Importante iniciativa do colega de letras, Ademir Pascale, convida autores e editores a participarem do projeto, oferecendo descontos em suas publicações neste dia.
Aos leitores fica a sugestão de presentearem amigos e parentes com livros de autores nacionais, não só agora, mas sempre que possível.
Sinopse: A esposa de Bucler Elizondo está tendo pesadelos com um cão negro e busca Alice Chantecler para que a ajude. Alice é uma vidente e percebe que há algo mais que um sonho atormentando aquela mulher.
Miguel e Gabriel retomam a personagem que já havia sido heroína em “As Luzes de Alice” e mais uma vez enfrentará as forças do mal, na mesma estação espacial onde ocorreram os acontecimentos narrados na primeira noveleta.
O enredo é típico de mistério, descoberta e enfrentamento, que tanto agrada Carqueija. O texto é trabalhado misturando o sobrenatural com o tecnológico. Apesar o enredo se passar numa estação espacial, os antagonistas são vistos como algo sobrenatural e não se busca nenhuma explicação científica para os fatos. Isso é aceito por todos, mesmo aqueles que menosprezam o trabalho da vidente Alice, primeiro porque não há tempo hábil para pesquisar coisa alguma e, segundo, porque a administração da estação quer se livrar dos problemas sem que se investigue muito. Há algo sendo escondido, o que dá o tom pra manter o interesse na leitura e para continuações. Por outro lado, Alice se contenta em enfrentar o mal sem se preocupar com explicações outras, apenas baseada no que sente através de sua vidência.
Um outro aspecto a se ressaltar é que o horror coexiste com o humor, que costuma aparecer em alguns dos textos de Carqueija.
Carqueija e Gabriel continuam a ser amarrados pelo tamanho do da narrativa. O enredo proposto pedia um pouco mais de desenvolvimento, ainda que dirigido ao público mais jovem. Isso frusta um pouco o leitor ávido por leitura.
Sugiro aos autores: se houver uma boa resposta, pensem em ampliar um pouco mais o enredo, nas próximas continuações, se houver. Trabalhem o ambiente, dêem mais profundidade aos personagens e desenvolvam mais a trama. Afinal, uma estação colocada no espaço, com algum segredo oculto, que flerta com mas forças do mal é uma ideia muito boa, que com certeza dá pano pra muita manga.
O texto continua fluído e agradável de ler, mas nota-se que é mais rápido e mais próximo de uma HQ. Essa aceleração talvez se deva à presença de Gabriel Coelho, pois foi no ritmo que notei a principal diferença entre os dois textos.
O sonho de todo jogar de videogame é chegar ao final de qualquer jogo. Truques eram publicados em revistas e até produtos voltados para quebrar as barreiras, dando munição extra, acesso a níveis mais elevado e até vida infinta aos jogadores. Um dos produtos era o Game Genie, para NES.
Comercial do Game Genie
Em junho deste ano, surgiu no canalThe Game Station, uma série, criada por Michael Schroeder, aproveitando o mote do Gênio.
O ser sobrenatural pode dar o que a pessoa desejar, só que o que fornece são poderes relativos ao videogame, transferidos para o mundo real. Por exemplo, a primeira pessoa que o encontra o Genio, pede “salvar em qualquer ponto” e usa isso para corrigir erros (salva um instante antes de fazer uma ação e se, ao executá-la, algo der errado ele retorna ao ponto de partida e refaz a ação). Para mim, é uma escolha inteligente, desde que bem usada.
Interessante é a maneira como o Gênio é chamado. O NES e o Super NES são jogos com cartuchos de memória e, quando ocorria um mal contato, costumava-se sobrar o cartucho é isto que faz o genio surgir.
Soprando-se o cartucho, o Gênio aparece
Ainda que as histórias sigam o velho padrão do gênio, que fornece tudo ao pé da letra e nem sempre o que obtemos é algo que realmente desejamos, a inovação fica pelo uso da linguagem dos games para criar humor.
A série é postada todas as terças feiras e é composta de cinco episódios. O último está prometido para o próximo dia 5 de julho.
Elenco: Owen Wilson, Marion Cotillard, Rachel McAdams, Adrien Brody
Produção: Espanha / EUA
94 min.
