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sexta-feira, 5 de março de 2010
Deep Space Nine Primeira Temporada
Ficha Técnica
Elenco: Avery Brooks, Rene Auberjonois, Cirroc Lofton, Alexander Siddig, Colm Meaney, Armin Shimerman, Nana Visitor
Um ponto fixo no Espaço
Um ponto fixo no Espaço. Esta é a primeira das muitas características que tornam Deep Space Nine única entre as séries de Jornada nas Estrelas.
Paradoxalmente é uma jornada onde a ação ocorre não em viagens intergalácticas, como desde a série clássica o nome Jornada sugere, mas numa estação nas proximidades de uma fenda espacial.
Não param aí os contrastes. A estação espacial era posto avançado cardassiano, parte dos despojos de uma guerra perdida por eles contra os bajorianos (que tiveram uma considerável mãozinha da Federação). Os cardassianos ao abandonarem a estação, carregam o que podem, e o que não podem, destroem. Então, temos aí outro contraste: as Enterprises e a Voyager raramente tem problemas sérios e, se os têm, não duram mais que um episódio. Na Deep Space Nine, quase nada funciona a contento. O Chefe O'Brien que o diga.
A proximidade da fenda transforma a Deep Space Nine num porto. Os conflitos acontecem lá em vez de ocorrerem em algum lugar longínquo do universo, "Onde nenhum homem jamais esteve". Quase tudo acontece dentro de uma estação apertada, cheia de gente e hipofuncionante.
O mais importante contraste contudo está nos habitantes da Deep Space Nine. Ao contrário das outras séries em que o índice de conflito era baixo, dada a harmonia existente entre os membros da tripulação provocada pela identidade de propósitos, a estação vive em permanente conflito (mostrado até no seu design – confira nos Extras do DVD), mesmo entre os membros da Federação.
Isso porque há uma multiplicidade de raças, com interesses opostos. Por exemplo, a Major Kira (a única premiada com um briefing nos Extras), bajoriana, parece ainda estar em guerra com os cardassianos, e para seu desgosto, há um exilado cardassiano, o alfaiate Garak. E o fereng Quark, dono do bar, e seu conflito quase permanente com Odo, o transmorfo chefe da segurança (um caso típico de "inimigos íntimos").
A serie começa no piloto "O Emissário", como se fosse um episódio de Next Generation, seqüência de o "Melhor de Dois Mundos" (onde Piccard é "assimilado" pela Coletividade Borg). As duas séries seguirão em paralelo por pelo menos duas temporadas.
Segundo seus próprios roteiristas, nos primeiros segundos do episódio "O Emissário", ocorre a maior batalha já vista em qualquer das séries e filmes de Star Trek (vemos até uma nave estelar do tamanho da Enterprise ser pulverizada por uma nave Borg). Nesta batalha o comande Sisco (que virá a ser o protagonista da série), perde a esposa, um trauma que o marcará pelo resto de sua vida.
Neste primeiro episódio vemos claramente a filosofia (no sentido mais amplo da palavra) que norteará a série. Boa parte dos episódios será centrada em conflitos humanos e discussão de conceitos filosóficos (em "O Emissário" se discute a noção de tempo linear versus percepção psicológica do tempo, de uma maneira inteligente e profunda, sem aborrecer o espectador).
Extras
Neste pacote temos alguns extras, para compensar a decepção dos fãs que não viram nada de novo no pacote da terceira temporada de Next Generation. Temos desde a concepção da série, da própria estação, que busca no seu design refletir a filosofia norteadora da série. Ela é um anel central horizontal cercado por três verticais... partidos, dando a entender a existência de conflitos. Há um dossiê completo da major Kira (e apenas dela, talvez para ter o que colocar como extra nos outros pacotes)...
Objetos de cena e criação de alienígenas (a série é um prato cheio para isto, visto que há dezenas de personagens principais e secundários que são oriundos dos mais diversos mundos) completam o molho, com destaque para os objetos do bar do Quark (alguns deles você já deve ter visto por aí nalgum brechó...).
