domingo, 10 de março de 2013

Cypherpunks – Liberdade e o Futuro Da Internet


Cypherpunks – Liberdade e o Futuro Da Internet
Autor: Julian Assange
Tradução: Cristina Yamagami
Editora: Boitempo Editorial
Ano: 2012
Formato ePub

Julian Assange (fundador do WikiLeaks) e um grupo ativistas que lutam em defesa do ciberespaço (Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann), colocam neste livro que a internet está se tornando um lugar perigoso, prevendo uma grande onda de repressão para populações inteiras.

Isso ocorre porque tudo que trafega está sobre controle de alguém, sejam corporações transnacionais, seja o Estado, numa vasta rede de espionagem, vigiando todos os cidadãos nos mínimos detalhes de sua vida privada. Neste livro ele descreve uma forma de lutar contra isso, através da formação de comunidades que se comunicam através de cripitografia, os Cypherpunks, ou do uso generalizado por qualquer pessoa da criptografia na internet. O termo é a junção das palavras cipher (com o i tornado em y) e punk, para guardar similaridade com o termo cyberpunk, e foi criado nos anos 90, quando surgiram as primeiras discussões sobre privacidade na internet e comunidades deste tipo.

Assange assegura que o livro não é um manifesto, pois, “não há tempo para isso”. Ele coloca a questão em tom de alarme, para nos acordar para o perigo que corremos de vigilância em massa permanente, a censura e a perda da liberdade de expressão e a morte da nossa privacidade.

Leitura obrigatória para quem escreve ficção científica e um alerta importante para aqueles que prezam sua liberdade e privacidade.

Disponível em e-book e em tradicional (papel) na Livraria Cultura.

sábado, 9 de março de 2013

Arnaldo Antunes lê Paulo Leminski

Quem realmente é o Outro?

Arnaldo Antunes lê um poema de Paulo Leminski.


O poema é parte integrante do livro Toda Poesia – Paulo Leminski, publicado recentemente pela Companhia das Letras.

O livro está à venda na Livraria Cultura. 


segunda-feira, 4 de março de 2013

Lilith e o Dia Internacional da Mulher

Lilith - John Collier
Dia 8 de março foi convencionado como Dia Internacional da Mulher e como todas as datas comemorativas, em alguns contextos ela é esvaziada de seu significado. Mulheres recebem rosas com mensagens bonitas e, no dia seguinte, as coisas voltam ao cotidiano.

Para ser um pouco diferente, pretendo neste post, mostrar uma personagem que é bastante significativa no universo fantástico: Lilith.

Lilith é uma divindade babilônica feminina, associada à noite e a lugares desertos. Os relatos nos chegam através da visão hebraica do mito, que o demonizou. Os hebreus tiveram um longo período sob domínio dos babilônios e tendiam a ver os deuses de seus captores como algo extremamente negativo.

Na tradição judaica medieval, Lilith aparece como a primeira esposa de Adão, que se rebelou por não aceitar a dominação masculina imposta por Javé e foi por isso expulsa do Paraíso. Ela foi associada ao desejo sexual e aos sonhos eróticos, considerados maléficos. A Igreja Católica reforçou este mito, colocando Lilith como castradora e lider de uma legião de demônios de natureza sexual, os íncubos (masculinos) e súcubos (femininos). Ela também foi considerada esposa de Lúcifer ou de Samael.
Lilith – Carl Poellath

O interessante é que Lúcifer é associado à Estrela D’alva, aparecendo nos primeiros minutos da aurora e Lilith é um ser noturno e deve se recolher aos primeiros raios de sol. Ela e seu amado só podem ser ver por breves instantes. Esta ideia foi muito bem explorada no filme “O Feitiço de Aquila”.

Lilith começou a ser revista no século XIX, pelos autores românticos, que viam nela o aspecto sedutor e a expressão do desejo sexual feminino, encarado agora de uma forma mais positiva.

Ela representa a parte feminina mais selvagem da mulher, reprimida e impedida se manifestar, para que a organização patriarcal se erguesse. Isso não foi feito racionalmente nem de uma vez, mas ao longo de séculos, muitas vezes de forma inconsciente.

Também a sua libertação se dá pela necessidade da livre manifestação do desejo (de todos, homens e mulheres), reprimido na era vitoriana, fazendo aparecer a mulher fatal, que acende o desejo do homem, mas pode ser perigosa, mostrando o medo de se libertar algo que não se conhece.

Lilith é vista como gênio mal da lâmpada, que está revoltado por ter sido fechado e quer matar seu libertador, apesar de ter o poder de realizar todos os desejos dele. Assim, na visão temorosa, ela terá que continuar contida ou libertada mediante um acordo.

Nós (a maioria dos homens e muitas mulheres) tememos Lilith, por não sabermos quem ela é de fato. Ao tentar analisá-la, ela parece fugir, é arredia e escrever sobre ela parece difícil. Dizem que ela foge das palavras, pois as palavras são um atributo de Javé, o Deus patriarcal. Ensaios acadêmicos não libertam Lilith, apenas tentam analisá-la, dissecá-la, e depois prendê-la no Logos.


Quem quiser escrever sobre ela terá que procura as palavras com auxílio da bruxa (outro termo demonizado), pois a bruxa também tira poder das palavras, através dos encantamentos (em inglês, uma das palavras para feitiço é spell, que também significa 'soletrar'). Um dos motivos da perseguição às bruxas é porque elas dispunham de um poder que rivalizava com o poder estabelecido. Simbolicamente, o poder da palavra, no sentido da palavra ser criadora. Para o poder dominante, bruxas apenas praguejavam ou amaldiçoavam, criando somente o mal. De certa forma este preconceito ainda persiste, colocando a fofoca como um atributo apenas feminino. Um dos sinônimos para fofoca é fuxico, palavra que também significa “trabalho manual feito com retalhos de pano”. Normalmente este trabalho é feito por várias mulheres reunidas.

