de meditação, teoricamente para ajudá-lo a suportar seu exílio forçado naquele mundo.

Mesmo para os que já leram este conto na citada antologia (ou em algum outro lugar, visto que ele é um dos mais reproduzidos), o conto merece uma segunda leitura.

Uma Breve História da Maquinidade – Fábio Fernandes

Parodiando um compêndio de história, o autor conta a história das Máquinas, mostrando sua evolução desde a segunda criatura do Dr. Victor Frankstein, que abandonara os cadáveres para usar engrenagens e vapor. A narrativa pode se classificada de Steampunk. Há algumas passagens dignas de nota: como a adesão de Marx à luta pelos direitos das máquinas e a guerra entre duas empresas fabricantes de Cérebros Mecânicos.


Vanessa Von Chrysler – Fausto Fawcett

Uma mulher selvagem, descendente de vikings, é congelada pelos nazistas, como o último exemplo da mais pura representante da raça ariana. Vendida num leilão, é ressuscitada por um antiquário. Num ritmo frenético, o autor conta a história de sua fuga e caçada pelas ruas do Rio de Janeiro. 

Do outro lado da janela – André Carneiro

Um homem compra uma TV e nota uma mancha na tela e nenhum técnico consegue tirá-la. Aos poucos, a mancha transforma-se numa obsessão. Um conto com ares do seriado Além da Imaginação. Uma fábula bem escrita sobre o fascínio que a televisão exerce sobre nós, independente de seu conteúdo.

Déjà-vu – Luis Brás

Um conto sobre viagem no tempo, com uma influência bem marcada de Lovecraft e que trabalha com a forma de narrar. O conto pode ser lido no sentido normal, do começo ao fim, onde o tempo está voltando, ou no sentido inverso, do fim para o começo, onde o tempo anda para frente. As duas experiências de leitura, são, como diria Spock, fascinantes.

O Copo de Cristal – Jerônymo Monteiro

Outro conto que também foi bastante reproduzido e que apareceu na antologia  Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica. Um copo de cristal tem o poder de mostrar o futuro, retratando vários momentos da humanidade. Conto com forte mensagem anti-belicista.

15 Minutos – Ademir Assunção

O núcleo de um software de controle de uma rede mundial está prestes a ser invadido por um hacker de codinome Unabomber (lembrando um ativista dos anos 70-80). O conto tem um suspense bem conduzido até o desfecho, com um final que nos faz pensar.  Um bom arremate para a coletânea.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Tupi or not Tupi. Esta não é questão.


Tupi or not Tupi. Esta não é questão.

Recentemente voltou a cena o Manifesto Antropofágico da Ficção Científica Brasileira, de Ivan Carlos Regina, pela mão de Tibor Moritz, que levantou a bola, e deixou o pessoal fazer algumas embaixadas. Porém a bola caiu no chão e pingou, pingou e Bráulio Tavares deu outro chute levantando um novamente a bola, que nos pés de Roberto Causo e do próprio Moritz voltou a pingar no meio do fandom.

Eu estou vendo a bola vir em minha direção e resolvi arriscar um chute ou uma cabeçada e não espero atingir o gol, pois péssimo jogador de futebol, nem sei onde ele está. Aliás, parece que ainda ninguém sabe, mas o importante é que a bola continue no ar a espera de que alguém saiba onde está o gol ou construa um.

Para iniciar a minha reflexão sobre o assunto antes de colocar a bola novamente em campo partiu dos textos já citados, dos Manifesto da Poesia Pau Brasil e Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade, do Triste fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto, de minhas leituras de FC & F e outros gêneros de todos os cantos do mundo e da Opera Madame Butterfly sob a ótica de Katsuhiro Otomo, no curta Magnetic Rose presente do DVD Memories.

Alguém poderia estar perguntando, por que Madame Butterfly? Afinal não estamos falando de literatura brasileira de Ficção Científica?

Eu pergunto: quando pensa em madame Butterfly, qual o primeiro país que aflora a mente? Japão!  Só que ela é uma opera italiana (escrita por Puccini) que se apropria de alguns elementos culturais japoneses e de um momento histórico, onde ocorria justamente a dominação econômica e cultural americana nas terras nipônicas.


