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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

História Fantástica do Brasil – Inconfidência Mineira


História Fantástica doBrasil – Inconfidência Mineira
Autores: M. D. Amado (org), A. Z Condernozi, Chico Pascoal, Davi M. Gonzales, Goldfield, Jota Marques, Zé Wellington
Editora: Estronho
Ano: 2012
150 páginas.

Sinopse: Coletânea de contos da série História Fantástica do Brasil, tendo por tema a Inconfidência Mineira.
Um dos incidentes mais emblemáticos da história do Brasil, que foi mistificado depois desmistificado e novamente mistificado, isso um sem número de vezes, por diversos autores, em diferentes épocas.
Nele se destaca a figura de Tiradentes, ora visto como um mártir, ora como um herói, ora como um testa de ferro, ora como uma vítima das circunstâncias (o típico cara que não teve tempo de correr, como na música Cidadão da Mata de Baiano e os Novos Caetanos). E como não poderia deixar de ser, é ele que domina o cenário, presente em todos os contos. Nem que fosse só para dar um espiadinha.
Baiano e os Novos Caetano 
"O ultimo a morrer é o herói. O cabra que não teve tempo de  correr"

Antevisões distintas do destino – Chico Pascoal
Neste conto, Tiradentes apesar dos sonhos videntes de sua amante e do aviso mais pragmático da dona de um prostíbulo, segue em frente no seu intento, como se fosse este seu destino, morrer em prol de um ideal em que acreditava.

Atenção Spolier

Não há como comentar o conto de Chico Pascoal, sem dar pistas para o seu final. Chico coloca na mesa uma possibilidade bem discutida pelos historiadores: é provável que a morte de Tiradentes tenha sido uma encenação. Tiradentes teria sido substituído por um outro condenado e fugido do Brasil. Isto é posto no enredo, de forma a não destruir muito o mito do herói (troca teria sido feita à sua revelia), pois ele acreditava mesmo nos ideais da Inconfidência Mineira.

Um conto competente, bem escrito, mas sem muitos voos imaginativos.

Prometeu Inconfidente – Zé Wellington

Atenção Spoiler!
Outro conto que não podemos comentar sem dar spolier ( se bem que o título já da uma pista para quem curte FC e Terror). Zé Wellington junta com muita habilidade dois mitos: o do sumiço da cabeça de Tiradentes, com a História de Frankstein. O interessante é que o conto me fez lembrar uma HQ de terror que li quando criança, cujo tema era justamente a cabeça de Tiradentes. O tema é tão bom que provavelmente daria uma história mais longa.

A Insurrenição de Sorøland – A. Z. Condernonsi

Em uma história alternativa, os Vikings colonizaram o Brasil e são os opressores. Os ingleses são adversários dos vikings, mas veem como perigoso o crescimento de um movimento libertário nas colônias vikings. Uma sacada muito boa e bem escrita.

Dia Marcado – Jota Marques

Numa história alternativa, Joaquim José da Silva Xavier não é Tiradentes, mas O Relojoeiro, alcunha dada pelo seu ofício de engenheiro. Mas não é só isto que está diferente. Uma bem construída história que subverte algumas coisas na história original. Mas poderá alguém, por mais que tente, ultrapassando os limites entre realidades, escapar do seu destino?

Revelações de Páscoa – Armanda Reznor

Uma adolescente viaja para visitar sua bisavó e encontra muito mais que uma senhora idosa. Uma boa história de horror, que envolve transmigração de almas, maldições e vampiros, com uma ligação forte com o passado de Minas Gerais. Um final assustador.

Sanguineus Regium – Goldfield

Atenção Spoiler!
Um grupo se reúne para uma rebelião. Logo perceberemos que os governantes não só metaforicamente tiram o sangue da população.


Dirceu – David M. Gonzales

No degredo, Tomás Antonio Gonzaga conta sua visão da Inconfidência. Aos poucos vamos percebendo que não é a mesma história. Plea forma de narrar, percebemos que ele não entende metade das palavras que os outros falam. O diálogo está repleto de termos técnicos que não são próprios da época. O que realmente teria acontecido?

O livro cumpre seu papel de reunir um bom conjunto de histórias, que vai agradar muitos leitores. Destes, eu destaco, pela originalidade: A Insurrenição de Sorøland, Dia Marcado e Revelações de Páscoa.

Nerd Shop

História Fantástica do Brasil – Inconfidência Mineira. Editora Estronho. Livraria Cultura

domingo, 23 de outubro de 2011

Os Três Mosqueteiros


Os Três Mosqueteiros
Título original: The Three Musketeers
Direção: Paul W.S. Anderson
Roteiro: Andrew Davies, Alex Litvak
Elenco: Logan Lerman, Matthew Macfadyen, Ray Stevenson, Christoph Waltz,Orlando Bloom, Milla Jovovich, Mads Mikkelsen
Direção de arte: Glen MacPherson
Produzido em:  Estados Unidos /  Reino Unido /  França /  Alemanha
Ano: 2011   

Sinopse:  No inicio do reinado de Luiz XIV, o jovem D’Artagnan deseja tornar-se um mosqueteiro do rei. Desconhece que os mosqueteiros estão decadentes. Sua chegada e um acontecimento que pode levar a França a uma guerra, os motivará a retomar sua antiga disposição.