O caminho é a Arte. Nela domina o hemisfério direito, o lado feminino da mente. Pode-se fazer poesia, escrever um conto fantástico, criar uma música que a retrate ou pintá-la. Ou fazer um encantamento.

Muitas vezes Lilith é representada como um vampiro, um ser que tem a mesma ambiguidade que ela. Na tradição hebraica, às vezes ela é chamada de “bebedora de sangue”, um insulto associado à proibição judaica de se abster de sangue.

O vampiro representa a sedução e o perigo juntos. Alguém que oferece algo desejável, mas que tem um alto preço. A mesma imagem de Lilith. Ela oferece o prazer livre de culpa e o preço sermos expulsos do Paraíso. Psicologicamente nos tira do sonho infantil e nos coloca na realidade. Por isso Lilith é associada à serpente que tentou Eva. Perdemos o Paraíso, mas ainda que aqui seja "o Vale de Lágrima", aqui podemos evoluir.

Fugidia, nos assustando, ainda assim deve ser libertada. Quando ela vier à luz em sua totalidade veremos o quão bela é e podemos finalmente respirar aliviados.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Uma História de Amor e Fúria


Uma História de Amor e Fúria

Direção: Luiz Bolognesi
Roteiro: Luiz Bolognesi
Direção de Arte: Anna Caiado
Elenco (vozes): Selton Mello, Camila Pitanga, Rodrigo Santoro, Bemvindo Sequeira, Marcos Cesana e Sérgio Moreno

Sinopse: Um Guerreiro Tupinambá, em reencarnações sucessivas, luta para salvar seu povo e reencontrar seu amor, a índia Janaína, em quatro momentos, numa batalha contra os portugueses; no século XIX, durante a balaiada; nos anos 60 e 70, na ditadura militar e em 2096, numa rebelião futura contra o controle da água doce no Rio de Janeiro.

Luiz Bolognesi concebe esta história a partir da visão mitológica indígena. Assim, a reencarnação do guerreiro se dá através de uma dádiva, presente de um dos seus deuses. Assim, ele se transforma em um pássaro uirapuru a cada morte ou momento de grande perigo e o encantamento é quebrado assim que Janaína ouve seu canto. O vilão é uma entidade mistica chamada Anhangá, um demônio de contornos cosmológicos, que se alimenta da morte e destruição, mas não mostra a sua face, preferindo usar como intermediários alguns humanos. Podemos apenas reconhecê-lo pelo rastro de destruição que deixa.
Outro ponto de vista que é levado em conta é o dos derrotados, uma visão normalmente excluída da história oficial (contada do ponto de vista dos ganhadores).
Declarações do Diretor para a Revista do Cinema Brasileiro
Assim, no primeiro episódio, tomamos contato com a estratégia dos portugueses, qua acabou por dizimar os Tupinambás. O diretor não idealiza o indígena, pois mostra também que eles tem suas brigas internas pelo poder e não esconde nem minimiza o canibalismo dos Tupinambás. Neste episódio, aparece a primeira frase que pode definir o filme: “Viver sem conhecer o passado é andar no escuro”.

No segundo, temos uma visão diferente do Duque de Caxias, responsável pela organização do exercito brasileiro, mas que tem justamente sua primeira ação durante a balaiada. E ela é contra o povo brasileiro e não uma resposta a uma ameça externa. Aliás este é o episódio mais emblemático dos quatro contados, já que a balaiada, além de fazer surgir o exército, fez surgir seu contraponto, o cangaço, segundo a visão de alguns historiadores, compartilhada por Luiz Bolognesi.

No terceiro, coloca a ditadura militar contrapondo com o idealismo dos guerrilheiros e a posterior formação do Comando Vermelho, a partir do contato de marginais com os presos políticos. Aqui aparece a segunda frase: “Meus heróis não viraram estátua, morreram combatendo os que viraram”.

No quarto e último episódio são colocadas em foco algumas tendências para um futuro distópico: milícias paramilitares particulares legalizadas, valorização da água como recurso e a sua escassez gerada justamente pela sua super-exploração e controle por parte de uma elite. E, consequentemente, uma resistência. E aqui, a terceira frase que define o filme: “Mesmo sem perceber todo dia a gente está lutando por alguma coisa”.

A animação está muito boa, mostrando esmero com qual a produção foi cuidada e o talento e habilidade dos seus criadores e executores. Nela percebe-se claramente algumas influências (que Luiz Bolognesi mesmo aponta): quadrinhos europeus, produções americanas (Disney, por exemplo) e estrutura de animês (o uso de pouca movimentação sem perder a dramaticidade da cena).
Trailer
Percebe-se também uma variação principalmente no colorido e traços no ambiente da narrativa, como se cada uma das quatro histórias representasse uma fase diferente do herói, dando a impressão que ele evolui ao longo de seus 600 anos.
Em suma, uma excelente animação, com uma excelente história, que nos faz, principalmente pensar em nossa própria história (a nacional e a pessoal).
Qual é a sua luta?

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Star Trek – Into the Darkness



Star Trek – Into de Darkness está gerando um misto de expectativas dos fãs. Alguns esperam muito, outros estão com reservas. 

O trailer em si está magnífico, fazendo apostar num filme visualmente bonito. Observe uma das cenas iniciais, onde um Kirk mais jovem salta para as águas do mar e outra mais para o final do trailer, onde ele salta de um edifício. Quem fez o trailer é muito inteligente.