segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Cidade Inteira Dorme - de Ray Bradbury



Para os admiradores e quem quer conhecer um dos melhores escritores da era de ouro da Ficção Científica, Ray Bradbury, a Editora Globo lançou A Cidade Inteira Dorme.

Com tradução de Deisa Chamahum Chaves, esta edição coleta alguns contos mais significativos do autor:  Uma pequena viagem; O lixeiro; O visitante; O messias; A autêntica múmia egípcia feita em casa; A cidade inteira dorme; O homem ilustrado; O homem em chamas; As frutas no fundo da fruteira; O dragão; O pedestre; O alçapão A hora zero.

Alguns foram muito reproduzidos, como O pedestre e O messias, alguns com títulos curiosos como A autêntica múmia egípcia feita em casa e uma versão do conto O homem ilustrado, que curiosamente NÃO faz parte da coletânea com o mesmo nome.

Todos merecem uma leitura atenta.

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Livraria Cultura disponibiliza A Cidade Inteira Dormecom desconto de 50% por tempo limitado 





terça-feira, 28 de maio de 2013

Lovecraft com desconto na Livraria Cultura

Quem é fã de horror não pode deixar de conhecer Lovecraft e esta é uma boa oportunidade de fazê-lo.

O livro Nas Montanhas da Loucura está com um desconto de 50% na Livraria Cultura.

Sinopse:  Nas Montanhas da Loucura  é narrado pelo sobrevivente de uma expedição a pontos ainda inexplorados no Pólo Sul. Contudo, sob gelo estão ocultos horrores ancestrais. 

O volume traz um apêndice com as anotações feitas por Lovecraft para a composição da novela, uma carta escrita ao correspondente Frank Belknap Long em que discute a transição do horror sobrenatural para a ficção científica e uma tradução em verso do soneto 'Antarktos'.

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Nas Montanhas da Loucura. H. P. Lovecraft. Livraria Cultura.

domingo, 12 de maio de 2013

Mulheres que Correm com os Lobos


Mulheres que correm com os Lobos – Mitos e Histórias do arquétipo da mulher selvagem
Título Original: Women who runs with de Wolves
Autor: Clarissa Pinkola Estés
Tradução: Waldéa Barcelos
Editora: Rocco
Ano : 1994
628 páginas

Sinopse: Onde está o espírito da mulher, sufocado por séculos de negação de sua origem, por uma suposta civilização que cerceia muitas manifestações do feminino? A busca por esta origem nas histórias transmitidas oralmente através de mitos de vários povos e contos de fadas norteou o trabalho de Clarissa Pinkola Estés.

Psicanalista de contornos junguianos (embora os transcenda neste trabalho), a autora coleta e ordena contos que vão revelando esta mulher selvagem, sufocada por séculos de uma civilização que privilegia o patriarcado. Além desta pesquisa sistemática, Clarissa se apoia em uma vasa experiência enquanto psicoterapeuta, sobretudo no tratamento de mulheres.

Sua função não é levantar bandeiras, mas simplesmente fazer uma abordagem que valoriza o feminino e traz uma luz extremamente clara e brilhante sobre quem é a mulher e mostrar sua estrutura psíquica.

O livro provoca, sobretudo nos homens com alguma consciência em relação ao feminino, uma reflexão sobre o que a humanidade tem perdido ao sufocar a livre manifestação do que ela chama “mulher selvagem”. A lenta transformação social, onde passamos do campo para a cidade, do matriarcado para o patriarcado e do paganismo para o cristianismo, mutilou ou tentou esconder os registros do seu passado, mas as tradições antigas, ainda que deturpadas em versões censuradas de contos de fadas e lendas antigas, conseguem falar em voz alta, amplificadas pelo magnífico texto de Clarissa.

Aconselho a meus colegas escritores que se dignem a ler este livro para que seus personagens femininos tenham uma dimensão maior, reconhecendo a riqueza da estrutura psíquica das mulheres.

Para quem é do sexo masculino e lê este livro com a mente aberta, talvez fique a impressão de que não foi só a psique da mulher que foi mutilada neste processo “civilizatório”. Será que o homem selvagem seria realmente a imagem da caricatura do troglodita com um porrete na mão, arrastando uma mulher pelos cabelos? Será que nós homens nunca respeitamos o feminino em nossa história sobre este planeta? Ou fomos igualmente sufocados por uma sociedade (na realidade uma elite ou de reis ou de sacerdotes) que nos impôs um papel que não queríamos realmente assumir?

