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quarta-feira, 5 de maio de 2010

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus

Título: O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus
Título Original: The Imaginarium of Doctor Parnassus
Origem: França, Canadá, EUA, Reino Unido
Direção: Terry Gilliam
Roteiro: Terry Gilliam e Charles McKeown
Elenco: Heath Ledger, Johnny Depp, Christopher Plummer, Colin Farrell, Jude Law
Ano de Produção: 2009
Duração: 122 min

Sinopse: Dr Parnassus oferece um espetáculo mambembe a um público cada vez mais raro e indiferente. Neste espetáculo, o espectador é convidado a entrar num labirinto de espelhos e mergulhar num mundo imaginário. O participante na realidade entra num mundo onde em um determinado momento deverá fazer uma escolha, normalmente entre um prazer e a glória do paraíso. Tudo isto é fruto de um jogo sem fim entre o Dr. Parnassus e o Diabo no qual sempre há uma aposta envolvendo um número de almas que devem escolher um ou outro lado. O jogo ganha contornos dramáticos pois o aniversário de 16 anos de Valentine, sua filha, se aproxima e neste dia fatídico, o Diabo cobrará o prêmio de um jogo perdido por Parnassus.

Trailler


Atenção: contém spoilers!

Quando tudo parece perdido, surge Tony, encontrado meio morto, enforcado debaixo de uma ponte. Com amnesia, incorpora-se a troupe e convence Parnasssus a renovar o espetáculo. Isso faz com que o publico sempre crescente participe cada vez mais, e, para desepero do Diabo, seduzido por Tony a fazer a escolha certa.

Porém o passado de Tony vem a tona e ele se vê obrigado a se lançar no mundo imaginário para fugir de seus perseguidores. A partir deste momento há uma luta entre Tony, o Diabo, Parnassus e Anton (um dos membros da troupe) por Valentine, cada um seguindo sua próprias motivações. Neste processo Tony vai sendo transformado e sua verdadeira face é revelada.

Na transformação de Tony reside o tour de force do filme. Heath Ledger morreu quando tinha gravado cerca de apenas um terço de todas as cenas do seu papel (Tony), levando Terry Gilliam, diretor do filme, julgar que seu empreendimento teria ido por água abaixo. Porém, graças a Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law, que interpretaram as cenas restantes de Tony, o uso de máscaras e de CGI, o filme foi salvo. Isso foi possível devido à atmosfera fantástica do filme e das transformações de caráter de Tony que se tornaram então físicas, por meio de um recurso semelhante ao usado e abusado no clipe Black or White de Michael Jackson, feito de uma maneira muito sutil e bem amarrada à trama. A impressão é de que se filme tivesse sido pensado antes desta maneira, não teria ficado tão bom!

Isso já valeria a ida ao cinema, porém o filme tem muito mais do que isso. Terry Gillam concebe uma excelente alegoria dramática sobre a fragilidade das escolhas humanas e sobre a magia de contar histórias, pois segundo o Dr. Parnassus, é isto que sustenta a existência do universo.

Ainda há a boa construção do ambiente surreal do mundo imaginário para onde os personagens são deslocados. E o jogo de sedução que Tony faz para retirar as vítimas das garras do Diabo é bastante divertido e inteligente.


Leia também a crítica do Cine Dude.



quarta-feira, 28 de abril de 2010

Revista Lama n°1

Revista Lama nº 1
Editor: Fabiana Vianna
Lançamento: Outubro 2009
Páginas: 60

Lama
é uma revista pulp especializada em Fantasia, Suspense e Terror. Pulp é um tipo de publicação, surgida nos anos 20, feita com papel barato (aí o nome pulp, polpa), visando principalmente a diversão.

O projeto gráfico procura lembrar uma revista antiga, com as marcas do envelhecimento de suas páginas. Os textos são enriquecidos por ótimas ilustrações.

Este primeiro número é aberto pela fotonovela policial "17:30 e Já é Noite em Curitiba", de autoria de Fabiano Vianna. Fotonovelas foram bastante populares nos 50 e 60, percorrendo as páginas das revistas femininas e algumas publicações exclusivamente voltadas para este tipo de narrativa. "17:30", apesar de resgatar um gênero antigo, busca inovar na linguagem, rompendo o modelo de "quadro a quadro" característico. As cenas se superpõem sem que haja um limite claro entre elas. As falas dos personagens e a narração aparecem como se fossem tecladas numa máquina de escrever. O recurso funciona bem para criar o clima da narrativa, mas algumas vezes dificulta a leitura.

A seguir temos o conto "Teu Sangue em meus sapatos engraxados", de Ana Paula Maia (autora de A Guerra dos Bastardos). Trata-se de um delírio descrito em primeira pessoa de alguém que vaga pela noite. Não temos outra informação a não ser o que ele fala. E fala em monstros que o perseguem e de seus sapatos sujos de sangue. Ao leitor, conduzido pelos desvarios do narrador, só resta imaginar o que poderia estar acontecendo.

Giulia Moon nos brinda com "Gueixa", um conto com sua personagem Kaori. Trata-se de um bem conduzido conto, onde uma gueixa cuida de seu cliente. Um texto levemente erótico, conduzido como se fosse um solo de violino, que de repente é quebrado.

"Mórbidas Confissões", de Assionara Souza, conta a história de um relacionamento tumultuoso entre um estudante e seu avô, que conduzem a uma vingança.

"Dr. Hannibal apaixonado", de Luiz Felipe Leprevost, é uma história de um amor mórbido de um psicopata canibal por sua vítima, contado do ponto de vista do assassino.

Daniel Gonçalves nos conta em "No silencio da mata" a trágica perseguição na Mata Atlântica de alguns excursionistas a um animal aparentemente desconhecido. Desta vez não foi o gato que foi morto pela curiosidade...

"Álbum de Família", de Martha Argel nos conta história de alguém que tem dois pais e duas mães, ou melhor, um pai e o resto...

"O Aleph de Botafogo" de Simone Campos, recria "O Aleph" de Borges no Rio de Janeiro, de uma forma muito bem humorada.

"A Idéia" de Fabiano Vianna, é literalmente a história de uma boa idéia. Como podemos ter certeza de que a idéia que nos encomendaram era realmente boa?

Uma carta que é entregue a um morto é o ponto de partida para o conto "A carta", de Emanuel R. Marques.

Em "O Anjo da USP", de Gisele Pacola, uma conversa entre duas amigas conduz a um relato sobre um violento caso de estupro. E o criminoso pode ser qualquer um.

Fechando a edição há uma pequena coleção de micro e mini contos de Rodriane DL.

Como se pode notar, Lama traz ao leitor realmente uma grande variedade de temas indo do policial à fantasia, passando pelo terror sutil e o horror cru.

Maiores informações, clique aqui

Paradigmas 3

Paradigmas 3
Autor: Richard Diegues (org)
Editora: Tarja
Páginas: 120
Ano: 2009


Sinopse:
Volume 3 da coleção Paradigmas que reúne contos que têm em comum não terem nada em comum (aparentemente).
 

O nome foi escolhido pela Tarja Editorial para justificar este tipo de reunião, tentando romper os limites entre gêneros, em especial, Ficção Científica, Terror e Fantasia. 

A quebra de paradigmas funciona no sentido em que há realmente uma boa amostra de gêneros. 