Nerdshop:Deep Space Nine (1ª temporada)
quinta-feira, 4 de março de 2010
Laertevisão: Coisas que eu nunca esqueci
Ficha Técnica
Laertevisão: Coisas que eu não esqueci
Autor: Laerte
Editora: Conrad
Páginas: 128
Preço: R$ 46
Ano: 2007
Autor: Laerte
Editora: Conrad
Páginas: 128
Preço: R$ 46
Ano: 2007
Sinopse: O cartunista Laerte quadriniza lembranças de infância, ligando-as algumas vezes com sua vida de adulto.
Laerte, sob a organização de seu filho Rafael Coutinho, reúne neste livro lembranças as mais variadas de sua infância, adolescência e vida adulta, ligadas entre si pela omnipresente televisão, pelos quadrinhos, e jornais e revistas das épocas retratadas.
Quem viveu os tempos retratados pode relembrar junto com ele, já que ele pinta com as mesmas cores da infância e adolescência de muita gente com mais de 50 anos. Fatos como a esperada chegada dos gibis (HQs nos anos 60) nas bancas, o Capitão 7 (um super herói brasileiro, que animava as tardes), a Hebe Camargo não tão velha e Jaqueline Mirna (a loira gostosa que fingia ser francesa na antiga Praça da Alegria) povoaram a imaginação do menino Laerte.
Há momentos marcantes como a morte de John Kennedy em 63 e a atitude de falso moralismo de Hebe Camargo ao expulsar os Beatnicks do palco após um deles dizer "Eu matei meus pais". Ou o gol de Jairzinho contra Inglaterra na Copa de 1970.
Laerte conduz a narrativa como normalmente aparece em nossa mente quando lembramos. Uma vaga linha o tempo que vai e vem, deixando um gosto de passado presente.
Algumas lembranças fizeram falta, como a novela de gozação Ceará contra 007, onde Jô Soares fazia o James Bonde (assim mesmo, com e no final). Mas esta lembrança é minha e não do Laerte, que talvez não gostasse do programa.
E quem não viveu tudo isso poderá curtir também? Creio que sim. Não há como deixar de comparar o que vivemos hoje e constatar que muita coisa mudou (ou...não). Tínhamos o BE-IN e o hoje temos o Flash Mobile. A "eletrola" Philips deu lugar ao iPod. Não levantamos mais para mudar o canal da TV e temos mais opções ("de merda", como diria Roger Waters, do Pink Floyd). E a Praça da Alegria virou A Praça é Nossa.
Clube dos imortais
Ficha Técnica
Clube dos Imortais. A Nova Quimera dos Vampiros
Autor: Kizzy ysatiS
Editora:Novo Século
Autor: Kizzy ysatiS
Editora:Novo Século
Ano: 2006
Páginas: 312
Páginas: 312
Sinopse: Há 150 anos num baile de carnaval uma dama misteriosa cativa sem querer um jovem pierrot. Esta dama e Álvares de Azevedo serão a causa de uma grande frustração a este jovem. Em São Paulo do século XXI, Luciano um jovem estudante andando sob a forte chuva encontra um gótico acompanhado de um gato negro. Este encontro o fascina e assusta e será apenas um prenuncio do que virá.
Não é preciso ser muito esperto para perceber que o gótico que Luciano encontra é um vampiro e a primeira pergunta que surge, pelo menos para quem vai resenhar, é: no meio de uma grande onda de obras sobre vampiros, será que este é “apenas mais um”?
Logo percebemos que não.
Em primeiro lugar, a ambientação muito bem contruída em uma cidade brasileira como São Paulo faz com que o vampiro se torne um elemento possível e que pode ser encontrado enquanto estamos esperando ônibus após uma balada. E Kizzy ysatiS faz isso muito bem, sem que seja artificial. Ele até brinca com isso, quando a possível vítima reclama que o vampiro só tem 177 anos.
Em segundo lugar, está o jogo da ambiguidade, começando com o baile de carnaval onde nada é o que parece ser, a sala de chat onde góticos fingem ser vampiros e encontram um vampiro que finge ser gótico, o nome “Luar” que não permite de imediato saber se quem está teclando é um homem ou uma mulher e por fim as reviravoltas do enredo, onde não sabemos quem é vítima de quem, até o trágico desfecho, quando percebemos que todos são vítimas.