É bom começar a olhar por este ângulo.

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Mulheres que correm com os Lobos. Clarissa Pinkola Estés. Editora Rocco. Livraria Cultura


domingo, 14 de abril de 2013

Steampunk: Histórias de um passado extraordinário


Steampunk: Histórias de um passado extraordinário
Autores: Gianpaolo Celli (org.), Fábio Fernandes, Antonio Luiz M. C. Costa, Alexandre Lancaster, Roberto de Souza Causo, Cláudio Villa, Jacques Barcia, Romeu Martins e Flávio Medeiros
Editora: Tarja Editorial
Ano: 2009

Sinopse: Esta coletânea foi a primeira coletânea do gênero no Brasil. Com uma seleção de textos cuidadosa de Gianpaolo Celli, reúne textos de diversos matizes sobre o gênero.

Este gênero da Ficção Científica, explora um momento extremamente rico da história: o século XIX, acrescentando alguns desenvolvimentos tecnológicos dos séculos XX e XXI, construídos a partir da tecnologia da época (à vapor, principalmente, daí o steam). O exemplo mais famoso é o computador, descrito em A MáquinaDiferencial, de William Gibson e Bruce Sterling. Ao lado da tecnologia, o desenvolvimento social também é explorado, com os impactos à sociedade, tendo como pano de fundo a Era Vitoriana, com seu moralismo rígido, as distorções provocadas pela exploração dos trabalhadores e as guerras (o século XIX se rivaliza com século XX em número de conflitos). Daí o termo punk. O steampunk em sua essência seria um gênero nostálgico, (retro)futurista e distópico.

O Assalto ao Trem Pagador – Gianpaolo Celli

O conto centra-se na ação de três agentes, uma mulher e dois homens no assalto a um trem com um carregamento de ouro. A missão tem uma relação com a Guerra Franco-Prussiana, que ocorreria em pouco tempo.

Há uma preocupação do autor em dar verossimilhança aos engenhos que coloca no conto, como pistola de “dardos” elétricos, com uma breve descrição e algumas notas de rodapé. Esta preocupação com detalhes tecnológicos o aproxima da FC Hard. Mas isso não compromete o desenvolvimento da narrativa e do clima de aventura. O leitor mais entusiasmado com o desenrolar da trama, pode simplesmente ignorar as notas de rodapé, sem prejuízo para o entendimento.

Uma breve história da Maquinidade – Fábio Fernandes

Este conto mereceu uma inserção na coletânea de Bráulio Tavares, Páginas do Futuro, acredito que pela originalidade de seu ponto de vista. A História é contatada do ponto de vista das máquinas.Parodiando um compêndio didático mostra a evolução da Maquinidade desde a segunda criatura do Dr. Victor Frankstein, que abandonara os cadáveres para usar engrenagens e vapor. Há algumas passagens dignas de nota: como a adesão de Marx à luta pelos direitos das máquinas e a guerra entre duas empresas fabricantes de Cérebros Mecânicos.

A Flor do Estrume – Antônio Luiz M. C. Costa

Recheados de referências a Machado de Assis e a mitos indígenas, Costa imagina índios num grau de evolução tecnológica que permite a Brás Cubas realizar sua sonhada panaceia universal. O conto é muito engraçado, principalmente para quem leu Machado de Assis.

E, ao vencedor, as batatas.

A Música das Esferas – Alexandre Lancaster

Um cientista desenvolve um aparelho para captar a música da “harmonia das esferas”, acreditando que com isso aumentaria a inteligência das pessoas. Porém morre ao experimentar o aparelho em si mesmo. Apesar disso, uma apresentação pública do invento esta programada, o que provocaria morte de todos os presentes. Um jovem cientista e seu amigo tentam impedir que isto aconteça.

O humor está presente de várias formas e a aventura também, fazendo a leitura ser bastante divertida.

O Plano de Robida: Un Voyage Extraordinaire – Roberto de Souza Causo

Num Brasil onde não aconteceu a Proclamação da República, o país enfrente a ameaça de uma invasão vinda dos ares. Quem comanda a invasão é Robida, um pirata dos ares, que quer dominar o planeta. Sua tecnologia é bastante superior ao que set em disponível no mundo naquele momento e naquela realidade.

A tentativa do Brasil combatê-lo reside na habilidade e criatividade de um homem: Alberto Santos Dummont.

