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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Guardiões da Galáxia - Aventura e Humor da Marvel

Guardiões da Galáxia
Título original: Guardians of the Galaxy
Direção: James Gunn
Roteiro: James Gunn, baseado em Guardiões da Galáxia de Dan Abnett e Andy Lanning
Elenco: Chris Pratt. Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel (voz de Groot), Bradley Cooper (voz de Rocket), Lee Pace. Michael Rooker, Karen Gillan, Djimon Hounsou, John C. Reilly, Glenn Close, Benicio Del Toro
País de Produção:  Estados Unidos
Ano: 2014

Sinopse: Um aventureiro ladrão, Peter Quill, também conhecido como Star Lord,  rouba uma esfera chama Orbe de um templo em ruínas. Mal sabe ele que este orbe não um objeto simples que pode ser negociado como uma peça de coleção. Ele é ambicionado pelo maligno Ronan, um  um rebelde do planeta Kree que deseja destruir Xantar, um pacífico e próspero planeta. 

Em busca de um comprador, Quill acaba sendo preso junto com Gamora, um aliada de Ronan, interessada em roubar o Orbe para si própria, o caçador de recompensas Rocket (um guaxinim inteligente) e seu companheiro Groot (uma árvore falante) e um maníaco assassino chamado Drax.

Esse improvável grupo é formado durante uma fuga desastrada da prisão e vai enfrentar Ronan.

Grupos assim, formados por desqualificados, que se unem apenas para um tentar espoliar o outro, pululam no cinema desde Os Doze Condenados. A diferença aqui é que a história é jogada literalmente pro espaço e a fantasia fica à solta (temos uma árvore falante ao lado de um guaxinim inteligente, quer mais?), temperada por uma boa dose de humor, para o deleite da plateia.



Você vai encontrar todos os clichês do gênero, inimigos egocêntricos que são transformados ao longo da aventura em companheiros de batalha, discursos motivadores, romance de um sujeito mulherengo com uma aventureira avessa a homens conquistadores, ambição e desejo de vingança transformados pelo desejo de suplantar um mal maior.

Entretanto, o humor e a aventura estão bem casados e tornam o filme muito divertido, mas como sempre, não espere fidelidade aos quadrinhos.

Nota dez para a animação de Rocket (o guaxinim falante). Os movimentos são naturais e chegamos a esquecer o que ele é ao longo do filme tanto quanto esquecemos que o Mickey é um rato.

Aguarde o final dos títulos. Como todo filme da Marvel, sempre há um easter egg. Lembre-se porém que este é um filme de humor.


trailler

quarta-feira, 5 de março de 2014

Militia – Uma banda assumidamente Nerd



Nascida em Tupã e atualmente em Campinas, a banda Militia tem como referencias o universo nerd: HQ´s, Cinema, Games e Ficção Científica.


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Piteco-Ingá

Piteco-Ingá
Autor: Shiko, baseado em personagens de Maurício de Sousa
Editora: Maurício de Sousa / Panini Comics
Graphic MSP

Sinopse: Releitura do Personagem Piteco e os povo de Lem feita pelo autor de HQs Shiko. O rio que abastece a aldeia secou e o povo de Piteco tem que deixar o local. Antes de partirem, Thuga é sequestrada pelos Homens-Tigre e Piteco, na companhia de Beleléu vai em sua busca.

Com um traço bem marcante, Piteco é retratado sem caricaturas, tanto no desenho como na sua caracterização como personagem, inclusive na questão que é ponto central das histórias de Piteco criadas por Maurício de Souza, o medo quase patológico que ele tem de um envolvimento sério com Thuga. Nesta Graphic Novel isso ganha contornos mais coerentes. Piteco é um caçador e não consegue se adaptar à vida mais sedentária do povo agrícola em que sua aldeia se transformou. Realidade à qual Thuga está plenamente adaptada. Embora ele a ame (o que fica demonstrado no seu empenho na jornada arriscada para salvá-la), não quer abandonar a vida de caçador e esperar o ciclo de plantio e colheita. E isso é passado de uma maneira muito poética.

Beleléu, o inventor à frente de seu tempo e desastrado e Ogra, a guerreira, também perdem suas características caricaturais. Beleléu resolve bastante problemas com sua ousadia e inventividade ao longo da jornada e Ogra é uma bela e resoluta guerreira.

Outro ponto alto desta adaptação é o uso de mitos e lendas brasileiros e das inscrições (que realmente existem) da Pedra de Ingá, do interior da Paraíba.

Como aventura, a história funciona bem, com a dose certa de suspense, colocando a astúcia como a principal arma tanto de Piteco como Thuga em relação a seus inimigos, os Homens-tigre e algumas entidades da floresta.

O desfecho tanto da busca de Thuga como da busca de um novo lar para o povo de Lem é bem construído.

A arte é excelente, com um destaque especial para o último quadrinho, que sozinho já é uma obra prima.

Nerd Shop

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Ciranda da Solidão

Autor: Mário César
Editora: Balão Editorial
Ano: 2013
98 páginas

Sinopse: Quadrinhos com temática LGBT, que trata basicamente de relacionamentos, com problemas e alegrias. Problemas e alegrias que no fundo independem da orientação sexual: um rapaz extremamente tímido que tem vergonha do próprio corpo, encontros e desencontros entre várias pessoas, o amor à primeira vista, uma separação após um longo convívio em comum, e um velho com o mal de Alzheimer que não quer perder as lembranças do amor de sua vida.

