História da Ciência número 2
Edição especial da Revista de História
Biblioteca Nacional
Acabou de chegar às bancas o segundo volume de História da Ciência, da Biblioteca Nacional, tendo como tema central Ao Universo e além!
O número 1 já comentado aqui trouxe informações muito importantes sobre a ciência brasileira do passado, sendo uma fonte importante de pesquisa para aqueles que pretendem escrever ficção científica, fantasia ou história de época situada no Brasil em algum lugar do seu passado, presente ou futuro.
O volume 2 continua a explorar estes temas. O interesse passa desde a pré história até pesquisa recentes. Um dos artigos, A caminho do cérebro eletrônico, nos coloca diante de pesquisas de um brasileiro, Miguel Nicodelis, sobre a interação entre cérebro e máquina, que organizou em 2008 uma experiência onde os impulsos elétricos do cérebro de um macaco nos EUA controlava um robô no Japão.
O artigo O Eclipse de Sobral fala sobre as pesquisas realizadas, em Sobral, no interior do Ceará, durante um eclipse em 1919, visando a comprovação da teoria da relatividade.
Indo para um outro período, os séculos XV-XVI, a matéria Saber navegar é preciso nos mostra muito sobre a arte e técnica da navegação Ibérica. Outra que abrange o mesmo período é Uma nau lava a outra, sobre a cartografia de ibéricos e franceses.
Nas páginas centrais, mais uma linha do tempo, abrangendo do século XVIII ao XXI os seguintes temas: doenças e vacinas, energia, educação e divulgação científica, inovações tecnológicas, inttuições e comunidade científicas.
Já Os Primeiros Drawinistas, mostra que as primeiras comprovações da teoria da evolução foram achadas no Brasil, não durante a primeira expedição do cientista ao Brasil, mas em 1862, pelas mãos do naturalista inglês Henry Walter Bates, que percorreu os rios Negro e Amazonas, durante doze anos.
Cesar Lattes, o controvertido físico brasileiro, é o tema da reportagem Dos raios cósmicos para o samba, que conta como este brilhante cientista se valeu de sua influência no meio científico internacional para divulgar a ciência brasileira.
Em Visonários da Eletrônica, o artigo fala de dois brasileiros, o padre Landell de Moura e Luiza Moreria, que, cada um à sua maneira, foram precursores da pesquisa sobre eletrônica no Brasil.
Há ainda muitas outras matérias de interesse para nós que desejamos ser escritores de fantasia e ficção científica.
Filmes, livros, notícias, artigos sobre fantasia, horror, ficção científica e alguma poesia.
sábado, 18 de dezembro de 2010
domingo, 12 de dezembro de 2010
Tron: O Legado
Tron: O Legado
Direção: Joseph Kosinski
Roteiro: Adam Horowitz e Edward Kitsis
Elenco: Jeff Bridges, Garrett Hedlund, Bruce Boxleitner, Olivia Wilde, Michael Sheen, James Frain
Música: Daft Punk
Direção de Arte: Claudio Miranda
Lançamento previsto: 17 de dezembro de 2010
Sinopse: Kevin Flynn, principal executivo de uma empresa de software, obcecado por querer dar a vida a seres de um universo virtual, desaparece misteriosamente. 20 anos depois, seu filho,Sam, imaturo, em vez de assumir os negócios, faz intervenções marginais e espetaculares, tentando resgatar a imagem do pai diante de uma diretoria ganaciosa. Tudo muda quando um amigo de Kevin recebe um bip num aparelho desativado desde o desaparecimento do executivo.
Na tentativa de resgatar Kevin, Sam vai ao escritório abandonado do pai e, ao acionar um computador antigo é levado a um mundo virtual, a Grade, o mesmo mostrado no primeiro filme de TRON.
Os roteiristas e o de diretor de TRON, o Legado tinham a responsabilidade de criar algo à altura do primeiro filme TRON, de 1982, que apesar do roteiro simples, foi revolucionário ao criar um mundo virtual, conceitualmente e como efeito especial e o uso massivo de computação gráfica, na construção dos cenários, veículos e roupas dos personagens.
Esperar algo revolucionário de novo numa sequência seria esperar demais, mas o risco de produzir algo sofrível era muito grande. A direção se preocupou em manter a forma original do cenário, das roupas e veículos, incrementando-os com mais detalhes e mobilidade, sem que o fãs do filme original e os que o desconheciam se decepcionassem. Foi mantido também o humor em cima do jargão técnico na medida certa, de forma a não aborrecer os que os desconheciam.