Entretanto, poucos dos contos presentes em Paradigmas 3 realmente romperam os limites gêneros a que estão presos. Quase todos, sem muito esforço, podem ser classificados num gênero específico, com uma provável exceção do conto de Hugo Vera, "O Homem Bicorpóreo", já publicado na coletânea Solarium, onde a parapsicologia ganha o espaço da magia num conto de FC (os puristas dirão que parapsicologia é também ciência).
Apesar de não terem rompido os limites, os contos são bons, o que indica um cuidado na escolha dos textos por parte de seu organizador, Richard Diegues. Este é um dos mérito desta coletânea, num momento em que no mercado estão surgindo várias coleções sem um cuidado de uma seleção mais criteriosa por parte de seus organizadores.

"Baby Beef, Baby", de Richard Diegues. Um muito bem humorado conto cyberpunk, onde um programador tem que testar um módulo de segurança de um programa que controla um rebanho de gado. O bom humor fica por conta da contextualização "histórica" da situação mundial e porque o gado é tão importante naquele contexto e da maneira como os o personagens navegam no mundo real e virtual.

"O Mito da Fecundação", de Ludimila Hashimoto. Uma fábula onde duas sociedades primitivas dependem uma da outra e uma delas tenta romper com esta dependência apropriando-se do conhecimento da outra.

"Reminiscências de um mundo verde", de Ronaldo Luiz de Souza. Um conto com fundo ecológico, onde somente privilegiados podem possuir um jardim. Apesar da mensagem ser óbvia, a maneira de contá-la é original, sobretudo o desfecho.

"O Animal Morto", Saulo Sisnado. História de Terror, onde uma menina encontra em seu jardim uma carcaça de um estranho animal. Na abertura, o autor nos dá uma pista do que nos espera, pois afirma que tem preferências por histórias onde o monstro é mais explícito.

"Lamentações de Jeremias", de Lúcio Manfredi. Uma ficção científica onde o humor predomina e conta a história de um autor frustrado com um crítico que costumava arrasar suas obras.

"Esperança Corrompida", de Leandro Reis. Fantasia medieval sobre um vilarejo assolado por um demônio que derrota um a um todos os cavaleiros que ousam enfrentá-lo.

"Em Berço Esplêndido", de Camila Fernandes. Num conto narrado como se fosse um artigo de revista ou tópico de livro didático, a autora cria uma lenda como as que costumam povoar as histórias do interior de São Paulo.

"Choque de Civilizações", de Marcelo Jacinto Ribeiro. Fantasia onde predomina o humor, sobre uma invasão involuntária feita por um contador carente de imaginação ao reino dos gnomos.


"Hatzemberg", Davi Gonzáles. Após a morte misteriosa de um colega, um padre é assolado por fortes dores de cabeça, acompanhado de pesadelos com seres que exigem que abandone a religião cristã, toda vez que ministra seus ofícios religiosos.

"A Velha Remington", Wolmir Alcântara. Terror onde um escritor mantém seus originais ocultos porque atribui um poder mágico a uma velha máquina de escrever. Lembra bastante o seriado Além da Imaginação.

"O Cavaleiro e o Senhor do Inverno", de Gianpaolo Celli. Outra fantasia medieval, onde um cavaleiro para honrar o código de conduta, auxilia uma inimiga a salvar seu irmão.

"De Vento e de Pedra", de Viviane Yamabuchi. Fantasia Mitológica sobre o relacionamento de uma fada com uma estátua.

"O Homem Bicorpóreo", de Hugo Vera. FC onde a ciência em foco é a parapsicologia.

Nerd Shop:
Paradimas 3, de Richard Diegues -- Organizador (Tar
ja)

sábado, 24 de abril de 2010

Multiplas Personalidades e Ficção

Pode alguém ter mais de uma personalidade?

Não estou falando de pequenas mudanças de comportamento ou de atitudes contraditórias que todos nós temos. Estou falando de personalidades distintas, estruturadas, que habitam o mesmo corpo e a mesma psique (excluindo aqui as possíveis "mediunidades" ou "possessões").

Robert Louis Stevenson colocou isto na literatura no excelente O Médico e o Monstro, onde o Dr Jekill e Mr Hyde se alternam, mas na realidade são a mesma pessoa. A história foi repetida a exaustão, perdendo seu impacto original. Stvenson criou uma alegoria sobre aquela parte de nós mesmos que não desejamos que os outros vejam, mas que não podemos rejeitar completamente. Até os nomes dos personagens denunciam a ambiguidade: Je (eu, em francês) kill (mato, em inglês) e Mr Hyde (hide = esconder). Quem mata é o Dr. Jekill. Um médico que, em vez de salvar, esconde dentro de si um assassino.

O tema, desde então, jamais foi abandonado. Invadiu o cinema, nas várias filmagens de o Médico e o Monstro, indo ao Psicose de Hitchcock; passando pelo não tão brilhante Eu, eu mesmo e Irene, O Incrível Hulk (não é?), centenas de filmes policiais e de terror B, e pelo excelente Clube da Luta (para mim, o melhor filme deste tipo) e mangás, como no excelente MPD Psycho.

Em psicanálise, o pessoal dá o nome para este distúrbio de "dissociação psíquica" e a define como "funcionamento independente de grupos de processos mentais autônomos que permanecem separados uns dos outros". Nada como um cientista para tirar o glamour da coisa...

Todo mundo faz algum tipo de dissociação. Você por exemplo consegue se imaginar se vendo na tela de uma TV? Pois é, você acabou de fazer uma dissociação.

Quando você está dirigindo você conscientemente faz todos os movimentos necessários para conduzir o veículo? Na realidade você delega a uma parte de você esta tarefa e faz isso "automaticamente". Você está dissociado.

O problema é quando esta dissociação se torna muito complexa e você não consegue o controle sobre ela. Foi o que aconteceu com Eva. Um dos pacientes mais famosos de múltipla personalidade que rendeu um filme excelente: As três faces de Eva (e o Oscar de melhor atriz em 1957 para Joanne Woodward).

Esta paciente procurou ajuda de um profissional por que tinha lapsos de memória (aliás, esta a primeira queixa de pacientes deste tipo). Estes lapsos estavam cada vez mais freqüentes e longos, às vezes abrangendo vários dias.

Durante as sessões, Eva se queixou de ter encontrado roupas "sexy" em seu guarda roupa e não lembrava de tê-las comprado. Pouco a pouco é descoberta uma outra existência de Eva: que os autores chamaram de Eva Blake no lugar da pacata dona de casa (chamada de Eva White), uma provocante dama da noite.

Os psicanalistas que a trataram fizeram um trabalho minucioso, buscando não só tratar da paciente, mas também comprovar o caso de múltipla personalidade. Um trabalho paciente com ambas as personalidades levou a uma riquíssima coleção de dados. Durante o tratamento surgiu uma terceira personalidade, uma mulher equilibrada, que pouco a pouco assumiu o controle das outras duas, tornando-se a face definitiva de Eva.

Um fator interessante é que Eva Blake era alérgica ao nylon enquanto que Eva White não.

O outro caso famoso (que também virou filme e rendeu o Oscar de melhor atriz para Sally Fields em 1976) é o de Sybil, uma mulher de cerca de 40 anos que tinha nada menos que 17 personalidades, inclusive a de um bebe, de uma adolescente e duas masculinas.