O traço bem personalista de Mário César vem desde a capa nos contado de uma maneira às vezes poética, às vezes trágica, cinco histórias que, de maneira bastante inteligente, são sinalizadas na página de abertura por uma escova ou duas escovas de dentes:

O Clube das Pessoas Normais

Um rapaz vê a si mesmo como feio e desengonçado é pressionado pela mãe a ir à aula de natação. Isso para ele é uma tortura, visto que terá que mostrar seu corpo e expô-lo ao ridículo. Um amigo o ajuda a se ver com outros olhos.

Ciranda da Solidão

Numa história quase sem diálogos é contada o vai e vem de personagens e o entrelaçar de suas vidas, com seus encontros e desencontros, comportamentos e problemas compondo um mosaico multifacetado. Esta história é fechada com uma página que reúne várias escovas de dentes em seus suportes, resumindo com maestria as possibilidades de relacionamento retratadas neste e nos outros contos do livro.

À Primeira Vista

O título já mostra o que será retratado na história: um encontro casual, que leva a um relacionamento. O que importa aqui é maneira como é contado: o amor, sem que seus protagonistas percebam, é construído no dia a dia de cada um, até o encontro, aparentemente, casual.

Esperando a Cera Secar

Uma mulher repensa seu relacionamento com sua companheira e decide mudar tudo de forma radical. A limpeza da casa é tratada por ela como uma metáfora para sua mudança interior e na sua forma de encarar o relacionamento entre as duas.

A Escrita no Muro

Na minha opinião esta é a melhor história de Ciranda da Solidão. Um velho com mal de Alzheimer tenta a todo o custo segurar suas lembranças daquele que foi o amor de sua vida, um rapaz que o levou a uma mudança radical em seu ponto de vista, transmutando uma vida amarga em uma vida plena.

Nerdshop

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Thor: O Mundo Sombrio


Thor: O Mundo Sombrio
Título Original: Thor: The Dark World
Direção: Alan Taylor
Roteiro: Cristopher Yost, Christopher Markus e Stephen McFeely
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Anthony Hopkins,
Jaimie Alexander, Idris Elba, Christopher Eccleston, Kyle Jacobs, Ray Stevenson, Stellan Skarsgård, Zachary Levi, Tadanobu Asano
Ano de produção: 2013
Duração: 112 min

Considerando o mito clássico do herói, há coisas que o herói não pode fazer. Seja por violar um rígido código de ética, seja por ser incapaz de entender a maldade em seu plenitude por estar perto demais da Luz. Poucos heróis conseguem descer ao Inferno e voltar.

Este é o tema que norteia o segundo filme de Thor. Antes de haver Luz, havia o caos e as trevas, que eram governadas por Malekith, o Elfo Negro. Numa batalha sangrenta contra as forças da Luz, comandadas pelo pai de Odin, o Elfo Negro foi derrotado e aprisionado e seu poder máximo, o Eter, confinado em uma estrutura rochosa. Com isso, o universo dos nove reinos ficou em equilíbrio por milhares de anos.

Todavia um fenômeno natural, um alinhamento planetário entre os noves reinos pode libertar o Elfo Negro, permitindo-o resgatar o Éter e dar-lhe poder para ele destruir todo o universo.

Para derrotar estas forças, Thor precisa do auxílio de Loki, pois ele é capaz de burlar tanto a vigilância de Odin sobre Asgard como de enfrentar o Elfo Negro em seu próprio reino, o Mundo Sombrio. Poderá Thor confiar no irmão? Loki terá a firmeza necessária para não ceder a tentação de trair o irmão?

O filme conta muito bem essa história, com algumas surpresas e reviravoltas, imagens belíssimas de Asgard, uma atuação brilhante de Tom Hiddleston, que interpreta com maestria Loki, lutas de tirar o folego e um humor cínico garantido por Loki (e às vezes pelo próprio Thor) e o humor quase pastelão pelas trapalhadas de Erik Selvig, Darcy Lewis e seu estagiário que manipulam a abertura dos portais de maneira desastrada, às vezes interferindo na luta entre Thor e Malekith de forma hilariante.

Um filme sobretudo divertido.