A trilha sonora do Daft Punk está primorosa, bem como os efeitos sonoros. O roteiro, um pouquinho mais denso que o primeiro filme, mas sem ser filosófico demais, garante um a boa diversão. Há também referencias a outros filmes, como Matrix (que é posterior ao TRON original), Guerra nas Estrelas (com a piada – estragada pelo trailler – “eu não sou seu pai”) e o Mágico de Oz, e ao fime TRON original, colocando alguns detalhes, como Bit, como um objeto de decoração (como se nos dissessem: “nós não esquecemos, viu!?”)
O que decepciona um pouco, sem comprometer a qualidade geral, é o uso da tecnologia 3D. Com tantos objetos virtuais, poderiam ter ousado um pouco mais.
No enredo merecem destaque o uso de conceitos de IA para explicar determinados comportamentos das entidades virtuais em oposição aos seres humano, sobretudo no final e o desenvolvimento de “vida” virtual paralela a partir de código espúrio (os ISO).
Curiosidades Nerd:
No filme, TRON é o nome de um personagem que representa uma rotina de ajuda ao usuário. O termo é uma abreviatura de TRACE ON, uma instrução do BASIC (linguagem de computação popular nos anos 80) e permite ao programador acompanhar o que está acontecendo a cada instrução que executada, mostrando seu resultado em tela, em forma de texto.
As referencias ao Mágico de Oz são várias, porém os roteiristas tentaram deixar mais marcado colocando o mundo real em 2D e o virtual em 3D (como no filme com Jud Garland: preto e branco versus colorido).
Há referencia também ao jogo de Go, originário da China, que é jogado sobre uma grade, colocando-se as pedras nos pontos de junção entre duas linhas. Kevin luta contra o vilão como se estivesse jogando Go (há um tabuleiro em sua sala), usando a estratégia de esperar o movimento do adversário, colocando-se indefinidamente em defesa. Isso normalmente irrita o adversário e o faz se precipitar.
Direção: Joseph Kosinski
Roteiro: Adam Horowitz e Edward Kitsis
Elenco: Jeff Bridges, Garrett Hedlund, Bruce Boxleitner, Olivia Wilde, Michael Sheen, James Frain
Música: Daft Punk
Direção de Arte: Claudio Miranda
Lançamento previsto: 17 de dezembro de 2010
Sinopse: Kevin Flynn, principal executivo de uma empresa de software, obcecado por querer dar a vida a seres de um universo virtual, desaparece misteriosamente. 20 anos depois, seu filho,Sam, imaturo, em vez de assumir os negócios, faz intervenções marginais e espetaculares, tentando resgatar a imagem do pai diante de uma diretoria ganaciosa. Tudo muda quando um amigo de Kevin recebe um bip num aparelho desativado desde o desaparecimento do executivo.
Na tentativa de resgatar Kevin, Sam vai ao escritório abandonado do pai e, ao acionar um computador antigo é levado a um mundo virtual, a Grade, o mesmo mostrado no primeiro filme de TRON.
Os roteiristas e o de diretor de TRON, o Legado tinham a responsabilidade de criar algo à altura do primeiro filme TRON, de 1982, que apesar do roteiro simples, foi revolucionário ao criar um mundo virtual, conceitualmente e como efeito especial e o uso massivo de computação gráfica, na construção dos cenários, veículos e roupas dos personagens.
Esperar algo revolucionário de novo numa sequência seria esperar demais, mas o risco de produzir algo sofrível era muito grande. A direção se preocupou em manter a forma original do cenário, das roupas e veículos, incrementando-os com mais detalhes e mobilidade, sem que o fãs do filme original e os que o desconheciam se decepcionassem. Foi mantido também o humor em cima do jargão técnico na medida certa, de forma a não aborrecer os que os desconheciam.
A trilha sonora do Daft Punk está primorosa, bem como os efeitos sonoros. O roteiro, um pouquinho mais denso que o primeiro filme, mas sem ser filosófico demais, garante um a boa diversão. Há também referencias a outros filmes, como Matrix (que é posterior ao TRON original), Guerra nas Estrelas (com a piada – estragada pelo trailler – “eu não sou seu pai”) e o Mágico de Oz, e ao fime TRON original, colocando alguns detalhes, como Bit, como um objeto de decoração (como se nos dissessem: “nós não esquecemos, viu!?”)
O que decepciona um pouco, sem comprometer a qualidade geral, é o uso da tecnologia 3D. Com tantos objetos virtuais, poderiam ter ousado um pouco mais.