O livro relata, num dos capítulos, um evento fantástico. Sybil entra no consultório e resolve mostrar uma carta que recebeu de um homem que não conhecia. Ao abrir a bolsa, a encontra rasgada pela metade. A analista vê uma dramática transformação: Sybil muda a fisionomia, transfigurando-se, alterando inclusive alguns traços físicos de seu rosto e, com muita raiva, rasga a carta gritando: "todos os homens são uns monstros". A analista tinha acabado de assistir diante de seus olhos a transformação de Sybil em outra mulher (seria o mesmo que ver Bruce Banner virar Hulk).

Apesar de raro, este distúrbio é muito dramático, daí seu grande interesse tanto para o estudo psicológico como para a literatura e cinema. A razão para isso é que os casos de múltipla personalidade são como lentes de aumento para nos mostrar as nossas próprias contradições e de como é frágil aquilo que chamamos de "EU".

Neste contexto, a história de Sybil é muito interessante, apesar terem sido lançadas dúvidas em relação ao trabalho da analista (acusada alguns anos mais tarde de ter provocado deliberadamente o aparecimento de muitas das personalidades de Sybil, admitiu esta possibilidade, devido ao forte uso de hipnose e drogas no tratamento). A provável fraude é esquecida pelo grande público. Ficam a história e o filme.

Nerdshop: Clube da Luta, R$ 24,90.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A Pedra Mágica

Ficha Técnica 
A Pedra Mágica (Shorts)
Direção e roteiro: Robert Rodriguez
Elenco: Leslie Mann, Kat Dennings, Jon Cryer, James Spader, William H. Macy, Jimmy Bennett, Leo Howard, Jonathan Breck, Devon Gearhart, Rebel Rodriguez
Duração: 89 minutos

Sinopse: A rotina da cidade de Black Falls muda radicalmente quando um menino, Toby Thompson, acha uma pedra que pode realizar desejos.
Bem, ele não é o primeiro a achar e não é só ele que acha. O menino não se lembra muito bem da sequência dos acontecimentos e resolve contar a história como se fossem quadros independentes do tempo, e o elemento de ligação é uma pedra mágica. Esse é um dos motivos pelo qual o filme originalmente se chama Shorts (na tradução literal, "Curtas", que em absoluto faria qualquer sentido para uma criança brasileira).

O filme está centrado em três temas que se interligam. O primeiro deles é o desejo. A pedra atende aos desejos como qualquer padrinho mágico ou gênio: ao pé da letra. E nem sempre o que desejamos é realmente o que queremos, e muito menos o que obtemos. E às vezes a pessoa que está de posse da pedra não sabe de seu poder e acaba falando algo que não deve.

O segundo ponto é a economia local. Toda ela gira em torno de uma empresa chamada Black Box, que produz uma engenhoca multiuso que pode se transformar de aspirador de pó a laptop. E o vilão é o dono da fábrica, arrogante, egocêntrico e ambicioso. Um mau patrão e mau pai.

O terceiro ponto é a baixa interação entre pessoas. Apesar de todos estarem conectados via meios eletrônicos, há pouca interação interpessoal entre os adultos, entre crianças e adultos e até entre algumas crianças. Isso é representado pelos pais de Toby, que, em muitos momentos, um ao lado do outro, trocam torpedos que não chegam a ser lidos, por causa do mar de e-mails e mensagens que cada um recebe.

Os personagens são estereotipados, mas precisamos lembrar que estamos diante de um filme infantil, em que o vilão precisa ser bem identificável e o herói tem a faixa etária similar à da plateia (6 a 12 anos) e precisa ser um pouco vítima no início.

Toby, por exemplo, é o típico rejeitado. Menosprezado pela irmã mais velha, ele é vítima de bullying na escola, apanhando diariamente de uma turma de valentões, comandada pela filha do dono da Black Box (o que deixa Toby sem possibilidades de reação, por ela ser menina e por ser filha do patrão de seus pais).

Característica dos filmes de Robert Rodriguez é a possibilidade de redenção do vilão, após o confronto final. O vilão, no fundo, não é tão mau assim e pode aprender alguma lição do episódio. O filme é bem direcionado para crianças, e o fato de ele ser dividido em episódios pode agradar tanto aos pequenos, habituados com a linguagem dos desenhos animados, quanto aos um pouco mais velhos, que conseguem acompanhar a trama que interliga os episódios.

As cenas dos resultados dos desejos são muito agitadas e engraçadas, podem até agradar os adultos que acompanharem forçadamente seus pimpolhos ao cinema.

Podemos dizer que Robert Rodriguez fez um filme para toda a família. (Principalmente a dele. Há vários Rodriguez na ficha técnica, como seu filho de 10 anos e sua filha de menos de 1 ano tem um papel.) Em resumo, muito bom para as crianças. Pode também divertir muitos adultos, desde que se desliguem e relaxem.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Espelhos Irreais

Ficha Técnica

Título:
Espelhos Irreais
Autores: Ana Cristina Rodrigues (org.), Aguinaldo Peres, Ana Carolina Silveira, Daniel Gomes, Rodrigo Reis
Editora: Fabrica dos Sonhos / Multifoco
186 páginas

 
Sinopse: Coletânea de contos de fantasia, tendo como tema a realeza em mundos fantásticos. 

A Fábrica de Sonhos é uma proposta que reúne leitores e escritores de ficção científica e fantasia que buscam um espaço para mostrar seu trabalho. Este livro é o primeiro trabalho em papel da Fábrica.

Um dos cuidados que tive ao fazer esta resenha foi levar em conta a inexperiência de alguns dos autores em colocar seus textos para o público em geral. Dar "a cara pra bater" é um dos méritos de cada um deles e só por isso já merecem elogios. O cuidado está em ser sincero e ao mesmo tempo não desestimular um talento nascente. Tentarei evitar a "síndrome de Monteiro Lobato" (que desestimulou Anita Malfati ao criticá-la). 

O livro é formado por cinco contos, um de cada autor, tendo por base o tema da realeza. O título do livro Espelhos Irreais nos remete imediatamente à impressão de se tratar de um livro de fantasia; a palavra "irreais", porém, ainda que derivada de real, como rei, não nos remete de imediato à realeza. O que fica forte é a ideia de fantasia, mas não a de realeza. Só sabemos do mote que une os contos ao ler o prólogo, ou, para os que tem o hemisfério direito dominante, ao ver a ilustração da capa (em que a realeza está representada por uma torre refletida por um espelho).

Cada conto é precedido por uma breve biografia de seus autores para que o leitor consiga situá-los em um contexto e saiba com quem vai conversar.

O primeiro conto, de Aguinaldo Peres, "Os Três Trílios", nos traz um história construída como um conto de fadas que, apesar de usar vários elementos do gênero, consegue inovar ao construir personagens sem se prender a estereótipos. Ao longo da narrativa consegue surpreender o leitor em vários momentos. Uma boa história.

O segundo conto, "A Morte do Temerário", é de Ana Cristina Rodrigues, organizadora da coletânea e autora com bastante projeção na internet. Seu conto centra-se na figura histórica de Carlos, o Temerário, e as circunstâncias de sua morte, procurando dar um contorno heroico ao personagem através de uma explicação mágica para o acontecimento. Muito bem escrito e envolvente.

