Elenco:
Eddy Stefani, Fernando Martins, Naiara Bastos
Cenário:
Fernando Martins
Iluminação:
Fernando Azevedo
Música
Original: Marcelo Pellegrini
Coreografia:
Robson Cabral
Criação
e confecção de Máscaras: Fernando Martins, Naiara Bastos
Sinopse:
Numa peça sem palavras e
com o uso de máscaras, a
vida de um casal é revisitada através de suas lembranças.
Um
dia andando perto de minha casa no bairro do Ipiranga, vi uma placa
em uma casa onde estava escrito “Centro
de Pesquisa da Máscara”. Ao
olhar aquilo me ascendeu a curiosidade. Isso durou alguns meses, até
que um dia passei em frente e havia um cartaz convidando para uma
peça de teatro. Me senti como Hermann, diante do cartaz do Teatro
Mágico, em O Lobo
da Estepe.
Me
decidi ir vê-la na primeira oportunidade. Havia uma curiosidade a
respeito das máscaras, pela sua função dentro da Psicologia
Analítica de Jung e na construção do mito, descrita por Joseph
Campbell. Havia também o
gosto pelo teatro.
A
peça
Dois
atores em cena por meio de gestos e posturas vão passando uma
história. O uso da máscara, que os atores usam o tempo todo, tem um
papel significativo, já que a expressão esculpida na máscara é
aparentemente sempre
a mesma. Para expressar nuances
de sentimentos os atores
enfatizam a linguagem corporal e posicionamentos do rosto. A
iluminação tem aqui um papel importante, pois a máscara assume
diversas expressões,
conforme o lado que recebe a luz.
O
cenário é bem simples e os objetos de cena são estruturas de
madeira, retângulos e triângulos e caixas, que ora são portas,
hora são janelas ou ainda armários e
até máquinas de tecelagem industrial. Eles são trazidos
por um terceiro ator, que os opera, alterando o seu significado
conforme a cena.
Aos
poucos e de uma forma não
linear a história do casal
é passada, desde o namoro até a velhice, com seus altos e baixos,
felicidades e sofrimentos, união e separação.
Uma
excelente peça.
Serviço
O
que: Alvorada,
peça em um ato, com uso de máscaras.
Maria acompanhada pelos elementais encontra o Homem Ferido
Sinopse:
Maria é uma moça ingênua que
vive com o pai viúvo em um sítio decadente. A vida com o pai não é
tranquila, pois ele, em alguns momentos, é violento (há uma
insinuação de alcoolismo provocado pelo desespero), mas como ela
ama o pai o convence casar-se com uma viúva. A Viúva e sua filha,
em vez de representarem a salvação passam a ser um tormento muito
maior. Maria, num momento de profunda tristeza decide abandonar tudo
e embrenhar-se na floresta em busca das franjas do mar. Tem início
sua jornada, acompanhada pelos elementais da natureza e pelo Pássaro
Incomum, que a protege. Nesta jornada, ela recebe presentes
simbólicos, entre eles um par de sapatinhos encarnados (numa alusão
a Cinderela), que serão importantes para estabelecer seu retorno
triunfante.
Hoje é dia de Maria - A fabula Musicalé um musical baseada no texto de Carlos Aberto Soffredini, com Lígia
Paula de Andrade (que também co-dirige e produz o musical) no papel
de Maria, estreou dia 30 de Setembro no Teatro Cetip, em São Paulo,
onde fica em cartaz até o fim de novembro.
O
texto de junta diversas lendas e contos da tradição oral brasileira através da
jornada de Maria, uma heroína, que, fugindo do ambiente opressivo
onde vive, segue seu sonho de ir ver as franjas do mar e evolui de
uma ingenuidade primária até a sua libertação de todas amarras:
opressão e abuso pai (interpretado por Luiz Araújo), opressão da
madrasta (interpretada por Kleber Montanheiro) e de um casamento
escravizante, ainda que com um príncipe.
