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sábado, 11 de junho de 2011

Scott Pilgrim - saga completa e filme

Scott Pilgrim contra o mundo
(saga completa 3 volumes no Brasil, 6 volumes no Canadá)
Autor: Brian Lee O’Malley

Titulo Original:

Scott Pilgrim´s Precious litle life – vol 1
Scott Pilgrim’s VS. The world – vol 2
Ano:     2010 Brasil
            2004 Canadá


Scott Pilgrim & the infinite sadness – vol 3
Scott Pilgrim gets it together – vol 4
Ano:      2010 Brasil
            2004 Canadá

Scott Pilgrim VS the Universe – vol 5
Scott Pilgrim finest hour – vol 6

Ano:      2011 Brasil
            2005 Canadá

Editora:  Companhia das Letras





Filme: Scott Pilgrim contra o Mundo
Título original: Scott Pillgrim vs. The World
Roteiro e Direção: Edgar Wright baseado na HQ de Brian Lee O’Malley
Elenco: Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Kieran Culkin, Chris Evans.
Duração: 112 min
Ano: 2010

Sinopse: Scott Pilgrim, um rapaz comum de 23 anos, apaixona-se por Ramona. Tudo seria tranqüilo se ela não tivesse sete ex-namorados do mal, que ele terá que vencer se quiser continuar com a moça.

O mote já mostra a influência mais marcante de Scott Pilgrim: a cultura do vídeo game. Para atingir um objetivo, Scott terá que passar por várias fases em dificuldade crescente até o confronto final, que como não poderia deixar de ser, é um vilão superpoderoso.



A outra influência marcante é no traço, que lembra muito o estilo mangá.


E a terceira influência é rock. Scott faz parte de uma banda medíocre, a Sex Bob-Omb, que quer “explodir para o mundo”. Só que sua música é sofrível (tanto para quem ouve como para quem toca), o que torna o esforço de Scott patético. Quase todas as cenas em que aparece a banda são muito engraçadas.



A trama esta centrada no confronto que é uma metáfora para o processo de amadurecimento de Scott. Ele começa o mangá namorando uma menina de 17 anos, Knives Chao,  após ter tido uma decepção amorosa com Envy. Ao ver Ramona, se apaixona por ela instantaneamente, mas não sabe o que fazer com Knives. Scott meterá os pés pelas mãos inúmeras vezes, conseguindo magoar todas as garotas que passam pela sua frente.

Seria uma simples história de garoto-vive-experiência-sexual-que-o-torna-um-homem, se não fosse a maneira como é contada. Em Scott Pilgrim, o universo dos videogames é mais que um recurso cenográfico: ele é usado para construir metáforas para explicar comportamentos e sentimentos  dos personagens envolvidos. Eles passam por portais que o levam a outros pontos da cidade de Toronto ou a universos paralelos com muita naturalidade, ao acumularem “pontos” ganham armas e até “vida extra” e  os inimigos derrotados viram moeda, como em Mário e outros jogos, tudo isto para mostrar que Scott, ao avançar etapas, está indo ao seu amadurecimento, se tornando um ser humano mais completo, conseguindo enxergar seus erros e tentando corrigi-los.

Quem auxilia Scott no processo, como um “mestre palpiteiro”, tanto em truques para vencer a luta, como nos seus relacionamentos, é Wallace, companheiro de quarto de Scott. Um detalhe (e é apenas um detalhe, no contexto da trama): Wallace é homossexual. Isso é encarado com naturalidade por todos os personagens. O autor o colocou como tal não para causar polêmica ou erguer uma bandeira a favor ou contra esta orientação sexual. Wallace é homossexual porque simplesmente existem homossexuais no mundo.  Scott é heterossexual, embora conviva com ele, dividindo o apartamento e até a cama (apenas para dormir) e só se incomoda com o comportamento do amigo quando tem que ficar fora de casa para que Wallace possa trazer seus casos.