O terceiro, "Bohtu e o Elfo Negro", de Rodrigo Reis, conta a história do resgate do heroísmo adormecido do filho de um feiticeiro. O herói relutante tem que enfrentar um ser temível para vingar a morte e resgatar a honra de seus pais, além de salvar a cidade da presença maligna do elfo negro do título. O personagem e seus medos estão muito bem construídos e o final ultrapassa o simples derrotar do antagonista. Muito bom também.

O quarto, "Prelúdio", de Daniel Gomes, conta a história de dois mercenários que tentam resgatar uma princesa em busca de uma recompensa. A trama mostra-se maior do que eles podem supor. 

Este é o mais longo e o mais fraco dos contos. A leitura foi para mim difícil e cansativa. A impressão que eu tive é a de uma narrativa coletada em uma mesa de RPG, em que o mestre tinha que fazer contornos mirabolantes para ajustar a história, estragada por um bando de jogadores rebeldes. Talvez por isso tenha ocorrido o excesso de descrição de ações, como se fossem turnos (um bate, outro apanha e depois vice-versa).

O último, "A Gênese de um Novo Mundo", de Ana Carolina, transporta para um ambiente de ficção científica a típica história de estabelecimento de uma dinastia por um pretenso rei corrupto, à custa de uma princesa herdeira e aparentemente ingênua. Uma história divertida e bem escrita, porém, com os personagens muito estereotipados. Isso não tira o brilho da narrativa, visto que a originalidade da autora está na ambientação em que o sangue real vira DNA e o reino, um novo planeta a ser colonizado, sem que nada fique forçado.

Destes autores, quatro já podem ir além, com voos mais altos (uns até já estão nesse caminho). 

Quanto ao Daniel, seria bom ele buscar uma narrativa mais simples, escrever alguns contos curtos para aprender a ser sintético e um pouco mais coerente. Ajudaria se ele tiver um amigo leitor que se dispusesse a ler e apontar os defeitos, o que costuma-se chamar de leitor beta (não vale a mãe, que só vai falar bem, e nem o cunhado, que só vai falar mal).

Mais informações sobre o livro e como adquiri-lo, clique aqui.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Contos e Lendas da Mitologia Celta

Ficha Técnica

Autor: Christian Leorier
Tradução: Monica Stoael
Ilustrações: Maurício Negro
Editora: Martins Fontes
Páginas: 215

Sinopse: Coletânea de contos celtas de várias épocas.
Diferentemente da mitologia grega, a mitologia celta, apesar de sua forte influência nas lendas arturianas e da recente expansão da Wicca, que se apropria dela, é pouco conhecida. Este livro busca resgatar alguns dos mitos celtas e trazê-los ao leitor de hoje.

Existem duas razões principais para este desconhecimento:

  1. Os celtas, apesar de terem uma escrita, faziam pouco uso dela, pois consideravam que a palavra tinha poderes mágicos e reservavam a escrita para casos especiais.
  2. Foram derrotados pelos romanos que destruíram monumentos, documentos e mataram detentores de conhecimentos, eliminando boa parte dos parcos registros da história do povo celta.
O livro é composto por 16 histórias, seguidas por um posfácio em que o autor explica suas escolhas e analisa um pouco do material disponibilizado ao leitor. É inteligente colocar este tipo de informação no final do livro, pois evita spoilers e uma leitura contaminada pela posição do ensaísta.

Os contos devem ser lidos pelo que são: uma narrativa construída para, principalmente, entreter.

Muito mais que os gregos, os celtas deixam os deuses próximos dos homens, a ponto de só os percebermos por seus feitos extraordinários. Deusas sofrem as dores do parto e deuses envelhecem ou são mortos por flechas, enquanto homens podem se transformar em animais.

A primeira história, "O Erro do Rei Nuada", conta a saga das tribos de Dana e seu rei em confronto com os filborg, com a ajuda dos fomores. Os filborg e os fomores representam as forças primitivas e destrutivas, enquanto a tribo de Dana e seu rei são as forças da ordem.

Mas a ordem em si mesma não é um bem puro, pois pode se transformar em tirania, como ocorre quando Bres assume o trono.

A saga do rei Nuada segue em "A Segunda Batalha de Mag Tuareg", onde os antes aliados fomores agora são o inimigo. Neste conto tomamos consciência de quem são os filhos de Dana.

O terceiro conto, "A Busca dos Filhos de Tuireann", nos mostra um dos valores caros aos celtas: o heróismo, considerado desta forma como a capacidade de realizar feitos maravilhosos (vencer monstros invencíveis, subir a mais alta montanha, descer ao mais profundo dos mares, etc.).

O heroísmo pode mesmo trazer redenção ao mais cruel assassino, mesmo ante aos familiares das vítimas, e uma morte com honra seria um dos mais admiráveis feitos, como nos é mostrado nesta história.

A quarta e a quinta histórias ("O Príncipe do Abismo" e "A Cavaleira de Aberth") são sobre Pwyll, conhecido por ser Príncipe do Abismo. O "abismo", o que seria? Como em muitas culturas, é o reino subterrâneo dos mortos. Pwyll, após ter cometido uma descortesia com um estranho numa caçada, se oferece para reparar o erro. O estranho, porém, não é ninguém menos que Arawn, príncipe do abismo. Na nossa cultura seria o mesmo que encontrar-se com Satã, porém, para os Celtas não existe tanta polarização entre o senhor dos mortos e os homens ou deuses. Tanto que é possível um acordo entre eles, sem que haja um comprometimento maior a não ser cada um cumprir sua parte, e tanto um como outro honram o combinado.

O conto 6, "A Montanha Sobre o Mar", conta a origem de Londres e por que ela venceu tantos ataques até os dias de hoje.

O sétimo, "A Mulher Mais Bonita do Mundo", é sobre a relutância de Arianrod, uma poderosa maga, em aceitar seu filho e os estratagemas do pai adotivo da criança, Gwydion, para conseguir as bençãos da mãe para o menino. Nesta mesma história, há a criação de uma mulher artificial (feita por magia), por quem todos se apaixonam, até quem deve destruí-la.

O conto 8 fala de "A Fraqueza dos Ulates" (irlandeses). Uma deusa, Macha, vive oculta entre os homens, casada com um um deles, de quem fica grávida. Essa deusa, por falta da compaixão dos irlandeses em relação a seu estado, os amaldiçoa a sentir as dores do parto uma vez por ano, durante 15 dias.

O nono conto fala de um jovem Cuchulainn, que ousa reivindicar para si "O pedaço do herói", a primeira porção do primeiro porco a ser servido num banquete. Aqui a questão da honra e da bravura ganham novamente relevância, mostrando quão caro eram esses valores para os celtas. No conto, os dois pretendentes ao pedaço do herói brigam o dia inteiro para provar quem é digno de tal iguaria, mesmo que ao cair da noite a carne esteja pra lá de fria.

O décimo conto, "O Touro Castanho de Culnge", tem como tema a inutilidade da guerra movida por simples ambição, em que os dois lados saem perdedores. Apesar dos celtas serem um povo guerreiro e conquistador, tinham uma ética bem delineada em relação aos conflitos, como está retratado nesse conto.

O 11o conto, "Um Voo dos Cisnes", é uma bela história de amor com um final surpreendente, cuja mensagem é o verdadeiro amor transcende a aparência física, um conceito que só volta a aparecer nos contos de fada após a Bela e a Fera e mais recentemente em Shrek.