Trio de Direção: Dan Rosseto, Lígia Paula Machado e Kleber Montanhiero
O
fio narrativo segue a história da Cinderela, ambientada no Sertão Paulista. Não há Fada Madrinha e as bençãos que Maria recebe
vem do fato de ajudar as pessoas, de forma desinteressada. O texto vai alinhavando a História da Menina e a Figueira, a Busca das Franjas
do Mar, a Terra Onde não Existe Noite, entre outras. Em cada cena
importante, há uma música muito bem escolhida, arrematando o tecido
narrativo e dando-lhe força. Um dos pontos altos é quando um
menino, Felipe Machado, canta Rosa de Hiroshima, numa cena bonita e
emocionante, sublinhada por um excelente jogo de luzes. A escolha das
músicas está tão bem feita que às vezes tem-se a impressão que a
peça foi escrita para acolher as músicas.
Felipe Machado
Maria
tem como companheiro de jornada o Pássaro Incomum (interpretado por
Cleto Baccic), que a protege e aponta os caminhos e também é
ajudada elementais da natureza.
Maria e o Pássaro Incomum
Apesar
de a peça ser estruturada no conto de fadas Cinderela, Maria não é
simplesmente uma princesa frágil que vê no casamento com o príncipe
encantado como o final de seus problemas, mas tem uma atitude crítica
diante desta solução, preferindo a sua liberdade ao lado do Pássaro
Incomum e seguir seu caminho. E como Maria diz, ela não é só
Maria, mas todas as Marias e, por extensão, todas as mulheres.
As
interpretações estão ótimas. Merece destaque a interpretação
que Kleber Monteiro faz da Madrasta, valendo-se de sua voz plástica,
consegue enfatizar o cinismo da personagem, variando seu tom voz no
momento certo.
O
espetáculo como um todo é completo, com uma trilha sonora formada
por canções populares e grandes compositores (Caetano Veloso,
Catulo da Paixão Cearense, Gonzaguinha, Renato Teixeira, Marisa
Monte, Vinicius de Moraes, Herivelto Martins e Victor e Léo),
magistralmente interpretada – tanto no canto como no instrumental,
números de dança (incluindo um sapateado muito bem executado). O
cenário é bem simples, dando espaço para que os atores se
movimentem em cena com ampla liberdade.
Recomendo
fortemente!
Ficha
Técnica:
Texto:
Carlos Alberto Soffredini
Adaptação
do roteiro original: Francisca Braga
Direção
Geral: Dan Rosseto, Ligia Paula Machado
Direção
de Arte: Kleber Montanheiro
Direção
Musical: Dyonisio Moreno
Elenco:
Ligia Paula Machado, Cleto Baccic, Kleber Montanheiro, Luiz Araújo,
Camila Brandão e Felipe Machado.
Encantados:
Alberto Goya, Guilherme Pivetti, João Canedo, Roger Ciel, Vittor
Fernando e Hicaro Nicolai.
Músicos:
João Paulo Pardal (guitarra), Murilo Emerenciano (piano), Renan
Cacossi (flauta), Guto Brambilla (baixo), Felipe Machado (violão),
Jonatan Motta(violino), Mathilde Fillat (violino), Rafael Lourenço
(Percussão).
Cenografia
e Figurinos: Kleber Montanheiro
Coreografias:
Ligia Paula Machado
Designer
de Som: André Breda
Designer
de Luz: Wagner Pinto
Supervisão
Circense: Circo Garcia
Serviço:
O
que: Hoje é Dia de Maria – Uma fábula Musical
Onde:
Teatro CETIP, Rua Coropés, 88 – Pinheiros.
Quando:
30/09 até 27/11 (Sexta, Sábado às 21h e Domingo 18h)
Autor: Phill Porter Tradução e Adaptação: Francisca Braga Direção: Kleber Montanheiro Elenco: Ligia Paula Machado e Eduardo Pelizzari Músico: Jonatan Motta Sinopse: Sofia é uma jovem solitária que, após a morte do pai, herdou os dois apartamentos onde moravam. Cada apartamento tinha uma entrada independente e apenas compartilhavam o jardim. Precisando de dinheiro, Sofia, aluga a parte inferior do apartamento. Quem vem habitar ao andar de baixo é o jovem Jonas, tímido e ingênuo. Eles nunca se viram, pois o contrato foi feio por uma imobiliária. Em um momento de ousadia, Sofia resolve mandar pelo correio monitor de wi-fi de uma babá eletrônica que usara para acompanhar o pai doente. Jonas liga o monitor e a vê na tela, encantando-se.