No enredo merecem destaque o uso de conceitos de IA para explicar determinados comportamentos das entidades virtuais em oposição aos seres humano, sobretudo no final e o desenvolvimento de “vida” virtual paralela a partir de código espúrio (os ISO).
Curiosidades Nerd:
No filme, TRON é o nome de um personagem que representa uma rotina de ajuda ao usuário. O termo é uma abreviatura de TRACE ON, uma instrução do BASIC (linguagem de computação popular nos anos 80) e permite ao programador acompanhar o que está acontecendo a cada instrução que executada, mostrando seu resultado em tela, em forma de texto.
As referencias ao Mágico de Oz são várias, porém os roteiristas tentaram deixar mais marcado colocando o mundo real em 2D e o virtual em 3D (como no filme com Jud Garland: preto e branco versus colorido).
Há referencia também ao jogo de Go, originário da China, que é jogado sobre uma grade, colocando-se as pedras nos pontos de junção entre duas linhas. Kevin luta contra o vilão como se estivesse jogando Go (há um tabuleiro em sua sala), usando a estratégia de esperar o movimento do adversário, colocando-se indefinidamente em defesa. Isso normalmente irrita o adversário e o faz se precipitar.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Anjos, Mutantes e Dragões
Autor: Ivanir Calado
Editora: Devir – Coleção Pulsar
Ano: 2010
292 páginas
Sinopse: 15 contos de Ficção Científica (em sua maior parte) e Fantasia, escritos entre 1990 e 2000, agrupados em cinco sessões.
Ivanir Calado é considerado por vários críticos um dos melhores escritores de Ficção Científica brasileiros, e de fato ele é um excelente escritor.
Cada um dos contos revela uma faceta diferente deste autor. Começando por “Paradoxo de Narciso”, publicada no número 16 da Isaac Asimov brasileira. É uma das melhores histórias de viagens no tempo envolvendo o paradoxo do encontro consigo mesmo que eu li. É o que basta, do contrário daria um spoiler para os leitores que não a conhecem!
As três histórias seguintes foram publicadas na Coleção Fatos e Relatos da Ediouro em 1994. Na primeira deles, “Refém”, um menino de classe média é tomado como refém por dois menores marginais e para suportar a tensão imagina ser um herói espacial vitima de uma abdução por alienígenas. O tom é humorístico e o desfecho muito bem conduzido.
Tia Moira trata de um tema bastante familiar ao brasileiro: as telenovelas. A personagem que dá o título ao conto parece misturar a realidade à fantasia, chorando até a morte de personagens, mas será que a vida imita a arte ou arte imita a vida?
A terceira, para mim a melhor do grupo, está “Anjo”. Um homem recebe a visita de um anjo sempre que algo de ruim vai acontecer em sua vida, só que não entende a mensagem e mesmo que suspeite do conteúdo não consegue evitar o fato predito. O final surpreendente garante a qualidade da história, superando as expectativas do leitor.
O grupo seguinte, também uma encomenda da Ediouro, integravam uma coleção, Eles são sete, que agrupava contos baseados em um dos sete pecados capitais.
A secção abre com o conto “Operação Lobo”, um conto muitíssimo bem humorado sobre a Gula. Nele um espião inglês deve retirar um prisioneiro de uma prisão búlgara, usando comida como suborno. O espião e comparsas acabam comendo o que não deviam e quase põe a perder a operação. O sucesso é garantido por uma arma insuspeita. O desfecho deverá provocar boas risadas.
“Bobo” é o conto onde a Ira é o pecado-tema. Nele, em um planeta dominado por um regime totalitário, crianças de determinadas famílias são deformadas desde a mais tenra idade para se tornarem bobos da corte. A única vantagem em ser um bobo da corte era poder falar o que quisesse, pois seria interpretado pelos espectadores como uma piada. Mas um dia a piada foi levada a sério.
“O Dia do Dragão” é o conto associado à Preguiça. Um rapaz sonhador é escolhido para ser sacrificado ao Dragão por não ser produtivo. Seu inconformismo provocará uma mudança no comportamento da população.
“Kilumbo” é uma história contada por um idoso a seu bisneto sobre as origens de seu mundo. O orgulho está associado à dignidade recuperada de um povo antes escravo. O conto procura mudar a conotação da palavra orgulho alterando seu significado de arrogância para expressão de dignidade. Aliás a busca de um significado positivo aos chamados pecados é marca da maioria de seus contos neste bloco, como já vimos no conto relativo à Preguiça, ou da justificativa à Ira, no conto “Bobo”. Isso voltará a acontecer no conto “Avthar”, o último do grupo.