E o que fez Katsuhiro Otomo? Criou uma história onde uma nave especial com uma tripulação multinacional (não há um japonês sequer) segue um sinal de SOS que é justamente uma ária de Madame Butterfly. O destino é um grupo de asteróides com um perigoso campo magnético, Sargasso, nome de um mar onde na ficção é palco de naufrágios misteriosos.

Mesmo sem ver o filme, só por esta sinopse percebe-se que o local é uma armadilha. A atração magnética, a atração física por uma mulher, a atração por uma cultura diferente, a busca do lucro fácil e a ilusão de que se pode viver através das memórias compõe o quadro dramático do curta.

Apesar de todas as referencias não serem japonesas, sentimos que estamos diante de uma obra genuinamente japonesa. Por quê? Talvez pela forma? O tipo de narrativa? Ou o aprendizado de mais de um século que tivemos de ver Madame Butterfly como uma referência ao Japão?

Já em o Triste fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto coloca um personagem patético que tenta sozinho salvar o país através de três projetos: um linguístico, um econômico e um político.

Nos interessa o linguístico, já que estamos envolvidos no uso da linguagem como forma de expressão. Quaresma é menosprezado primeiro por querer estudar violão, depois por estudar sem ter formação acadêmica e, por fim querer adotar uma visão nacionalista extrema, ao propor o uso do tupi como língua oficial.

Este é o perigo que temos que evitar. Até onde deve ir nossa busca do nacionalismo? Enfiar um índio numa história de FC fará meu texto ser mais brasileiro?

Eu particularmente penso que somos estrangeiros nesta terra. Nossas origens são européias e se queremos colocar elementos indígenas em nossas histórias temos que fazer um mergulho em suas tradições e crenças, criar uma boa história (um bom exemplo é o herói Tajarê, de Roberto Causo) e... lidar com uma possível rejeição do publico leitor.

Agora, vamos ao texto base, o Manifesto Antropofágico de Ficção Científica Brasileira:

“Precisamos deglutir urgentemente, após o Bispo Sardinha, a pistola de raios laser, o cientista maluco, o alienígena bonzinho, o herói invencível, a dobra espacial, o alienígena mauzinho, a mocinha com pernas perfeitas e cérebro de noz, o disco voador, que estão tão distantes da realidade brasileira quanto a mais longínqua das estrelas.

A ficção científica brasileira não existe.

A cópia do modelo estrangeiro cria crianças de olhos arregalados, velhinhos tarados por livros, escritores sem leitores, homens neuróticos, literaturas escapistas, absurdos livros que se resumem as capas e pobreza mental, colônias intelectuais, que procuram, num grotesco imitar, recriar o modus vivendi dos paises tecnologicamente desenvolvidos.”

O que seria este deglutir? Me vem a imagem de sandálias de dedo feitas a partir de garrafas pet. O Cacique Raoni de óculos e beiço de botocudo. Ou o Visconde de Sabugosa, com um laboratório de faz-de-conta. Alias Monteiro Lobato, apesar de não ter aderido ao movimento, é mestre nisto: seus livros infantis têm Saci e Peter Pan, Cuca e Gato Felix, onça e Tom Mix (caubói do cinema mudo). O sítio não vai ao universo, o universo vem ao sítio.

Me vem novamente a imagem de Madame Butterfly, mastigada e cuspida por Katsuhiro Otomo em forma de destroços.

Temos celulares de ultima geração, mas eles nos são roubados nos ônibus apertados. O saci fuma uma pedra de crack em seu cachimbo, acendendo-a com um isqueiro Zipo. A pesquisa é interrompida porque a verba foi desviada pra fazer um jardim na casa do ministro. É esta realidade que não é retratada, segundo Ivan Carlos Regina.

Por fim o próprio texto de Oswald de Andrade nos dá um tema pra uma boa obra de ficção especulativa, se alguém se dispuser a escrevê-la:

“Queremos a Revolução Caraíba. Maior que a revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.”

Infelizmente o que restou dos Caraíbas está prestes a ser inundado pela usina de Belo Monte.