Uma bem movimentada aventura, centrado em questões militares, onde normalmente Causo brilha.

O Dobrão de Prata – Claudio Villa

O conto foge um pouco ao gênero. É mais uma história de horror do que propriamente FC e peca num coisa fundamental para uma história de horror: a partir de um terço da história, já sabemos qual será seu final. Um conto apenas competente.

Uma Vida Possível atrás das Barricadas – Jacques Barcia

O ambiente é uma guerra civil, uma luta de classes onde trabalhadores oprimidos e seres artificiais lutam por igualdade. Neste clima, um autômato mecânico e uma golem buscam refúgio num cidade controlada pelos rebeldes onde podem dar vazão a seu sonho: terem um filho.

Como os dois são seres artificiais de espécies diferentes, necessitam da ajuda de um cientista humano.

O autômato torna-se um miliciano e luta no front, resitindo ao cerco. A situação vai se agravando a media que o tempo passa e o cerco à cidade vai aumentando.

Há boas cenas de batalha.

O final é surpreendente e poético. Gostei bastante deste conto.

Cidade Phantástica – Romeu Martins

Este conto reúne personagens de Conan Doyle e Júlio Verne, figuras históricas brasileiras e personagens do romance a Escrava Isaura numa aventura policial e de ficção científica de tirar o folego. Este conto é o que mais caracteriza o Steampunk e lhe dá um ar bem brasileiro.

O sequestro da noiva de um industrial inglês e o desparecimento de uma enorme quantidade de tubos de aço põe em ação o policial ferroviário João Fumaça.

Uma boa quantidade de aventura e suspense garante a diversão.

Por um fio – Flávio Medeiros

Um submarino da marinha de guerra francesa e uma fortaleza voadora do império inglês travam uma batalha estilo gato-e-rato. Na realidade é uma batalha entre os dois comandantes, extremamente habilidosos, que se respeitam enquanto inimigos, através de uma admiração mútua. Lembra muito um episódio de Star Trek clássico, onde Kirk enfrenta um comandante romulano (O Equilíbiro do Terror).

Fecha com chave de ouro a coletânea.

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Steampunk: Histórias de um passado extraordinário. Tarja Editorial
Steampunk. Livraria Cultura

sexta-feira, 22 de março de 2013

Incidente em Antares


Incidente em Antares
Autor: Erico Veríssimo
Ebook Formato: ePub
Editora: Companhia das Letras


Sete defuntos saem do caixão numa pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul. Início do apocalipse zumbi?

Trata-se de Incidente em Antares, romance de contornos fantásticos de Érico Veríssimo, escrito em 1971.

O incidente fictício ocorre no dia 13 de dezembro de 1963, às vésperas do Golpe Militar, na cidade imaginária Antares, no interior do Rio Grande do Sul. Devido a uma greve de de coveiros, sete pessoas são impedidas de serem sepultadas:

  • Quitéria Campolargo: matriarca da família Campolargo, que morreu de ataque cardíaco;
  • José Ruiz (Barcelona): militante anarquista, morreu de ruptura de um aneurisma;
  • Cícero Branco, o influente advogado, vítima de uma hemorragia cerebral;
  • Erotildes, prostituta, vítima de tuberculose;
  • João Paz, jovem pacifista, torturado até a morte pela polícia;
  • Pudim de Cachaça, o maior bêbado da cidade, envenenado pela mulher;
  • Menandro Olinda, pianista, que se suicidou, cortando os pulsos.


O romance é dividido em duas partes. A primeira conta o desenvolvimento político das duas fações que disputam o poder em Antares: Os Campolargo, e o Vacarianos. A inimizada política e a luta pelo poder percorrem vários acontecimentos da história brasileira, indo de 1830 até a data do incidente. Neste momento as duas famílias estão unidas por uma ameaça comum: o que eles chamam de "ameça comunista": trabalhadores organizados em busca de seus direitos.

A trama da segunda parte, o incidente em si, é fortemente alegórica. Por estarem insepultos, os mortos se erguem e tentam lutar pelos eu sepultamento. E tal qual Brás Cubas, por não ter que dar satisfação de seus atos (estão mortos mesmo) resolvem expor a podridão dos moradores da cidade, sobretudo os poderosos.

Uma excelente leitura, tanto para quem gosta de romances históricos e regionalistas, como para quem aprecia a literatura fantástica.