Cada ex-namorado representa um aspecto da personalidade de Scott que deve ser derrotado. Após derrota do último, percebemos metaforicamente a recuperação da auto-estima do personagem.

O Filme

Adaptar HQ é bastante difícil e costuma dar resultados medíocres. Isso não acontece aqui porque  Edgar Wright fez um excelente trabalho. Fundiu cenas, cortou outras e modificou várias, sem que a história perdesse sua essência e, em alguns aspectos, soube se valer da linguagem cinematográfica para dar algo mais aos quadrinhos: a ação!  As HQs são feitas de cenas estáticas que procuram insinuar movimento. O filme procura ampliar e dar vida a estes movimentos.



Por isso, filme vai agradar tanto quem leu como quem não leu a HQ, desde que não se espere uma transcrição excessivamente fiel.

Trailer Scott Pilgrim contra o mundo

Nerd Shop:

Scott Pilgrim está disponível aqui:




quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sonhos, cinema e ficção científica

O filme A Origem me fez recordar outros filmes e livros cujo tema é sonho ou discutir a realidade.

O Cinema em si vive de criar ilusões, similares a sonhos e é natural que o tema surja de forma mais explícita de vez em quando.

Há até uma estética, surgida oficialmente em 1924, chamada Surrealismo, que se ocupa justamente do inconsciente, então recém descoberto por Freud. Neste movimento, está um cineasta, Luiz Buñuel , que em 1929 filmou "Um Cão Andaluz", com clima totalmente onírico. O filme foi baseado em três sonhos de Salvador Dali, pintor considerado ícone do movimento.


Bunñel seguiu carreira, com o tema sonhos implícita ou explicitamente presente em suas obras. O movimento do Surrealismo “encerrou oficialmente” em 1966, com a morte de seu mentor, André Breton.


Um quadro de Salvador Dali

Todavia esta estética ainda tem seus ecos no cinema, sobretudo na obra de David Linch. Dela vale destacar "Cidade dos Sonhos" (Mulholland Drive, 2001). Nota zero para a tradução do título, que explicita o que deveria ficar implícito. Neste filme, uma mulher é salva de ser assassinada ao ocorrer um acidente com o carro onde está sendo transportada. Acorda desmemoriada é ajudada por outra moça, que começa e investigar o que poderia ter-lhe acontecido. Há referencias ao teatro e ao cinema, tratadas de forma onírica.


É marcante a cena onde as duas vão a um teatro mambembe onde são representados vários números. Em um deles, o apresentador diz “Silencio. No hai banda”. Os instrumentos param e música continua tocando. Altamente onírico, como tudo que acontece naquele teatro e em várias partes do filme, sobretudo o final, bastante freudiano.


Silencio! No hai banda!


David Linch também usa os sonhos na série Twin Peaks. Os sonhos no enredo são usados como um meio de comunicação entre entidades espirituais e o agente Cooper. Aliás, é muito comum usar tratamento onírico para mostrar o mundo espiritual, talvez pela não necessidade do respeito às leis de física que o suposto mundo espiritual teria. Fantasmas atravessam paredes e anjos voam. Em Twin Peaks os dois universos estão intrinsecamente ligados.


Em Twin Peaks o universo onírico
se mistura ao espiritual


Estes dois universos também estão presentes em Giulietta dos Espíritos, de Frederico Fellini, onde uma mulher, após uma sessão espírita, passa a ver espíritos, misturados a lembranças de sua infância, fantasias e sonhos. Final também bastante freudiano.


Giulietta dos Espíritos

Sonho, realidade e cinema se misturam em Paprika, animê de Satyoshi Kon de 2006, que eu considero uma obra prima. 

Nesta animação, uma psicanalista utiliza-se de uma máquina para analisar os sonhos de seus pacientes, aparecendo neles como uma moça chamada Paprika. As coisas se complicam quando o aparelho é roubado por um suposto terrorista, que invade os sonhos das pessoas, impondo o seu. 