Os contos 12, 13 e 14 ("O Rei sem Reino", "O Casamento de Fionn" e "O Ciúme de Fionn") são sobre o Fionn, rei dos fiana, com destaque para "O Ciúme de Fionn". O amor proibído, mas realizado sob duras penas, de Diarmaid e Graine é o tema desta grande história, que pode ser considerada ancestral de "Tristão e Isolda" do ciclo arturiano e de todas as histórias de amor, de Romeu e Julieta à novela das sete.

O conto 15, "A ilha das mulheres", conta uma história com contornos fantásticos, em que aparecem seres belíssimos e tentadores que afastam os homens de seus propósitos e distorções de tempo, que lembram histórias fantásticas e até de ficção científica mais contemporâneas.

O último conto, "O Príncipe dos Bardos", conta a história de Tailesin, o maior de todos os bardos. A sua origem foi recontada inúmeras vezes em várias lendas orais e escritas. Tailesin faz parte do ciclo arturiano. Uma parte importantante é o duelo com Keridwen, em que Gwyon e a maga duelam entre si cada um assumindo a forma de um animal (como aparece no duelo entre o mago Merlin e a Madame Min no desenho A Espada era a Lei, dos estúdios Disney).

O último conto encerra muito bem o livro, pois os celtas colocavam o homem dentro de um universo em que conviviam com os deuses lado a lado e poderiam não só interagir diretamente como lutar e até vencê-los e, como acreditavam no poder da palavra, o simples fato de fabular e contar histórias dava um poder extraordinário a quem tinha capacidade de imaginação. Tal qual Tailesin, os criadores de fábulas atuais – escritores, poetas, roteiristas, diretores de cinema e teatro – tem um poder incomensurável, sendo capazes de criar mitos e lendas que ultrapassam a época em que foram escritos.

Nerdshop 


  • Contos e Lendas da Mitologia Celta, de Christian Leorier (Martins Fontes). Livraria Cultura

  • quinta-feira, 8 de abril de 2010

    A Sombra dos Homens


    Título A Sombra dos Homens A Saga de Tajarê: Livro I
    Autor: Roberto de Souza Causo
    Editora: Devir
    Páginas: 120
    Ano: 2004

    O índio Tajarê, um herói de seu povo, vê estranhos, vindos de Muita Água, entrarem em seu território. Orientado por Anhangá, Tajarê rapta uma mulher de pele muito clara que parece ser a líder da expedição, Slaja. Slaja, tem uma missão; libertar o seu deus, Loki, há muito aprisionado, para que dê início ao Ragnarok, a batalha final entre os deuses nórdicos. A junção destas duas forças, ora em conflito, ora em harmonia dará início a uma saga de aventuras, onde não faltarão monstros mitológicos, seres mágicos, poder da espada e poder da magia, num confronto de forças que transcende os destinos de Tajarê e Slaja. 

    Roberto Causo tem um propósito bem definido ao escrever este romance. Ela pretendia à época da primeira aparição de parte deste romance nas páginas da revista Dragão Brasil, em 1995 dar início a um movimento que ele mesmo chamou de "Borduna & Feitiçaria". 

    Numa brilhante introdução de Bráulio Tavares (que recomendo a leitura após terem lido o romance, se não gostarem de spoilers), temos uma idéia do que seria este movimento. Causo vê, com razão, que os temas de fantasia medieval falam tanto aos ouvidos do brasileiro como uma guerra em outra galáxia (talvez até menos, haja visto o sucesso de Guerra nas Estrelas na Terra Brasilis). Ou seja gostamos e curtimos, mas quase não encontra eco na nossa mitologia cultural. Somos um povo sem mitos? Causo acredita que não e tenta mexer com eles resgatando três vertentes mitológicas que aterraram nesta Terras de Santa Cruz: a Indígena, representado pelo protagonista Tajarê, que transcende seu antecessor Peri, pois não é o índio idealizado pelos europeus, e também seu antecessor Macunaíma, pois Tajarê tem caráter, um caráter que o aproxima de outros heróis míticos; a européia dos chamados povos do norte (os vikings), resgatando uma referencia a vinda destes povos no norte do país (as carrancas dos barcos do rios São Francisco seriam uma herança desta passagem), representada pela determinada Slaja, que só vacila diante do ora amado, ora inimigo, Tajarê; e a européia dos povos celtas, representada pelas Amazonas, ou Icamiabas (mulheres-sem-homens), originadas da extinta Atlântida, antagonistas poderosas, que foram perdendo sua magia ao longo tempo.

    Causo navega ao longo do romance com um estilo que lembra uma mistura de narrativa seiscentista (tipo "Carta de Caminha") com narrativas indígenas. Isso é feito de forma natural, que rapidamente elimina o estranhamento inicial, fazendo a leitura fluir muito bem.
    A história tem dimensões épicas e os dois principais personagens estão muito bem caracterizados tanto como membros típicos de seus povos, como no seu parcial aculturamento, representado no caso de Tajarê quando se apropria da espada de um guerreiro viking, no caso de Slaja (um aculturamento muito mais forte) representado pelo seu filho Niadorã, que teve com Tajarê, que quase a faz esquecer de sua missão.

    Há o confronto das culturas também, representado de várias formas, como batalhas mesmo: a batalha entre Tajarê e o grupo de vikings que veio em defesa de Slaja, batalha entre Tajarê e a aldeia das Icamiabas, ou como embates de criaturas sendo a mais dramática a luta entre Mboitatá e o Kraken, ou, ainda, embates pessoais como entre a líder das Icamiabas e Slaja, desejosa de roubar de Slaja o segredo de transformar-se em ave.

    Vale ainda destacar a capa de Lourenço Mutarelli, que consegue captar muito bem todos este contrates, retratando a cena mis dramática da história.

    Todas estas qualidades contudo me fazem perguntar: o que houve com o movimento Borduna & Feitiçaria?

    Será que os possíveis leitores de sagas deste tipo ficaram traumatizados com José de Alencar e Mario de Andrade ao lerem obrigados "O Guarani" e "Macunaíma"?

    Será que a dominação cultural americana e européia nos fez esquecer de nossos próprios mitos?

    Será que só o Causo levantou a voz e a espada (digo, borduna) para defender este ideal?

    Ler esse livro (excelente) me fez lembrar algumas coisas. A primeira é o caso da Turma do Pererê, do Ziraldo. Escrita nos anos 60, com preocupações de resgatar valores culturais brasileiros, com personagens e histórias bem feitas, também não decolou. Já o Menino Maluquinho, do mesmo Ziraldo, teve uma repercussão bem maior.

    Pode-se pensar em marketing mais agressivo ou momento de mercado ou inibição provocada pela censura. Porém não creio ser este o caso. O Menino Maluquinho é um personagem urbano, bem característicos de uma cidade como São Paulo e fala mais alto que um saci para crianças que crescem na cidade.

    No caso de Tajarê, embora tenha gostado do livro e esteja ansioso para ler o livro II, (que espero que Causo se anime em publicar), ele ainda me parece distante. Talvez o mito de um herói do tamanho de Tajarê tenha morrido com a chegada das caravelas e dos "descobridores", que estavam pouco interessados na cultura de um povo que, querendo ou não, acabaram por destruir.

