terça-feira, 12 de abril de 2016

A Conquista do Polo Sul


A Conquista do Polo Sul
Autor: Manfred Karge
Direção (Encenação): Beatriz Batarda
Elenco: Ana Brandão, Bruno Nogueira, Flávia Gusmão, Miguel Damião, Nuno Lopes, Nuno Nunes e Romeu Costa
Quarta a Sábado às 21h; Domingo às 17h30, de 7 a 24 de Abril
Teatro São Luiz, Lisboa

7 de Maio – Centro de Arte de Ovar
14 de Maio – Centro Cultural Vila Flor, Guimarães
9 de Junho – Teatro Constantino Nery, Matosinhos
18 de Junho – Teatro Micaelense, São Miguel


Pouco antes da queda do Muro de Berlim, quatro desempregados alemães, Slupianek, Buscher, Braukmann e Seiffert estão à beira do desespero total. Quando Seiffert tenta o suicídio, Slupianek tem uma ideia: encenar a conquista do Polo Sul, tal como Roald Amundsen o fizera em 1911. O propósito é que todos eles entrarem no espírito que conduziu a equipe de noruegueses, vencendo dificuldades muito mais desafiantes que um simples desemprego. O cenário é criado no sótão, tendo como pano de fundo as roupas brancas lavadas por Luise, esposa de Braukmann. Aos pouco a fantasia ganha dimensões muito maiores que um simples jogo, passando a ser a coisa mais importante da vida deles, talvez até mais importante que o emprego que Braukmann conseguira.

Atenção contém antecipação de enredo (spolier)

A encenação segue bem, apesar da oposição de Luise, porém  Braukmann lê o prefácio e fica sabendo que uma equipe anterior de ingleses tentara uma expedição dois anos antes e desistira a 179,45 km do pólo.  Braukman vê nesta equipe o retrato de todos eles. Estariam representando Roald Amundesen, ou o fracasso dos ingleses, que apesar de tudo, pagaram o preço do pioneirismo e possibilitaram o sucesso da equipe norueguesa?

Isso provoca a ruptura dos amigos, pois Slupianek não quer abandonar o projeto. Os amigos só voltam a se encontrar no aniversário de  Braukmann e, após serem humilhados por Rudi, um convidado arrogante do casal Braukmann, retomam o projeto percorrendo simbolicamente os 179,45 km, com a participação de Luise, representando o quinto homem da equipe de Amundsen.



O Texto

O texto de Manfred Karge é bastante denso, algumas vezes cansativo, mas carregado de significado, coloca o imaginário e o próprio teatro como centro. Em vários momentos, desde o início, os atores se dirigem à plateia, quebrando a quarta parede. Sabemos que estamos diante de uma encenação, que fala sobre uma encenação, mas nem por isso deixamos de nos envolver pela história dos quatro desempregados, ou da bem sucedida equipe dos noruegueses, ou da fracassada equipe inglesa e seu simbolismo.

A atuação


Todos os atores estão muito bem, com destaque para Bruno Noqueira, fazendo um excelente  Slupianek, Flávia Gusmão, no papel de Luise e Ana Brandão que representa o cão Frankieboy e Rosi a esposa maltratada de Rudi.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Lisbela e o Prisioneiro




Lisbela e o Prisioneiro
Autor: Osman Lins
Adaptação e supervisão geral: Francisca Braga
Direção Geral: Dan Rosseto e Ligia Paula Machado
Coreografias: Ligia Paula Machado e Roger Pendezza
Direção Musical: Dyonisio Moreno

Elenco: Luiz Araújo (Leléu), Ligia Paula Machado (Lisbela), Beto Marden (Douglas), Marilice Consenza (Inaura), Nill de Pádua (Tenente Guedes), Fernando Prata (Vela de libra/Frederico Evandro), Jonatan Motta (Cabo Citonho) e Milene Vianna (Francisquinha).