O enredo é extremamente criativo e está recheado de referências ao cinema, ao circo, bares, desfiles festivos e à internet, dentro do contexto de que tudo isto é similar a sonhos. Varias histórias, sonhos e realidades se misturam, com destaque para os dois mistérios principais: quem é o responsável pelo roubo e pela invasão do inconsciente e qual é o trauma do detetive que sonha repetidamente o mesmo sonho. Aqui a interpretação não é freudiana, mas muito ligada ao cinema.


Uma excelente fantasia steampunk francesa, "O Ladrão dos Sonhos" (La Cité des Enfants Perdues) trata dos sonhos como uma necessidade humana imperiosa. Nesta história, um homem não consegue sonhar e para isto sequestra crianças das quais tenta roubar os sonhos, através de uma máquina que os transfere para sua mente. O circo aqui também é uma forte referência. O clima sombrio e densamente noturno faz-nos sentir em um pesadelo.



quinta-feira, 15 de julho de 2010

O Prisioneiro – mini série de 2009

O Prisioneiro
Título Original: The Prisoner
Roteiro: Bill Gallagher
Diretor: Nick Hurran
Produção: Estados Unidos (AMC) / Inglaterra (BBC)
Elenco: Jim Caviezel (6), Ian McKellen (2), Hayley Atwell (Lucy / 415), Ruth Wilson (313), Jamie Campbell Bower (1112) e outros.
Número de episódios: 6
Ano da 1a exibição: 2009

Sinopse: Um homem acorda num deserto sem saber o motivo e onde exatamente está. Assiste uma perseguição de um homem, que vê agonizar, e, neste estado, pede ao homem perdido para dizer a 554 que ele conseguiu sair. O homem perdido segue em frente e encontra um local habitado, que é conhecido por todos como A Vila. Muitos o chamam de 6. A Vila é governada por um homem que se intitula de Número 2.

Sempre foi um desafio interessante fazer um remake da série Cult dos anos 60 (roteirizada, dirigida, produzida e estrelada por Patrick McGoohan). Em primeiro lugar, por ser cult, sempre teria uma legião de fãs apontando defeitos. Em segundo lugar porque a série original era ambientada nos tempos da Guerra Fria, o que gerava boa parte do clima de paranóia reinante e, em terceiro, criar uma boa história, respeitando a proposta original.

O primeiro desafio nunca será vencido. As comparações serão inevitáveis e mesmo que o resultado tivesse sido maravilhoso, sempre haveria quem dissesse “a antiga era melhor”. O segundo desafio foi resolvido muito bem, sem que se apelasse para o terrorismo. Qual é a paranóia dos dias de hoje? A perda da privacidade.

Já sobre o terceiro desafio não se pode dizer que foi vencido totalmente. É certo que foi criada uma boa história, com vários elementos da série original: a vigilância constante, o desespero de 6 em sair de lá, a impossibilidade em confiar em alguém. Porém, algo importante da série foi deixado de lado: as perguntas sem resposta. Na realidade, dentro das muitas interpretações para estas perguntas, e Bill Gallagher (roteirista) e Nick Hurran (diretor) optaram por dar as suas respostas aos enigmas propostos.

Isso não foi feito sem habilidade. O mistério é criado para ser respondido no final, com pistas de diversos tipos que apontam para o desfecho, congruentes com o desenrolar da história. O uso de flashbacks permite revelar aos poucos alguns detalhes da trama.

Os diretores optaram também por dar um único número 2, ao invés de vários, como na série original. Isso criou um antagonista de peso para o Número 6, permitindo um desenvolvimento do personagem. A interpretação do Número 2 por Ian McKellen foi excepcional, roubando a cena.