    Um resgate de uma raiz não é coisa fácil. Talvez por isso George Lucas tenha recriado toda a mitologia arthuriana, fundindo-a com várias outras e a colocou numa galáxia distante, há muito tempo atrás (talvez no tempo de "era uma vez...").

    A Travessia

    Ficha Técnica

    Título:
    A Travessia

    Autor: Roberto se Souza Causo
    Editora: Hiperespaço (amadora) / Coleção Fantástica
    Páginas: 80
    Ano: 2009

    Sinopse: Em continuação ao livro A Sombra dos Homens, A Travessia segue contando a saga de Tajarê, herói épico pré-cabralino, e Slaja, sacerdotisa viking que cá aportou em busca de libertar Loki. No decorrer da ação, Slaja foi capturada por Tajarê, que a tomou como esposa. Slaja deixa aldeia mas é feita prisioneira das amazonas. Nesta noveleta, Tajarê e Slaja, agora juntos, mas ainda separados por suas missões diferentes, tem que retornar a sua aldeia, em meio ao caos gerado por Tajarê ao invocar forças mágicas para libertar sua amada.

    Hiperespaço é um fanzine importante para a segunda onda de Ficção científica, revelando alguns autores, entre eles Roberto de Souza Causo, que ainda militam no meio. Entre as contribuições está a Coleção Fantástica que teve uma coleção de pequenos livros lançada em 1999 e retomada recentemente, com alguns lançamentos, entre eles, A Travessia.

    Notamos aqui ainda presentes as principais boas características apontadas em A Sombra dos Homens, que continuam a merecer a atenção de uma boa editora e da leitura livre de preconceitos por parte dos leitores. O desinteresse da Devir, que continua a prestigiar o autor em outras publicações, se deve provavelmente pela ausência de leitores.


    Por que um livro bem escrito não encontra eco nos leitores? O livro tem tudo para agradar o leitor em busca de aventura. Feitos heróicos. Perigos imensos. Intriga e amor. Espada e magia, ou melhor, borduna e feitiçaria. Resta infelizmente constatar que o leitor urbano não se sente atraído por um herói que é um índio brasileiro.

    O gênero Borduna e Feitiçaria continua esperando por seu público e Roberto Causo ainda espera um destino melhor para seu herói.

    Para obter mais informações sobre publicações de Hiperespaço, clique aqui

    segunda-feira, 5 de abril de 2010

    A Guerra das Sombras - O Livro de Dinaer

    A Guerra das Sombras
    Livro de Dinaer

    Autor: Jorge Tavares
    Editora: Novo Século
    Páginas: 424
    Ano: 2006

    Sinopse:  Rairom é filho do regente de uma das províncias do Império das Sombras. O Império é comandado pelo ambicioso e belicoso Fairon, que sonha em transformar o Império num estado totalitário e conquistador, mas vê seus planos frustrado por Zairon, que o impede de mobilizar as tropas, valendo-se de sua influência junto às outra províncias. Um equilibrio de forças se estabelece, mantendo o Império numa federação, com relativa indepência às províncias. Este equilibrio é quebrado por um guerra interna. Rairom cedo perceberá que além dos homens outras forças estão atuando, no qual a guerra é na realidade um imenso jogo.

    Escrever literatura fantástica épica é um grande desafio, principalmente tendo como balizador O Senhor dos Anéis, de J.R. Tolkien.

    Primeiro livro de uma tetralogia, A Guerra das Sombras Livro de Dinaer causa uma impressão favorável, animando até o leitor mais exigente a procurar os outros livros. O desafio de um autor deste tipo de literatura a transcender a simples aventura e colocar o leitor num nível que atinge seu inconsciente mais profundo, resgatando o inconsciente coletivo da humanidade, como um criador de mitos clássicos.

    Este desafio parece ter sido vencido por Jorge Tavares, ao criar uma aventura épica, em que não faltam batalhas entre defensores de uma linha política progressista contra um império totalitário e personalista. Só de escrever isto sem parecer estar fazendo uma colagem de Senhor dos Anéis com a Távola Redonda já é um grande mérito.

    Mas isso só não basta. E realmente há mais. A aparente luta entre homens é só um pano de fundo para uma guerra muito maior, de natureza cósmica e sobrenatural, onde os homens são mero joguetes nas mãos de deuses, onde a noção de bem e mal segue critérios próprios e diversos daquilo que os personagens e os leitores chamam de "moral" ou "ética".

    O autor nos brinda com algumas surpresas, uma delas causando um forte estranhamento ao se mudar a narrativa de terceira pessoa para primeria pessoa. Isso ocorre mais ou menos na metade do livro, quando temos um vislumbre de quem está realmente narrando a saga de Rairom Guenor, o jovem mago que tem em suas mãos o destino de toda a humanidade e o seu irmão Tairom, que aos treze anos por um capricho do destino tem que assumir o trono o momento de maior crise do reino onde vive.


    A Guerra das Sombras – Livro de Ariela

    Autor: Jorge Tavares
    Editora: Novo Século
    Páginas: 350
    Ano: 2007

    Sinopse: Doze anos após os acontecimentos narrados em A Guerra das Sombras – Livro de Dinaer, a saga de Rairom, longe de ter terminado, ainda terá muitos desdobramentos. Quem narra a história desta vez é a jovem Ariela, princesa de Delón, povo a quem foi confiada a missão de impedir que o Aloriam, mensageiro do caos, atinja seu objetivo de destruir a ordem e com ela o mundo como o conhecemos. Logo ela descobre que o jovem mago Rairom, a quem ajudou, é o Aloriam que tanto odeia. Decide então acompanhá-lo numa longa viagem através da Península Oreânica, enquanto o Império das Sombras, liderado pelo sanguinário Larcan, em sua louca sede de conquistas, destrói tudo em seu caminho.


    Jorge Tavares, ao retomar a narração de A Guerra das Sombras, muda o narrador, que no primeiro volume é o proprio Dinaer, um ser onisciente e com poderes grandes suficientes para mudar o rumo dos acontecimentos, para jovem Ariela, mergulhada no olho do furacão de acontecimentos em que apenas tem uma visão parcial e limitada.

    Ainda que a moça seja uma maga de poderes muito grandes e faça parte de uma cultura que tradicionalmente espera pela vinda do Aloiram para lhe dar combate, ela é, como todos os seres humanos envolvidos, apenas um instrumento nas mãos de forças que não consegue compreender totalmente. Sua narrativa então é contaminada por seus preconceitos, por sua ignorância e por seus sentimentos, que longe de empobrecer a história, a enriquece.


    Rairom, mesmo com todo o poder a ele conferido, também é manipulado e dirigido por forças que ele apenas pode vislumbrar. Disposto primeiro a rejeitar Dinaer e a missão de Aloiram, o que lhe provocou uma doença, decide ir de encontro ao poder certo de que conseguiria libertar-se de seu pesado fardo.


    Muitas reviravoltas tanto no mundo meramente humano, onde há uma guerra em curso, como no mundo espiritual onde duas forças igualmente titânicas – a Luz e o Caos – estão em choque permanente. Uma coisa que os personagens e o leitor engajado na trama irão perceber é que não basta apenas escolher um lado e defendê-lo. A resposta está muito além disso.

    O climax do livro é a Batalha de Algar, muito bem contada, digna de um romance épico, com lances dramáticos, típicos de uma batalha arturiana.