Músicos: João Paulo Pardal (guitarra e violão), Renan Cacossi (pífano e flauta transversal), Maristela Silvério (piano), Jonatan Motta (violino), Azael Rodrigues (bateria e percussão), Daniel Warchauer (acordeon), Augusto Brambilla (baixo acústico e elétrico)
Cenografia, figurinos e designer de luz: Kleber Montanheiro

A história da inocente Lisbela com casamento marcado com Douglas, mas que se apaixona, por Leléu, dono de um circo mambembe, transforma-se em um musical de excelente qualidade.

Com adaptação de Francisca Braga e sob direção de Dan Rosseto e Lígia Paula Machado – que também encarna a personagem Lisbela, a montagem está sendo exibida no Teatro Nair Bello, em São Paulo, onde fica em cartaz até 7 de junho.

A peça foi escrita originalmente por Osman Lins, autor entre outras obras de Avalovara. O escritor concebia o teatro como uma forma de entretenimento e é justamente este lado lúdico que se busca ser mostrar nesta montagem, aproximando-a do circo. O cenário é despojado, mas altamente mutável graças à rapidez com que um grupo de acróbatas – uma atração à parte –  monta remonta a cena e a personagem vivida por Lígia Paula Machado (Lisbela) aparece várias vezes executando números acrobáticos de lira, com tecidos e com corda indiana, mostrando a versatilidade da atriz, que também atua e canta.



Com direção musical de Dyonisio Moreno, a trilha sonora traz músicas de  Zé Ramalho, Pixinguinha, Dominguinhos, Caetano Veloso, João Pernambuco e Filipe Catto e é executada ao vivo, de maneira brilhante por oito músicos.

Impressões Pessoais

Assisti a esta peça no último domingo (19/10) e fiquei agradavelmente impressionado, tanto com a montagem em si, como com a primorosa execução das músicas e com atuação de todo o elenco, com destaque para Lígia Paula Machado (Lisbela) e Luiz Araújo (Leléu), com uma atuação esplêndida, quer como atores, quer como cantores.

Percebe-se em Lígia que ela vive a arte com muita intensidade e a tem como propósito de vida, o que transparece em todos os momentos que está no palco.

Lisbela sofre uma grande transformação, de uma moça ingênua para uma mulher que luta pelo homem que ama, assim como Leléu, que descobre  que sua liberdade pessoal  de artista itinerante e de mulherengo precisa de um ponto de apoio e de constância, representado pelo amor de Lisbela.

Beto Marden faz um Douglas bem caricato, alguém que quer parecer o que não é, carioca, sendo pernambucano. Aliás, o texto de Osman Lins traz isso – a valorização do que é de fora – como uma crítica, aparecendo também nas primeiras falas de Lisbela, que se admira de atores estrangeiros  sem enxergar possíveis talentos nacionais.

Nill de Pádua compõe um Tenente Guedes também caricato do tipo de homem machista e que tenta controlar a filha sob rédea curta, mas faz isso apenas por amor.



Marilice Consenza representa Inaura, a perfeita antagonista para Lisbela: experiente e determinada.  A grandeza da personagem se revela num diálogo com Lisbela, onde as duas estão igualmente dispostas a lutar por Leléu.

Fernando Prata representa o vilão típico, um matador profissional, caracterizado por sua postura e falas carregadas de sotaque e arrogância.

Jonatan Motta (Cabo Citonho) e Milene Vianna (Francisquinha) compõe o segundo par romântico, funcionando como um canal entre as partes conflitantes. Esta dupla causou-me uma bela surpresa quando cantam seu número musical, sobretudo a voz de Jonatan Motta fazendo o personagem crescer a nossos olhos.




Todos os atores e músicos, principais e secundários demonstraram ter uma gama de talentos que os torna extremamente polivalentes. Por exemplo, os músicos são também a guarda de segurança do tenente Guedes. Os acróbatas além de mudarem o cenário, fazem números de circo e pequenos papéis em cena. Lígia faz números de acrobacia aérea e junto com Beto Marden faz um número de Roller Dance. Todos cantam e dançam.