Thor, o Mundo Sombrio - trailler

sábado, 28 de setembro de 2013

Combo Rangers – Somos Heróis

Roteiro: Fábio Yabu
Arte: Michel Borges
Editora: JBC
Ano: 2013
128 páginas

Sinopse: Novas aventuras com a trupe Combo Rangers. Em Nova Cidade, muita gente tem superpoderes, mas como as coisas estão aparentemente nos eixos, as pessoas usam estes superpoderes para coisas rotineiras, como ir voando ao seu trabalho ou para se exibir. Porém, há uma ameaça vinda do espaço e as pessoas, mesmo com superpoderes não consegue perceber que podem usá-los para salvar o planeta. A ameaça são as forças invasoras do Império Domao. Entram em cena três heróis aposentados: Reflexo, O Pacificador e o Poderoso que ao perceberem que não tem cacife para enfrentar este poder inimigo, resolvem convocar cinco pré-adolescentes para lutar contra esta terrível ameaça.
Criados em 1998 por Fábio Yabu, os Combo Rangers surgiram inicialmente na Internet e dado o sucesso migraram para páginas impressas, porém devido a diversos fatores, param de ser publicados no ano 2000. Todavia, segundo o próprio Fábio Yabu, havia uma nova geração de fãs, incentivados pelos pais, tios e irmãos mais velhos, que curtiam as velhas histórias do Combo Rangers.
Não cabia um relançamento ou mesmo novas aventuras com os heróis antigos. A solução foi criar um novo universo de heróis mais antenados com a nova geração de fãs, que vive grudada nos tablets, mas tem que enfrentar uma escola com uma estrutura arcaica e uniformizante e o bulling praticado por alunos com superpoderes.
Assim surgem Fox, Ken, Kiko, Lisa e Tati (três rapazes e duas moças), que estudam numa escola cujo diretor tem o sugestivo nome de Monte, com mentalidade retrógrada e controladora. Aliás este é um dos méritos de Yabu, ele faz uma crítica pesada em relação à escola como está atualmente estruturada. Em determinado momento Monte faz uma declaração de que as pessoas têm que ser padronizadas para se ajustarem à sociedade.
Outro posicionamento é em relação à acomodação das pessoas em relação a um salvador da pátria, quando elas mesmas tem o poder da mudança (afinal, muitos tem superpoderes).
Yabu, talvez por ser uma história destinada às pessoas muito jovens, não aprofunda muito as críticas, colocando como contraponto a possibilidade de redenção a alguns dos opositores terrestres dos jovens (por exemplo, o pai de Fox e o diretor Monte), mas sem deixar de dar algumas alfinetadas no governo (o Presidente nem percebe a crise que se desenrola) e em relação aos serviços públicos.
Os cinco heróis foram escolhidos pelos aposentados por suas características de caráter e nenhum deles tinha um poder especial. Então terão que se adaptar à nova condição e descobrirem em pouco tempo e sob pressão cada um de seus poderes.
A mensagem, dirigida aos pré-adolescentes, é que cada um tem um herói dentro de si e ser herói é dar o seu melhor.
Completando tudo está a ótima arte de Michel Borges.
O resultado é um HQ bem divertida, que agradará os fãs antigos e os novos ou mesmo quem nunca conheceu esta trupe de heróis.
Nerdshop

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Mundo Nerd – Número 1

A revista Mundo Nerd será oficialmente lançada amanhã, mas alguns exemplares foram vendidos no Mercado de Pulgas, ocorrido no último fim de semana.
A ideia dos editores é reunir matérias que retratem o que os nerds buscam: HQs, cinema, séries televisivas.
Faltaram três coisas importantes: RPG, Games e, principalmente, Literatura fantástica (tratada na revista apenas como suporte ao cinema).
O recorte que os editores fizeram contudo está bem elaborado, com informações relevantes, tanto no que se refere aos futuros lançamentos, com em matérias que procuram dissecar um universo relevante para os nerd, como é o caso da série Big Bang Theory e séries nerds no mesmo estilo, na matéria Nem só de Big Bang Theory vivem as séries nerds, assinada por André Romano, e o da Pixar na matéria A Incrível História da Pixar, assinada por Eduardo Trivella.
Na linha dos lançamentos futuros podemos destacar a matéria Reinado dos Heróis, que mostra sinopses de filmes que estrearam neste no próximo ano, envolvendo heróis como Thor, Capitão América, Vingadores e outros, dentro e fora do universo Marvel.
Na linha de HQs vale destaque a matéria A Liga Pop, assinada por Mauríco Muniz, que fala sobre a nova aventura da Liga Extraordinária, HQ de cunho retro futurista que mistura personagens históricos, personagens de ficção do século XIX, tecnologias inusitadas e anacrônicas, escrita pelo genial Alan Moore e desenhada por Kevin O'Neal.
No cinema, além das adaptações dos quadrinhos temos uma matéria que trata dos futuros lançamentos de Ficção Científica que ocorreram em 2013 e 14. Por ela ficamos sabendo que infelizmente ocorrerá um Independece Day 2 e vários avatares ao longo dos próximos anos.
Há como toda revista, pequenas matérias que focam curiosidades e notícias rápidas e um quiz nerd, na seção DNA Nerd. Este quiz na minha opinião está no nível very easy, creio que por se tratar de um primeiro número, para que alguém que pretende ser nerd e pegue a revista pela primeira vez não se sinta tão divorciado deste universo.
Há muitas outras matérias de importância, envolvendo Walking Dead e filmes de horror, Star Wars, Star Trek, filmes baseados em livros e muito mais.
O lançamento da revista oficial será dia 23 de agosto, sexta feira, no mezanino da loja Geek.Etc.Br , na Av. Paulista, 2073, em São Paulo.
O que: Lançamento da Revista Mundo Nerd
Quando: 23 de agosto, Sexta feira (amanhã!), às 19 horas.
Onde: Av. Paulista, 2073, em São Paulo



sexta-feira, 19 de julho de 2013

Ciranda da Solidão


catarse-capa-cirandaMário César de Oliveira, autor da série EntreQuadros, está com um projeto de uma HQ dentro desta série, de temática LGBT, Ciranda da Solidão. O livro trata de problemas de relacionamento, envolvendo personagens de várias faixas etárias e procurando fugir aos estereótipos.

Segundo o autor: "O meu novo projeto é justamente uma nova edição de EntreQuadros que se chamará Ciranda da Solidão. Será meu primeiro trabalho com temática LGBT e será composto por cinco histórias sobre como lidamos com os relacionamentos amorosos ao longo da vida. Cada história é protagonizada por personagens de diferentes faixas etárias abordando desde a descoberta da sexualidade e as inseguranças na adolescência, até o amadurecimento e dificuldades da vida adulta e da velhice." 