    Há dois pequenos senões para o livro. Após a batalha, espera-se um confronto entre Ariela e Rairom ou um gancho para o próximo volume. O confronto ocorre na forma de um diálogo entre os dois em que alguns fatos importantes são revelados. Embora tenha sido bem escrito, tem-se a sensação de pressa. Algumas coisas são contadas de forma superficial e, mesmo que o quebra cabeça se encaixe, tem-se a sensação que falta algo.

    O segundo senão é sobre o personagem Laqueu. Ele cumpre um importante papel na viagem de Ariela pela Península, revelando-se um bom contraponto entre o comportamento arrogante e decidido da princesa e o comportamento dele, de laissez-faire, com uma motivação mercenária para acompanhá-la. Tornou-se duas coisas: o alívio cômico e o personagem que pode fazer o que a heroína não pode, já que ele tem um caráter não tão nobre.

    Porém ele simplesmente some após o regresso. Ficou clara, durante a jornada, a evolução dos laços de amizade entre eles e seria muito interessante colocá-lo ao lado de Ariela até a batalha de Algar.

    sábado, 27 de março de 2010

    Fábulas do Tempo e da Eternidade

    Ficha Técnica

    Fábulas do Tempo e da Eternidade
     
    Autor: Cristina Lasaitis
    Editora: Tarja
    Páginas: 174
    Ano: 2008


    Sinopse: Em doze contos, misturando os gêneros ficção científica e fantástico, a Cristina Lasaitis conta histórias que tem por pano de fundo o Tempo e a Eternidade.
    Ao ler os primeiros parágrafos deste livro, temos a sensação de que a autora tem um domínio muito grande de sua ferramenta principal: a linguagem. Seu texto parece poesia, trabalhando cenas, diálogos, personagens e sensações muito bem.


    E também demonstra ser igualmente hábil nos dois outros quesitos pra se fazer uma boa ficção científica: saber escrever uma boa história e ter um bom conhecimento científico.


    Como o tema é "tempo e eternidade", o sumário é uma representação gráfica de um relógio. Começando à 1h00, com um conto sobre a internet: "Além do Invisível". Parece que ela fez de propósito pra contrariar minha crônica no Pai Nerd, onde afirmo que não há boas histórias sobre a internet na literatura clássica de FC. A autora sabe o que faz! Constrói um enredo sobre o relacionamento entre duas pessoas no mundo virtual, com delicadeza, com sutileza e com um final surpreendente.


    Às 2h00, aparece o conto, "As Asas do Inca", onde somos levados para o império pré-colombiano, às vésperas da invasão espanhola, demonstrando um outro domínio: o dos mitos e lendas do povo Inca. Novamente a linguagem brilha.


    Às 3h00, "Nascidos das Profundezas", onde descobrimos que o desconhecido pode estar debaixo de nosso narizes. E o futuro pode estar no passado.


    Às 4h00, "Revés Alquímico", num campus de uma universidade com os problemas típicos de uma instituição de ensino do Brasil: falta de verbas, professores dedicados mas pouco valorizados, etc., um velho professor se dedica a uma pesquisa bem pessoal. Quem estudou Química em uma universidade pública vai se sentir em casa.


    Às 5h00, "Assassinando o Tempo", onde aparece a personagem Cláudia Mansilha, muito bem construída pela autora. Neste conto o tema "tempo e eternidade" aparece com mais força e cercado por uma verossímil teoria física, mostrando que Cristina Lasaitis é realmente uma escritora de ficção científica que merece este nome, pois consegue transitar tanto na ficção científica soft quando na hard.


    Às 6h00, "A Outra Metade" nos leva novamente ao fantástico, num bem construído conto sobre almas gêmeas.


    Às 7h00, "Viagem Além do Absoluto", mostra uma outra faceta da FC, a cosmogonia, um conto que tem como pano de fundo o cosmos em seus últimos instantes. O nome do conto poderia ser "Enquanto houver Aurora", uma frase que aparece algumas vezes no texto, o que seria muito mais poético.


    Às 8h00, em "De Onde Viemos, para Onde Vamos", velhos intelectuais fracassados se reúnem num café, discutindo filosofia diante de um ouvinte privilegiado. Um conto de FC que toca o fantástico, onde a ciência é a Filosofia.


    Às 9h00, "Irmãos Siameses", um texto que também resvala no fantástico, nos conta a vida de dois irmãos que não podem se separar. As ciências que servem de apoio são a medicina e a psicologia. Uma boa história dramática, que certamente pode arrancar algumas lágrimas dos mais sensíveis.


    Às 10h00, "Caçadores de Anjos", nos remete à Idade Média e à Inquisição, onde nem os anjos eram poupados da fogueira.


    Às 11h00, "Os Parênteses da Eternidade", onde um correio entre épocas permite uma conversa de alguém do presente com que ainda não nasceu. A dra. Mansilha é citada mais uma vez, mas apenas para ligar esta história com "Assassinando o Tempo". O lado humano da ficção hard.


    E, finalmente, à meia noite, fechando o volume, o conto "Meia Noite", onde o tema internet, é retomado no mesmo universo do primeiro conto, fechando o que ali foi aberto.


    No geral, Fábulas do Tempo e da Eternidade é um livro excelente, mostrando versatilidade da autora, que não deixa de ser brasileira para ser universal.

    terça-feira, 16 de março de 2010

    O Livro dos Contos Enfeitiçados

    Ficha Técnica

    O Livro dos Contos Enfeitiçados
    Autor: Martha Argel
    Editora: Landy
    Páginas:
    166
    Ano:
    2006
     
    Sinopse: Em sete contos, Martha Argel nos conta histórias sobre bruxas.

    A bruxa como personagem fantástico habita o imaginário humano há muito tempo, sendo o vilão principal dos contos de fadas. A partir dos anos 60, contudo, a bruxa deixou de ser apenas vilã para lutar ao lado de fadas e magos, exercendo um novo papel na literatura, tiradas do ostracismo com a crescente liberação das mulheres.

    Dentro desta perspectiva transcorre esta série de contos. Tem em comum também que, na maioria deles, algumas mulheres nascem bruxas e são despertadas.

    Em "Amarelo, Amarelo", uma mulher tem que tomar conta da sobrinha por alguns dias, justamente quando tem que ir à Festa (assim mesmo, em maiúsculo). O gosto extremamente exagerado da menina pela cor amarela dá (literalmente) o tom ao conto. Nele notamos a habilidade da autora em contar a história desvendando pouco a pouco tanto o caráter da tia como da sobrinha e dando um desfecho bastante bom que pode surpreender alguns leitores

    Em "Eu detesto futebol", temos uma narrativa bem humorada de um problema comum para maioria das mulheres: o rival futebol. Numa convenção de bruxas, que também tinham este problema, elas resolvem com um feitiço poderoso suprimir o futebol da história do mundo, obtendo resultados inesperados.

    Em "O Verdadeiro Poder", a autora conta uma legítima história de bruxas e bruxos, com batalhas contra entidades malignas. Neste conto, Martha Argel demonstra conhecer bem, pelo menos em teoria, a Grande Arte.

    O humor volta em "O Olho vermelho", onde um alarme baseado em um sensor de movimento leva o hospede de um quarto a imaginar coisas apavorantes.