Ao termino do espetáculo, após os aplausos, Lígia volta-se para a plateia e, em agradecimento, se posiciona que o objetivo do teatro é exatamente entreter, de tal maneira que as pessoas têm que sair um pouco diferentes do que entraram.

E com certeza, saíram.

E eu saí com a sensação de que a peça merecia um teatro bem maior.


Quando: Sexta, às 21h30, sábado, às 21h; domingo, às 19h. 105 min. 
              De 10/4/2015 a 7/6/2015
          Shopping Frei Caneca 3º piso
          Rua Frei Caneca, 569, Consolação, São Paulo, tel. 0/xx/11 3472-2414
Quanto: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada)
Classificação etária: livre


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? – Blade Runner para ler com prazer


Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? 
Título original: Do androids dream of eletric sheep?
Autor: Philip K. Dick
Tradução: Ronaldo Bressane

Sinopse: Rick Deckard vive numa Terra decadente, onde após uma guerra nuclear, boa parte dos humanos emigraram para colônias espaciais e a maioria dos animais morreu, transformando-se em produtos de luxo. Seu sonho é possuir um animal verdadeiro. Sua profissão é “caçador de recompensas” e ele persegue e “aposenta” androides. Recebe como missão perseguir e aposentar seis androides fugitivos de Marte e vê nesta caçada a possibilidade de realizar seu sonho de ter um animal verdadeiro. Mas, as coisas não saem exatamente do modo que deseja.

Durante muito tempo tive receio de ler o livro pois tinha medo de ver destruída a minha excelente impressão do filme Blade Runner, baseado neste livro ou que a minha visão do filme fizesse desgostar do livro.

Não aconteceu nem uma coisa nem outra. Como o próprio Philip K. Dick disse, após ver um trecho do filme ainda em produção, os dois trabalhos se complementam.

O filme dá uma dimensão maior aos personagens Deckard (o caçador de androides), Rachel (a androide quase – ou mais que – humana) e Roy Bat, o líder dos androides fugitivos.


Rachel, mais humana que androide

O Deckard do livro é uma pessoa comum, com uma vida medíocre e a única coisa extraordinária (que ele trata como algo muito burocrático) é sua profissão. Roy Bat apesar de sua inteligência e de certa forma sensibilidade, seria incapaz de proferir aquele discurso do final filme e Rachel do livro não consegue passar sua humanidade como no filme.

Deckard, frieza burocrática ao aposentar androides.

Por outro lado, no filme a preocupação metafísica – que é bastante intensa no livro – está quase ausente e mostrada de um jeito diferente (concentra-se na busca do “criador” por parte dos androides). No livro, há uma espécie de religião chama mercerismo, onde todos se conectam através de um caixa de empatia a Mercer, um messias que sofre para  que todos sofram juntos e compartilhem emoções.

Mercer é um velho que sobe uma colina e é apedrejado por inimigos invisíveis e as pessoas quando a ele conectadas sentem seu sofrimento e as emoções de cada pessoa envolvida. Aliás, a empatia é o sentimento que distingue um ser humano de um androide e a busca por empatia é o que move os androides liderados por Roy.


Tanto no filme como no livro os androides buscam a transcendência

Está ausente no filme o programador de emoções de Penfield. É um aparelho em que você escolhe num menu o tipo de emoção que quer sentir no momento. Em geral, as pessoas “vestem” emoções convenientes, como alegria se estão em casa ou senso de responsabilidade profissional se estão indo trabalhar. Entretanto Iran, esposa de Deckard  (personagem ausente no filme) um dia, ao tomar consciência de sua condição de morar num mundo decadente, em vez de “felicidade” escolhe “depressão”, que segundo ela, era o que deveria estar sentindo realmente.

Há também a questão do “bagulho”. Na visão de Isidore (no livro um simples motorista que recolhe animais artificias com defeito) o bagulho seriam objetos inanimados que se multiplicam e destroem o mundo a sua volta, uma explicação ingênua para a deterioração entrópica do mundo em que está vivendo.

O mundo de Dick é um mundo onde o artificial expele o natural e hipocritamente destrói os androides, que paradoxalmente anseiam por humanidade. Isso também está no filme, mostrado de outra forma.