O livro está na plataforma Catarse aguardando apoiadores. O primeiro capítulo, na íntegra pode se visto aqui.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Como na quinta série


Como na Quinta Série
Autor: Dw Ribatski
Editora: Balão Editorial / Coleção Zug
Ano: 2012
40 páginas

Sinopse: um grupo de jovens em atitude “suspeita” são abordados por uma patrulha policial, formada por membros da temível F.O.D.A. Um dos rapazes ousa desafiá-los.

Narrado em primeira pessoa, um dos membros da patrulha, a HQ Como na quinta série nos coloca dentro da mente de um policial durão e violento, com seus medos, frustrações e inseguranças, que deve manter ocultos a qualquer custo.

Por que o título Como na quinta série ? Neste período da vida, há formação das turmas, das rivalidades e dos rejeitados, as eternas vítimas do bullying. Neste meio, também é importante esconder as fraquezas, tornando a comparação mais do que válida.

As ilustrações, predominantemente em azul profundo e preto, reforçam o clima sombrio da história.

A narrativa é tensa até o desfecho, deixando um incomodo que nos acompanha por um tempo.

Recomendo.

Nerd Shop: Como na quinta série. Dw Ribatski. Balão Editorial / Coleção Zug. Clique aqui.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Dia da Leitura


 
Menino Maluquinho, personagem de Millor Fernandes, obtido na Internet,

A Literatura Fantástica, em especial a brasileira, tem feito parte deste blog desde seu lançamento. E a literatura não sobrevive sem leitores e é para eles que os autores escrevem. Portanto, no Dia Nacional da Leitura, 12 de Outubro, leia um livro de literatura fantástica de autor lusófono (português, brasileiro, angolano, moçambicano, açoriano, etc..).

E boa diversão!

(P.S.: Ouvi dizer que os mitos e lendas açorianos são muito interessantes e têm um pé em Santa Catarina).


domingo, 7 de agosto de 2011

Capitão América – O Primeiro Vingador

Título Original: Captain America: The First Avenger (2011)
Diretor: Joe Johnston
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely
Baseado nos Quadrinos de Joe Simon e Jack Kirby
Produção: EUA
Elenco: Chris Evans, Hayley Atwell, Sebastian Stan, Tommy Lee Jones, Hugo Weaving, Dominic Cooper , Richard Armitage, Stanley Tucci, Samuel L. Jackson, Toby Jones

Sinopse: Durante a segunda guerra, o jovem Steve Rogers deseja se alistar, porém é fisicamente incapaz. Um cientista envolvido com um programa de desenvolvimento de uma raça de supersoldados, vê uma oportunidade de testar sua droga. Rogers seria o primeiro de uma série, porém o cientista é assassinado, o programa é abortado e Rogers é colocado em segundo plano. As coisas mudam quando seu pelotão de origem é aprisionado. Rogers assume então a identidade do Capitão América.

Esse basicamente é o mesmo enredo recontado inúmeras vezes nas HQs da Marvel desde o surgimento do herói em 1941, como parte do esforço de guerra Norte Americano. Há algumas coisas a se observar: o discurso da raça de supersoldados emula o discurso nazista. O Capitão América segue o modelo do herói americano típico, com algumas de suas características amplificadas devido ao conflito: patriotismo exagerado e cego e resolve tudo praticamente sozinho (se bem que neste filme ele monta uma equipe de comandos "politicamente correta" onde inclui um negro e até um improvável japonês, dado o contexto da guerra). Para poder curtir o filme, estes fatos tem que ser ignorados, pelo menos até o final dos créditos.

Quando eu lia as HQs da Marvel nos anos 60, eu não gostava muito do Capitão América justamente pelos pontos apresentados. Eu o chamava de Capitão Reacionário. Continuo achando isso, embora tenha gostado do filme.

O enredo é o esperado, já que o filme foi feito para não desapontar os fãs. O ator que interpreta Rogers/Capitão América o faz de forma caricata, tornando bastante divertidas as situações do jovem soldado Rogers e as inseguranças pessoais do Capitão América.

Um ponto a observar é a estética retrofuturista, que poderia colocar o filme como “dieselpunk”, com artefatos desenvolvidos pelos nazistas que agregam muito mais tecnologia do que realmente existia na época. Às vezes tem-se a impressão que estamos assistindo uma longa propaganda de brinquedos, que certamente serão disponibilizados para compra em breve.

O título por outro lado remete ao próximo filme: Os Vingadores. O objetivo foi apenas contextualizar o Capitão América dentro da realidade dos Vingadores.