Os personagens são muito bem construídos, o vampiro, ao mesmo tempo assustador, sedutor e melancólico, obcecado com a busca do “esperado”; a “sibila rubra”, uma feiticeira vidente, amarrada ao vampiro por um compromisso de gerações, que é impossível de ser saldado; Luciano, o jovem que hesita entre uma vida medíocre e seu talento artístico; o lobisomem Fausto, com uma real fidelidade canina ao seu mestre.
O livro apresenta três pontos de grande intensidade narrativa: a luta da sibila rubra com o vampiro, o jogo de sedução do vampiro no cemitério da Consolação e a luta final, onde ainda ocorre uma última reviravolta.
Merecem ainda destaque a cena da aparição e exibição do vampiro na casa noturna “Madame Satã” e o ataque dos incúbos e súcubos a uma vítimas.
Como mérito adcional está a narrativa dentro da história do Brasil, envolvendo figuras como a Marquesa dos Santos, Dom Pedro I e II e, principalmente, Álvares de Azevedo e seu personagem Macários.
Como ponto fraco está uma questão de estilo: na tentativa de arcaizar o texto, Kizzy usa uma inversão da colocação dos adjetivos (em vez de cabelos rubros, rubros cabelos). Isso funciona bem em alguns trechos, mas em outros, não, tornando-se por vezes cansativo e afetado. Porém, quando o romance avança, percebe-se que este recurso vai aos poucos sendo abandonado e o estilo tornando-se mais fluido. Como se trata do primeiro romance do autor, o que provavelmente está ocorrendo é uma evolução no seu modo de escrever, ao longo do livro.
Um bom livro sobre vampiros ambientado no século XXI sem que se perca sua aura tenebrosa e ao mesmo tempo sedutora.
terça-feira, 2 de março de 2010
Como se tornar o pior aluno da escola
Ficha Técnica
Como se tornar o pior aluno da escola
Manual completo, ilustrado, revisado e não recomendado para estudantes.
Autor: Danilo Gentili
Editora: Panda Books
Ano: 2009
168 páginas
Sinopse: coletânea de dicas bem humoradas para um aluno NÃO se dar bem na escola.
Senhores pais: Não pensem neste livro como um conjunto de maus conselhos a ser evitado. Nem pense em usá-lo como psicologia reversa para educar seu filho. Ele apenas é um livro de humor!
Atenção: Contém spoilers!
Danilo Gentili, neste manual de anti-autoajuda, faz o que ele sabe fazer melhor: humor. E é neste contexto que o livro deve ser lido. A cada página dicas e dicas vão construindo um universo divertido de situações por quais o aluno candidato a ser o pior da escola provavelmente vai passar, desde a matrícula até a carreira "promissora" que aguarda o leitor que seguir seus conselhos: trabalhador braçal (ser o pior é para os fortes), chefe (todos os truques o ajudarão a se tornar o pior pesadelo de seus funcionários), professor (vai ser dificil algum aluno lhe passar a perna), político (este não precisa explicações), e se nada mais der certo, humorista.
E como todo bom livro de humor, ele é questionador e nos faz pensar na escola com um todo, sobretudo o que está embaixo do tapete.
E como todo bom livro de humor, ele é questionador e nos faz pensar na escola com um todo, sobretudo o que está embaixo do tapete.
Com a autoridade que confere um ex-pior aluno (que, segundo ele mesmo, virou o pior estudante de faculdade e o pior profissional, o humorista), Gentili começa questionando a própria existência das regras. Por que devemos obedecer? Só este questionamento, feito de uma maneira inteligente, já vale a leitura do livro, mesmo que você seja um pai desejoso de que seu filho seja o primeiro da classe.
Gentili é um iconoclasta. Compara a escola com um presídio (tem muros altos, grades nas janelas, todos se vestem iguais e tem um diretor), ridiculariza os primeiros da classe, ensina a colar, pregar peças, gerar bagunça, se vingar de valentões, enrolar na prova, enfrentar a diretoria e encarar numa boa se algo der errado (o que deve acontecer com frequencia), tudo que os pais e professores querem evitar a todo custo.
Seguindo linha editorial do Diario de um Banana, Como se tornar o pior aluno da escola tem até o mesmo formato, usa capa dura e a mesma cor do "concorrente". E segue também a mesma linha humorística. Afinal, ele tinha que colar de alguém...
