Sinopse: Uma
moça, Cláudia, órfã e cuidada pela avó, tem sua vida revirada ao
receber como herança uma mansão. Mas não foi só a mansão que
ela recebeu...
Amanda começa
muito bem. A primeira frase – “É tarde, as luzes dormem.” –
convida à leitura. O texto flui e nos revela aos poucos o cenário.
Descobrimos, junto com a protagonista, o real legado que ela herdara
e passamos junto com ela alguns apuros, com um suspense bem conduzido
e nisso está o mérito da autora.
É
difícil resenhar um livro de suspense sem dar spoiler.
Evitarei ao máximo. O enredo é quase todo centrado no Vale
dos Segredos, uma
localidade interiorana, com poucos habitantes e um segredo (ou muitos) guardado
por todos. Pelo que Amanda nos conta na quarta capa, este vale será
cenário de outros eventos.
Há vários jogos de interesses rondando Cláudia e sua nova
propriedade. Aprendizes de feiticeira que desejam ser amadas, pessoas
em busca de um tesouro, desejo de manter um segredo de família
sangrento, ambição e ódio. Mas há um jogo maior envolvendo todos
os outros e é este jogo que nos é revelado durante o desenrolar da
trama.
Os trechos de abertura dos capítulos são escritos de uma maneira
poética, que ajudam manter o leitor no clima de expectativa. Um
destaque para o texto que abre o capítulo “A Descoberta”, nele é
composto um pequeno mistério, iniciado na primeira frase, resolvido
no final do parágrafo com um gancho para o que vem a seguir.
A trama está montada de forma a agradar aqueles que gostam de
enredos complicados, de ação, alguns sustos e de mistério.
O enredo está bem conduzido, porém, em alguns trechos, a profusão
de acontecimentos colocados para manter o clima de ação da cena
tornam um pouco difícil a leitura (algumas vezes tive que voltar a
ler um trecho perguntado-me “mas por que raios isso está
acontecendo?”). E e há alguns leves “deus ex machina”, como um
prego providencial numa cena de luta, mas que não comprometem muito
a verossimilhança.
Amanda escreve bem, mas ainda precisa lapidar um pouco mais o texto,
tirando algumas hipérboles e adjetivações desnecessárias que nos
fazem tropeçar na leitura (como “líquido lácteo” no lugar de
leite).
Estes pequenos deslizes, comuns num primeiro trabalho, não tiram o
brilho do texto.
A diagramação e as ilustrações ajudam a manter o clima de
suspense e a capa, de Rento Klisman, cumpre seu papel de destacar um
elemento essencial à história e dar um prelúdio ao que veremos após abri-la.
Agora um puxão de orelhas na Editora Literata: O site ainda está em rascunho e o livro não aparece no catálogo, nem na loja virtual, embora tenha sido lançado em setembro e esteja indicado no banner principal.
Nerdshop
Delenda. Amanda Reznor. Direto com autora. Clique aqui.
Sinopse: um
grupo de jovens em atitude “suspeita” são abordados por uma
patrulha policial, formada por membros da temível F.O.D.A. Um dos
rapazes ousa desafiá-los.
Narrado
em primeira pessoa, um dos membros da patrulha, a HQ Como
na quinta série nos
coloca dentro da mente de um policial durão e violento, com seus
medos, frustrações e inseguranças, que deve manter ocultos a
qualquer custo.
Por
que o título Como
na quinta série ?
Neste período da vida, há formação das turmas, das rivalidades e
dos rejeitados, as eternas vítimas do bullying.
Neste
meio, também é importante esconder as fraquezas, tornando a
comparação mais do que válida.
As
ilustrações, predominantemente em azul profundo e preto, reforçam
o clima sombrio da história.
A
narrativa é tensa até o desfecho, deixando um incomodo que nos
acompanha por um tempo.
Recomendo.
Nerd
Shop:
Como na quinta
série. Dw
Ribatski. Balão Editorial / Coleção Zug. Clique
aqui.
Músicos:
Daniel Farina Moreno (violão), João Paulo Pardal (violão), Otávio
Colella (violino), Thais Ribeiro (piano), Renan Cacossi (flauta
transversal), Jonatan Motta (violino).
Direção:
Dan Rosseto
Direção
Musical: Dyonisio Moreno
Sinopse:
Baseada no livro Primo
Basílio, de Eça de Queirós, e transportada para o Rio de
Janeiro nos anos 60, a peça narra história de Luísa, moça
romântica e sonhadora. Ela é casada com Jorge, engenheiro bem
sucedido. Quando seu marido viaja a negócios, reaparece em sua vida
Basílio, seu primo, que também foi seu primeiro amor. A paixão
reacende entre os dois, culminado em adultério. Luísa passa a ser
chantageada por sua empregada, Juliana, que se apossa de uma carta
comprometedora.
É
um enredo típico da literatura
realista, com
críticas contundentes à burguesia e à visão de mundo romântica.
Também tem a estrutura típica de uma história de triângulo
amoroso: mulher trai marido, é abandonada pelo amante e marido
descobre, termina de forma trágica (ou feliz, dependendo se é
realista ou romântica) e assim, mesmo quem não leu o livro já sabe
o que vai acontecer. Isso é até ironizado através do personagem
Ernestinho, que
está escrevendo uma peça com este enredo e está indeciso se faz o
final feliz ou dramático.