Por outro lado, o personagem Número 6 perdeu muito da substância que o caracterizava na série antiga, mostrando-se muitas vezes fraco diante de seu opositor ou das pessoas que são usadas para controlá-lo (por exemplo, seu pseudo-irmão e as mulheres: 313 e 415). (Na série original, Patrick McGohan insistiu que seu personagem não se aprofundasse em nenhum dos relacionamentos, principalmente com mulheres, pois o clima de falta de confiança impediria isso). Isso não foi por culpa da interpretação de Jim Caviezel, mas por força do roteiro.


Alguns outros acertos da nova série:

• Presença de crianças, de várias faixas etárias. Isso deu uma verossimilhança maior a A Vila. Na série anterior, só apareceram crianças em um episódio, próximo ao fim da série.

• Introdução de um drama pessoal para o Número 2. Isso dá maior dimensão ao personagem, acentuando sua frieza e cinismo.

• Citações para os fãs da série original. Por exemplo, a bicicleta antiga, pendurada no teto da boate, o clima retrô, algumas cenas, como a da compra do mapa (feita com um certo humor).

• Final surpresa. Mesmo para quem estava esperando isso (embora isso não signifique que o final tenha sido bom).

Alguns erros da nova série:

• “Fechar” a série. O roteiro procura não deixar pontas soltas ao dar congruência ao desfecho, porém parte do espírito da série era deixar as pessoas cheias de dúvidas, mesmo após o final.

• Corte abruptos, com descontinuidades desnecessárias. Isso faz com que se tenha às vezes a impressão de que você deixou de assistir um monte de episódios.

• Seleção de episódios. Na seleção de episódios a serem apresentados (embora quase só se tenha aproveitado o título), ficou de fora o melhor deles: Change of Mind, onde o Número 6 consegue reverter o jogo do Número 2.

•  O final desagradou. Se bem que isto também aconteceu com a série original.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Blade Runner - Edição Especial

Titulo: Blade Runner - Edição especial - 3 discos
Direção: Ridley Scott
Elenco: Harrison ford, Rutger Hauer, Sean young, Edward James Olmos, M. Emmet Walsh, Daryl Hannah
Ano: 2007.


Para fanáticos. Quem, a não ser um fã de carteirinha, compraria um caixa de um DVD triplo com quatro (isso mesmo, quatro) versões do mesmo filme e um making of de três hora de duração?
A versões apresentadas são: a versão original de dos cinemas americanos de 1982, a versão internacional, também de 1982, a versão de diretor de 1992 e a tão esperada versão "definitiva" do diretor Ridley Scott.

O grande chamariz é a versão "definitiva" com algumas cenas ampliadas e, segundo boatos, um final onde Ridley Scott dá sua visão de que Derek era definitivamente um andróide.

Graças aos céus esta versão de final era apenas um boato! Do contrario Ridley Scott teria jogado fora o que o filme tem de melhor. Philip K. Dick, autor do romance que deu origem ao filme, tem como características mais marcante a geração de dúvidas na cabeça de seus leitores. O filme ainda que mostre o unicórnio em origami e o sonho de Derek, não diz claramente "é". E isso de fato não importa, pois nós humanos o que realmente somos? Esta é a questão que Dick e Scott nos colocam.

Do mais o que esta versão trás de diferente? O acréscimo de umas poucas cenas, sendo a mais marcante o assassinato de Tyrrell, onde é mostrado o esmagamento dos olhos da vítima para dentro do seu cérebro (cena que já apareceu na versão para VHS de 1982). Estas cenas mais cuidam de detalhes que outra coisa. Por exemplo, Derek bebe um gole uma bebida clara após ter sido ferido na boca e o liquido passa a apresentar filetes de sangue.