Eu suspeito que Os Três Mosqueteiros é a obra de literatura mais filmada da história do cinema. Não se pode dizer nem que seja um ”remake” de tantas versões que existem.

Normalmente as versões dão muita ênfase às lutas de espadas coreografadas, às intrigas palacianas com o Cardeal Richelieu e belas mulheres, como Milady de Winter, Constance e a rainha Ana.

Será que havia algo a inovar? Paul Anderson apostou que sim. Mantendo a estrutura do romance original com poucas alterações, introduziu alguns elementos retrofuturistas e de filmes de espionagem: navios alçados ao ar por meio de balões de ar quente,  trajes de mergulho, armas especiais, mecanismos e uma inexplicável armadilha diante do cofre de jóias da rainha.

Estes elementos dão mais cor e sabor ao filme e estão bem colocados na trama, com exceção da armadilha do cofre, que apenas está lá para mostrar os dotes físicos e acrobáticos de Mila Jovovich.

Quem conhece Os três Mosquetiros já sabe o que vai acontecer e uma parte do público até espera encontrar o que vai ver: a trama do colar, as lutas entre os guardas do Cardeal e os mosqueteiros, a impulsividade de d’Artagnan e a volta por cima no final.

Um filme divertido.

Dica: economize seu dinheiro, o efeito 3D não acrescenta muito.



trailler

Curiosidades Nerd

Alexandre Dumas escreveu vários romances históricos e tinha um bom conhecimento dos fatos que narrava, mas não tinha preocupações com a exatidão, misturando fatos de épocas distintas, como neste livro.  Por exemplo, os três moqueteiros realmente existiram,  mas apenas Athos e Aramis serviram juntos e num período posterior ao retratado no romance. A intriga do colar, retratada no romance, ocorreu com Maria Antonieta, uma tentativa dos revolucionários de legitimar a sua condenação à morte.

De certa forma, podemos dizer que Alexandre Dumas inventou a História Alternativa e provavelmente não reclamaria se colocassem balões no seu romance.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Dia da Leitura


 
Menino Maluquinho, personagem de Millor Fernandes, obtido na Internet,

A Literatura Fantástica, em especial a brasileira, tem feito parte deste blog desde seu lançamento. E a literatura não sobrevive sem leitores e é para eles que os autores escrevem. Portanto, no Dia Nacional da Leitura, 12 de Outubro, leia um livro de literatura fantástica de autor lusófono (português, brasileiro, angolano, moçambicano, açoriano, etc..).

E boa diversão!

(P.S.: Ouvi dizer que os mitos e lendas açorianos são muito interessantes e têm um pé em Santa Catarina).


terça-feira, 31 de maio de 2011

Selva Brasil

Selva Brasil
Autor: Roberto de Sousa (ou seria Souza?) Causo
Editora: Draco
Ano: 2010
112 páginas



Sinopse:  Numa realidade alternativa, no ano de 1993, um grupo de soldados brasileiros na selva amazônica enfrenta não só o guerrilheiros do outro lado. Jânio Quadros havia invadido as Guianas nos anos 60 e entrou numa guerra de desgaste. A luta perdera o sentido.

Roberto Causo brinca com a história alternativa, pinçando um evento dentro de uma luta imaginária, mas plausível. O megalomaníaco Janio Quadros decide invadir as Guianas e acaba mudando todo o perfil geopolítico da América Latina.

O autor mostra esta realidade a partir do depoimento de um personagem que tem o mesmo nome, como se fosse seu espelho. De uma forma inteligente sente-se na história que o Causo alternativo tenta dialogar com o Causo desta realidade, especulando sobre a vida de seu “duplo”.

Quem conhece o Causo dificilmente o imaginaria segurando uma arma e atirando em alguém. Mas será que, se estes “fatos” realmente se configurassem, a história não seria outra? Do mesmo modo, o Brasil, tradicionalmente não belicoso, entraria numa guerra de desgaste contra seus vizinhos?

E o principal questionamento do livro: onde está a maior violência? Numa guerra na selva ou o dia a dia violento que vivemos? Realmente soa irônico quando o duplo do Causo diz invejar o mundo “pacífico” de nossa realidade.

A narração centra-se em alguém que está no meio do conflito e tem uma visão fragmentária do que está acontecendo, em vez de se optar por um narrador onisciente que poderia nos mostrar todo o contexto histórico e político.  Isso dá uma dimensão mais humana ao relato, pois sentimos um pouco da realidade vivida pelo personagem narrador.

Todavia sentimos que história poderia ser ampliada e abarcar todo o contexto alternativo. Isso talvez ainda possa ser feito, se Causo optar por criar mais contos, noveletas ou romances no mesmo universo, aprofundando-se nesta outra realidade.