Sinopse: Roteirista americano, Gil, deseja ser escritor e, ao contrário de sua noiva, Inez, com quem vai se casar em breve, ama Paris. O casal está na cidade de passagem acompanhando os pais da noiva e lá encontram um velho conhecido de Inez, Paul e sua esposa, Carol. Paul é pedante e desagradável mas Inez insiste em acompanhá-lo. Isso acaba afastanto Gil dos encontros. E uma noite, andando sozinho por Paris, se vê transportado para os anos 20.
Woody Allen não está entre meus cineastas favoritos porque raramente se afasta de falar de si mesmo, fazendo psicanálise em público, o que acaba aborrecendo de se ver sempre a mesma história. E o pior, ele gosta de atuar em seus filmes e ele não tem uma cara lá muito apresentável.
Após 15 anos sem eu ter visto um filme dele, levando em consideração que ele não atua e utilizando-se de uma temática fantástica, acabei sendo tentado a ver Meia Noite em Paris. E realmente foi uma boa surpresa.
É certo que os elementos maneiristas de Woody Allen estão lá. Gil é uma caricatura de Woody: um roteirista de cinema, que faz comédias, que quer ser escritor, saindo da arte popular e indo para mainstream. Também o relacionamento nada harmônico de Gil com sua futura esposa já foi visto em outro lugar.
Isso tudo é apagado quando o personagem viaja pelo tempo. Todas as noites, exatamente à meia noite, ele é recolhido por um carro dos anos 20 e levado para esta época, onde encontra com personalidades que então viviam em Paris: Picasso, Hemingway, Scott e Zelda Fitzgerald, T. S. Elliot, Salvador Dalí, Buñel, Gertrude Stein e muitos outros, muito bem caracterizados.
Salvador Dalí é um dos personagens
Apesar destes personagens históricos serem conhecidos apenas por uma parte do público, eles são mostrados como personagens e as referências para contextualizá-los são dadas por Gil como um fã admirado, de tal forma que mesmo quem não os conheça se encante com o que está acontecendo.
Atenção:spoiler!
Em um determinado momento, Gil resolve mostrar seus originais, inicialmente para Hemingway, que se recusa a lê-los, e a conselho dele, os mostra para Gertrude Stein. Ele ouve, não só deles, mas de vários outros artistas, conselhos sobre o processo criativo e sua ligação com a vida e, também, com a morte. Woody Allen parece se perguntar: o que Hemingay (por exemplo) diria pra mim se eu lhe perguntasse sobre a arte de escrever?
As respostas dadas por cada um deles são verdadeiras lições para quem deseja ser escritor. Gil aceita algumas e descarta outras, mas todas são muito interessantes.
Outro ponto importante é discussão a sobre aceitação ou fuga da realidade, que é sem dúvida o mote principal do filme. Fugir para o passado, ainda que se encontre com os expoentes da época, é uma solução? Vale a pena seguir em frente num caminho seguro mas sem emoções, ou optar por viver “uma vida louca”? Os escritores escolhidos viveram uma vida louca e emocionante, porém isto é contrastado com o sofrimento intenso que acompanha esta forma de viver, na tentativa de suicídio de Zelda Fritzgerald, na fuga de Hemingway para África e nos relacionamentos tumultuados de Adriana, que foi amante de vários artistas da época.
Allen parece inclinado a rejeitar a vida segura, pois o personagem que representa esta vida é Inez , ele a caracteriza de tal forma a não termos nenhuma simpatia por ela (este é outro dos maneirismo de Allen: em alguns filmes o personagem principal está envolvido com alguma mulher detestável).
Inez representa a vida segura, mas medíocre.
Do outro lado está Adriana, onde o diretor faz o contrário: quer que tenhamos simpatia por ela, ainda que, para alguns, viole alguns códigos de conduta, sobretudo em relação ao conceito de “fidelidade”.
Allen contrapõe Adriana a Inez, que representa a vida emocionante, mas incerta
A verdadeira posição de Allen, contudo é um terceiro caminho, que aparecerá no final do filme, consistente e coerente com o personagem Gil.