domingo, 29 de julho de 2012

TimeQuake – um romance onde um dos protagonistas é o próprio tempo


TimeQuake
Título original(inglês): Timequake
Autor : Kurt Vonnegut
Tradução: Waldea Barcellos
Ediotora : Rocco
Ano:  1999
230 páginas

Sinopse:  O narrador e o escritor Kilgore Trout relatam o evento ocorrido em 2001, quando, segundo Trout, o Universo deu um “soluço”: em vez de  continuar a expandir, resolveu se retrair, saltando dez anos para o passado, em 1991. Todos  as pessoas então foram obrigados a reviver estes dez anos, sem que tivesse a liberdade de mudar coisa alguma.

Esta premissa em si já é assustadora para maioria das pessoas. Todos os erros e acertos cometidos teriam que ser feitos de forma exatamente igual. O pior disso é as pessoas tinham memória das besteiras que fizeram. Um exemplo: uma mulher, praticando um salto ornamental erra e cai sobre o marido e ele fica paraplégico. A mulher vai executar o salto exatamente da mesma maneira e o homem não poderá se desviar a tempo, mesmo sabendo o que vai acontecer.

Quando, segundo Trout,  “o livre arbítrio é reestabelecido”, as pessoas já estão acostumadas a agir no automático e o resultado é um caos já que quem, por exemplo, estava descendo uma escada rolante, em vez de dar um passo à frente, para abruptamente. Freios não são acionados, pessoas param no meio de uma travessia de rua, etc..

Vonnegut mistura relatos de flashes destes eventos com fatos da suposta vida pessoal do narrador (com fortes traços autobiográficos) e de Kilgore Trout e de eventos posteriores, quando “o livre arbítrio foi restaurado”. O autor recheia as passagens com um humor corrosivo que atinge a todos, inclusive a si mesmo. Este humor é muito próprio de Kurt Vonnegut, como em Matadouro 5 e Pastelão ou solitário nunca mais.

Um excelente romance, que infelizmente está fora de catálogo, porém pode ser encontrado em sebos e nas máquinas de autovenda presentes no metro de São Paulo. Vale a pena ler!


quarta-feira, 25 de julho de 2012

Dia do Escritor


Dia do Escritor-cortesia de Adriano Siqueira


Hoje, 25 de Julho, se comemora o Dia do Escritor e nada melhor para homenagea-los do que ler um livro de autor brasileiro, sobretudo novos autores.

O Blog do Pai Nerd sempre procurou prestigiar a literatura brasileira, sobretudo a Fantástica, portando está repleto de sugestões, basta seguir este link, onde a maioria das resenhas é de autores nacionais.

Há também outros sites e blogues que procuram divulgar a literatura brasileira, como É só outro Blog, o Mensagens do Hiperespaço, o Clube dos Leitores de Ficção Científica, o Vá ler um livro, o Pop4, o Literatura de CabeçaO Bule, o Cranik, a coluna do Roberto Causo, o Cobra Norato  entre outros.

Boa leitura

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Avalovara - Um romance literalmente fantástico


Avalovara
Autor: Osman Lins
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2005 (6ª Edição)
384 páginas

Sinopse: O leitor é convidado a a percorrer um labirinto de letras que identificam capítulos, onde é narrado de forma fragmentária e superposta o relacionamento de Abel com três mulheres: Cecília, Roos e uma que é só identificada por um símbolo.

No labirinto aparece outras histórias: a do suposto pergaminho da Biblioteca Marciana de Veneza (de Marcos, não de Marte) que contém o quadrado mágico com a frase em latim: SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS, a do relógio de Julius Heckethorn, a história da personagem representado por um símbolo e a história do próprio Abel.



A distribuição dos capítulos segue uma sequencia ditada por dois parâmetros: o quadrado mágico com a frase latina e um a espiral que o percorre.



Assim o primeiro capítulo seria R do canto superior direito (a primeira letra a ser tocada pela espiral), seguindo pela letra S, do canto inferior direito, depois R novamente (canto inferior esquerdo e assim sucessivamente, até a letra N (única letra que não se repete), no centro do quadrado, onde teoricamente termina a narrativa.

Cada uma das letras identifica uma das narrativas. Por exemplo, a letra S conta a história do escravo frígio que inventara este quadrado para seu senhor romano.

O leitor pode assim ter várias experiências de leitura: ler seguindo a sugestão da espiral, ler  todos os trechos com a letra R, e depois O e assim por diante, ler seguindo uma ordem aleatória, e quantas inventar, como o próprio quadrado mágico sugere, já que qualquer sentido de leitura fornece sempre a mesma frase.

O livro não é somente uma forma diferente de escrever, mas tem muitas boas histórias a contar, todas marcadas pelo o fantástico e com um teor erótico bastante manifesto. E todas convergem para o mesmo desfecho, na letra N.