Em resumo: se você gosta um do Capitão América, vá ver o filme. Se gosta de HQs em especial da Marvel, também. Mas é bom estar atento para dar algum "desconto" para as patriotadas e estereótipos. Um filme mediano.



sábado, 11 de junho de 2011

Scott Pilgrim - saga completa e filme

Scott Pilgrim contra o mundo
(saga completa 3 volumes no Brasil, 6 volumes no Canadá)
Autor: Brian Lee O’Malley

Titulo Original:

Scott Pilgrim´s Precious litle life – vol 1
Scott Pilgrim’s VS. The world – vol 2
Ano:     2010 Brasil
            2004 Canadá


Scott Pilgrim & the infinite sadness – vol 3
Scott Pilgrim gets it together – vol 4
Ano:      2010 Brasil
            2004 Canadá

Scott Pilgrim VS the Universe – vol 5
Scott Pilgrim finest hour – vol 6

Ano:      2011 Brasil
            2005 Canadá

Editora:  Companhia das Letras





Filme: Scott Pilgrim contra o Mundo
Título original: Scott Pillgrim vs. The World
Roteiro e Direção: Edgar Wright baseado na HQ de Brian Lee O’Malley
Elenco: Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Kieran Culkin, Chris Evans.
Duração: 112 min
Ano: 2010

Sinopse: Scott Pilgrim, um rapaz comum de 23 anos, apaixona-se por Ramona. Tudo seria tranqüilo se ela não tivesse sete ex-namorados do mal, que ele terá que vencer se quiser continuar com a moça.

O mote já mostra a influência mais marcante de Scott Pilgrim: a cultura do vídeo game. Para atingir um objetivo, Scott terá que passar por várias fases em dificuldade crescente até o confronto final, que como não poderia deixar de ser, é um vilão superpoderoso.



A outra influência marcante é no traço, que lembra muito o estilo mangá.


E a terceira influência é rock. Scott faz parte de uma banda medíocre, a Sex Bob-Omb, que quer “explodir para o mundo”. Só que sua música é sofrível (tanto para quem ouve como para quem toca), o que torna o esforço de Scott patético. Quase todas as cenas em que aparece a banda são muito engraçadas.



A trama esta centrada no confronto que é uma metáfora para o processo de amadurecimento de Scott. Ele começa o mangá namorando uma menina de 17 anos, Knives Chao,  após ter tido uma decepção amorosa com Envy. Ao ver Ramona, se apaixona por ela instantaneamente, mas não sabe o que fazer com Knives. Scott meterá os pés pelas mãos inúmeras vezes, conseguindo magoar todas as garotas que passam pela sua frente.

Seria uma simples história de garoto-vive-experiência-sexual-que-o-torna-um-homem, se não fosse a maneira como é contada. Em Scott Pilgrim, o universo dos videogames é mais que um recurso cenográfico: ele é usado para construir metáforas para explicar comportamentos e sentimentos  dos personagens envolvidos. Eles passam por portais que o levam a outros pontos da cidade de Toronto ou a universos paralelos com muita naturalidade, ao acumularem “pontos” ganham armas e até “vida extra” e  os inimigos derrotados viram moeda, como em Mário e outros jogos, tudo isto para mostrar que Scott, ao avançar etapas, está indo ao seu amadurecimento, se tornando um ser humano mais completo, conseguindo enxergar seus erros e tentando corrigi-los.

Quem auxilia Scott no processo, como um “mestre palpiteiro”, tanto em truques para vencer a luta, como nos seus relacionamentos, é Wallace, companheiro de quarto de Scott. Um detalhe (e é apenas um detalhe, no contexto da trama): Wallace é homossexual. Isso é encarado com naturalidade por todos os personagens. O autor o colocou como tal não para causar polêmica ou erguer uma bandeira a favor ou contra esta orientação sexual. Wallace é homossexual porque simplesmente existem homossexuais no mundo.  Scott é heterossexual, embora conviva com ele, dividindo o apartamento e até a cama (apenas para dormir) e só se incomoda com o comportamento do amigo quando tem que ficar fora de casa para que Wallace possa trazer seus casos.

Cada ex-namorado representa um aspecto da personalidade de Scott que deve ser derrotado. Após derrota do último, percebemos metaforicamente a recuperação da auto-estima do personagem.

O Filme

Adaptar HQ é bastante difícil e costuma dar resultados medíocres. Isso não acontece aqui porque  Edgar Wright fez um excelente trabalho. Fundiu cenas, cortou outras e modificou várias, sem que a história perdesse sua essência e, em alguns aspectos, soube se valer da linguagem cinematográfica para dar algo mais aos quadrinhos: a ação!  As HQs são feitas de cenas estáticas que procuram insinuar movimento. O filme procura ampliar e dar vida a estes movimentos.



Por isso, filme vai agradar tanto quem leu como quem não leu a HQ, desde que não se espere uma transcrição excessivamente fiel.

Trailer Scott Pilgrim contra o mundo

Nerd Shop:

Scott Pilgrim está disponível aqui:




domingo, 2 de janeiro de 2011

A Dança da Realidade

A Dança da Realidade
Autor: Alejandro Jodorowisky
Editora: Devir Livraria
Ano: 2010
368 páginas

Sinopse: “Autobiografia imaginária” de Jodorowisky, cobrindo dede sua infância até a consolidação do que ele chama de “psicoxamanismo”.

Por que autobiografia imaginária? Segundo o próprio Jodorowisky, ainda que tudo que ele tenha relatado sejam fatos de sua vida, ainda assim a imaginação tem que estar presente na concepção do texto, visto que só percebemos da realidade aquilo que é filtrado por nossos conceitos limitantes e que para transcendê-los, devemos usar a imaginação ativa, buscando outros pontos de vista.

"Este livro é um exercício de autobiografia imaginária, se bem que não no sentido de “fictícia”, pois todos os personagens, lugares e acontecimentos são verdadeiros, a não ser pelo fato de que a história inteira de minha vida é um esforço constante para expandir a imaginação e ampliar seus limites, para apreende-la em seu potencial terapêutico e transformador." - Jodorowisky


El Topo (Trailler) - Filme de Alejandro Jodorowisky

O livro, com muitos detalhes de sua vida tumultuada, nos permite ver como todos estes acontecimentos ajudaram a moldar o poeta, teatrólogo, cineasta e roteirista de HQs.