Dicas nerds:

Há muitas referências no filme:

  • O visual futurista revela de quando em quando algumas ambientações retrô, como a sala onde foi interrogado Leon. Ela lembra filmes noir dos anos 50.
  • O aparelho usado no teste assemelha-se um engenho descrito num dos livros de Isaac Asimov, como uma máquina para testar a terceira lei da robótica.
  • A atriz se veste e parece fisicamente com a namorada do Spirit, personagem de Will Eisner, dos anos 40 (a roupa e o penteado de Rachel são típicos do anos 40).
  • O nome do edifício onde ocorre a luta final, além de lembrar a arquitetura dos anos 40, chama-se Bradbury, homenagem a um dos autores de FC contemporâneos de Dick (Ray Bradbury).
  • Numa cena de perseguição na rua, aparecem Hare Krishnas (muito comuns nos anos 80).
  • Um dos anúncios luminosos é da Pan Am, empresa aérea que faliu nos anos 80 (uma ironia mostrá-la com atuante em 2019).

sábado, 1 de maio de 2010

Star Trek: Next Generation (7ª temporada)

Star Trek: Next Generation (7ª temporada)
Elenco: Patrick Stewart, Jonathan Frakes, Le var Burton, Marina Sirtis
Duração: 45min

Nesta última temporada da série Star Trek: Next Generation, a maioria dos episódios são bons, como é costume neste seriado. Após assisti-los percebemos um padrão bem definido nessa sétima temporada: uma preocupação em humanizar os personagens, dando-lhes um conteúdo mais dramático e sentimental.

A primeira coisa que se nota é que na maioria dos episódios aparece algum parente perdido de um dos tripulantes, reatando um relacionamento esquecido ou negado ou reforçando um papel parental. Apesar do desmentido formal disto ser intencional nos extras, achamos difícil isto ser verdade, pois La Forge encontra com seus pais, Worf com seu irmão de criação (humano) e em outro episódio discute com seu filho, reaparece a mãe de Deana Troi (numa situação em que aparece fragilizada, contrapondo-se com outras aparições, onde é uma mulher decidida e de caráter forte), a gata de Data tem gatinhos, aparece um filho perdido do capitão Picard e até a Enterprise é humanizada! Também é dado um ênfase maior em relacionamentos: a paixão de Worf por Deana, gerando ciúmes velados em Riker, um reforço da tensão emocional e afetiva entre o capitão e a doutora Crusher e relacionamento cômico de Data com sua gata.

Notamos que esta preocupação reaparece nos extras em relação tanto à serie como com seu elenco e equipe técnica. Boa parte das entrevistas está centrada em mostrar uma interação entre todos saudável e alegre, como uma grande e harmoniosa família. O curioso é que a primeira coisa que tentam fazer é desmentir esta intenção!

A segunda coisa importante (confirmado nos extras) é a preocupação de dar um fechamento na série que lhe faça jus. O episódio deveria ser muito criativo e estar consistente com o desenrolar das ações de todos os anos. Podemos dizer que eles conseguiram. O episódio chama-se "Tudo que é bom", uma alusão a um dito popular bastante condizente com as intenções dos produtores: "Tudo que é bom um dia chega a um fim". A solução que encontram é o capitão Picard viajar espontaneamente no tempo, indo do presente ao passado e ao futuro, inúmeras vezes, sendo isto confundido em seu futuro com sintomas de uma doença neurológica.
Nesse último episódio reaparece alguém importante, que apareceu a primeira vez no episódio piloto da série, fechando um julgamento iniciado lá.

Destaques

A maioria dos episódios vai agradar os fãs da série porém gostaria de destacar três episódios:

Fantasmas: Data começa a ter pesadelos durante a noite, com mensagens tipicamente freudianas. E quem ele vai consultar? Freud, no holodeck! A condução do enredo surreal e a explicação final são bastante criativas. A cena com Freud é um alivio cômico muito bem feito.

O Golpe (episódio duplo): Picard e Riker, infiltrados numa nave pirata alienígena jogam um jogo, do qual ninguém conhece as regras. A criatividade está na montagem da trama, complexa e cheia de reviravoltas. A comparação é com um jogo de xadrez onde você não sabe de que lado está. Por isso o título original: Gambit, que pode ser traduzido como "gambito", movimento do xadrez em que se sacrifica uma pedra, normalmente um peão, para ganhar uma posição tática melhor.