Um mundo onde o natural é expulso pelo artificial

Atenção Spoiler!

O ponto alto do filme é a perseguição dos androides no prédio onde mora Isidore. No livro há perseguição, mas sem a emotividade das cenas do filme e a morte de Roy é patética, como se fosse mais uma “aposentadoria” feita por Deckard.

O termo em inglês é “retire”, que significa também “retirar”. Em português não há esta ambiguidade. O segundo significado da palavra aposentar (colocar em um aposento) há muito não é utilizado. Nas versões do filme traduzidas (tanto dubladas como legendadas) a que assisti, o termo empregado é “remover”. O uso deste termo em vez de ser um eufemismo para “matar” coisifica o androide e acaba sendo mais forte que o inglês “retire”.

Na tradução do livro preferiu-se o termo “aposentar”, para manter a ironia original do texto em inglês, embora a ambiguidade seja intraduzível.

O livro se prolonga um pouco mais como um encontro em um deserto de Deckard com Mercer onde o caçador se descobre humano. Uma cena bem feita onde praticamente o imaginário e o real se reconciliam. 

O final também é “sem sal”. Decarkd volta para a casa e para sua esposa e apenas quer “uma longa e merecida paz”, que, em muitos idiomas, soaria como uma metáfora para morte.

Extras

O livro possui três adendos: uma carta de Philip K. Dick elogiando a adaptação e prevendo o caráter revolucionário do filme, sua ultima entrevista e uma analise do livro muito bem elaborada feita por Ronaldo Bressane.

Conclusão 

Realmente o livro e o filme se complementam e Blade Runner é uma das melhores adaptações para o cinema de um bom livro. 

Com certeza vale o conselho que normalmente aparece em publicidade de filmes: veja o filme, leia o livro e ouça a trilha sonora.

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Livro: Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? Philip K. Dick,. Editora Aleph.
Filme: Blade Runner - O caçadore de Androides. Versão definitiva
Trilha sonora: Blade Runner. Vangelis. 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Guardiões da Galáxia - Aventura e Humor da Marvel

Guardiões da Galáxia
Título original: Guardians of the Galaxy
Direção: James Gunn
Roteiro: James Gunn, baseado em Guardiões da Galáxia de Dan Abnett e Andy Lanning
Elenco: Chris Pratt. Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel (voz de Groot), Bradley Cooper (voz de Rocket), Lee Pace. Michael Rooker, Karen Gillan, Djimon Hounsou, John C. Reilly, Glenn Close, Benicio Del Toro
País de Produção:  Estados Unidos
Ano: 2014

Sinopse: Um aventureiro ladrão, Peter Quill, também conhecido como Star Lord,  rouba uma esfera chama Orbe de um templo em ruínas. Mal sabe ele que este orbe não um objeto simples que pode ser negociado como uma peça de coleção. Ele é ambicionado pelo maligno Ronan, um  um rebelde do planeta Kree que deseja destruir Xantar, um pacífico e próspero planeta. 

Em busca de um comprador, Quill acaba sendo preso junto com Gamora, um aliada de Ronan, interessada em roubar o Orbe para si própria, o caçador de recompensas Rocket (um guaxinim inteligente) e seu companheiro Groot (uma árvore falante) e um maníaco assassino chamado Drax.

Esse improvável grupo é formado durante uma fuga desastrada da prisão e vai enfrentar Ronan.

Grupos assim, formados por desqualificados, que se unem apenas para um tentar espoliar o outro, pululam no cinema desde Os Doze Condenados. A diferença aqui é que a história é jogada literalmente pro espaço e a fantasia fica à solta (temos uma árvore falante ao lado de um guaxinim inteligente, quer mais?), temperada por uma boa dose de humor, para o deleite da plateia.



Você vai encontrar todos os clichês do gênero, inimigos egocêntricos que são transformados ao longo da aventura em companheiros de batalha, discursos motivadores, romance de um sujeito mulherengo com uma aventureira avessa a homens conquistadores, ambição e desejo de vingança transformados pelo desejo de suplantar um mal maior.