A narrativa começa com sua infância pobre no Chile e sua relação conflituosa como pai, um comerciante de origem russa, que renegava tanto sua condição de judeu como a de estrangeiro. Por temer que seu filho se tornasse homossexual, tratava filho sem demonstra afeto e até com brutalidade. Essa busca de afeto paterno marcará profundamente o jovem Jodorwisky. Real ou imaginário? Tanto um como outro. Seu pai realmente o agrediu fisicamente apenas para que ele provasse resistir a dor? Estas são as reinterpretações de acontecimentos muito antigos segundo a lógica de um adulto que revê seu passado e procura dar-lhe uma interpretação consistente.




Jodorowisky na TV Mexicana

Jodorowisky é conhecido por suas atitudes polêmicas, algumas já descritas no seu livro anterior, Psicomagia, e mostradas em detalhes nesta sua autobiografia. Um artista ousado e inquieto, que foi um poeta chileno de projeção internacional, trabalhou com Marcel Marceau e Morrice Chevalier, foi palhaço em um circo, montou uma companhia de teatro de marionetes, destruiu um piano a marretadas diante das câmeras da TV Mexicana, criou o teatro pânico – onde pessoas comuns improvisavam livre de amarras, o que acabava gerando espetáculos altamente bizarros, que fariam Lady Gagá parecer uma senhora muito comportada – cineasta surrealista, assistente de uma curandeira mexicana, praticante de Zen, leitor de Tarot e finalmente um psicomago e psicoxamã (não necessariamente nesta ordem).



Movimento Panico, criado por Alejandro Jodorowisky, Fernando Arrabal e Roland Topor. O nome inspira-se no do deus Pan, o qual se manifesta através de três elementos básicos: terror, humor e simultaneidade.  

Tudo isto é nos mostrado num texto fluído e envolvente, em que pese alguns paragrafo extremamente longos. Ao lê-lo, percebe-se a sua preocupação em romper limites, inicialmente pessoais, depois sociais, tendo como parâmetro apenas a imaginação.

O texto é fundamental para se conhecer o artista e entender seu processo criativo. Porém este processo não pode ser reproduzido, por isso creio que não haverá outro psicoxamã. A ruptura já foi estabelecida. Não há como romper o que já foi rompido. Quem quiser que crie seu próprio caminho.


quarta-feira, 23 de junho de 2010

Quadrinhos distópicos

Quadrinhos e ficção científica sempre andaram de mãos dadas. Por isso é natural que um dos principais gêneros da sci-fi se traduza em alguns dos melhores quadrinhos de todos os tempos, a distopia.

Futuros distópicos são realidades onde a humanidade está decadente e o mundo no qual nada deu certo. Matrix talvez seja um dos maiores ícones desse tipo de história, mas há outro exemplos como Laranja Mecânica e diversos livros de Philip K. Dick.

Talvez a mais clássica HQ de super-heróis do gênero distopia seja a lendária Dias de um futuro passado de Chris Claremont e John Byrne, estrelando os X-men. A trama conta como no futuro os mutantes são caçados até a morte por Sentinelas. Kitty Pride é a grande protagonista, tendo de viajar no tempo para evitar que a morte de um senador deflagre o futuro catastrófico.

Ainda na Marvel, nos anos 90 a editora decidiu criar uma nova linha de personagens, adaptando-os para o futuro. Dessa maneira nasceu o famigerado Universo 2099. Aqui, os deuses de Asgard, sobretudo Thor, eram realmente adorados, e não havia mais fronteiras de estados, apenas grandes corporações inescrupulosas que dominavam tudo. As principais características do Universo Marvel tradicional foram potencializadas nessa versão futurista. Ou seja, os mutantes eram mais odiados, o povo tinha mais desconfiança em relação aos vigilantes mascarados e, para piorar, não existiam os Vingadores para amenizar a situação. Apesar de algumas idéias interessantes a linha Marvel 2099 foi extinta sem cair nas graças do público.

A grande rival da “Casa das Idéias”, contudo, ofereceu verdadeiros clássicos das HQs ambientadas em futuros distópicos. A começar por Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, gibi da linha elseworlds (Túnel do Tempo aqui no Brasil), onde os personagens do universo DC tradicional são levados para outras realidades e atuam tramas com maior liberdade criativa.

Em Cavaleiro das Trevas, Batman está com mais de 50 anos e aposentado. Seus inimigos também estão presos ou “penduraram as chuteiras”. Mas a realidade americana, repressora e autoritária, representada aqui na figura do Superman, oprime os cidadãos, levando jovens a se organizar em gangues contestadoras. O morcegão resolve voltar a ativa, assim como seus inimigos íntimos: Coringa e Duas-Caras.

Em muitos aspectos Cavaleiro das Trevas foi uma HQ revolucionária, colocando o Superman como uma figura ambígua, quase como o vilão da história. Isso se a trama fosse maniqueísta a ponto de existirem heróis e vilões bem definidos. Miller inovou também ao colocar Robin como uma garota que se inspira nos passos da Batman. Outra grande novidade foi a narrativa, amarrada pelas reportagens que as redes de TV da HQ fazem conforme a trama vai rolando. Vale lembrar que Cavaleiro das Trevas influenciou diversos outros quadrinhos e até mesmo filmes como Robocop, praticamente um plágio da obra de Miller.