De curiosidade passa a obsessão, até que ele descobre que ela é a mulher que mora no apartamento de cima e passa a segui-la, começando um jogo mudo entre os dois. Análise Blink, do autor inglês Phill Porter, magistralmente faz uma metáfora com nossas relações onde o mundo só parece real se for visto através de uma tela, seja uma TV, um monitor ou um celular. O outro está próximo, mas, ao mesmo tempo, distante. Em vários momentos o público ri ou dos pensamentos e atitudes ingênuas de Jonas ou das tentativas bem ou mal sucedidas de Sofia tentar alcançar a “visibilidade”, mas na realidade percebe-se que rimos de nós mesmos, quando mendigamos um “curtir” no facebook ou tentamos bisbilhotar a linha do tempo de uma celebridade ou mesmo de um amigo. Blink também mostra uma Londres (que poderia muito bem ser São Paulo) fria, bastante agressiva principalmente para os jovens Sofia e Jonas, o que os leva a valorizar aquele contato indireto que passa a dar significado a suas vidas, talvez temendo que um contado real ainda que breve como um piscar de olhos (daí o nome Blink), quebre o encanto.
Lígia Paula Machado compõe uma Sofia de tal maneira que, paradoxalmente, torna visível sua invisibilidade, como as centenas de pessoas que passam por nós no nosso dia a dia que não deixam nenhum traço em nossas memórias. Pouco a pouco tomamos conhecimento de seu drama, que é bastante simples, mas que ganha dimensões cada vez maiores, não por ser uma grande tragédia, mas que é seu drama pessoal, como o que muitos de nós carregam dentro de si. Algo que se narrado num jornal ocuparia no máximo um parágrafo numa seção obscura, mas que para nós é toda uma vida. Eduardo Pelizzari faz um Jonas na medida certa. Seria muito fácil transformá-lo numa caricatura, porém Eduardo consegue que ele seja visto com sua timidez e ingenuidade, com humor quando convém e também dando uma atenção especial ao drama de Jonas, que como o de Sofia, é simples e complexo ao mesmo tempo. A interação entre os dois em cena é muito boa, conseguindo uma boa empatia com a platéia. A encenação é feita num cenário bem simples e a estrutura narrativa mostra fatos que ocorrem com cada personagem simultaneamente, que guardam ou não relação entre si. Há apenas um músico no palco, Jonatan Motta, parcialmente oculto por um pano, que toca muito bem o violino, sublinhando algumas cenas. A peça está em cartaz hoje (08/05/16) no teatro Aliança Francesa, com promoção para o Dia das Mães (mães acompanhadas de um pagante não pagam). E, de 15 de Maio a 12 de Junho, aos domingos às 19:00 h, no Espaço Promom. Serviço O que:Blink, de Phill Porter com Ligia Paula Machado e Eduardo Pelizzari Onde:Teatro Aliança Francesa Rua General Jardim, 182 - Vila Buarque São Paulo - SP Quando: 08 de Maio de 2016, Domingo , às 19:00 Espaço Promon Sala São Luiz Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 1830 - Itaim Bibi São Paulo – SP Quando: de 15 a 12 de Junho de 2016, Domingo , às 19:00
A Conquista do Polo Sul Autor: Manfred Karge Direção (Encenação): Beatriz Batarda Elenco: Ana Brandão, Bruno Nogueira, Flávia Gusmão, Miguel Damião, Nuno Lopes, Nuno Nunes e Romeu Costa Quarta a Sábado às 21h; Domingo às 17h30, de 7 a 24 de Abril Teatro São Luiz, Lisboa 7 de Maio – Centro de Arte de Ovar 14 de Maio – Centro Cultural Vila Flor, Guimarães 9 de Junho – Teatro Constantino Nery, Matosinhos 18 de Junho – Teatro Micaelense, São Miguel