Todavia,
embora todas as histórias já tenham sido contadas, a maneira de
contá-las é o que importa. E O Primo Basílio — O Musicalconta
(e canta) muito bem esta história.
Os
atores revelam versatilidade, suas
performances, tanto atuando, como cantando, foram excelentes, bem como a dos músicos.
As
músicas tem um repertório concentrado em bossa nova, samba e MPB e
com destaque para o tango Insensatez, dançado
por Basílio e Luísa.
Um dos momento muito belos da peça - O tango Insensatez
extremamente Também
foram excelentes os desempenhos em relação às expressões faciais
e corporais. Vale destaque para Isadora Ferrite, que interpreta a
empregada vilã, e Aline Meneghetti, que interpreta a
empregada “boazinha” em relação às expressões faciais.
Luís
Araújo constrói muito bem um Basílio sedutor e cínico.
Lígia
Paula Machado, que também produz o espetáculo, mostra-se com um
domínio completo na interpretação de Luísa, mostrando muito bem
todas as faces da personagem: a mulher fútil que destrata a
empregada Juliana; a moça sonhadora, aparentemente feliz com seu
casamento; a moça que deseja liberdade ao se comparar com Leonora,
sua amiga de infância; a mulher que redescobre a paixão ao se
envolver com Basílio e a mulher arrependida e desesperada ao ver a
verdadeira face do amante e diante da possibilidade de ser
descoberta.
O
desempenho dos dois juntos está em perfeita sintonia, que pode ser
sintetizada na cena em que os dois dançam um tango.
A
peça estará em cartaz no Teatro Grande Otelo até o dia 25 de
Novembro. Vale a pena assiti-la.
Serviço:
Quando:
de 03 a 25 de Novembro, aos Sábados às 21 horas e Domingos, às 19
horas.
Sinopse:
Horselover Fat (na realidade um
alter ego de Philip Dick) tem uma experiência mística que o faz
acreditar ter encontrado Deus. Durante um tempo curto, ele sente estar
estar vivendo simultaneamente em duas épocas, uma nos anos 70 (tempo
presente da história) e outra na época de Cristo. Quando esta
sensação some, Horselover passa a procurar revivenciá-la
desesperadamente. Uma amiga sua se mata e isso é a gota d'água pra
ele sofrer um surto e ser internado. Ao ter alta, decide ir em busca
do Salvador. Nesta busca encontra Valis, um (im)provável artefato no
espaço, que acredita ser responsável pela sua visão.
Este
livro descreve de forma romanceada uma experiencia do próprio Dick
(descrita em uma excelente HQde Robert Crumb).
O
autor alterna a narração colocando-se como sendo ele Horselover Fat
outras como um amigo dele, que o acompanha e tem uma postura menos
alucinada (embora não descartando a hipótese de ser verdadeira a
experiência). Muitas vezes o os dois dialogam entre si e até tem
uma interação diferenciada com os amigos em comum, como se
realmente fossem duas pessoas (algumas vezes o leitor que se envolve
com a trama acha que são mesmo).
Os
amigos que o acompanham na maior parte do tempo são Kevin e David,
que representam duas posturas opostas em relação à religião.
Kevin é cético, por ver que o mundo é absurdo, e David, católico
praticante, de postura bastante dogmática.
Boa
parte do livro concentra-se na discussão travada por Horselover com
seus amigos (Dick entre eles) e eventualmente com outros personagens.
Este discussão é pontuada por dados extraídos de uma exegese
“escrita” por Fat (essa exegese realmente existe. São cerca de
8.000 laudas, e nunca publicadas em sua integra).
Percorrendo-se
aproximadamente dois terços do livro, encontramos Valis.
Inicialmente como um filme feito por um rock
star apelidado de Mamãe
Ganso, depois como um artefato (que pode ou não ser uma nave
alienígena).
Dick
define Valis, com um verbete de dicionário, logo na abertura do
romance:
“Uma
perturbação no campo da realidade no qual um vórtice
negencentrópico autominotorador espontâneo é formado, tendo
progressivamente a subsumir e incorporar seu ambiente em combinações
e informações”.
A
editora Aleph coloca na quarta capa que é um “romance policial
teológico” e de certa forma é isso mesmo, já que contém
perguntas que o personagem principal está investigando para alcançar
a verdade.
Como
sempre, o que Dick vai discutir é a natureza da “realidade”, a
eterna questão “nada é o que parece ser”.
Este
livro é importante poar algumas razões. A principal é que revela
muito da personalidade de Philip K. Dick, que não se importa de
mostrar seu lado mentalmente doentio (representado por Horselover).
Uma leitura imperdível para os fãs do autor. A outra é pelas
influências que exerceu, sobretuudo em Matrix.
Fechando
o livro, há um apêndice com uma sequencia de trechos da exegese de
Horselover Fat, reunidos em ordem numérica
Nerd
Shop
Em
português:
Valis, Philip K. Dick,
Editora Aleph. Clique aqui.
Em
inglês:
Valis,
Phlip K. Dick, Editora Orion Publishing. Clique aqui.
Valis,
Phlip K. Dick, Editora Vintage Books. Clique aqui.