Um livro para nos fazer pensar.

sábado, 18 de dezembro de 2010

História da Ciência número 2

História da Ciência número 2
Edição especial da Revista de História
Biblioteca Nacional

Acabou de chegar às bancas o segundo volume de História da Ciência, da Biblioteca Nacional, tendo como tema central Ao Universo e além!

O número 1 já comentado aqui trouxe informações muito importantes sobre a ciência brasileira do passado, sendo uma fonte importante de pesquisa para aqueles que pretendem escrever ficção científica, fantasia ou história de época situada no Brasil em algum lugar do seu passado, presente ou futuro.

O volume 2 continua a explorar estes temas. O interesse passa desde a pré história até pesquisa recentes. Um dos artigos, A caminho do cérebro eletrônico, nos coloca diante de pesquisas de um brasileiro, Miguel Nicodelis, sobre a interação entre cérebro e máquina, que organizou em 2008 uma experiência onde os impulsos elétricos do cérebro de um macaco nos EUA controlava um robô no Japão.

O artigo O Eclipse de Sobral fala sobre as pesquisas realizadas, em Sobral, no interior do Ceará, durante um eclipse em 1919, visando a comprovação da teoria da relatividade.

Indo para um outro período, os séculos XV-XVI, a matéria Saber navegar é preciso nos mostra muito sobre a arte e técnica da navegação Ibérica. Outra que abrange o mesmo período é Uma nau lava a outra, sobre a cartografia de ibéricos e franceses.

Nas páginas centrais, mais uma linha do tempo, abrangendo do século XVIII ao XXI os seguintes temas: doenças e vacinas, energia, educação e divulgação científica, inovações tecnológicas, inttuições e comunidade científicas.

Já Os Primeiros Drawinistas, mostra que as primeiras comprovações da teoria da evolução foram achadas no Brasil, não durante a primeira expedição do cientista ao Brasil, mas em 1862, pelas mãos do naturalista inglês Henry Walter Bates, que percorreu os rios Negro e Amazonas, durante doze anos.

Cesar Lattes, o controvertido físico brasileiro, é o tema da reportagem Dos raios cósmicos para o samba, que conta como este brilhante cientista se valeu de sua influência no meio científico internacional para divulgar a ciência brasileira.

Em Visonários da Eletrônica, o artigo fala de dois brasileiros, o padre Landell de Moura e Luiza Moreria, que, cada um à sua maneira, foram precursores da pesquisa sobre eletrônica no Brasil.

Há ainda muitas outras matérias de interesse para nós que desejamos ser escritores de fantasia e ficção científica.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O Homem do Castelo Alto

O Homem do Castelo Alto
Autor: Philip K. Dick
Editora: Aleph
Ano: 2006
Páginas: 300

Sinopse:
Estamos nos anos 60. A Guerra Fria é o pano de fundo para a ação. Há espiões, refugiados políticos, pessoas separadas por uma fronteira imposta num país dividido. A esperança está num livro que mostra como tudo isto pode ser diferente: O Gafanhoto torna-se pesado.

Um romance de espionagem à 007? Como tudo que Philip Dick escreve, parece, mas não é. Há uma diferença: o país dividido são os Estados Unidos e a Guerra Fria é entre Japão e Alemanha.

Trata-se de uma realidade alternativa onde os países do Eixo ganharam a Segunda Guerra Mundial. O Estados Unidos, derrotados são divididos entre os japoneses, que tem uma postura mais aberta e os alemães, que mantém sua política de extermínio aos judeus e seu expansionismo bélico.

Paralelamente, um escritor de ficção científica americano escreve um romance alternativo (O Gafanhoto torna-se pesado) onde descreve uma realidade em que os Aliados ganham a guerra e impõe uma derrota ao Eixo.

Pode-se considerar este romance como precursor do gênero do steampunk, da mesma forma que Blade Runner (também de Phlip Dick) é precursor do cyberpunk. Porém, eu prefiro considerar que este é um romance de ficção científica onde a ciência é a História.

Um importante personagem é o onipresente I Ching, o Livro da Mutações, o oráculo milenar chinês. Como parte da dominação cultural japonesa, o I Ching aparece muitas vezes nas mãos de personagens das mais diversas etnias, apontando os rumos dos acontecimentos, dando conselhos não muito claros, mas que influenciam muitas decisões.

O I Ching tem o mesmo problema das analises históricas: tudo se encaixa quando analisamos retrospectivamente, depois que a profecia aconteceu, ou quando contamos a História passada do ponto de vista presente. Uma saída para este impasse é uma fazermos uma analise dentro dos conceitos de História Contrafatual: "o que aconteceria se..." É o que faz Philip Dick neste romance, e o I Ching não está ali por acaso, como para nos lembrar do vício de raciocínio das análises históricas tradicionais.

Considerado por muitos como o melhor romance de Philip Dick, O Homem do Castelo Alto é uma leitura divertida e intrigante, deixando-nos com uma sensação de estranhamento nos acompanha muito tempo após a sua leitura. 

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• O Homem no Castelo Alto, de Philip K. Dick (Aleph)