Pouco antes da queda do Muro de Berlim, quatro desempregados alemães, Slupianek, Buscher, Braukmann e Seiffert estão à beira do desespero total. Quando Seiffert tenta o suicídio, Slupianek tem uma ideia: encenar a conquista do Polo Sul, tal como Roald Amundsen o fizera em 1911. O propósito é que todos eles entrarem no espírito que conduziu a equipe de noruegueses, vencendo dificuldades muito mais desafiantes que um simples desemprego. O cenário é criado no sótão, tendo como pano de fundo as roupas brancas lavadas por Luise, esposa de Braukmann. Aos pouco a fantasia ganha dimensões muito maiores que um simples jogo, passando a ser a coisa mais importante da vida deles, talvez até mais importante que o emprego que Braukmann conseguira. Atenção contém antecipação de enredo (spolier) A encenação segue bem, apesar da oposição de Luise, porém Braukmann lê o prefácio e fica sabendo que uma equipe anterior de ingleses tentara uma expedição dois anos antes e desistira a 179,45 km do pólo. Braukman vê nesta equipe o retrato de todos eles. Estariam representando Roald Amundesen, ou o fracasso dos ingleses, que apesar de tudo, pagaram o preço do pioneirismo e possibilitaram o sucesso da equipe norueguesa? Isso provoca a ruptura dos amigos, pois Slupianek não quer abandonar o projeto. Os amigos só voltam a se encontrar no aniversário de Braukmann e, após serem humilhados por Rudi, um convidado arrogante do casal Braukmann, retomam o projeto percorrendo simbolicamente os 179,45 km, com a participação de Luise, representando o quinto homem da equipe de Amundsen.
O Texto O texto de Manfred Karge é bastante denso, algumas vezes cansativo, mas carregado de significado, coloca o imaginário e o próprio teatro como centro. Em vários momentos, desde o início, os atores se dirigem à plateia, quebrando a quarta parede. Sabemos que estamos diante de uma encenação, que fala sobre uma encenação, mas nem por isso deixamos de nos envolver pela história dos quatro desempregados, ou da bem sucedida equipe dos noruegueses, ou da fracassada equipe inglesa e seu simbolismo. A atuação
Todos os atores estão muito bem, com destaque para Bruno Noqueira, fazendo um excelente Slupianek, Flávia Gusmão, no papel de Luise e Ana Brandão que representa o cão Frankieboy e Rosi a esposa maltratada de Rudi.
Coreografias: Ligia Paula Machado e Roger Pendezza
Direção Musical: Dyonisio Moreno
Elenco: Luiz Araújo (Leléu), Ligia Paula Machado
(Lisbela), Beto Marden (Douglas), Marilice Consenza (Inaura), Nill de Pádua (Tenente
Guedes), Fernando Prata (Vela de libra/Frederico Evandro), Jonatan Motta (Cabo
Citonho) e Milene Vianna (Francisquinha).
Músicos: João Paulo Pardal (guitarra e violão), Renan
Cacossi (pífano e flauta transversal), Maristela Silvério (piano), Jonatan
Motta (violino), Azael Rodrigues (bateria e percussão), Daniel Warchauer
(acordeon), Augusto Brambilla (baixo acústico e elétrico)
Cenografia, figurinos e designer de luz: Kleber
Montanheiro
A história da inocente Lisbela com casamento marcado
com Douglas, mas que se apaixona, por Leléu, dono de um circo mambembe, transforma-se
em um musical de excelente qualidade.
Com adaptação de Francisca Braga e sob direção de Dan
Rosseto e Lígia Paula Machado – que também encarna a personagem Lisbela, a
montagem está sendo exibida no Teatro Nair Bello, em São Paulo, onde fica em
cartaz até 7 de junho.
A peça foi escrita originalmente por Osman Lins, autor entre
outras obras de Avalovara. O escritor concebia o teatro como uma forma de entretenimento e
é justamente este lado lúdico que se busca ser mostrar nesta montagem,
aproximando-a do circo. O cenário é despojado, mas altamente mutável graças à
rapidez com que um grupo de acróbatas – uma atração à parte – monta remonta a cena e a personagem vivida por
Lígia Paula Machado (Lisbela) aparece várias vezes executando números acrobáticos de lira, com
tecidos e com corda indiana, mostrando a versatilidade da atriz, que também
atua e canta.