Entretanto, o humor e a aventura estão bem casados e tornam o filme muito divertido, mas como sempre, não espere fidelidade aos quadrinhos.

Nota dez para a animação de Rocket (o guaxinim falante). Os movimentos são naturais e chegamos a esquecer o que ele é ao longo do filme tanto quanto esquecemos que o Mickey é um rato.

Aguarde o final dos títulos. Como todo filme da Marvel, sempre há um easter egg. Lembre-se porém que este é um filme de humor.


trailler

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Duas obras fundamentais de Edgar Allan Poe e H. G. Wells em ebooks

Autor: Edgar Allan Poe
Título Original: The Murders in the Rue Morgue
Tradução: Zé Oliboni
Editora: Balão Editorial (e-book)
Ano: 2014

Sinopse: Duas mulheres, mãe e filha, são brutalmente assassinadas num apartamento na Rua Morgue. As circunstâncias do crime deixam a polícia desnorteada até que o detetive Dupin resolve o mistério.

Esta foi a história que inaugura o gênero policial. Poe cria não só uma excelente história, como dá as suas diretrizes, que depois serão aperfeiçoadas por Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes: um detetive genial e excêntrico, um narrador que é seu amigo, uma policial diligente, mas incompetente e uma trama bem engendrada. Poe, no início do conto, compara este tipo de trama como jogo de whist, onde contrariamente ao xadrez, a atenção se dirige não só ao jogo, mas também aos jogadores. O jogo de whist hoje em dia não é muito praticado, mas se quisermos manter a comparação, podemos imaginar como equivalente o poker.

Atenção, spoiler!

A história em si foi citada em Um Estudo em Vermelho, primeiro livro onde aparece Sherlock Holmes, que a critica abertamente, qualificando-a como primária. Porém, Conan Doyle “cola” uma de suas cenas, quando Dupin “lê os pensamentos” de seu amigo. Sherlock também “lerá” os de Watson, seguindo mais ou menos o mesmo processo.

Se analisarmos do ponto de vista de hoje, em alguns aspectos, podemos dar razão a Sherlock, por exemplo o interrogatório onde há testemunhas de várias nacionalidades, uma situação pouco provável, mesmo numa cidade grande e cosmopolita como Paris.

Entretanto, a solução que Dupin deu para o mistério do quarto trancado merece respeito (copiado também por outros autores policiais, com muitas variações).

Além disso, Os Assassinatos da Rua Morgue tem elementos do gênero em que Poe era mestre, as histórias de horror: a brutalidade do crime descrita em detalhes mórbidos e o bizarro assassino.

Os Assassinatos da Rua Morgue merece ser lido pelos leitores modernos por seu pioneirismo e pela qualidade do texto.

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Autor: H. G. Wells
Título original: The Story of the Late Mr. Elvesham
Tradução: Flávia Yacubian
Editora: Balão Editorial (e-book)
Ano: 2014

Sinopse: Edward Eden encontra-se com Elvesham, um velho professor de filosofia, que lhe oferece a possibilidade dele herdar todos os seus bens quando o filósofo se for, aparentemente em troca de nada. Eden descobrirá que o preço é alto demais.

H. G. Wells é um dos pioneiros da ficção científica. Seu foco sempre foi o indivíduo em sociedade mais que a ciência em si, tanto que é considerado o pai do gênero soft. E este conto não foge a este parâmetro. Tanto que a parte científica em si é apenas usada pra explicar o estranho fenômeno a que Eden é submetido. Poderia ser substituído por magia sem que o enredo sofresse qualquer alteração.

Estão em foco duas ambições: por bens materiais e por vida eterna. Ambas obtidas a custa de outrem por meio do engano.

Como esta história é protótipo de várias outras que vieram depois, um leitor mais experiente pegará o que vai acontecer lá pelo terceiro parágrafo, porém, mesmo assim a história se sustenta pela caracterização dos dois personagens, pela forma de escrever de Wells e sobretudo pelo final irônico e, de certa forma, surpreendente.

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