“Não é por Inveja” conta história de alguém que não tolera ser o segundo numa relação de amizade, sentindo-se usado pelo ego mais forte. Um bom conto, onde o dialogo interior e o ponto de vista apenas do narrador-personagem (conto em primeira pessoa) nos conduz a uma expectativa de um final, aparentemente o único possível. Aparentemente.
“A Volta do Dragão”, dedicado à Avareza, é um conto situado no mesmo universo do conto “O Dia do Dragão”, só que separado por um longo período de tempo e contado pelo mesmo bisavô de “Kilumbo”, mostrando uma preocupação do autor em dar uma certa unidade a pelo menos um parcela dos contos deste bloco. Neste conto, um homem muito avarento decide se transformar num dragão para defender seus tesouros.
Fechando o grupo está "Avthar", associado à Luxuria, onde um menino nasce com poderes especiais, mas uma interpretação equivocada do conceito de pureza pelos monges guardiões da religião local condena este menino ao isolamento e o afasta da população que deveria ajudar.
O grupo seguinte é formado por duas histórias, mais voltadas à ficção histórica do que à fantasia ou ficção científica, publicadas por ocasião dos 500 anos do descobrimento na coleção “Aventuras no Tempo”, pela Editora Record.
O primeiro deles é “Foi assim (talvez)”, que especula sobre o fim do povo que vivia nos sambaquis (o povo que virou “talvez”). O segundo é a “Carta do filho da puta”, que explora um dos incidentes relatados por Caminha em sua carta, envolvendo dois grumetes que fugiram e se reuniram aos índios. A história é narrada por um deles, filho de uma prostituta que procura fugir de sua sina humilhante.
No último grupo estão dois contos, um, “Eleanor Rigby” para uma antologia patrocinada pelo CLFC (que infelizmente não saiu) com contos baseados em canções dos Beatles e outro que narra um história policial cyberpunk num Rio de Janeiro distópico, mas muito similar ao Rio de hoje.
“Eleanor Rigby” é baseado numa frase desta música dos Beatles: Wearing a face that she keeps in a jar by the door. Ivanir Calado imagina uma gueixa que troca seu rosto de tempos em tempos, mas sem nunca encarar sua face verdadeira. Para mim este é o melhor conto da coletânea, em primeiro lugar por perceber o potencial da frase para um conto de FC, em segundo, pelo traçado psicológico da personagem, muito bem estruturado e mostrado ao longo da narrativa de maneira sutil e poética, e pelo final, que, para muitos será uma surpresa. Uma belíssima homenagem a Lenon e McCartney.
Fechando o livro está o excelente policial cyberpunk, “O Altar de Nossos Corações”, que parece ter sido escrito por uma mistura do Capitão Nascimento com Bruce Sterling. O governador do estado é sequestrado pelo crime organizado, mas isso é apenas a ponta do iceberg de toda uma trama policial.
Em suma, um excelente livro de um excelente autor.
domingo, 24 de outubro de 2010
Hoje eu sou Alice
Hoje eu Sou Alice
Título original: Today, I´m Alice
Tradução: Andréa Gottlieb de Castro Neves
Autores: Alice Jamieson & Clifford Thurlow
Editora: Larousse
336 página
Sinopse: Alice Jamieson narra de forma emocionante a partir de suas lembranças fragmentadas, sua infância atormentada e o resultado disso: um Transtorno de Personalidade Dissociada, ou em termos não médicos, um caso de múltiplas personalidades.
Desde que Robert Louis Stevenson escreveu o Médico e o Monstro
e o mangá MPD Pysicho levou às últimas consequencias, a literatura tem registrado um sem número de histórias com esta temática, mas com o livro As Três Faces de Eva, de 1954, e Sybil, de 1973, de casos reais dramáticos foram levados à literatura e ao cinema.
O protótipo das personalidades
multiplas: O Médico e o Monstro
Tal é o caso de Hoje eu sou Alice. A diferença em relação às outras duas obras é que esta foi feita pela própria vítima do transtorno, o que redobra o interesse, tanto para o leigo, como para o profissional da área.
Outra diferença, é que o livro não é centrado no transtorno em si, mas nas suas causas e na evolução, tanto que as manifestações de personalidades de múltiplas só surgem mais ou menos na metade do romance. Antes, surgem alucinações auditivas e outros comportamentos, que também são sintomas de outros transtornos, como a esquizofrenia.