Com direção musical de Dyonisio Moreno, a trilha sonora
traz músicas de Zé Ramalho, Pixinguinha,
Dominguinhos, Caetano Veloso, João Pernambuco e Filipe Catto e é executada ao vivo,
de maneira brilhante por oito músicos.
Impressões Pessoais
Assisti a esta peça no último domingo (19/10) e fiquei
agradavelmente impressionado, tanto com a montagem em si, como com a primorosa execução
das músicas e com atuação de todo o elenco, com destaque para Lígia Paula Machado
(Lisbela) e Luiz Araújo (Leléu), com uma atuação esplêndida, quer como atores, quer como cantores.
Percebe-se em Lígia que ela vive a arte com muita
intensidade e a tem como propósito de vida, o que transparece em todos os
momentos que está no palco.
Lisbela sofre uma grande transformação, de uma moça ingênua
para uma mulher que luta pelo homem que ama, assim como Leléu, que descobre que sua liberdade pessoal de artista itinerante e de mulherengo precisa
de um ponto de apoio e de constância, representado pelo amor de Lisbela.
Beto Marden faz um Douglas bem caricato, alguém que
quer parecer o que não é, carioca, sendo pernambucano. Aliás, o texto de Osman
Lins traz isso – a valorização do que é de fora – como uma crítica, aparecendo
também nas primeiras falas de Lisbela, que se admira de atores estrangeiros sem enxergar possíveis talentos nacionais.
Nill de Pádua compõe um Tenente Guedes também caricato
do tipo de homem machista e que tenta controlar a filha sob rédea curta, mas faz
isso apenas por amor.
Marilice Consenza representa Inaura, a perfeita antagonista
para Lisbela: experiente e determinada.
A grandeza da personagem se revela num diálogo com Lisbela, onde as duas
estão igualmente dispostas a lutar por Leléu.
Fernando Prata representa o vilão típico, um matador
profissional, caracterizado por sua postura e falas carregadas de sotaque e arrogância.
Jonatan Motta (Cabo Citonho) e Milene Vianna
(Francisquinha) compõe o segundo par romântico, funcionando como um canal entre
as partes conflitantes. Esta dupla causou-me uma bela surpresa quando cantam
seu número musical, sobretudo a voz de Jonatan Motta fazendo o personagem
crescer a nossos olhos.
Todos os atores e músicos, principais e secundários
demonstraram ter uma gama de talentos que os torna extremamente polivalentes.
Por exemplo, os músicos são também a guarda de segurança do tenente Guedes. Os
acróbatas além de mudarem o cenário, fazem números de circo e pequenos papéis
em cena. Lígia faz números de acrobacia aérea e junto com Beto Marden faz um
número de Roller Dance. Todos cantam e dançam.
Ao termino do espetáculo, após os aplausos, Lígia
volta-se para a plateia e, em agradecimento, se posiciona que o objetivo do
teatro é exatamente entreter, de tal maneira que as pessoas têm que sair um
pouco diferentes do que entraram.
E com certeza, saíram.
E eu saí com a sensação de que a peça merecia um teatro
bem maior.
Jesus Cristo Super Star Autores: Andrew Lloyd Webber e Tim Rice. Tradução: Bianca Tadini e Luciano Andrey Direção: Jorge Takla Elenco: Alírio Netto (Judas), Igor Rickli (Jesus), Negra Li (Maria Madalena), Fred Silveira (Pilatos) e Wellington Nogueira (Herodes) Temporada: de 14 de março a 08 de junho Local: Teatro do Complexo Ohtake Cultural Rua dos Coropés, 88 Pinheiros São Paulo - SP Horários: quintas e sextas, às 21h; sábados, às 17h e 21h; domingos, às 18h Duração: 130 minutos em dois atos (com intervalo de 15 min) Sinopse: Musical que trata da última semana de Jesus Cristo na Terra, mostrando a relação de Judas, Maria Madalena e Cristo no ambiente político e religioso da época.