Máscaras: Após a descoberta de um artefato que na realidade é um banco de dados de uma cultura extinta, Data incorpora toda a cultura, assumindo um comportamento de múltiplas personalidades. Os objetos e detalhes da cultura lembram muito a cultura Maia e o conflito simbólico mostra que quem escreveu o roteiro conhecia muito bem mitologia.

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Star Trek: Next Generation (7ª temporada)

Star Trek: Next Generation (3ª temporada)

Star Trek: Next Generation (3ª temporada)
Elenco: Patrick Stewart, Jonathan Frakes, Le Var Burton, Marina Sirtis, Micahel Dorn


Os 26 episódios da terceira temporada da série Star Trek: Next Generation -- série que surgiu nas telas entre 1989 e 1990 -- estão disponíveis em  box  da CBS DVD ao público brasileiro. .
Aqui, os fãs de Star Trek terão a oportunidade de rever estes episódios. Apenas isto: uma edição da CBS DVD que apenas os junta debaixo de um menu simples, sem seleção de cenas e sem nenhum extra! O que é uma pena! 

Mas de qualquer forma, o valor intrínseco da série justifica o lançamento.
A maioria dos roteiros, como é de praxe em toda a série, é bastante inteligente e bem dirigida, se bem que muitas vezes acaba se fixando nos estereótipos que ela mesma criou. Até os fãs mais ardorosos se cansaram de ver Data andando como uma marionete e tentando descobrir novas emoções. E, passadas três temporadas, nos perguntamos: por que não há outros andróides ainda que inferiores ao supra-sumo da tecnologia "positrônica" (referência-homenagem a Isaac Asimov), rondando pela nave ou em qualquer ponto do Universo? Ou mesmo robôs de diversows tipos, ainda que não humanídes?

A maneira de narrar a maioria dos episódios segue a fórmula das séries de Jornada Nas Estrelas: dois núcleos centrados em dois personagens em situações opostas ou similares que convergem no final.

No terceiro ano da série já nos acostumamos ao cerebral Piccard, que quase nunca desce em outros planetas e não tem o "charme" do capitão Kirk. O capitão da série Next Generation é mais verossímil e demonstra, pelo menos em seus aposentos ou para a Conselheira Troi (que emagreceu uns quilinhos), algumas inseguranças. E, feio que dói, quase não faz nenhum jogo de sedução com garotas alienígenas.

A ação e sedução ficam para o comandante Riker, agora nesta terceira temporada mais experiente como ator e com um espaço bastante aumentado na maioria dos episódios.

Um destaque especial para o último episódio desta temporada: O Melhor de Dois Mundos, onde a Enterprise enfrenta os Borgs, seres meio humano, meio máquinas, que formam uma coletividade, agregando e despersonalizando seus inimigos (uma referencia maldosa ao comunismo, um resquício da Guerra Fria). Este episódio é importante, pois contextualiza no tempo e no espaço o meio de onde surgirá a outra série que ocorre em paralelo com Next Genration: Deep Space Nine. Infelizmente este episódio está pela metade, pois tem duas partes e a segunda é o primeiro episódio da quarta temporada.

Uma referência nerd: Em quem vocês acham que foi inspirada a raça Sheliak, que aparece no primeiro episódio da temporada (Os Imperativos do Comando)? Uma dica: são extremamente burocráticos e estão com intenções sérias de remover um obstáculo a seus planos: a população de um planeta inteiro...

Qualquer semelhança com os Vogons (da série O Guia do Mochileiro das Galáxias de Douglas Adams) NÃO É mera coincidência...

Nerdshop:

  • Star Trek: Next Generation (3ª temporada): R$ 99,00
  • sábado, 6 de março de 2010

    Agente 86 - O Filme

    Ficha Técnica 

    Agente 86 - O Filme
    Direção: Peter Segal
    Roteiro: Tom J. Astle
    Elenco: Steve Carell, Anne Hathaway
    Duração: 110 minutos 




    Sinopse: Maxwell Smart é um analista de informações do Controle – agência governamental americana ultra-secreta, construída exclusivamente para dar combate à KAOS. Seu sonho é tornar-se agente e abandonar de vez o ambiente extremamente burocrático em que vive.