    Ainda no viés humorístico, temos "Final Feliz", que nos mostra um conto de fadas, contado de outro ponto de vista: será que casar é viver feliz para sempre?

    O conto que dá nome ao livro, "O Livro dos Contos Enfeitiçados", entra pela ótica do terror. Um livro escondido dentro da biblioteca de uma escola, segundo lenda que os estudantes contam, pode prender o leitor para sempre, vivendo seu pior pesadelo.

    Fechando o livro, temos o conto "Sofia", onde uma jovem fica sozinha no fim de semana de seu aniversário e terá muito que contar depois, se alguém acreditar. Um clássico de batalhas entre bruxas, muito bem escrito.

    O livro é agradável e de fácil leitura, garantindo bons momentos de prazer para quem gosta de literatura fantástica.

    Nerdshop:
    O Livro dos contos Enfeitiçado , de Martha Argel (Landy Editora):

    quarta-feira, 10 de março de 2010

    Invisíveis - Revolução 1


    Ficha Técnica

    Os Invisíveis –Revolução 1
    Autores: Grant Morrison (roteiros), Steve Yowell, Jill Thompson, Dennis Cramer (desenhos)
    Editora: Pixel
    Páginas: 228
     
    Sinopse: Adolescente é preso, após ação terrorista da qual participa. Posteriormente é resgatado e cooptado por uma organização secreta, Os Invisíveis. Cedo descobrirá que está envolvido num conflito de dimensões muito maiores que supõe.

    Publicado entre 1994 e 2000, a série Invisíveis ganha este volume da Pixel, que é uma reunião encadernada dos oito primeiros números, contendo as histórias "Beatles Mortos", "Tão Fodido no Céu como no Inferno" (partes de 1 a 3) e "Arcádia" (parte de 1 a 4).

    Carregado de referências, que passam pela filosofia, política, rock, esoterismo, ufologia, mitologia de diversas culturas, HQs, história e literatura, Grant Morrison compõe um enredo extremamente complexo, dinâmico, que prende o leitor.

    As referências tornam a leitura complexa para quem quer pegar todos os nuances da trama (inclusive trocadilhos muito sutis e algumas piadas). Todavia, o dinamismo da história permite uma leitura mais superficial para os que assim desejarem. Um glossário no final e algumas notas da tradução ajudam um pouco.

    Todo início de um arco de histórias é precedido por uma página onde algo está acontecendo em paralelo e dá uma dica sutil (por vezes sutil demais, outras, nem tanto) que conduzirá à chave para explicar inicialmente o arco de histórias e posteriormente toda a trama. Por exemplo em "Beatles Mortos", onde somos apresentados à série, a página em questão mostra um diálogo entre dois personagens. Neste diálogo, onde está sendo passado o que seria um sinal da missão a ser empreendida, são feitas diversa referencias a besouros, que serão exploradas muitas vezes não só no capítulo em si, como durante a trama. (ver adiante em Rede de referências).

    A narrativa principal de Invisíveis tem como característica a máxima "nada é o que parece", lembrando os enredos de Phillip Dick (a influ~encia do romance Valis é notória) e principalmente Matrix, que aliás não é mera coincidência. 

    Ao ler a HQ temos um deja vù, nada a se estranhar, pois Matrix copiou descaradamente personagens, ideias, visual (os óculos escuros, por exemplo) e até cenas inteiras (até com diálogos), para não dizer tudo de Invisíveis

    A Pixel acertou em reeditar este clássico, porém cometeu alguns delises: não está indicado em lugar nenhum quantos volumes serão e não há qualquer tipo de índice dos capítulos.
     
    Rede de referências:

    (Spoiler: se quer deduzir a história por si próprio, NÃO leia os parágrafos a seguir):

    Beatles Mortos
     
    O título faz referencia os dois membros da banda que já haviam morrido: John Lennon e o "quinto Beatle", Stuart Sudclife, que deixou a banda em seu início, morrendo pouco depois. Há um diálogo entre os dois presenciados por um dos personagens que não se dá conta do absurdo da cena.

    Na primeira página, o objeto que indica qual é a missão é um escaravelho mumificado. O escaravelho é uma espécie de besouro. Um dos personagens fala que "quando abandonamos o planeta, partimos num enxame de besouros dourados". O título do episódio é "Beatles Mortos", referência ao grupo de rock inglês, cujo nome é um trocadilho com a palavra beetle, que significa besouro.

    O episódio fecha com uma piada envolvendo a morte de um besouro. Pára aí? Certamente não. O escaravelho é o símbolo da morte e da ressurreição porque desce às profundezas e volta trazendo o sol. Há outras chaves ainda. Vale a pena retornar a estas páginas de quando em quando para tentar montar o quebra-cabeças que é Invisíveis.

    Algumas outras referências a procurar: filosofia anarquista, óculos escuros, Laranja Mecânica, Tarot, Sandman.

    Tão Fodido no Céu quanto no Inferno
     
    A página que precede o início do arco de histórias mostra um discurso onde é dito que os pensamentos das pessoas são plantados por seres que querem nos controlar.

    Em uma das cenas, um personagem mostra um disco e branco e pergunta; "o que você vê no espelho". É uma referência à iniciação dos mistérios de Eleusis, da Grécia Clássica, onde o iniciado era colocado diante de um espelho e, por meio de uma trucagem, não via o seu rosto, mas uma caveira. O resultado era um susto. Uma afirmação de um mestre da época: "sem susto, não há aprendizado".

    Atenção para o nome Barbelith. Ele está relacionado com a Gnosis, uma anglisação do termo Barbelos, que significa "as emanações de Deus". Há também uma aproximação com o nome Lilith, a mãe-esposa de Adão, que está associada à lua nova. É uma importante chave para o entendimento da trama.

    Observe a presença de ETs na alucinação do personagem principal (Dane McGowan), durante sua iniciação.

    Outras referências: processo iniciáticos baseados em choque, processos iniciáticos baseados em drogas, mitologia inglesa (céltica), caça à raposa, óculos escuros, ETs, Gnosis e 1984.
     
    Arcádia
     
    A página que precede o início do arco é um diálogo entre dois apreciadores do teatro de sombras, onde um determinado artista consegue com sua habilidade fazer que os espectadores acreditem ser aquilo real.

    Neste arco, as principais referências estão relacionadas com a revolução francesa e suas consequências, o poeta Shelley e sua esposa (Mary Shelley, criadora do Frankstein), Lord Byron e o Marquês de Sade.

    Há uma descrição da desastrosa viagem de Mary Shelley para rever o marido, que causou a morte de sua filha mais nova, então um bebê. Esse incidente levou o poeta à depressão, pois sentia-se culpado pelo que acontecera. No caminho, Mary Shelley encontra um personagem que não diz seu nome mas dá algumas pistas, a principal é de que não aparenta a idade que tem. Isto e o dialogo que tem com ela dão uma dica muito clara para quem conhece filosofia esotérica.

    Uma outra forte referência está relacionada ao controverso Marques de Sade e seu livro mais famoso, Os 120 dias de Sodoma. O marquês é mostrado em uma fase bastante decadente em sua vida, logo após o término de sua prisão. O enredo de seu livro mistura-se a referências ao século XX. 

    Outras referências: Caliostro, Saint Germain, código de barras, mitologia Asteca, João Batista.

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    Invisíveis - Revolução Volume 1 - Grant Morrison