Atenção! Spoilers!

Por exemplo, o relógio de Julius Hockethorn é uma máquina construída não como um relógio mas como modelo do universo, onde contar as horas é de menor importância. 

Ou máquina que um dos personagens vê sobre sua cama, que pode ou não ser uma alucinação. 

Ou o ser que dá nome ao livro: Avalovara seria um pássaro gigantesco formado por milhares de pássaros pequenos (a própria metáfora do romance).

Ou ainda, uma das personagens que sofre uma queda e tem uma morte aparente quando criança. A partir de então passam a coabitar em seu corpo duas pessoas: uma, com a sua idade real e outra, ela mesma como se tivesse nascido naquele dia.


E cada uma das mulheres com quem se relaciona tem um aspecto diferente do relacionamento erótico: Cecília, tumultuado, Roos, cheio de desencontros e a personagem sem nome, intenso.

Avalovara seria o que eu classificaria como Obra Prima e recomendo fortemente sua leitura.

Nerd Shop


Avalovara, Osman Lins, Companhia das Letras. Livraria Cultura.



terça-feira, 3 de julho de 2012

A Lua atrai amigos


No dia 20 de julho, a 43 anos, o homem pisou na Lua pela primeira vez. E, talvez não por coincidência, no Brasil se comemora o Dia do Amigo



Pensando nisso, o colega de letras Ademir Pascale, pelo segundo ano consecutivo, resolveu convidar escritores e editores para oferecerem descontos em suas publicações e, pelo ato de presentear, incentivar a leitura de autores nacionais.




Mais uma vez participo com meu livro Sombras e Sonhos, publicado pela  Balão Editorial.

Sombras e Sonhos


Para quem não conhece Sombras e Sonhos é um livro que reúne vários contos e um poema, dos gêneros Ficção Científica e Fantasia. Um desgustação pode ser lida aqui.

Paraíso Perdido - Salvador Dali

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sombras da Noite ou Johnny Depp Vampiro


Título Original: Dark Shadows
Direção: Tim Burton
Roteiro: John August
Elenco: Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Helena Bonham Carter,Eva Green, Jackie Earle Haley, Jonny Lee Miller, Chloë Grace Moretz, Bella Heathcote
Produção: Estados Unidos
Ano: 2012 

Sinopse: Em 1752, Barnabas Collins, o herdeiro do de uma rica família inglesa radicada nos EUA, seduz e abandona Angelique, desconhecendo que ela era uma bruxa. A moça se vinga transformando-o em um vampiro e o enterrando vivo. Em 1972, quase 200 anos depois, Barnabas é desenterrado por trabalhadores de uma construção e, ao ser desperto, volta para sua propriedade, tentando encontrar descendentes de sua família.

Baseado em uma série de TV dos anos 60, o filme Sombras da Noite pode ser classificado com gênero “Terrir”, com estrutura similar à da Família Adams, porém um pouco mais sangrento.

O humor está centrado no anacronismo do personagem, contrastando com o que descobre no, para ele, futuro, principalmente o comportamento típico dos anos 70 da adolescente Carolyn, uma de suas descendentes. É particularmente hilariante a cena em que ele está entre hippies numa roda de baseado, onde suas referências anacrônicas e góticas se parecem com o delírio dos fumantes.

Outra cena hilariante é o seu reencontro (literalmente de arrasar) com Angelique, uma das melhores cenas do filme.

Outro ponto forte é a trilha sonora, toda baseada em hits dos anos 70 começando por Nights in White Satin, dos Moody Blues, que abre o filme.


Nigth in white satin - Moody Blues


 Há também outras escolhidas a dedo: Stooges, Carpenters, T-Rex e  Alice Cooper, que aparece representando a si mesmo numa festa promovida por Barnabas.


Alice Cooper - The Ballad Of Dwight Fry

Pontos negativos (cuidado spoiler)

O filme funciona muito bem como comédia, de forma que algumas falhas de enredo podem ser perdoadas, porém uma delas precisa ser apontada. Na luta final, um dos personagens sofre uma transformação que é importante para resolução do conflito entre o vampiro e a bruxa, mas a sua possibilidade é apenas insinuada muito sutilmente no início do filme. E a bruxa se dá ao trabalho de explicar a causa desta transformação no meio da luta! Beira a Deus ex machina.

Johnny Depp está bem à vontade, mais uma vez na pele de um tipo esquisito. Todavia, o ator precisa tomar mais cuidado, pois está ficado maneirista. Todos os personagens representados por ele acabam parecendo o mesmo. Isso pode não incomodar hoje, mas pode acabar cansando até seus fãs.



Por fim há merchandising muito mal disfarçados (embora um deles tenha rendido uma ótima piada).

Um bom filme, que vale pelo seu humor.


Trailler


NerdShop

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