Se eu daria pra meu filho ler? Pois é... eu já fiz isso. Meu filho adorou. Afinal, todas escolas, do Ateneu a Howards tem seus momentos de autoritarismo e de impor conteúdos inúteis a seus alunos. E algumas dicas são válidas até para aqueles que não querem ser os piores. Quem talvez não goste seja o primeiro da classe e o valentão de plantão.
Dr. Libério, O Homem Duplo
Ficha Técnica
Autor: Bariani Ortêncio
Editora: Kelps
Páginas: 138
Ano: 1996
Sinopse: O Dr. Libério é um medico famoso e pesquisa as técnicas necessárias para um transplante de cérebro. Afetado por um problema neurológico grave orienta sua equipe para ser ele o primeiro paciente. Neste meio tempo, sua esposa tem um caso com Luciano, um corretor de imóveis. Movido pelo ciúme, Libério assassina o rival. Ironicamente, tem um ataque de sua doença neurológica e é encaminhado para ser receptor do cérebro de Luciano.
Bariani Ortêncio é um autor radicado em Goiás, com uma boa aceitação de crítica e público na região, conhecido como autor de ficção policial. Uma das razões para eu me dispor a resenhar este livro é por fugir ao tradicional espaço da FC brasileira, que tem a maioria de autores produzindo em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
O livro foi escrito nos anos 1970, no momento em o Dr. Zerbini ensaiava as primeiras incursões nos transplantes cardíacos. Esta é a primeira constatação que faço e que poderia dar origem a algum estudo mais aprofundado: quando há ciência em evidência, há ficção científica. Na mesma época, houve uma novela na extinta TV Excelsior, com Carlos Zara no papel principal, tendo como tema um transplante de cérebro.
O livro busca misturar os gêneros policial e ficção científica e está centrado no drama de Luciano, obrigado a habitar o corpo de seu assassino. Aqui temos o ponto forte do livro: Luciano, para os outros, é o Dr. Libério. Não pode sequer se aproximar de sua esposa e filhos, pois para eles, é um estranho. Olha todos os dias no espelho para o rosto de seu algoz. E, para complicar as coisas, ele corre o risco de ser descoberto e condenado por ser o assassino de si mesmo!
O texto é bem escrito, o autor sabe criar suspense e conduzir a narrativa, tornando a leitura interessante.
Atenção: Contém spoiler!
O principal ponto fraco do livro, e que joga por terra todas as boas qualidades, é inverossimilhança. O primeiro ponto: é muito pouco provável que alguém queira ter seu cérebro retirado para dar lugar a outro, ainda que tenha uma doença gravíssima.
O segundo, muito mais forte, é que a equipe do Dr. Libério esperava ter, após o transplante, o Dr. Libério! Eu acho que até o mais estúpido leigo imaginaria que trocando o cérebro, se troca as personalidades!
O terceiro ponto: há ainda a providencial morte num acidente automobilístico de Raul, rival de Luciano, que corteja a esposa do corretor, oficialmente viúva. Um personagem a menos para se preocupar.
E o quarto ponto: o final parece a última cena de “A Tempestade” de Shakespeare, onde todos se redimem de seus males e se reconciliam um com os outros: Luciano com sua esposa, a quem traiu, Libério com a sociedade, já que não há morto e que, graças a uma providência de seu assistente, teve seu cérebro guardado, podendo assumir de volta o corpo. Luciano, logo encontraria outro “receptor” para seu cérebro e Lucinda, esposa de Libério, que finalmente consegue o divórcio em condições vantajosas tendo também seu “perdão”.
Fechando o livro há uma análise acadêmica, do Prof. José Fernandes, da cadeira de Literatura Brasileira da Universidade de Goiânia, inteligentemente colocada num posfácio, já que está recheada de spoilers.
O objetivo desta análise é colocar esta obra dentro do contexto das obras do autor. Ainda que tenha elementos úteis para compreensão da obra, ela está recheada de preconceitos (que ele diz não ter) contra a ficção científica, como se fosse uma literatura menor destinada “ao grande público”. Boa parte da argumentação está em justificar a presença da FC apenas como um recurso literário a mais empregado pelo autor, que já escrevera obras em outro “gênero menor”, segundo o ensaísta, a literatura policial. Ou seja, para José Fernandes, o livro é bom “apesar” de ser um misto de FC com policial.
Um ensaio irritante e desnecessário.
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