
Autor: Miguel
Carqueija e Melanie Evarino
Editora: Ornitorrinco
Ano: 2012
254
páginas
Sinopse: Um
dragão é roubado por um ser misterioso, conhecido apenas como Homem
Sombra, e sua dona, a
elfa da sabedora Gislaine, inicia a perseguição para recuperar seu
animal. Isso é apenas o começo para uma Quest,
onde
recuperar o dragão será o menor dos problemas de Gislaine. Logo ela
saberá que estará envolvida numa gigantesca luta contra as forças
do mal.
A
longo dos primeiros capítulos um grupo de aventureiros será reunido
para esta luta. Este grupo mais parece o exército de Bracaleone: um
anão mercenário e ranzinza, o desastrado e fanfarrão “paladino”
Iuri, um ladrão hobbit com o prosaico nome de Luigi Bertoldo e
comandados por um espectro, de uma posição ambígua em relação ao
mal. Mais adiante serão reunidos ao grupo uma professora de esgrima e
um guerreiro indígena.
Os vilões também são bem diversificados: um Cavaleiro Negro, uma Elfa Negra,
ninjas, um mago chinês, piratas, mercenários, reis opressores,
esqueletos ambulantes, monstros criados por magia e até um zumbi.
Esta
mistura de tipos fora do comum garante duas coisas; aventura e humor,
marca característica de Carqueija. Este humor será composto pelas
trapalhadas e fanfarronices de Iuri; a língua ferina de Armenio e
Luigi; a forma de intimidar do guerreio índio; a diversidade do
grupo, tanto de características pessoais como de motivações;
anacronismos e paradoxos, como dragões vegetarianos e relógios de
pulso e referências sutis a outras histórias de fantasia.
E
como se trata de uma Quest,
independentemente
do resultado ser atingindo ou não, todos os personagens principais
(até alguns vilões e “figurantes”), sofrem uma mudança
significativa que moldará seus caráteres.
O
livro é principalmente divertido. E é isso que conta em relação
ao público mais jovem, a quem o livro se destina.
Atenção!
Spoiler!
Um pequeno senão, que
não atrapalha o enredo como um todo. Carqueija, mais uma vez lança
mão dos Antigos, personagens de Lovecraft. O problema não é usar
os Antigos, mas deles aparecerem de um maneira meio forçada e
desnecessária para trama. Os Antigos ficam apenas na citação. Isso
seria justificável se houvesse uma continuação e provavelmente é
esta a intenção de Carqueija, já que os personagens de
O Estigma do Feiticeiro Negro são muito bons e mereceriam uma nova
aventura. Porém, no meu ponto de vista, Carqueija tem imaginação
suficiente (demonstrado neste livro e ao longo de seus outros trabalhos) para criar seus próprios monstros e, embora seja
frequente em sua obra o uso dos Antigos, seria interessante deixá-los
de lado e ousar um pouco mais.
Conclusão
Um bom livro de aventuras, temperado com uma boa dose de humor.
A
co-autora de Malanie Evarino deve ter contribuído com algumas
caraterísticas positivas do texto. Nota-se um fluir melhor da
leitura em relação a outros trabalhos de Carqueija. O simples fato
de se trabalhar em dupla, desde que estejam bem afinados (o que parece ser o caso), normalmente
conduz a uma melhoria no processo criativo
A leitura vale a pena.
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O Estigma do Feiticeiro Negro. Miguel Carqueija & Melanie
Evarino. Editora Ornitorrinco. Livraria Cultura.
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