A peça centra-se mais na figura de Judas do que Cristo e procura retratar a sua visão. Judas vê Cristo como um homem que ganhou notoriedade e passou a acreditar no que diziam dele: inicialmente um rei e depois um deus. Interpretado soberbamente por Alírio Netto, Judas ganhou uma grande força como personagem.
Igor Rickli, que interpreta Cristo, o coloca numa perspectiva mais humana, como um homem que sente o peso de sua responsabilidade, recusando-se a ser um simples canal dos anseios do povo, traduzido no grito desesperado quando é cercado por pessoas pedindo milagres: “Curem a si mesmos!”.
Maria Madalena é magistralmente interpretada por Negra Li e mostra-se uma mulher que não sabe lidar com os sentimentos de amor misturado com a gratidão e o traduz como cuidado a uma pessoa que sofre como ela. Mesmo os personagens secundários tem uma força considerável na trama, como Anás, Caifás, Herodes, Pilatos e Pedro, tornando a história atual, ainda que já tivesse sido contada milhares de vezes.
Nisso está o mérito de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice e da montagem feita por Jorge Takla. O diretor desta versão deu mais peso ao uso de guitarra, baixo e bateria, usou um figurino que remete aos dias de hoje, com o uso de coturnos, sobretudos que lembram Matrix e tecidos camuflados dentro de um cenário bastante despojado. Como sempre, desde os anos 70, houve uma reação ensandecida de setores mais conservadores, que tentaram impedir a peça de ser estreada. Se estas pessoas se detivessem numa análise mais fria, notarão que o que se quer fazer é contar uma boa história, sem pretender ser iconoclasta, e que Andrew Lloyd Webber, Tim Rice e Jorge Takla trataram a figura de Cristo de forma até bastante respeitosa.
Jesus Cristo Superstar é uma peça excelente numa montagem bem dirigida e com atuações memoráveis tanto do trio principal como dos personagens secundários e até dos figurantes. Destaque especial aos músicos, que interpretaram magnificamente a partitura.
Músicos:
Daniel Farina Moreno (violão), João Paulo Pardal (violão), Otávio
Colella (violino), Thais Ribeiro (piano), Renan Cacossi (flauta
transversal), Jonatan Motta (violino).
Direção:
Dan Rosseto
Direção
Musical: Dyonisio Moreno
Sinopse:
Baseada no livro Primo
Basílio, de Eça de Queirós, e transportada para o Rio de
Janeiro nos anos 60, a peça narra história de Luísa, moça
romântica e sonhadora. Ela é casada com Jorge, engenheiro bem
sucedido. Quando seu marido viaja a negócios, reaparece em sua vida
Basílio, seu primo, que também foi seu primeiro amor. A paixão
reacende entre os dois, culminado em adultério. Luísa passa a ser
chantageada por sua empregada, Juliana, que se apossa de uma carta
comprometedora.
É
um enredo típico da literatura
realista, com
críticas contundentes à burguesia e à visão de mundo romântica.
Também tem a estrutura típica de uma história de triângulo
amoroso: mulher trai marido, é abandonada pelo amante e marido
descobre, termina de forma trágica (ou feliz, dependendo se é
realista ou romântica) e assim, mesmo quem não leu o livro já sabe
o que vai acontecer. Isso é até ironizado através do personagem
Ernestinho, que
está escrevendo uma peça com este enredo e está indeciso se faz o
final feliz ou dramático.
Todavia,
embora todas as histórias já tenham sido contadas, a maneira de
contá-las é o que importa. E O Primo Basílio — O Musicalconta
(e canta) muito bem esta história.
Os
atores revelam versatilidade, suas
performances, tanto atuando, como cantando, foram excelentes, bem como a dos músicos.
As
músicas tem um repertório concentrado em bossa nova, samba e MPB e
com destaque para o tango Insensatez, dançado
por Basílio e Luísa.
Um dos momento muito belos da peça - O tango Insensatez
extremamente Também
foram excelentes os desempenhos em relação às expressões faciais
e corporais. Vale destaque para Isadora Ferrite, que interpreta a
empregada vilã, e Aline Meneghetti, que interpreta a
empregada “boazinha” em relação às expressões faciais.