Um outro clássico da distopia que saiu pelo selo DC é V de Vingança, do mestre Alan Moore. Inspirada em grande feita no livro de George Orwell 1984, em V de Vingança novamente a grande catástrofe é o autoritarismo de um governo repressivo e fascista. V é um militante anarquista, que sofreu diversas torturas e experimentos nas mãos das forças da repressão e batalha para que o governo despótico inglês seja derrubado por uma ação popular.

Os europeus são fascinados pela ficção científica e, naturalmente, tem diversos expoentes nesse estilo também. Passando pelos fummeti de Nathan Never ou mesmo as BDs de Acquablue, esse talvez mais uma utopia, chega-se a espetacular obra de Moebius. O desenhista francês é sempre lembrado pelo seu maravilhoso traço e capacidade narrativa. Stan Lee e Neil Gaiman já pediram para roteirizar histórias com o traço desse gênio. Mas sua HQ mais notória foi feita em parceria com Alejandro Jodorowsky, chileno radicado na Europa.

O nome da referida HQ é Incal. Num futuro longínquo, a galáxia é disputada pelo poder da Igreja e de Tecnocratas. A trama acompanha o medíocre detetive particular John Difool, que sem querer acaba ganhando um poderoso artefato milenar, o misterioso Incal. A descoberta o leva bem no meio de um conflito épico entre o Meta-Barão, o maior guerreiro da galáxia (e protagonista de outra popular série de Jodorowsky) e o fanático Tecno-Papa.

Saindo da França para o Japão, chegamos até Akira, de Katsushiro Otomo. Aqui o dominante é a estética cyber-punk, com forte influência dos trabalhos de Philip K. Dick. A trama conta a história de um Japão tentando se reerguer após a Terceira Guerra Mundial. A narrativa é bastante complexa e envolve crianças com poderes psiquicos criadas pelo governo, gangues juvenis arruaceiras, drogas, golpes de estado e o fim do universo como conhecemos.

Além disso, outros mangás, publicados no Brasil, abordam o tema das distopias, como Evangelion que envolve crianças que pilotam robôs gigantes num futuro pós-apocalíptico e lutam para defender o mundo contra monstros que na verdade são anjos(!). E Éden, onde um vírus devastou parte da população da Terra e traficantes e grandes corporações se degladiam para dominar o que restou.

Outro mangá do gênero é Gunn: Hyper Future Vision, diretamente inspirado no filme Metropolis do expressionsta alemão Fritz Lang, que por sua vez teve uma livre adaptação em mangá feita pelo mestre Osamu Tezuka, ganhador de um filme animado dirigido por Katsushiro Otomo. Em Gunn, uma andróide sem memória perambula por um mundo onde uma cidade de escórias existe às margens de uma grande cidade flutuante. Contudo, o povo da cidade de baixo é quem realmente sustenta a de cima. Destaque para as maravilhosas cenas de violência.

Nossa volta ao mundo termina onde começou: nos EUA. Só que dessa vez um pouco fora do mercado mainstream. A bola da vez é American Flagg!, série publicada pela extinta First Comics nos Estados Unidos.

Na história, a Terra passou por diversas crises, como um combate nuclear, pragas, brigas por alimentos e um sistema bancário que entrou em colapso. Em 2031, os Estados Unidos estão em decadência, e as coisas estão piores do que nunca: guerra entre gangues, rivalidades políticas resolvidas com armas de fogo, depressão econômica, drogas, etc. Já o Brasil, é uma das potências mundiais.

O governo norte-americano, junto com as principais corporações do país, se mudou para Marte décadas antes, e, de lá, eles não se importa com o que acontece aqui. Um semblante de força policial, os Plexus Rangers, é quem consegue manter a pouca lei que ainda existe no mundo. Reuben Flagg, outrora o astro da série de TV que dramatizava as aventuras fictícias de um Ranger, foi trocado por um holograma. Isso culminou com sua ida para a Terra e posterior alistamento nos verdadeiros Plexus Rangers.

American Flagg! é um verdadeiro marco na produção de HQs futuristas. Tudo em sua produção é muito bem executado, desde o título (uma brincadeira mais que óbvia com flag, “bandeira” em inglês) que faz referência ao patriotismo norte-americano, até a execução da trama.

O título foi um dos primeiros a se encaixar na denominação de quadrinhos adulto, tendo sido publicado originalmente em 1983. Recentemente a editora Dynamic Forces iniciou a republicação dessa obra magnífica.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

7 Vidas – A aventura de uma pessoa e seus passados

7 Vidas – A aventura de uma pessoa e seus passados
Autores: André Diniz (roteiro) Antonio Eder (desenhos)
Editora: Conrad
Páginas: 124
Formato: 155 mm X 230 mm
Ano: 2009

Sinopse:
André Diniz faz um relato sobre sua experiência com Terapia de Vidas Passadas, a que se submeteu em busca de respostas e de autoconhecimento.

André deixa Santa Teresa, no interior do estado do Rio de Janeiro, e vai morar em Copacabana, onde tem um contrastante contato diário com a violência urbana. Essa experiência faz com que ele mude para Petrópolis, cidade mais tranqüila. Atitude que o faz sentir a necessidade de busca das suas raízes e junto com uma série experiências de devaneios espontâneos o leva a procurar uma terapia. Sua escolha recai sobre a Terapia de Vidas Passadas.