As três faces de Eva
Um dos primeiros casos reais levados ao Cinema
Narrado em primeira pessoa, o livro comove e choca principalmente com a narrativa em detalhes dos abusos sexuais violentos sofridos por Alice na sua infância, cometidos pelo seu próprio pai e por estranhos, com o consentimento dele. Também é dramática a descrição da violência perpetrada a si mesma em suas múltiplas tentativas de suicídio e do processo de hospitalização, que muitas vezes parece cruel, mesmo num sistema de saúde considerado um dos melhores do mundo (Inglaterra). Além destes problemas, Alice sofre com anorexia, abuso de álcool e drogas lícitas e ilícitas, incapacidade de se relacionar e outros problemas.
O livro coloca como um dado a ser verificado, mas plausível, que o Transtorno de Personalidade Dissociada é causado por um mecanismo de defesa criado por uma criança muito nova, face à violência perpetrada contra ela de maneira continuada. Ou seja, “quem está sofrendo a violência é outro, não eu.” Outro fator a alarmante, é que o livro aponta que possivelmente em quase 100% dos casos, a violência é de natureza sexual, perpetrada por alguém muito próximo da criança. Isso vai ao encontro da narrativa de Sibil, mas está apenas implícita em As três faces de Eva (talvez seus autores não estivessem propensos a levantar esta polêmica na época).
Sybil, um dos casos mais complexos de multiplas personalidades
Em suma, um excelente livro, que trata de um problema complexo e raro, sem se perder em detalhes técnicos, nem deixar de lado a dramaticidade dos acontecimentos ali narrados.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
História da Ciência número 1
História da Ciência número 1
Edição especial da Revista de História
Biblioteca Nacional
Um dos conselhos que mais ouvi quando escrevia tanto artigos de caráter técnico como literatura foi: pesquise sempre e muito sobre o assunto sobre o qual vai escrever.
Isso vale muito para a Ficção Científica, mesmo para a chamada soft. É claro que não preciso conhecer tudo sobre mecânica do motor de combustão interna para poder escrever um romance dieselpunk, mas pelo menos preciso conhecer o nome de algumas peças básicas e o contexto histórico que permitiu que o motor a explosão interna existisse (o motor a combustão interna poderia ter existido antes da descoberta do refino de petróleo? Alguém poderia ter pensado em usar álcool em vez de querosene, o que tornaria a invenção possível até para os gregos).
Na História Alternativa preciso conhecer os fatos históricos e suas consequencias que eu quero alterar e seguindo algumas leis sociológicas, tentar projetar um futuro (do pretérito, talvez) alternativo.
A edição especial História da Ciência, da Revista de História da Biblioteca Nacional é uma excelente fonte de pesquisa. Aliás, a Revista de História é básica para quem pretende escrever em qualquer gênero que envolva algum acontecimento histórico, em qualquer época.
No número 1 o tema é Ciência com jeito do Brasil, inovação e desafios desde a Colônia. Perfeito para quem quer escrever um conto com um olhar para o Brasil!
Uma rápida folheada nos revela algumas matérias de interesse, como “Laboratórios Emancipados”, sobre Oswaldo Cruz e seu papel de organizador e consolidador da ciência brasileira, da “Ouro Negro tupiniquim”, sobre o petróleo na obra de Monteiro Lobato, “Acervos produtivos”, sobre o papel dos museus na pesquisa científica, “Divulgar é preciso”, sobre a literatura de divulgação científica no Brasil (co-irmã da Ficção Científica) e “Projetando o progresso”, sobre o papel da engenharia no desenvolvimento tecnológico do país, entre outras.
Uma atenção especial à página central, que contém uma linha do tempo sobre o desenvolvimento de seis aspectos da História da Ciência e da Tecnologia do Brasil: Astronomia e Cartografia, Amazônia e Biodiversidade, Agricultura, Transportes, Mulheres e Pensamento Social, indo do século XVII aos dias de hoje.
Uma atenção especial à página central, que contém uma linha do tempo sobre o desenvolvimento de seis aspectos da História da Ciência e da Tecnologia do Brasil: Astronomia e Cartografia, Amazônia e Biodiversidade, Agricultura, Transportes, Mulheres e Pensamento Social, indo do século XVII aos dias de hoje.
Fechando a edição, uma lista comentada de livros que podem interessar ao candidato a escritor, com destaque para 1910 – o primeiro voo no Brasil,de Susana Alexandre e Salvador Nogueira, da editora Aleph, que mostra um aviador esquecido pela história: Dimitri Sensaud de Lavaud, que construiu o primeiro avião brasileiro (ou seja, construído no Brasil, com materiais e tecnologia brasileiros) e realizou um voo de sucesso.
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