Luís
Araújo constrói muito bem um Basílio sedutor e cínico.
Lígia
Paula Machado, que também produz o espetáculo, mostra-se com um
domínio completo na interpretação de Luísa, mostrando muito bem
todas as faces da personagem: a mulher fútil que destrata a
empregada Juliana; a moça sonhadora, aparentemente feliz com seu
casamento; a moça que deseja liberdade ao se comparar com Leonora,
sua amiga de infância; a mulher que redescobre a paixão ao se
envolver com Basílio e a mulher arrependida e desesperada ao ver a
verdadeira face do amante e diante da possibilidade de ser
descoberta.
O
desempenho dos dois juntos está em perfeita sintonia, que pode ser
sintetizada na cena em que os dois dançam um tango.
A
peça estará em cartaz no Teatro Grande Otelo até o dia 25 de
Novembro. Vale a pena assiti-la.
Serviço:
Quando:
de 03 a 25 de Novembro, aos Sábados às 21 horas e Domingos, às 19
horas.
Sinopse:
Desde o título, Shakespeare já
anuncia o que vai fazer; uma peça com a única finalidade de
agradar o público, ou seja fornecer uma boa diversão. Esta comédia
é considerada por alguns críticos como a melhor do autor e nela
vamos encontrar a frase que define a filosofia que norteia toda a sua
obra: “O mundo inteiro é um palco, e todos, homens e mulheres,
atores e nada mais”.
O
enredo está centrado no banimento de Rosalinda pelo Duque Frederico,
usurpador das terras do pai da moça. Junto com ela foge Célia,
filha de Frederico e prima de Rosalinda.
As
duas decidem procurar o duque banido, que está sobrevivendo com
alguns nobres fiéis na floresta. Rosalinda, para que as duas viajem
em segurança, decide disfarçar-se de homem, usando o nome de
Ganimedes.
Por
coincidência, Orlando, apaixonado por Rosalinda, fugindo de seu
irmão que deseja matá-lo, se refugia na mesma floresta e acaba por
encontrar as duas fugitivas, sem contudo reconhecer a amada.
Rosalinda mantém-se no disfarce e aproveita para ensinar ao jovem
como deve cortejar sua amada, fingindo ser... Rosalinda. Para
aumentar a confusão, uma pastora se apaixona por Ganimedes. Neste
jogo de duplicidade e múltiplos mal entendidos se desenrola a
comédia.
Atenção!
Spoiler!
Shakespeare
contrapõe o mundo palaciano de intrigas e corrupção com o mundo do
campo, mais rústico, mas também mais puro e vai conduzindo a peça
harmonizando pouco a pouco os opostos e, fazendo jus ao título, dá
um final como todos gostariam que acontecesse: muitos casamentos
entre diversos pares românticos (alguns de última hora), justiça
para os injustiçados e redenção para os maus, que se arrependem
dos erros passados. E não tem escrúpulos de usar várias vezes o
Deus ex-machina, a
inverossimilhança de nem o pai nem o amado reconhecerem Rosalinda e
um final feliz que mais parece uma festa de confraternização.
Um
ponto a observar: muitos críticos que torcem o nariz para uma
literatura de entretenimento, sobretudo o tripé fantasia / horror /
ficção científica, aplaudem e tecem loas a este texto de
Shakespere que se propõe justamente a entreter a plateia, do jeito que você gosta.
Sobre
a Tradução
A Companhia Elevador de
Teatro Panorâmico, que encenou recentemente a peça, optou por uma
nova tradução visando principalmente trazê-la mais pra perto do
público atual. As mudanças no texto original, quando comparadas com
outras traduções mais formais, são sutis, mas suficientes para
tornar algumas passagens mais próximas do público brasileiro e até
salvar algumas piadas que só teriam sentido para um inglês do
século XVII. Estas alterações estão destacadas em notas de
rodapé, explicadas e contextualizadas pelos tradutores. Um dos
exemplos é a substituição de “mostarda e panquecas” por
“ameixa e manjar”, mais presentes na mesa dos brasileiros, sem
que se perca o sentido do texto.