    Esse sonho se vê realizado quando a sede do Controle é atacada e a identidade de quase todos os agente é descoberta. Ele então é chamado para uma missão: encontrar o terrorista Siegfried, responsável pelo ataque, descobrir seu planos e neutralizá-los. Para isso contará com a ajuda da bela agente 99, única que teve sua identidade preservada.

    A série em que se baseia este filme, criada pelo genial Mel Brooks, foi ao ar pela primeira vez em 1967 e vem sendo reprisada desde então gerando fãs, alguns que sequer viveram a guerra fria.

    Aliás, a ausência da Guerra Fria foi um dos primeiros obstáculos a serem contornados nesta transposição para o cinema. Isso até que foi fácil. A solução foi a mesma encontrada no filme a Soma de Todos os Medos – aliás aqueles que o viram, vão achar várias referências a ele no Agente 86 (Get Smart). Organizações terroristas, com finalidades políticas ou não, agindo na clandestinidade ainda existem hoje. E a Kaos desde a série é uma organização sem polarização política definida, parecendo mais um grupo de bandidos da Disney: são maus pelo prazer de serem maus.

    Outra dificuldade foram as referências aos equipamentos clássicos que caracterizaram a série: o sapatofone (como colocá-lo hoje em dia, se temos celulares?), o cone do silêncio (que nunca funcionava) e o carro esporte conversível usado pelo Maxwell Smart original?

    Estes objetos aparecem logo abertura do filme em um museu dedicado ao Controle, apresentado por um guia a um grupo de turistas como uma organização governamental desativada pelo fim da Guerra Fria. Logo descobrimos que o Controle não foi desativada coisa nenhuma, acompanhando o burocrata Maxwell Smart pelo absurdo caminho de escadas disfarçadas de elevador (como na série original), que leva ao escritório central a agencia. O cone do silêncio é recriado como um equipamento mais moderno por dois nerds, da espécie filmicus tipicus. Igualmente inoperante.

    O sapatofone e o carro aparecerão oportunamente ao longo do filme.

    A escolha do elenco foi também um desafio bem vencido pelos produtores. A semelhança física de 86 e de 99 com os da antiga série é notória. E os atores, Steve Carell e Anne Hathaway, excelentes.

    E como colocar os bordões da série ao longo do filme sem aparecer chato e repetitivo? Mais um desafio vencido. A frases aparecem como um meio de lembrar aos fãs da série que eles estão lá. Afinal todos estariam esperando por um "desculpe por isso chefe" ou "neste exato momento estamos cercado por 100 helicópteros do exército..."

    Além de referências à série os fãs vão identificar várias referências a filmes de espionagem, sobretudo à série de 007. Alguns vilões e algumas cenas muito bem parodiados, como a luta de pára-quedistas em pleno ar, contrariando todas as três leis de Newton... várias vezes!
    Há cenas muito engraçadas, como o baile em que Smart escolhe a dama mais improvável para ser seu par. Ou os diálogos cheios de nonsense (aliás, uma das marcas da série).

    Uma boa diversão tanto para os fãs antigos, como os novos conquistados ao longo de dezenas de reprises nos últimos quarenta anos ou quem nunca a assistiu.

    Paralelamente ao lançamento do filme está sendo lançado um box de DVDs com a série original. Uma das preocupações deste lançamento foi recuperar a dublagem feita para a TV com a vozes originais. Bom para quem quer relembrar ou conhecer esta excelente série.

    sexta-feira, 5 de março de 2010

    Deep Space Nine Primeira Temporada


    Ficha Técnica

     Elenco: Avery Brooks, Rene Auberjonois, Cirroc Lofton, Alexander Siddig, Colm Meaney, Armin Shimerman, Nana Visitor

    Um ponto fixo no Espaço

     
    Um ponto fixo no Espaço. Esta é a primeira das muitas características que tornam Deep Space Nine única entre as séries de Jornada nas Estrelas.

