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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Duas obras fundamentais de Edgar Allan Poe e H. G. Wells em ebooks

Autor: Edgar Allan Poe
Título Original: The Murders in the Rue Morgue
Tradução: Zé Oliboni
Editora: Balão Editorial (e-book)
Ano: 2014

Sinopse: Duas mulheres, mãe e filha, são brutalmente assassinadas num apartamento na Rua Morgue. As circunstâncias do crime deixam a polícia desnorteada até que o detetive Dupin resolve o mistério.

Esta foi a história que inaugura o gênero policial. Poe cria não só uma excelente história, como dá as suas diretrizes, que depois serão aperfeiçoadas por Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes: um detetive genial e excêntrico, um narrador que é seu amigo, uma policial diligente, mas incompetente e uma trama bem engendrada. Poe, no início do conto, compara este tipo de trama como jogo de whist, onde contrariamente ao xadrez, a atenção se dirige não só ao jogo, mas também aos jogadores. O jogo de whist hoje em dia não é muito praticado, mas se quisermos manter a comparação, podemos imaginar como equivalente o poker.

Atenção, spoiler!

A história em si foi citada em Um Estudo em Vermelho, primeiro livro onde aparece Sherlock Holmes, que a critica abertamente, qualificando-a como primária. Porém, Conan Doyle “cola” uma de suas cenas, quando Dupin “lê os pensamentos” de seu amigo. Sherlock também “lerá” os de Watson, seguindo mais ou menos o mesmo processo.

Se analisarmos do ponto de vista de hoje, em alguns aspectos, podemos dar razão a Sherlock, por exemplo o interrogatório onde há testemunhas de várias nacionalidades, uma situação pouco provável, mesmo numa cidade grande e cosmopolita como Paris.

Entretanto, a solução que Dupin deu para o mistério do quarto trancado merece respeito (copiado também por outros autores policiais, com muitas variações).

Além disso, Os Assassinatos da Rua Morgue tem elementos do gênero em que Poe era mestre, as histórias de horror: a brutalidade do crime descrita em detalhes mórbidos e o bizarro assassino.

Os Assassinatos da Rua Morgue merece ser lido pelos leitores modernos por seu pioneirismo e pela qualidade do texto.

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Autor: H. G. Wells
Título original: The Story of the Late Mr. Elvesham
Tradução: Flávia Yacubian
Editora: Balão Editorial (e-book)
Ano: 2014

Sinopse: Edward Eden encontra-se com Elvesham, um velho professor de filosofia, que lhe oferece a possibilidade dele herdar todos os seus bens quando o filósofo se for, aparentemente em troca de nada. Eden descobrirá que o preço é alto demais.

H. G. Wells é um dos pioneiros da ficção científica. Seu foco sempre foi o indivíduo em sociedade mais que a ciência em si, tanto que é considerado o pai do gênero soft. E este conto não foge a este parâmetro. Tanto que a parte científica em si é apenas usada pra explicar o estranho fenômeno a que Eden é submetido. Poderia ser substituído por magia sem que o enredo sofresse qualquer alteração.

Estão em foco duas ambições: por bens materiais e por vida eterna. Ambas obtidas a custa de outrem por meio do engano.

Como esta história é protótipo de várias outras que vieram depois, um leitor mais experiente pegará o que vai acontecer lá pelo terceiro parágrafo, porém, mesmo assim a história se sustenta pela caracterização dos dois personagens, pela forma de escrever de Wells e sobretudo pelo final irônico e, de certa forma, surpreendente.

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sábado, 1 de fevereiro de 2014

O País dos Cegos e outras histórias

Trata-se de uma coletânea de contos de H. G. Wels em pré venda a Livraria Cultura..

Mais conhecido por seus romances como a Máquina do Tempo e A Guerra dos Mundos, Wells é um excelente contista.

Esta coletânea traz dezoito histórias, mas, infelizmente, as resenhas que li não traziam a lista de contos. Temos que confiar na habilidade de Wells em escrever e na de Bráulio Tavares (excelente tradutor e escritor) em selecionar e traduzir os textos.

Eu conheço vários contos de Wells e todos que li eram muito bons. O que dá o título à coletânea é O país dos Cegos, uma fábula em torno o dito popular Em terra de cegos quem tem um olho é rei. 

Um explorador descobre uma civilização formada por seres humanos que há várias gerações perderam a visão. Este explorador julga ter uma vantagem e age no sentido de querer se tornar rei deste povo. Spoiler: descobre então que ver num lugar onde ninguém vê não é vantagem nenhuma e ele passa a ser o diferente, o anormal.

A maioria das histórias que conheço especulam com a ciência da época, a sociedade e o comportamento humano. Normalmente seu texto é leve, ás vezes pontuado por humor, outras com críticas severas tanto à sociedade de sua época como com os seres humanos de um modo geral.

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Trad. Barulio Tavares.
Editora Alfaguara Barsil

Em pré venda da Livraria Cultura.