O texto é precedido
por um pequeno ensaio de Marcelo Lazzaratto, ator e diretor da peça,
que contextualiza o texto dentro da obra de Shakespeare.
Finalizando há uma
entrevista com o diretor e mais três outros atores, onde alguns
detalhes da tradução e montagem da peça são discutidos.
Um bom livro para quem
aprecia Shakespeare ou uma boa comédia.
Sinopse: Um casal recém
separado após seis anos de casamento, se reencontra após de três meses sem se
ver. Inicialmente cada um deles imagina o que vai dizer, mas ao se verem, num
primeiro momento, só conseguem se manifestar através de lugares comuns e frases
cuidadosamente pensadas. Entretanto, lentamente as emoções afloram e as
palavras se transformam em agressões e súplicas, temperadas por forte emoção. A
emoção toma conta e as palavras se tornam insuficientes para que o cada um,
homem e mulher, consiga expressar o que realmente desejam e sentem, onde pouco
a pouco o pouco de racionalidade cede lugar a um delírio desvairado, ante a
impossibilidade de haver comunicação por meio de palavras entre eles.
O filme de Arnaldo Jabor já havia sido adaptado pelo próprio autor em
1994 e transformado em livro em 2007 e esta nova adaptação de Francisca Braga
mantém o nível de qualidade.
Eu sei que vou te amar - filme de 1986
A peça está sendo apresentada como uma comédia romântica, porém é, paradoxalmente,
densamente dramática. Quando rimos de algo dito em cena é o riso nervoso de
alguém que se viu retratado de alguma forma no comportamento dos atores. Rimos
de nós mesmos para não chorar ou morrer de raiva.
Peça de 1994
A direção de Ewerton de Castro procura criar um ambiente onírico e surreal,
através do cenário, trilha sonora, movimentação dos atores e iluminação, que
contrasta com a crueza do texto. A iluminação é muito bem utilizada para
sublinhar os momentos de transição do pensamento interior (o ator falando
consigo mesmo) para a exteriorização por meio da fala.
O desempenho do atores, Daniel e Lígia, é muito bom, mesmo diante da
dificuldade do texto e de seu conteúdo denso.
Eu sei que
vou te amar - trailer
peça de 2012
Em suma, uma excelente montagem para um texto excelente, com atores de primeira grandeza.
Sinopse: Uma adolescente de
15 anos delira e conta de forma fragmentária e alucinada partes de sua vida.
A Valsa nº6 do título é uma música de Choppin pela qual a moça é
obcecada, tocando-a várias vezes durante a peça de forma compulsiva. O clima
onírico é criado pelo cenário, pela sonoplastia, pela iluminação (que tem por base
velas decorativas) e efeitos de fumaça e principalmente pela forma da
personagem contar a história.
Além da valsa, a adolescente é obcecada por dois nomes: Sonia, uma adolescente com a mesma idade da personagem, que em seu delírio pode
representar uma parte dela mesma e Paulo, que pode ser um namorado ou alguém
que ela deseja ou imagina.
O quebra cabeça vai sendo montado numa história de adultério,
pedofilia, múltipla personalidade, traumas e alucinações, onde é muito difícil
separar o real do imaginário. O texto de Nelson Rodrigues é centrado no
personagem, abandonando o lógico e o racional, dando espaço para a emoção
doentia da moça.
A interpretação de Lígia está perfeita, bem como toda a montagem.
Atenção, spoiler.
Só um
pequeno reparo a fazer e não é nem na peça propriamente dita: na sinopse distribuída
para o público, o texto de apresentação da peça afirma logo de início que a
personagem é Sônia. Está é um das interpretações possíveis, já que a personagem
refere-se a “Sônia” como alguém externo a ela. Durante o espetáculo, essa
possibilidade é construída lentamente na cabeça do espectador, que pode ou não
concordar que a personagem e Sônia sejam a mesma pessoa. Ou colocar-se na
posição neutra, já que externa ou interna, tudo é apenas uma alucinação.
Para quem gosta de um drama denso, de fundo psicológico profundo esta é
uma peça altamente recomendável.