André não está comprometido com seitas ou filosofias reencarnacionistas e, antes de optar pelo tratamento, até tinha restrições quanto a esta forma de pensamento, porém sua terapeuta deu a real dimensão do tratamento: ainda que as vivências relatadas pelo paciente possam não ser reais, são produtos de seu inconsciente e podem ser úteis tanto para um tratamento específico como para autoconhecimento. 

A partir de uma escada imaginária de dez degraus, que o paciente desce simbolicamente em direção a seu insconsciente, é induzido um estado alterado de consciência no qual ele toma contato com uma lembrança que pode ser um fragmento de uma "vida passada", normalmente relacionado com alguns de seus problemas emocionais, mentais ou físicos. No caso de André, um desconforto persistente na sua perna direita é o ponto de ligação entre as várias vidas que vai "relembrando". Fora do consultório, na "vida atual", André começa a resgatar fatos importantes de sua infância e, aos poucos reconcilia-se com ela.

Em suas vidas passadas, algumas apresentam lances dramáticos outra são mais tranquilas. Assume posições em várias classes sociais e traços de personalidades considerados positivos, como bondade e coragem, outros, negativos, como arrogância e sadismo. Algumas vezes foi vítima, outras, algoz. Há até alguns lances onde há humor.

Relatos de terapias tendem a cair ou em uma descrição fria do processo ou em apologia de uma determinada forma de tratamento. André consegue escapar destas duas armadilhas, pois quer apenas contar uma boa história, ainda que seja sobre uma experiência pessoal muito íntima. E consegue. 

O traço limpo de Antonio Eder torna a leitura da HQ bem suave e cativante.

Nerdshop:
• 7 Vidas: A aventura de uma pessoa em seus passados, de André Diniz e Antonio Eder (Conrad)

domingo, 25 de abril de 2010

Psicomagia

Psicomagia

Autor: Alejandro Jodorowski

Tradução: Sueli Farah
Editora: Devir
Páginas: 296
Ano: 2009

Sinopse: Alejandro Jodorowski – cineasta, teatrólogo, roteirista de quadrinhos, poeta e místico –, baseado em sua experiência pessoal, na psicanálise, em técnicas terapeuticas e em várias doutrinas místicas e religiosas, desenvolveu uma nova forma de terapia, que deu o nome de psicomagia. O livro tenta sistematizar, por meio de uma série de entrevistas com o autor, esta nova técnica.

Alejandro Jodorowski é bastante conhecido pelo seu trabalho como cineasta e roteirista de quadrinhos. Sua trilogia Incal deu origem a um universo fantástico, com vários desdobramentos e obras paralelas.

No livro Psicomagia em particular, o autor afasta-se de suas atividades mais conhecidas para enveredar-se por outra arte, como ele mesmo classifica, a arte de curar. Sua experiência começa nos anos 60 e 70, com primeiro atos poéticos e, a seguir, teatrais. Esses atos tiveram origem em uma preocupação em caracterizar o ato poético como algo desprovido de significado, ou pelo menos do signifcado das verdades pré-estabelecidas. Ele cita como exemplo, a ação de andar em linha reta sem contornar obstáculos (se surgir uma árvore no caminho, sobe-se na árvore, descendo do outro lado), sem qualquer motivo aparente.

O ato teatral estaria na desconstrução do teatro onde não existe peça nem qualquer distinção entre atores e público. A esse tipo de teatro Jodorowski dá o nome de "Teatro Pânico". Nele, todos são convidados a fazerem em público aquilo que desejarem, dando origem a um processo catártico. Como exemplo disso estão os hapennings. Comuns nos anos 60 e 70, eram espetáculos teatrais feitos em locais públicos, como, por exemplo uma estação de metrô, sem roteiro pré-determinado.

O ato seguinte é o que ele chama de ato onírico, este diretamente inspirado em três fontes básicas: a psicanálise, a arte surrealista e tradições místicas. Consiste no chamado "sonho lúcido", no qual o sonhador sabe sua condição e assume o controle de seu sonho. Pode também adotar o mesmo distanciamento na vida real, supondo estar num sonho e estabelecendo uma interpretação simbólica para seus atos do dia a dia.

Por fim o ato psicomágico, que seria uma prescrição de uma ação que deve ser executada pelo paciente da exata maneira prescrita pelo terapeuta. A ação, de caráter extremamente simbólico, seria capaz de romper com determinados paradigmas do paciente, realizando assim a cura. O ato psicomágico é diretamente inspirado nas ações de curandeiros e xamãs. Jorodowski chegou a tornar-se assistente de uma curandeira no México para aprender sua técnicas.

Apesar do esforço do autor e de seus entrevistadores em tentar captar o método da psicomagia, o livro falha no sentido de que Jorodwiski construiu – ao longo de várias décadas – uma escada para ele subir e esta escada foi destruída. Se quisermos ser psicomagos, devemos construir uma nova escada.

Todavia, a leitura do livro é interessante, quer queiramos ou não ser psicomagos. Jodorowski está ali por inteiro, e podemos conhecer bastante sobre sua vida e sua maneira de pensar. Em especial, no final do livro onde ele dá um curso rápido de criatividade. Os exercícios que ele propõe abrem bastante a mente de quem levá-los a sério.