    Paradoxalmente é uma jornada onde a ação ocorre não em viagens intergalácticas, como desde a série clássica o nome Jornada sugere, mas numa estação nas proximidades de uma fenda espacial.

    Não param aí os contrastes. A estação espacial era posto avançado cardassiano, parte dos despojos de uma guerra perdida por eles contra os bajorianos (que tiveram uma considerável mãozinha da Federação). Os cardassianos ao abandonarem a estação, carregam o que podem, e o que não podem, destroem. Então, temos aí outro contraste: as Enterprises e a Voyager raramente tem problemas sérios e, se os têm, não duram mais que um episódio. Na Deep Space Nine, quase nada funciona a contento. O Chefe O'Brien que o diga.

    A proximidade da fenda transforma a Deep Space Nine num porto. Os conflitos acontecem lá em vez de ocorrerem em algum lugar longínquo do universo, "Onde nenhum homem jamais esteve". Quase tudo acontece dentro de uma estação apertada, cheia de gente e hipofuncionante.

    O mais importante contraste contudo está nos habitantes da Deep Space Nine. Ao contrário das outras séries em que o índice de conflito era baixo, dada a harmonia existente entre os membros da tripulação provocada pela identidade de propósitos, a estação vive em permanente conflito (mostrado até no seu design – confira nos Extras do DVD), mesmo entre os membros da Federação.

    Isso porque há uma multiplicidade de raças, com interesses opostos. Por exemplo, a Major Kira (a única premiada com um briefing nos Extras), bajoriana, parece ainda estar em guerra com os cardassianos, e para seu desgosto, há um exilado cardassiano, o alfaiate Garak. E o fereng Quark, dono do bar, e seu conflito quase permanente com Odo, o transmorfo chefe da segurança (um caso típico de "inimigos íntimos").

    A serie começa no piloto "O Emissário", como se fosse um episódio de Next Generation, seqüência de o "Melhor de Dois Mundos" (onde Piccard é "assimilado" pela Coletividade Borg). As duas séries seguirão em paralelo por pelo menos duas temporadas.
    Segundo seus próprios roteiristas, nos primeiros segundos do episódio "O Emissário", ocorre a maior batalha já vista em qualquer das séries e filmes de Star Trek (vemos até uma nave estelar do tamanho da Enterprise ser pulverizada por uma nave Borg). Nesta batalha o comande Sisco (que virá a ser o protagonista da série), perde a esposa, um trauma que o marcará pelo resto de sua vida.

    Neste primeiro episódio vemos claramente a filosofia (no sentido mais amplo da palavra) que norteará a série. Boa parte dos episódios será centrada em conflitos humanos e discussão de conceitos filosóficos (em "O Emissário" se discute a noção de tempo linear versus percepção psicológica do tempo, de uma maneira inteligente e profunda, sem aborrecer o espectador).

    Extras

    Neste pacote temos alguns extras, para compensar a decepção dos fãs que não viram nada de novo no pacote da
    terceira temporada de Next Generation. Temos desde a concepção da série, da própria estação, que busca no seu design refletir a filosofia norteadora da série. Ela é um anel central horizontal cercado por três verticais... partidos, dando a entender a existência de conflitos. Há um dossiê completo da major Kira (e apenas dela, talvez para ter o que colocar como extra nos outros pacotes)...

    Objetos de cena e criação de alienígenas (a série é um prato cheio para isto, visto que há dezenas de personagens principais e secundários que são oriundos dos mais diversos mundos) completam o molho, com destaque para os objetos do bar do Quark (alguns deles você já deve ter visto por aí nalgum brechó...).

    Nerdshop:
    Deep Space Nine (1ª temporada)